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sexta-feira, 9 de junho de 2023

Operação Spoofing: a Lava Jato de Moro, Dallagnol e Januário Paludo tentou chantagear Dias Toffoli

 

Do Jornal GGN, artigo de Luis Nassif:


Trechos da Spoofing mostram que a Lava Jato ordenou ao representante da Secretaria da Receita uma devassa nas contas de Dias Toffoli




No dia 20 de agosto de 2016, uma nota vazada para a coluna de Mônica Bérgamo dava conta de que “funcionário de confiança da corte pode ter caído na rede da Operação Lava Jato”. Na época, a revista Veja publicou uma capa com uma acusação irrelevante contra Dias Toffoli.

Agora, analisando trechos da Spoofing, fica-se sabendo que a Lava Jato ordenou ao representante da Secretaria da Receita uma devassa nas contas de Toffoli. Tratava-se do auditor Roberto Leonel, depois nomeado por Sérgio Moro para chefiar o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Novos diálogos da Operação Spoofing, do dia 21 de agosto de 2016, mostram a armação.

00:12:33 Deltan Caros quem está hoje conduzindo o acordo da OAS? Tem quase todos nós lá no grupo rs. Lembro que Robinho e Júlio passaram para outro grupo… Quem ficou? Jerusa?

00:14:39 Deltan CF, olha lá no grupo da OAS e da sua opinião por favor. Fique à vontade, apenas é importante ouvir Vc tb.

00:37:59 Diogo Jerusa e eu

07:39:21 Deltan. Acho que é caso de fechamento de negociação.

07:47:14 Deltan Agora? Vc não se preocupa com a msg que vai passar de que protegemos STF?

08:02:26 Deltan

08:04:55 Minha preocupação é com o STF.

08:05:13 Deltan Mas e a nota, nao resolve?

08:05:53 Não. Além disso, é preciso colocar um pouco de freio nesses vazamentos.

08:07:11 É preciso proteger o instituto e as instituições.

08:18:49 Neste caso, podemos estar diante de um turning point nas colaborações e leniências. É isso que está em jogo. Por exemplo, o Teori pode negar o acordo do Pedro correa e na decisão colocar impecilhos graves a todos os demais acordos. Os advogados já perceberam a possibilidade. Uma reação corporativa do STF deve ser evitada.

14:44:00 Orlando SP A respeito do Toffoli, peçam pesquisa para a Spea de pagamentos da OAS para o escritório da esposa do rapaz q terão mais alguns assuntos para a veja

