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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Os Paradise Papers, Panama Papers e os magnatas da mídia no Brasil: Jornal Alemão Denuncia ‘Com Documentos’ Offshores do Grupo Globo e Abril em paraísos fiscais


Os arquivos foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung a partir de 2 escritórios especializados em offshores e em bancos de dados de 19 paraísos fiscais, que mantêm esses registros de maneira secreta



Do Poder 360, da Revista Fórum e do Click na Política:

Jornal Alemão Denuncia ‘Com Documentos’ Offshores Do Grupo Globo E Abril No Panamá



Entre os mais de 13,4 milhões de documentos investigados nos Paradise Papers o Poder360 identificou registros de offshores e trusts relacionados a empresas de comunicação brasileiras. Entre elas, a Editora Abril e o Grupo Globo.
No caso do Grupo Globo, membros da família Marinho são apontados como diretores da Global International Company Limited. A TV Globo Ltda. aparece como principal acionista. De acordo com os documentos, a offsfhore é controlada pela família, pelo menos, desde 1983.


A offshore mantida pelo Grupo Globo foi registrada nas Bahamas. Ao longo dos anos, a diretoria da empresa sofreu algumas alterações, mas sempre com a presença dos Marinhos.
Nos documentos estão o patriarca Roberto Marinho (1904-2003) e os filhos Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho.

Os arquivos foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung a partir de 2 escritórios especializados em offshores e em bancos de dados de 19 paraísos fiscais, que mantêm esses registros de maneira secreta. Paraíso fiscal é como se convencionou classificar países nos quais cobra-se pouco ou nenhum imposto.


