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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

A operação algo providencial de Bolsonaro e seu 'discurso' na Assembleia da ONU, por Janio de Freitas



Além de (provavelmente) poupar o Brasil de vexames, se cancelar a agenda na ONU por motivos de saúde, Bolsonaro terá uma agenda tão ou mais importante: as investigações que atingem Flávio


De um lado, o fundamentalismo e seu Plano de Poder... do outro, o oportunismo... no centro, a vergonha... Foto: Alan Santos/PR



Jornal GGN As movimentações recentes do presidente Jair Bolsonaro sugerem que seu estado de saúde não é grave. Mesmo assim o Planalto anunciou que sua agenda ficará trancada a partir deste domingo (08) e pelos próximos dias por conta da correção de uma hérnia que surgiu na região onde foram feitas três operações desde o atentado que sofreu um ano atrás.
Bolsonaro tem um discurso marcado para realizar na Assembleia Geral da ONU, em 24 de setembro, em Nova York, declarando que, independente do seu estado de saúde, vai comparecer ao encontro, “nem que seja de cadeira de rodas, de maca”.
“Vou comparecer porque eu quero falar sobre a Amazônia, mostrar para o mundo com bastante conhecimento, com patriotismo, falar sobre essa área ignorada por tantos governos que me antecederam”.
Janio de Freitas observa nas falas do presidente argumentos de que ele não irá comparecer na Assembleia da ONU:
“Ao informar da hospitalização, Bolsonaro falou em ‘férias de dez dias, talvez doze’. Duração bem maior, e com fim mais próximo da viagem, do que a previsão médica de ‘uns sete dias’. Pouco depois, fez a menção dramática à possível ida ‘de cadeira de rodas’ e, logo, ‘até de maca’. Duas formulações não motivadas que contrapõem, no senso comum, a cirurgia e a viagem a Nova York”.
“O aparecimento repentino da hospitalização e sua data dão a Bolsonaro o recurso da eventual ‘recomendação médica’ de não viajar”, pontua. “Seria uma ‘ausência forçada’, caso venha a lhe parecer, se ainda não parece, que a ida à ONU é uma imprudência. Ou provocação”, completa.
Janio prossegue lembrando que o “ambiente da ONU só pode ser o mais impróprio para Bolsonaro”:
“É natural que por lá não tenham esquecido sua afirmação de que, eleito, retiraria o Brasil da entidade, tratando-a como um amontoado de comunistas. E, mais recentes, seus ataques ao secretário-geral António Guterres e à dirigente do Alto Comissariado de Direitos Humanos, Michelle Bachelet, de muito prestígio na diplomacia e entre políticos de nível internacional”.
“Amazônia condenada, indígenas perseguidos, liberação de armas, ataques a Noruega, Alemanha e França integram o cardápio da recepção a Bolsonaro. Sem surpresa, se ao som de vaias”, prossegue ainda o colunista.
Janio pontua também que, além de poupar o Brasil de passar vergonha, permanecendo aqui, Bolsonaro terá uma agenda tão ou mais importante do que a ONU: a volta da discussão em torno das investigações que atingem seu filho, Flávio Bolsonaro.
“Embora não se possa afirmar que haja polícia capaz de investigar, de verdade, os entornos políticos e outros das milícias, a desarticulação que Bolsonaro quer fazer na Polícia Federal, facilitada pelo exangue Sergio Moro, deve ter retorno. E o hoje senador Flávio Bolsonaro é muito vulnerável no tema milícias e milicianos, com os imagináveis desdobramentos. Aliás, não é o único na dinastia”, reflete.
“Em todos os sentidos, o melhor para o país é que Bolsonaro dispense mesmo a cadeira de rodas, a maca e o avião. Lá fora talvez até debitem a ausência à cirurgia”, conclui.Clique aqui para ler a coluna na íntegra.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Sem provas, Lava Jato não indicia Lula na Triplo X, artigo de Patrícia Faermann

 
Jornal GGNConforme adiantou o GGN na última sexta-feira (12), a Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação Triplo X, referente ao edifício Solaris no Guarujá. Até então em segredo de Justiça, o documento foi liberado nesta quinta-feira (18) pelo juiz Sergio Moro. Sem provas, a PF não indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas os investigadores indicam que não tiraram a mira de Lula.
 