14:44:36 Orlando SP Não é nada relevante, mas acho q da uns 500 mil

15:58:35 Deltan A RF tá olhando… Mas isso eu não sabia

domingo, 18 de dezembro de 2016

GGN: Moro é denunciado à OAB por permitir xingamentos à defesa de Lula



Jornal GGN - A defesa do ex-presidente Lula vai levar à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) o embate travado com o juiz Sergio Moro durante a audiência do caso triplex que ouviu o testemunho de José Afonso Pinheiro, ex-zelador do Condomínio Solaris. A Lava Jato afirma que Lula tem um apartamento no Guarujá pago pela OAS como uma forma de propina disfarçada.
Na audiência, o ex-zelador estava exaltado e se dizia prejudicado pela crise econômica criada pelo governo do PT. Ele disse que se viu obrigado a entrar para a política e concorrer a vereador em Santos após ter sido demitido do Condomínio Solaris. Ele se sentiu intimidado pela tentativa do advogado Cristiano Zanin de demonstrar que a testemunha tirava vantagem política do caso triplex, e reagiu xingando a defesa e o PT de "um bando de lixo".
Moro pediu calma e objetividade nas respostas de Pinheiro, mas durante a audiência acabou sendo conivente com os ataques da testemunha, impedindo que Zanin fizesse mais perguntas sobre a posição política do ex-zelador. Ao final, Moro também pediu desculpas pela linha "ofensiva" que a defesa de Lula teria adotado. Sobre o "bando de lixo", porém, Moro disse que se tratou de "um pouco de excesso" da testemunha.
Quando o áudio da audiência foi encerrado, Moro ainda ironizou a defesa de Lula. "Vamos ver se não vai sofrer queixa-crime, ação de indenização, a testemunha, né, por parte da defesa."
Zanin, segundo relatos da jornalista Mônica Bergamo, respondeu: "Quando as pessoas praticam atos ilícitos elas respondem por seus atos. Eu acho que é isso o que diz a lei."
Moro perguntou se a defesa vai entrar com queixa-crime contra a testemunha, e Zanin replicou: "O senhor está advogando para a testemunha?"
O juiz seguiu: "Não sei, a defesa entra [com ação] contra todo mundo, com queixa-crime, indenização". Zanin rebateu: "Eu acho que ninguém está acima da lei. Da mesma forma como as pessoas estão sujeitas a determinadas ações, as autoridades também devem estar".
"Tá bom, doutor. Uma linha de advocacia muito boa", finalizou Moro, ao que Zanin respondeu: "Faço o registro de Vossa Excelência e recebo como um elogio."
Em nota à imprensa, Zanin disse que um "juiz imparcial jamais teria ouvido José Pinheiro como testemunha porque, como filiado a partido político e candidato a vereador em Santos, ele fez campanha usando dos fatos em discussão no processo."
Além disso, "diante de perguntas objetivas e feitas em tom cordial", Pinheiro respondeu "com insultos a Lula e a mim como seu advogado, ao mesmo tempo em que fazia declarações de cunho subjetivo e sem qualquer valor jurídico", e Moro permitiu todas essas situações.
"O mais grave ainda é que o juiz do caso, além de pedir “desculpas” à testemunha após ela agir dessa forma  desrespeitosa, ainda lançou a mim descabidas provocações após o áudio da audiência ser desligado. O assunto e as provas correspondentes serão encaminhados à OAB para as providências cabíveis."

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Aos berros, Moro diz que tem "poder" para "cassar a defesa" de Lula, por Cíntia Alves