Não é ilegal brasileiros serem proprietários de offshores, desde que devidamente declaradas à Receita Federal e ao Banco Central.
O Grupo Globo foi contatado pelo Poder360. Enviou, por meio de sua assessoria de imprensa, a seguinte resposta: “A Globo International, com sede nas Bahamas, era de titularidade da Globo Comunicação e Participações S/A (GCP) e sua função era a venda de programação internacional. Foi extinta em 2011, e sua atividade passou a ser realizada pela GCP diretamente”.
Apesar de solicitado, não foi enviado ao Poder360 documento que comprove a devida declaração ao Fisco por parte dos membros da família Marinho ou da TV Globo Ltda.
RBS
O envolvimento do Grupo Globo com offshores em paraísos fiscais vai além da família Marinho. O chairman e presidente do Grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, é ligado a 1 sub-trust administrado pela Appleby. O Grupo RBS é a maior afiliada da Rede Globo no Brasil e é responsável pela programação no Rio Grande do Sul.
Documentos analisados pelo Poder360 nos Paradise Papers mostram que o sub-trust é vinculado ao AF Wealth Preservation Trust. De acordo com o site Justia Trademarks, o trust é dedicado a prover soluções em segurança financeira para clientes internacionais.
Dados obtidos pela investigação mostram o modo de operação da empresa. A AF Wealth Preservation Trust (chamada Master Trust) recebe os ativos dos aplicadores (settlor). Cada settlor se torna proprietário de 1 sub-trust. Neste caso, Sirotsky é o settlor.
Esses sub-trusts, por sua vez, são administrados pela Appleby (trustee) e protegidos por uma entidade identificada como R&H. Os beneficiários destes sub-trusts podem ser o próprio settlor e/ou sua família.
Registros mostram que a empresa se dedica, entre outros objetivos, a minimizar os riscos associados à propriedade das apólices de seguro offshore, administração de ativos em busca de potenciais credores e fornecimento de soluções de segurança financeira.
Segundo um powerpoint obtido pela investigação, uma das ferramentas usadas pela AF Wealth Trust para proteger os ativos de seus clientes é entregar apólices de seguro de vida offshore. A reportagem obteve acesso ao documento assinado pelo chairman da RBS:
O Poder360 pediu que o executivo comprovasse que o sub-trust foi devidamente declarado ao Fisco. Por meio de sua assessoria de imprensa, Sirotsky negou qualquer irregularidade:
“Desde 2013, Eduardo Sirotsky Melzer tem uma participação como investidor na AF Wealth Preservation. A operação está regular com a Receita Federal”. Da mesma forma que o Grupo Globo, ainda que solicitado, não foi apresentado documento que reforçasse a regularidade fiscal.
EDITORA ABRIL
O grupo Abril, cujo título mais famoso é a revista semanal “Veja”, está relacionado a 4 offshores registradas em Cayman, um paraíso fiscal caribenho. Documentos investigados pela reportagem relacionam o conglomerado à Editora Abril S.A.; à Abril Investments Corporation; à Mogno Corporation e ainda à Cedro Corporation. Todas as empresas são vinculadas à sede do grupo, em São Paulo.
Os arquivos a que o Poder360 teve acesso indicam a participação da Editora Abril na liquidação da Mogno Corporation e da Cedro Corporation. O liquidatário, responsável pelo processo, é apontado como Manoel Bizarria Guilherme Neto, diretor do Grupo Abril.
Os nomes das offshores constam em várias listas de clientes da Appleby e em extratos de movimentações financeiras mantidos pela administradora. A maior parte das transações foi efetuada em 2006.
A Editora Abril é responsável pela publicação de 25 revistas no Brasil.
Por meio da assessoria de imprensa, o Grupo Abril enviou a seguinte nota:
“As citadas empresas, exceto a Mogno Corporation (que não pertence nem nunca pertenceu ao Grupo), foram abertas, registradas e encerradas devidamente junto aos órgãos competentes, tanto no Brasil quanto no exterior, assim como suas respectivas contas. Elas foram divulgadas nos balanços contábeis publicados. A Abril esclarece também que não possui nem nunca possuiu trusts em nenhum lugar do mundo”.
MÍDIA E OFFSHORES
Empresas brasileiras de comunicação e jornalistas já foram citados em outras reportagens internacionais sobre firmas em paraísos fiscais:
Panama Papers: documentos sobre offshores criadas pela firma panamenha de advocacia Mossack Fonseca estão relacionados a, ao menos, 14 empresários e diretores de empresas de mídia, seus parentes ou jornalistas. O material foi divulgado em maio de 2016. Da mesma forma que nos Paradise Papers, a investigação global Panama Papers foi coordenada pelo ICIJ.
SwissLeaks: em março de 2015 ficou conhecida uma lista de empresários de mídia e jornalistas com registros de contas na Suíça. O chamado SwissLeaks publicou 1 conjunto de dados bancários vazados em 2008 de uma agência do “private bank” do HSBC em Genebra.
PARADISE PAPERS
A série de investigação jornalística Paradise Papers é um trabalho colaborativo de 96 veículos em 67 países –o parceiro brasileiro da investigação é o Poder360. Entre outros veículos associados estão os jornais “The New York Times” (EUA) e “The Guardian” (Reino Unido). A reportagem está sendo apurada há cerca de 1 ano.
Os textos do Paradise Papers começaram a ser publicados no domingo (6.nov.2017). A coordenação geral da apuração é do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), organização sem fins lucrativos e com sede em Washington, nos EUA.
O Poder360 publicou uma extensa explicação sobre como foi produzida a série Paradise Papers e a razão de publicar a documentação, ainda que em alguns casos as operações com offshores possam ser baseadas em trâmites legais.
A política do Poder360 nesta investigação foi a de publicar as informações de todas as pessoas e empresas politicamente expostas no Brasil, mesmo que os titulares comprovassem ter declarado seus negócios à Receita Federal. A divulgação, entretanto, tomou o cuidado de deixar explícito quais foram os casos em que não há óbices legais.
No caso das empresas de mídia, pelo que informaram as citadas nesta reportagem, seriam operações legais diante das regras brasileiras.
O ICIJ e o Poder360 entendem que o acesso a empreendimentos no exterior é 1 privilégio de poucas pessoas. Em geral, a razão para ter uma empresa ou 1 trust num paraíso fiscal é pagar menos impostos, algo quase nunca acessível a todos os cidadãos de 1 determinado país. Daí a relevância jornalística e o interesse público na divulgação dos dados –sem com isso permitir a inferência de que todas as operações sejam ou contenham algo de ilegal.
Informações deste post foram publicadas antes pelo Drive, com exclusividade. A newsletter é produzida para assinantes pela equipe de jornalistas do Poder360. Conheça mais o Drive aqui e saiba como receber com antecedência todas as principais informações do poder e da política.
Revista Forum