Deflagrada com o objetivo de investigar a suspeita de envolvimento do ex-presidente, suposto beneficiado pela construtora OAS, que assumiu a construção do edifício no litoral paulista após a Bancoop decretar falência, o resultado das diligências realizadas desde o dia 28 de janeiros deste ano, com a 22ª fase da Lava Jato, não trouxeram as provas esperadas.
 
Ao contrário, os investigadores se depararam com indícios de uma das maiores lavadoras de dinheiro no mundo, a Mossack Fonseca, que teve uma de suas offshores figurando como detentora de outro dos apartamentos triplex no edifício Solaris. Os depoimentos prestados, coletas de documentos e provas obtidas desde então só apostavam como alvo a possível relação da aquisição desse imóvel com recursos ilícitos obtidos a partir de corrupção da Petrobras.
 
Ainda assim, o fato de o ex-presidente ter tido interesse, inicialmente, em comprar um dos apartamentos do condomínio, a partir da aquisição de cotas da Bancoop, levou a equipe da Lava Jato a publicizar Lula como a mira constante dessa investigação.
 
Não à toa que, agora público o inquérito do caso Triplo X, sem indiciar Luiz Inácio Lula da Silva, nenhum jornal trouxe destaque para a notícia, que foi divulgada como mais uma do noticiário comum.
 
O Uol, que trouxe mais espaço ao documento dos delegados, publicou que Lula não é indiciado, com um adendo: "O ex-presidente Lula e seus familiares não foram indiciados. A real propriedade do apartamento do Guarujá, porém, é apurada em uma investigação à parte", escreveu o repórter André Shalders.
 
Em seu twitter, o jornalista enfatizou: "Atenção: Lula não foi indiciado na Triplo X, mas há outro inquérito em curso para apurar o suposto pagamento de propina através de reformas".
 
A notícia de que o ex-presidente não saiu da mira dos investigadores da Lava Jato, apesar de não divulgada no referido inquérito ou pela voz de nenhum dos procuradores, é um sinal de alerta da imprensa para a equipe de Sérgio Moro: se a Lava Jato quer voltar a ter publicidade, precisará indiciar a pessoa certa - Lula.
 
Conforme o GGN adiantou na última semana, os autos do inquérito 5003496-90.2016.4.04.7000, que investiga os crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e organização criminosa pela empresa Mossack Fonseca, não indicavam Lula como investigado, apesar de seu nome ser arrolado em todas as fases das diligências, em depoimentos, buscas de documentos, etc.
 
No lugar dos nomes investigados, a PF preferiu até a última semana restringir-se a informar: "Indiciado: A Apurar", a exemplo de todos os outros processos em investigação contra Lula, como o do sítio em Atibaia, que também não traz o seu nome entre os indiciados. A referência é usada quando ainda faltam informações para concluir o trabalho - o que contradiz com a notícia,antecipada pelo GGN, de que o inquérito final estava pronto.
 
O INQUÉRITO
 
Neste processo, com foco na lavadora de dinheiro, foram indiciados a chefe do escritório da Mossack no Brasil Maria Mercedes Riaño, Luis Fernando Hernandez, Rodrigo Andrés Cuesta Hernandez, Ricardo Honório Neto e Renata Pereira Britto, que trabalhavam para a Mossack, e o empresário Ademir Auada, que intermediava negócios da offshore.
 
Sem provas, o ex-presidente não apareceu como indiciado. Mas o máximo que os investigadores puderam chegar para arrolar o envolvimento dos negócios do condomínio com figuras do Partido dos Trabalhadores, expuseram nos autos.
 