Durante audiência do caso triplex, Moro chama advogado de Lula de inconveniente e pede "respeito ao Juízo". Juarez Cirino rebate: "Se Vossa Excelência atua aqui como acusador principal, perde todo o respeito"
Jornal GGNO juiz Sergio Moro e o advogado Juarez Cirino, que defende o ex-presidente Lula no caso triplex, protagonizaram nesta segunda (12) a audiência mais agressiva desde que o julgamento foi iniciado. Moro, aos berros, chamou o defensor de "inconveniente" e afirmou que tinha poder para impedí-lo de se manifestar durante a oitiva da engenheira Mariuza Aparecida da Silva Marques, da OAS. 
O bate-boca começou quando o procurador do Ministério Público Federal perguntou a Mariuza se a esposa do ex-presidente, Marisa Letícia, foi tratada pela OAS como "uma adquirinte, alguém que visitava para ver se tinha interesse no imóvel ou destinatária" do triplex. Nesse minuto, Juarez protestou porque, em tese, a engenheira responsável por fazer vistorias em imóveis já vendidos não teria condições de responder essa questão, e poderia recorrer a achismos.
A partir dos 10 minutos do vídeo abaixo, a discussão atinge o ápice com as ameaças de Moro.
Cirino: Fica o protesto de novo, Excelência, porque ele está pedindo a opinião da testemunha.
Moro:  Doutor, o senhor está sendo inconveniente. Já foi indeferida essa questão.
Cirino: A defesa não é inconveniente na medida em que estamos no exercício da ampla defesa.
Moro: Já foi indeferida! [tom elevado]
Cirino: Vossa Excelência não pode cassar a palavra da defesa...
Moro: Posso, doutor, porque o senhor não deixa de ser inconveniente.
Cirino: Não pode, porque estamos colocando uma questão muito importante. O ilustre procurador da República está pedindo a opinião da testemunha, e ele não pode!
Moro: Doutor, o senhor está sendo inconveniente. Já foi indeferido essa questão. Já está registrado. E o senhor respeite esse juízo [aos berros]
Cirino: Mas, escuta, eu não respeito Vossa Excelência enquanto o senhor não me respeita enquanto defensor do acusado. Aí então o senhor tem o respeito que é devido a Vossa Excelência. Mas se Vossa Excelência atua aqui como acusador principal, perde todo o respeito.
Moro: Sua questão já foi indeferida e o senhor não tem a palavra!
O magistrado, então, cobrou uma resposta da testemunha, que respondeu que dona Marisa Letícia foi "tratada como se imóvel já tivesse sido destinado" a ela.
Mais à frente, por volta dos 23 minutos, o procurador da Lava Jato foi mais incisivo e perguntou se Mariuza achava que o apartamento pertencia a Lula.
"Eu disse que a gente tinha um cliente em potencial, que seria o ex-presidente Lula", respondeu a engenheira.
"Pode detalhar o que passaram?", acrescentou o procurador.
"Do cliente em potencial? Só falaram que era um cliente que não é... é uma pessoa comum... uma pessoa... é... o ex-presidente que teria interesse na compra da unidade. Foi isso que me informaram. Não tem como detalhar mais do que isso?"
Quando questionada por Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula, Mariuza caiu em contradição. A partir dos 9 minutos do vídeo abaixo, Zanin pergunta se quem entregou o projeto do triplex à Mariuza mencionou antecipadamente que o imóvel pertencia a Lula. Então, ela deu de ombros e disse "não".
Em setembro, o GGN mostrou que a maioria das testemunhas ouvidas pela força-tarefa da Lava Jato para apresentar a denúncia do caso triplex não tinha condições de afirmar que o apartamento seria de Lula. O MPF acredita que a OAS repassaria o imóvel para o ex-presidente como forma de pagar vantagens indevidas.
A engenheira Mariuza Aparecida Marques, em seu primeiro depoimento à Lava Jato, veiculado em setembro pelo Estadão, contou que esteve presente na segunda visita de Marisa ao triplex.
Ao final da entrevista, o membro da Lava Jato disse que ela estava muito “reticente” durante o interrogatório e resolveu perguntar diretamente de quem era o apartamento. Ela respondeu que, segundo as informações que possuía, o apartamento era da OAS. “Era para ser vendido para qualquer cliente”, comentou.
Por volta dos 14 minutos, o procurador pergunta: "A senhora pode me dizer se esse apartamento era de Lula ou alguém da familia dele?"
"Não", rebateu Mariuza. E continuou: "Eu tenho acesso ao sistema da empresa para todos os clientes. Para mim, esse apartamento consta como OAS Empreendimentos. Ele não aparece com outro nome. É o que tenho de acesso na empresa. Então, para mim, esse apartamento é da OAS."
No primeiro depoimento, ela também disse que recebeu junto ao projeto da reforma do triplex a informação de que a unidade seria melhorada para "um potencial cliente", mas não citou Lula. Aliás, pressionada, disse que seria para "qualquer cliente".
Também disse que estava em outro local quando a visita de Marisa começou e que o comentário que ouviu era que "estava ficando bom". Mas não soube dizer quem disse isso.
Agora, diante de Moro, Mariuza disse que a ex-primeira-dama disse que a reforma estava ficando boa, o que faz a engenheira imaginar que o "apartamento estava direcionado" para a família de Lula. 
Em sentenças passadas, Moro sinalizou que, para o julgamento, o que importa é o que é dito nas audiências.
Leia mais:

domingo, 27 de novembro de 2016

Notas sobre o empresário da OAS que Moro condenou sem provas, por Cíntia Alves



Jornal GGN - Dois fatos que passaram pela grande mídia sem muito destaque, nesta última semana, reforçam a ideia de blindagem a Sergio Moro: o resultado parcial da primeira rodada de oitivas do caso triplex, com testemunhas de acusação inocentando Lula dos crimes elencados pela Lava Jato, e a notícia de que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região reformou outra decisão da 13ª Vara de Curitiba, agora apontando que Moro condenou dois empresários da OAS sem provas. Entre eles, Mateus Coutinho de Sá, que atuava na área financeira do grupo.
Preso por cerca de nove meses e condenado a 11 anos de prisão por Moro, Coutinho é, neste domingo (27), objeto de uma reportagem especial da Folha que merece algumas notas:
1 - É sintomático que a matéria (confira abaixo) aborde quase que exclusivamente o drama pessoal e familiar de Coutinho, deixando de lado o que levou Moro a proferir uma sentença que precisou ser reformada.
2 - Só agora, absolvido, Mateus é tratado como um "estranho no ninho" - um executivo da OAS que, na visão de outros empresários envolvidos na Lava Jato, foi pego por engano. E todos já desconfiavam disso desde o período em que ele permanecia preso na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba.
2 - O drama familiar de Coutinho é o fio condutor da matéria, que atinge alguns picos quando fala do sofrimento que ele sentia por causa da distância com a pequena filha, da depressão decorrente desse sentimento de saudade; da visita que ela fez à prisão, combinada com os agentes para que não parecesse que o empresário estava com outros detentos... "Não houve quem não se emocionasse na hora", disse um executivo que sabia detalhes, em condição de sigilo, à Folha. O ápice vem quando o jornal revela que, certa vez, Coutinho - prejudicado com meses de prisão, demissão na OAS e abalo em seu casamento, em função dos erros da Lava Jato - quase "perdeu a calma e partiu para cima" de um oficial da carceragem.
3 - Esse "partiu para cima" guarda relações justamente com a pressão exercida sobre alvos da Lava Jato na prisão, para que façam acordo de delação premiada, segundo denúncia dos advogados de defesa. No caso, o agente teria dito a Coutinho que ele ficaria preso e não veria a filha em muito tempo, por simples vontade de provocá-lo com algo que lhe doía.
4 - Coutinho foi inocentado diante da acusação de que teria ajudado a desviar recursos de contratos da OAS com a Petrobras nas obras da refinaria de Abreu e Lima e Getúlio Vargas. Segundo o Ministério Público Federal, ele participava da quadrilha que ajudou no pagamento de 1% de propina a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento.
À margem dessa edição da Folha, a relação entre esses contratos da OAS com a Petrobras e o escopo da denúncia do MPF contra Lula no caso triplex. Como Moro já condenou os empresários por esse esquema, a Procuradoria juntou dois desses contratos e um terceiro, também da OAS envolvendo as mesmas refinarias, para dizer que Lula foi beneficiado, no mínimo, mantendo a governabilidade durante seu mandato. Pois Paulo Roberto Costa e Renato Duque, outro ex-diretor da estatal, teriam irrigado caixas de partidos aliados com esses desvios.
5 - Curiosamente, o caso Lula-triplex e a sentença de Moro contra Coutinho e outros empresários da OAS também se cruzam em outros aspectos: no julgamento cheio de atritos e nas acusações de que o magistrado foi parcial e ajudou o MPF a produzir provas contra os acusados.
No despacho em que profere as condenações, incluindo a de Coutinho, Moro dispara contra os advogados de defesa que denunciaram sua suspeição, algo que o juiz diz ter sido feito sem "cuidado e ponderação". "A alegação de suspeição ou de impedimento deve ser formulada quando presente um motivo sério para recusar um juiz ou questionar a sua imparcialidade, mas, aqui, é um mero mecanismo para veicular pura discordância em relação às decisões judiciais."
A defesa de Coutinho e outros advogados também reclamaram que Moro "fez muitas perguntas no decorrer do processo". Moro respondeu que era "natural" que ele tivesse muitas perguntas porque o caso envolvia dois colaboradores (Youssef e Paulo Roberto Costa), que ele vinha acompanhando há muito tempo.
No caso triplex, a defesa de Lula também questionou a postura de Moro durante as oitivas. Uma das críticas é que Moro fez as vezes de um procurador, fazendo questões que não haviam sido abordadas nas audiências ou sobre processos que nada têm a ver com a ação que está julgado. Isso seria, segundo os advogados, uma violação ao Código de Processo Penal, para dizer o mínimo.
Na mesma peça em que condena Coutinho, Moro deixou registrado que o julgamento foi uma verdadeira batalha com os advogados de defesa, que teriam feito "manifestações ofensivas" contra a força-tarefa da Lava Jato e o próprio magistrado. Essas "ofensas", segundo Moro, "permearam todo o processo, até mesmo nessas peças finais, quando utilizam expressões 'justiceiro' ao referir-se ao julgador".