domingo, 8 de maio de 2016

Panama Papers confirma: filha de João Roberto Marinho pagou à Mossack, empresa “a serviço de delatores e traficantes”. Texto e vídeo do jornalista Luiz Carlos Azenha





Panamá Papers confirmam Viomundo: filha de João Roberto Marinho pagou à Mossack, empresa “a serviço de delatores e traficantes”; em 2009, foram 7 mil dólares para reativar offshore Vaincre LLC



Quando o suspeito era Lula, O Globo denunciou a Mossack e chegou atribuir a propriedade do edifício Solaris ao ex-presidente. Agora, se cala sobre a herdeira de Roberto Marinho

Publicação do blog de Fernando Rodrigues confirma o que o Viomundo denunciou com exclusividade em 22 de março último: a neta favorita de Roberto Marinho, Paula, filha de João Roberto Marinho, fez pagamentos à Mossack & Fonseca relativos à manutenção de três empresas offshore ligadas aos negócios do marido dela, Alexandre Chiappeta de Azevedo.

Além disso, em outubro de 2009 a filha de João Roberto Marinho participou da regularização da offshore Vaincre LLC em Las Vegas, Nevada, de acordo com e-mail publicado por Fernando Rodrigues.

Nevada tem legislação que favorece especialmente a ocultação dos verdadeiros donos de uma empresa de fachada. É que o estado norte-americano permite que a offshore tenha como agente e gerente locais não pessoas em carne e osso, mas outras empresas.

Num artigo de dezembro de 2014 sobre a Mossack, o jornalista Ken Silverstein reproduziu entrevista de um especialista em lavagem de dinheiro, que explicou o que acontece em Nevada: “São organizações integradas verticalmente até o minuto em que aparece um policial ou investigador. Aí elas se desintegram em uma série de entidades desconectadas e todo mundo jura que não sabe nada sobre qualquer outra pessoa no sistema. É um quebra-cabeças montado, que de repente se desfaz quando alguém começa a investigar”.

Foi por isso que Paula ou o marido optaram por reativar a Vaincre LLC em Nevada, que estava inativa desde 2005?

A regularização foi feita com o pagamento de U$ 7.035,00 em atrasados em outubro de 2009, em invoice emitido em nome de Paula, segundo e-mail divulgado por Fernando Rodrigues.

Os motivos para ela ter feito isso permanecem desconhecidos, mas podem ter relação com a Paraty House.

Segundo o escritório de arquitetura que projetou o bunker de concreto na praia de Santa Rita, a casa foi construída em 2009.

Erguida com violação de leis ambientais, a mansão está em nome da Agropecuária Veine. Uma das sócias da Veine é a offshore Vaincre LLC.

É plausível que a Vaincre LLC sirva como biombo para proteger a identidade de sócio/a/os/as oculto/a/os/as da mansão.

Além da Vaincre LLC, são relacionadas aos negócios de Alexandre as offshore A Plus Holdings, do Panama e Juste, nas ilhas Seychelles.

Todas foram criadas pela Mossack & Fonseca, que o próprio jornal O Globo, da família Marinho, definiu como “a serviço de ditadores e delatores”, em reportagem de 28 de janeiro deste ano.