Quando os delegados narram como chegaram aos indícios contra a Mossack, explicam que o foco inicial estava na compra de um apartamento no Condomínio Solaris por Marice Correa de Lima, cunhada de João Vaccari Neto. Marice que adquiriu a cota por R$ 150 mil no ano de 2011, pela Bancoop, foi apontada como "suspeita" por vendê-lo por R$ 432 mil, "fato extremamente atípico se considerarmos o ganho de capital obtido por Marice em tão pouco tempo", afirma o inquérito.
 
Explicam os investigadores sobre como começaram a investigar os apartamentos do litoral paulista:
 
 
A conclusão tomada foi de que "o CONDOMINIO SOLARIS teria fundamental importância enquanto elemento de conexão entre JOÃO VACCARI NETO, MARICE CORREA DE LIMA e OAS, empresa que se beneficiou dos crimes perpetrados contra a PETROBRAS" - uma das pontes que poderiam levar a Lava Jato a incriminar o ex-presidente.
 
Mas, ao contrário do que esperavam, tiveram em mãos provas inegáveis contra a Mossack Fonseca, que resultaram no inquérito agora finalizado. 
 
O envolvimento da OAS no caso foi também arrolado posteriormente. Com as buscas e apreensões, os delegados identificaram que a OAS assumiu as obras inacabadas da Bancoop no Solaris e as unidades teriam sido "negociadas em condições aparentemente ilícitas, como as que envolveram a cunhada de João Vaccari Neto, Marice Correa de Lima, e a offshore Murray".
 
O histórico da própria cooperativa Bancoop foi levantado para fazer as possíveis conexões desse caso com o esquema da Petrobras: 
 
 
Em mais de 120 páginas de investigação, o nome de Luiz Inácio Lula da Silva é citado duas vezes e o de dona Marisa uma. As únicas citações que os investigadores conseguiram publicar contra o ex-presidente partiu de depoimentos, com informações vagas e sem possibilidades de comprovações.
 
Em uma delas, a investigada Eliane que atuava como procuradora da Murray disse que assinou o documento "porque confiava em Nelci [real proprietária do triplex da offshore Murray]" e confirmou que acredita que a empresa tinha relação com o apartamento de Nelci, "em um condomínio conhecido na região já que o ex-Presidente LULA também tem apartamento nesse mesmo condomínio".
 
A segunda vez, trata-se do interrogatório de Nelci Warken, dona do triplex da Murray, offshore da Mossack:
 
 
O nome da esposa do ex-presidente aparece em um dos itens apreendidos na OAS: um termo de declaração, compromisso e requerimento de demissão do quadro societário em nome de MARISA LETÍCIA LULA DA SILVA, ou seja, a comprovação de que dona Marisa desistiu da compra do imóvel no Guarujá, pedindo a saída de sua participação no investimento da Bancoop.
 
 
Leia mais:

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Golpe atrás de Golpe na Gang do interino: Deputado Paulo Pimenta denuncia “plano Temer” para adiar cassação de Eduardo Cunha

   Paulo Pimenta revela que Michel Temer pretende que a sessão que vai decidir a cassação do defensor do golpe, dos fanáticos e das empresas seja realizada “da maneira mais discreta possível”, durante a madrugada, com um plenário esvaziado e sem grande cobertura da mídia. Conforme o deputado, o temor de Michel Temer é que, uma vez cassado, Cunha revele os acordos e as chantagens políticas firmadas para garantir o golpe, fazendo aumentar, ainda mais, a rejeição da população em relação ao governo interino.


Do Viomundo:

Denúncia do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), nesta quarta-feira (27), aponta as articulações de Michel Temer para adiar a votação de cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). De acordo com Pimenta, que é vice-líder do PT na Câmara, Temer está “atuando pessoalmente” para que a votação só ocorra depois da decisão do Senado Federal sobre o impeachment de Dilma Rousseff.


Pimenta também revela que Michel Temer pretende que a sessão seja realizada “da maneira mais discreta possível”, durante a madrugada, com um plenário esvaziado e sem grande cobertura da mídia. Conforme o petista, o temor de Michel Temer é que, uma vez cassado, Cunha revele os acordos e as chantagens políticas firmadas para garantir o golpe, fazendo aumentar, ainda mais, a rejeição da população em relação ao governo interino.