Abaixo, a reportagem da Folha sobre Coutinho.
Por Walter Nunes
Na Folha
Na manhã da sexta-feira 14 de novembro de 2014, o então diretor financeiro da empreiteira OAS, Mateus Coutinho de Sá, com 36 anos, foi retirado de sua casa, em São Paulo, por policiais federais e levado para a superintendência da entidade em Curitiba (PR).
Ele era um dos alvos da 7ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Juízo Final.
O juiz Sergio Moro havia determinado a prisão de presidentes e executivos de algumas das principais empreiteiras do país, altos funcionários da Petrobras e de operadores financeiros.
Todos eles, sem exceção, chegaram à carceragem da Polícia Federal na capital paranaense jurando inocência.
Pouco mais de dois anos depois, as provas contra os que foram presos naquele dia se avolumaram e a Lava Jato avançou para desvendar um dos maiores esquemas de corrupção do país.
O caso do executivo Mateus Coutinho de Sá, porém, destoa desse enredo.
A acusação contra ele era ajudar na distribuição de propina decorrente de contratos da OAS com a Petrobras em obras da Refinaria Getúlio Vargas e Refinaria do Nordeste Abreu e Lima.
A empreiteira é acusada de ter pago propina de 1% sobre o valor destes contratos e dos aditivos à diretoria de Abastecimento da estatal, comandada na época por Paulo Roberto Costa.
Condenado por Moro por corrupção, lavagem de dinheiro e pertencer a uma organização criminosa, Coutinho foi absolvido na última quarta-feira (23) por unanimidade pelos desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Os juízes do órgão de segunda instância consideraram que não havia provas de que ele havia cometido esses crimes.
Ao absolverem Coutinho, os desembargadores aplicaram uma rara derrota em Moro, responsável pela Operação Lava Jato.
Coutinho chegou à cadeia dizendo aos colegas que tudo não passava de um engano e que seus advogados provariam rápido sua inocência, o que não convenceu seus colegas de cárcere.
Pai de uma menina pequena, recomendou à mulher que não a levasse para visitá-lo na prisão para evitar desgastes –afinal, ele tinha convicção de que não ficaria ali por muito tempo.
SAUDADES
Os presos da Lava Jato já se conheciam pelas relações de negócios que tinham fora da cadeia, mas Coutinho era um estranho na turma, segundo um empreiteiro que conviveu com ele na PF. Não era daquele mercado.
Coutinho foi colocado na cela de número 6 junto com os empreiteiros Erton Medeiros Galvão, presidente da Galvão Engenharia, João Auler, ex-presidente do conselho administrativo da Camargo Corrêa, e Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente e herdeiro da Mendes Júnior.
No cubículo havia apenas um beliche, e Coutinho, por ser o mais novo, dormia num colchão no chão. Os ex-companheiros de cela o descrevem como sociável, equilibrado e simpático.
Essas características, porém, davam lugar à tristeza toda vez que ele falava da filha. Reclamava repetidamente da saudade que sentia. Ficava deprimido quando se dava conta da ausência dela.
O agente federal Carlos Henrique, que havia estudado psicologia, percebeu o problema de Coutinho e passou a conversar com ele, tentando animá-lo.
Outro agente, menos sensível àquele drama, foi pela via contrária. Num dos dias em que Coutinho lamentava a falta que sentia da menina, ele o provocou dizendo que não a veria tão cedo.
Coutinho perdeu a calma e, não fossem os colegas de cela, teria partido para cima do agente.
VOLTA PARA CASA
Como os pedidos de liberdade caíam um a um nos tribunais superiores, Coutinho passou a estudar a possibilidade de receber a filha numa visita, mas queria preservá-la dos dissabores de uma cadeia. Fez um acordo com a direção da carceragem e a menina foi vê-lo num dia sem visitas de outros presos.
A sala destinada às visitas fica longe das celas. Mesmo assim os presos ouviram a menina gritar "pai" quando o viu. Segundo um executivo preso na PF, não houve quem não se emocionasse na hora.
Coutinho ainda ficou preso até o dia 28 de abril de 2015, quando, por decisão apertada, os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram que ele e outros presos da Lava Jato poderiam responder ao processo em prisão domiciliar. Colocou tornozeleira e foi pra casa.
Em agosto daquele ano, Moro trocou a domiciliar por medidas cautelares. Entre as restrições teve que se afastar de atividades econômicas e comparecer à presença do juiz em prazos determinados.
Também perdeu o emprego na OAS, ficou proibido de manter contato com outros réus e entregou passaporte.
Pessoas próximas de Coutinho dizem ainda que nesse processo todo perdeu o casamento e ainda sofre preconceito por ter sido preso na Operação Lava Jato.
"Eu lamento muito que ele tenha passado o tempo que passou numa prisão", diz o advogado Juliano Breda. "Nenhum dos delatores da Lava Jato tinha dito que Coutinho praticou qualquer tipo de crime. Ele não tinha absolutamente nada a ver com qualquer esquema."
Coutinho não respondeu às ligações da Folha. Por mensagem, disse que não tinha condições de dar entrevista. Limitou-se a dizer que quer reconstruir a vida.