Para Pimenta, Temer está sem saída. “Se for cassado, Cunha já avisou que não vai pagar a conta do golpe sozinho e que vai entregar tudo o que sabe, fazendo desmoronar, ainda mais, o governo interino. Já por outro lado, se o plano de Temer para adiar a votação der certo, ficará mais nítido para a sociedade brasileira que o golpe contra Dilma foi para garantir impunidade a Cunha e políticos ligados a Michel Temer investigados e réus no Supremo Tribunal Federal”, acusa Pimenta.


Na semana passada, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), havia anunciado que a sessão que vai decidir sobre o futuro de Cunha seria na segunda semana de agosto, antes, portanto, da palavra final do Senado. “As informações que circularam na Câmara no dia de hoje e que foram confirmadas por interlocutores do Planalto, de que Temer está agindo e pressionando deputados para adiar a votação, são muito graves e acenderam a luz amarela”, revelou Pimenta.


Pressão: Pimenta defende cassação de Cunha em um domingo e com transparência total


Para evitar o adiamento da votação e impedir que a sessão ocorra durante a madrugada, o deputado Pimenta protocolou na Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Câmara, na tarde desta quarta-feira, mais um pedido para que a sessão de cassação do ex-presidente Eduardo Cunha seja realizada em um domingo, nos mesmos moldes da votação do impeachment conferida contra a Presidenta Dilma Rousseff.


“Queremos toda cobertura da mídia e também que um púlpito seja colocado no plenário para que os deputados e deputadas sejam chamados um a um votar em alto e bom som no microfone, e a população possa saber quem defende Cunha. Nada de sessão na calada da noite, como quer Michel Temer”, cobra o parlamentar petista.


Pimenta defende que a sessão seja marcada para o dia 14 de agosto, o segundo domingo do mês. “Na próxima segunda-feira (1º), logo na reabertura dos trabalhos legislativos, vamos exigir que a Mesa esclareça o rito a ser adotado para cassação de Eduardo Cunha”, adiantou Pimenta.


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No Viomundo

domingo, 26 de junho de 2016

Roberto Amaral: Para garantir o impeachment, agora a Lava Jato blinda o PMDB e ataca novamente o PT... O triste retorno de Moro...


Roberto Amaral, ex-presidente nacional do PSB, lembra a diferença no tratamento concedido a Delcídio do Amaral e a Eduardo Cunha
Policiais federais entram no prédio do ex-ministro Paulo Bernardo - Foto: José Cruz/Agência Brasil
Policiais federais entram no prédio do ex-ministro Paulo Bernardo – Foto: José Cruz/Agência Brasil
Após a prisão do ex-ministro Paulo Bernardo (PT), o cientista político Roberto Amaral afirmou que a Operação Lava Jato está sendo usada politicamente para destruir o PT: “A Lava Jato tem méritos. Ninguém é contra que criminosos de colarinho branco sejam mandados para a cadeia. Mas a Lava Jato está sendo usada como um projeto político eleitoral para destruir Lula e desmantelar o PT”.
Segundo Amaral, “há uma evidente blindagem do PMDB e uma clara tentativa de atingir o PT”: “O exemplo mais claro foi a condução coercitiva do ex-presidente Lula. Não tenho notícia de que algo semelhante tenha sido feito com outros presidentes”.
Ele lembra o caso da prisão do então senador Delcídio do Amaral, que na época era líder do governo Dilma Rousseff: “Delcídio foi preso no exercício de seu mandato, e não se tratava de flagrante delito. O tratamento em relação ao Delcídio é bem diferente do que tem sido concedido a Eduardo Cunha. Outro exemplo: o delator Sérgio Machado está em prisão domiciliar em seu palacete em Fortaleza”.
O ex-presidente nacional do PSB e ex-ministro da Ciência e Tecnologia afirma ainda que “certas medidas do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal são antecipadas ou adiadas para interferir no julgamento do processo de impeachment” de Dilma: “Esperaram meses para afastar Eduardo Cunha. Ele só foi afastado pelo STF depois que conduziu a votação do impeachment. E a delação premiada de Sérgio Machado só foi divulgada depois que o Senado afastou Dilma. São muitas coincidências”.
O secretário de comunicação do Diretório Municipal do PT em São Paulo, João Bravin, também estranhou a ação da PF: “Mais uma vez é uma ação seletiva da Polícia Federal contra um partido político que não se negou em participar ou colaborar com investigações. A cada semana temos um ministro desse partido golpista saindo do governo e ninguém vai na casa desses ex-ministros que têm [nome citado em] delação, nem coercitivamente. Isso é um absurdo, uma perseguição seletiva”.
Desde que a Lava Jato teve início, vários políticos ligados ao PT foram presos pela operação e por seus desdobramentos. Além de Delcídio do Amaral, foram detidos os ex-deputados José Dirceu e André Vargas, o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto e o ex-secretário-geral Silvio Pereira. Ex-deputados federais de outras siglas, como Luiz Argolo (SD) e Pedro Corrêa (PP), também foram presos. Mas nas nenhum peemedebista de relevo foi detido em razão da Lava Jato.
Os peemedebistas, porém, já foram alvo de outras operações. Em maio de 2014, por exemplo, o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB-MT), foi preso pela PF na Operação Ararath, que investigava o desvio de recursos no Estado por meio a utilização de sistema financeiro clandestino. E, em 2013, o deputado federal Natan Donadon (PMDB-RO) foi preso após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal por peculato e formação de quadrilha.
Dos integrantes da cúpula do partido, somente o senador Jader Barbalho (PA) chegou a ser detido em 2002, depois de ter renunciado ao mandato de senador, em uma investigação sobre irregularidades na Sudam. Libertado, ele foi eleito deputado federal em outubro daquele ano.
Link curto: http://brasileiros.com.br/oCMx3

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A operação da PF no PMDB jogou areia no golpe de Temer, o ex-vice decorativo. Por Kiko Nogueira





O ex vice decorativo Michel Temer foi o único grande líder do PMDB a não ser atingido pela operação Catilinárias, da Polícia Federal. Mas seu “projeto de poder”, se é que podemos chamar assim, fica ferido de morte.
Henrique Alves, Celso Pansera e ex-ministros Lobão e Fernando Bezerra estão na mira, além de Fábio Cleto (ex-Caixa) e Sergio Machado (ex-Transpetro).
A estrela é Eduardo Cunha, o psicopata oficial da república, que há meses lançou uma bravata sobre a visita da PF. “Eu não sei o que eles querem comigo, mas a porta da minha casa está aberta”, disse. “Vão a hora que quiser. Eu acordo às 6h. Que não cheguem antes das 6h para não me acordar”.
Bem, eles foram, mas quem acha que um malandro safo como EC deixaria alguma coisa que o incriminasse ao alcance de qualquer um que não seja ele mesmo não conhece o homem.
Em Alagoas, onde o presidente do partido é Renan Calheiros, o ex-vice governador José Wanderley Neto também teve a casa vasculhada. São ao todo 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF para investigação da Lava Jato – na Câmara dos Deputados, na residência dos investigados, em sedes de empresas, escritórios de advocacia e outros órgãos públicos expedidos pelo STF.
A casa caiu para o peemedebista Temer e para quem vendia a ideia de que Temer era uma alternativa, digamos, decente ao PT. O inacreditável Gilmar Mendes, por exemplo, falou que ele será um ótimo presidente.
Não é alternativa de nada, nunca foi, ele sabe disso e a polícia o deixa agora com a brocha na mão, a mesma mão que escreveu a carta que passou para a história como um monumento ao ridículo.
O nome da operação é emprestado dos discursos de Cícero no senado romano contra Catilina, que planejava tomar o poder. O trecho mais famoso é aquele que diz o seguinte:
Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Em português, os golpistas entraram pelo cano.