Por Walter Nunes
Na Folha
Na manhã da sexta-feira 14 de novembro de 2014, o então diretor financeiro da empreiteira OAS, Mateus Coutinho de Sá, com 36 anos, foi retirado de sua casa, em São Paulo, por policiais federais e levado para a superintendência da entidade em Curitiba (PR).
Ele era um dos alvos da 7ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Juízo Final.
O juiz Sergio Moro havia determinado a prisão de presidentes e executivos de algumas das principais empreiteiras do país, altos funcionários da Petrobras e de operadores financeiros.
Todos eles, sem exceção, chegaram à carceragem da Polícia Federal na capital paranaense jurando inocência.
Pouco mais de dois anos depois, as provas contra os que foram presos naquele dia se avolumaram e a Lava Jato avançou para desvendar um dos maiores esquemas de corrupção do país.
O caso do executivo Mateus Coutinho de Sá, porém, destoa desse enredo.
A acusação contra ele era ajudar na distribuição de propina decorrente de contratos da OAS com a Petrobras em obras da Refinaria Getúlio Vargas e Refinaria do Nordeste Abreu e Lima.
A empreiteira é acusada de ter pago propina de 1% sobre o valor destes contratos e dos aditivos à diretoria de Abastecimento da estatal, comandada na época por Paulo Roberto Costa.
Condenado por Moro por corrupção, lavagem de dinheiro e pertencer a uma organização criminosa, Coutinho foi absolvido na última quarta-feira (23) por unanimidade pelos desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Os juízes do órgão de segunda instância consideraram que não havia provas de que ele havia cometido esses crimes.
Ao absolverem Coutinho, os desembargadores aplicaram uma rara derrota em Moro, responsável pela Operação Lava Jato.
Coutinho chegou à cadeia dizendo aos colegas que tudo não passava de um engano e que seus advogados provariam rápido sua inocência, o que não convenceu seus colegas de cárcere.
Pai de uma menina pequena, recomendou à mulher que não a levasse para visitá-lo na prisão para evitar desgastes –afinal, ele tinha convicção de que não ficaria ali por muito tempo.
SAUDADES
Os presos da Lava Jato já se conheciam pelas relações de negócios que tinham fora da cadeia, mas Coutinho era um estranho na turma, segundo um empreiteiro que conviveu com ele na PF. Não era daquele mercado.
Coutinho foi colocado na cela de número 6 junto com os empreiteiros Erton Medeiros Galvão, presidente da Galvão Engenharia, João Auler, ex-presidente do conselho administrativo da Camargo Corrêa, e Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente e herdeiro da Mendes Júnior.
No cubículo havia apenas um beliche, e Coutinho, por ser o mais novo, dormia num colchão no chão. Os ex-companheiros de cela o descrevem como sociável, equilibrado e simpático.
Essas características, porém, davam lugar à tristeza toda vez que ele falava da filha. Reclamava repetidamente da saudade que sentia. Ficava deprimido quando se dava conta da ausência dela.
O agente federal Carlos Henrique, que havia estudado psicologia, percebeu o problema de Coutinho e passou a conversar com ele, tentando animá-lo.
Outro agente, menos sensível àquele drama, foi pela via contrária. Num dos dias em que Coutinho lamentava a falta que sentia da menina, ele o provocou dizendo que não a veria tão cedo.
Coutinho perdeu a calma e, não fossem os colegas de cela, teria partido para cima do agente.
VOLTA PARA CASA
Como os pedidos de liberdade caíam um a um nos tribunais superiores, Coutinho passou a estudar a possibilidade de receber a filha numa visita, mas queria preservá-la dos dissabores de uma cadeia. Fez um acordo com a direção da carceragem e a menina foi vê-lo num dia sem visitas de outros presos.
A sala destinada às visitas fica longe das celas. Mesmo assim os presos ouviram a menina gritar "pai" quando o viu. Segundo um executivo preso na PF, não houve quem não se emocionasse na hora.
Coutinho ainda ficou preso até o dia 28 de abril de 2015, quando, por decisão apertada, os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram que ele e outros presos da Lava Jato poderiam responder ao processo em prisão domiciliar. Colocou tornozeleira e foi pra casa.
Em agosto daquele ano, Moro trocou a domiciliar por medidas cautelares. Entre as restrições teve que se afastar de atividades econômicas e comparecer à presença do juiz em prazos determinados.
Também perdeu o emprego na OAS, ficou proibido de manter contato com outros réus e entregou passaporte.
Pessoas próximas de Coutinho dizem ainda que nesse processo todo perdeu o casamento e ainda sofre preconceito por ter sido preso na Operação Lava Jato.
"Eu lamento muito que ele tenha passado o tempo que passou numa prisão", diz o advogado Juliano Breda. "Nenhum dos delatores da Lava Jato tinha dito que Coutinho praticou qualquer tipo de crime. Ele não tinha absolutamente nada a ver com qualquer esquema."
Coutinho não respondeu às ligações da Folha. Por mensagem, disse que não tinha condições de dar entrevista. Limitou-se a dizer que quer reconstruir a vida.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Olha ai a qualidade do "Chanceler" do interino Temer e ídolo dos coxas paulistas: "José Serra é citado em negociação de delação premiada da OAS na Lava Jato" - Artigo de Mônica Bergamo, na Folha