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Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Professor da Federal de Santa Catarina discute a hipocrisia da grande mídia comprometida, citando o escândalo dos Zelotes e outros, que são convenientemente abafados

  O silêncio em relação à Operação Zelotes, com fraudes e sonegação que envolvem 19 bilhões de reais junto à Receita Federal, dos quais 672 milhões de reais dizem respeito à sonegação do grupo de comunicações RBS (Rede Brasil Sul) , não é resultado apenas de restrições jurídicas, mas sobretudo do interesse particular e do cinismo que envolve praticamente todos os grandes veículos, seja de mídia impressa, de radiodifusão ou de suas versões na internet – hoje sócios de empresas de telefonia, de bancos e até mesmo do setor armamentista. No caso da Operação Zelotes, o Banco Santander é o maior sonegador, com mais de 3 bilhões de reais. O Grupo RBS, o sétimo na lista, além da sonegação, teria pago propina que chega a 15 milhões de reais para “abonar” outros 150 milhões. Um lucro e tanto no suborno. A distância entre intenção e gesto, entre discurso e prática, é enorme. E aproxima a falsa intenção do gesto; aproxima o discurso moral do cinismo e da hipocrisia.


JORNAL DE DEBATES > COBERTURA DA CORRUPÇÃO

A hipocrisia como critério de noticiabilidade

Por Francisco José Castilhos Karam em 14/04/2015 na edição 846 do Observatório da Imprensa

Reproduzido do objETHOS, 13/4/2015; título original “Empresas jornalísticas – a hipocrisia como critério de noticiabilidade”, intertítulos do OI


O Código de Ética da Associação Nacional de Jornais garante: “Apurar e publicar a verdade dos fatos de interesse público, não admitindo que sobre eles prevaleçam quaisquer interesses” (da ANJ são sócios muitos jornais, entre eles O Globo, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Diário Catarinense e Zero Hora).

O código de Ética da Associação Nacional de Editores de Revistas determina: “Assegurar ao leitor as diferentes versões de um fato e as diversas tendências de opinião da sociedade sobre esse fato” (da ANER são sócias, entre muitas, a revista Veja). A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão subscreve a Declaração de Chapultepec, que assegura: “A credibilidade da imprensa está ligada ao compromisso com a verdade, à busca de precisão, imparcialidade e equidade e à clara diferenciação entre as mensagens jornalísticas e as comerciais.” (da Abert são sócias, entre muitas, a TV Globo e a Rede Brasil Sul de Comunicações, esta última essencialmente representada pela RBS TV tanto de Santa Catarina como do Rio Grande do Sul).

O silêncio em relação à Operação Zelotes, com fraudes e sonegação que envolvem 19 bilhões de reais junto à Receita Federal, dos quais 672 milhões de reais dizem respeito à sonegação do grupo de comunicações RBS (Rede Brasil Sul) , não é resultado apenas de restrições jurídicas, mas sobretudo do interesse particular e do cinismo que envolve praticamente todos os grandes veículos, seja de mídia impressa, de radiodifusão ou de suas versões na internet – hoje sócios de empresas de telefonia, de bancos e até mesmo do setor armamentista. No caso da Operação Zelotes, o Banco Santander é o maior sonegador, com mais de 3 bilhões de reais. O Grupo RBS, o sétimo na lista, além da sonegação, teria pago propina que chega a 15 milhões de reais para “abonar” outros 150 milhões. Um lucro e tanto no suborno. A distância entre intenção e gesto, entre discurso e prática, é enorme. E aproxima a falsa intenção do gesto; aproxima o discurso moral do cinismo e da hipocrisia.

Se nos últimos 300 anos os pilares do Jornalismo foram a legitimidade social que granjeou e a credibilidade em que presumivelmente se assentava, os rumos da atividade profissional – menos por vontade de seus jornalistas e mais por imposição dos aspectos mercadológicos e ideológicos sobre o processo de produção jornalística – apontam a perda da crença de que a imprensa, como instituição da modernidade, tem algo ainda a ver com o esclarecimento público.

Exceções à regra

Os “dois pesos e duas medidas” na comparação Operação Lava Jato e Operação Zelotes atestam que, se havia ainda alguma vergonha em defender interesses pessoais, em defender o bolso dos empresários da comunicação, ela foi pelo ralo. Junto está indo o patrimônio moral de vários profissionais. Obviamente, não é possível generalizar, mas parte dos repórteres, colunistas, comentaristas e apresentadores incorporaram de tal forma a defesa de seu emprego e de seu patrão que é cada vez mais ilustrativa a charge de Henfil, publicada em 1989 na capa do livro Jornalistas pra quê? Os profissionais diante da ética, produzido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro. A imagem representava Cristo sendo crucificado e o soldado que o pregava na cruz se desculpando: “Eu tenho que sobreviver, entende?”

Pode-se sobreviver, mas o respeito vai se reduzindo a pó; pode-se defender o bolso do patrão, mas a legitimidade da atividade profissional se reduz à medida em que cresce a desconfiança com uma forma de fazer jornalismo em que fatos são o que menos importam, já que o lucro vem da audiência, da venda de outros produtos conexos e do valor de mercado informativo baseado na especulação e na escolha cirúrgica de determinadas fontes.

Se o mesmo critério jornalístico de cobertura da Operação Lava Jato fosse aplicado na Operação Zelotes, a repercussão seria outra e mostraria os danos da sonegação à saúde, à educação e à vida dos cidadãos, destacando o assalto aos cofres públicos e o sangramento do Estado a partir do lucro particular desonesto. Se o critério jornalístico, policial e jurídico fosse o mesmo, dirigentes do Banco Santander e do Grupo RBS estariam provavelmente na cadeia.

Ao analisar a mídia, o pesquisador holandês Teun Adrianus van Dijk já tinha constatado uma velha estratégia que se aplica ao cenário de cobertura jornalística atual a partir dos centros de decisão das empresas de mídia, pelo menos na Política e na Economia: “1) as virtudes dos amigos nós maximizamos; 2) as virtudes dos inimigos nós minimizamos; 3) os defeitos dos amigos nós minimizamos; 4) os defeitos dos inimigos nós maximizamos”.

A síntese de Teun van Dijk cabe tranquilamente em uma cobertura tendenciosa, de uma moral particular, de um cinismo exacerbado. Exceções, como a de Janio de Freitas, da Folha de S. Paulo, com sua honestidade e correção, confirmam a regra. Conta-se nos dedos, na grande mídia hegemônica (grandes empresas com rádio, tevê, jornal, revista e internet) os jornalistas que ainda apuram e informam com os requisitos éticos, técnicos e estéticos pelos quais a profissão obteve certo reconhecimento social.

Sem resposta

O cinismo, transformado em valor habitual, amplia a hipocrisia como valor universal. E ajuda a disseminar a má informação, a confusão informativa, a ideia de que jornalistas não servem senão para fazer propaganda travestida de jornalismo, e que, a despeito dos fatos, a angulação e a narrativa final são dadas pelos centros do poder econômico, pelas fontes beneficiárias de tal poder, pelos acionistas e pelos anunciantes. Há, com tal perspectiva, claros prejuízos ao esclarecimento público; aumentam os preconceitos e os estereótipos. E preconceitos e estereótipos são o suporte valorativo que dão margem ao linchamento moral generalizado e eventualmente físico.

O jornalismo como esclarecimento precisa se reinventar com novas fontes, novas abordagens, novos atores e novas narrativas. Ele parece passar à margem da grande mídia. E é aí que entra o Estado como protetor da Democracia. E, até agora, o Estado não consegue apostar no surgimento de novas mídias; não consegue investir em meios públicos e alternativos qualificados e em mídias menores mas mais honestas, ao invés de descarregar muito dinheiro em publicidade na grande mídia e despejar dinheiro público para socorrer poderosas mídias endividadas. O Estado, representado pelo governo eleito, não consegue responder aos ataques do jornalismo que tem a hipocrisia como critério de noticiabilidade e o cinismo como valor universal.

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Francisco José Castilhos Karam é professor da Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisador do objETHOS