A OAS citou o senador e chanceler José Serra (PSDB-SP) nas negociações para firmar acordo de delação premiada na Operação Lava Jato. O tucano integra lista de quase uma centena de políticos sobre os quais a empreiteira promete dar informações detalhadas de contribuições para campanhas eleitorais.

LISTA 2

Serra pode integrar também a delação da Odebrecht. Ele já aparecia na lista de mais de 200 políticos que foi obtida em operação de busca e apreensão feita na casa de um dos executivos da empreiteira.

VIVA VOZ

O chanceler sempre foi admirado na Odebrecht por pessoas do calibre de Pedro Novis, que antecedeu Marcelo Odebrecht na presidência da empreiteira. Novis vai depor na Lava Jato.

NO MUNDO

A coluna procurou Serra mas a assessoria do chanceler diz que não conseguiu encontrá-lo até o fechamento desta edição.

O TRIGO

O PSDB já tinha se posicionado sobre a lista apreendida na Odebrecht em que apareciam, além de Serra, políticos como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do partido. Segundo Aécio, as doações feitas pela empreiteira para campanhas de integrantes da legenda foram legais e é preciso separar "o joio do trigo".

O TRIGO 2

Outra personalidade que a cada dia ganha destaque nas negociações da delação premiada da Odebrecht é o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Ele aparece até mesmo vinculado a contribuições feitas ao PMDB. O advogado de Mantega, José Roberto Batocchio, diz que as delações não passam de ilações sem qualquer fundamento.