Tais denúncias eram feitas quando se suspeitava que o ex-presidente Lula tinha relação com offshore criada pela Mossack que aparecia como dona de apartamento no edifício Solaris, em Guarujá, onde um triplex foi atribuído ao ex-presidente. Ele nega.

O Globo e a TV Globo, ambos da família Marinho, trabalharam intensamente para ligar Lula ao triplex.



Paula, o avô e o pai: JN não encontrou a herdeira na “cidade do pecado”

Em 28 de janeiro deste ano, o Jornal Nacional esteve em Las Vegas, que descreveu como “a cidade do pecado”, para investigar a Mossack. Mas, ironicamente, não encontrou a Vaincre LLC, ligada mesmo que indiretamente à herdeira de Roberto Marinho.




Paula Marinho está numa lista de 14 empresários de mídia e jornalistas brasileiros que, segundo os Panama Papers, abriram ou operaram offshores através da Mossack.

A forma com que as informações foram divulgadas é quase uma desculpa antecipada: diz-se que empresas criadas em paraísos fiscais, declaradas à Receita Federal, são legais.

Fato: o ex-ministro Joaquim Barbosa usou legalmente uma empresa nas ilhas Virgens Britânicas para comprar um apartamento em Miami, mas admitiu que os motivos foram de ordem fiscal e sucessória. É a chamada “elisão” de tributos, no Brasil ou mesmo nos Estados Unidos.

É no mínimo hipocrisia para quem vive denunciando corrupção alheia.

LEGAL MAS IMORAL?

Num país desigual como o Brasil, a utilização de artifícios para a redução do pagamento de impostos é imoral, lembrou Paulo Nogueira ao tratar do caso de Carlos Henrique Schroder, o chefão da Globo que também aparece nos Panama Papers:

Nogueira escreveu:

Primeiro, vamos deixar clara uma coisa. Criar contas em paraísos fiscais é apenas uma forma legalizada de sonegar. (Legalizada por enquanto, vistos os esforços de múltiplos países para pôr fim a essa mamata que furta dinheiro que construiria escolas, hospitais, portos, estradas e por aí vai.) Isto quer dizer: ainda que você declare a conta ou as contas, você continuará a sonegar. Em países com largos contingentes de miseráveis como o Brasil, esta sonegação (ainda) legalizada é ainda moralmente pior. Amplia e perpetua a desigualdade social.
PAULA MARINHO QUER FAZER PARECER QUE NADA TEM A VER COM ALEXANDRE

No caso específico de Paula Marinho, ela afirmou a Fernando Rodrigues, em sua defesa:

Paula Marinho informa que não tem nem nunca teve participação em nenhuma dessas empresas. O beneficiário era seu ex-marido Alexandre Chiappeta. Seu endereço foi apenas usado para o envio de faturas de manutenção das mesmas. Quanto à casa mencionada, essa informação [veiculada em parte da mídia] não é verdadeira. A propriedade não pertence à família Marinho.
Aqui é preciso sublinhar que Paula Marinho Azevedo foi casada com Alexandre Chiappeta de Azevedo durante longos anos. Portanto, mesmo que não tenha sido sócia formal das empresas que aparecem em nome do marido, foi beneficiária dos negócios dele.

Paula era casada com Alexandre, por exemplo, quando ele obteve o controle do estádio de remo da Lagoa, no Rio, sem concorrência pública, em 1997.

Em 1998, ela assinou como fiadora o primeiro aditamento do contrato com o então governador do Rio, Anthony Garotinho.

Sendo assim, antes da separação em 2015, o casal desfrutou por 18 anos — sim, 18 anos! — de um espaço público nobre da cidade, em plena Lagoa Rodrigo de Freitas, onde passou a implantar um negócio com cinemas e restaurantes.

O MP do Rio move ação para obter de volta todo o investimento público feito no estádio desde então, cerca de R$ 30 milhões.

Considera que os concessionários é que deveriam ter pago pelas reformas das quais se beneficiaram.

O estádio sediará competições de remo e canoagem das Olimpíadas de 2016. O caderno oficial que trata do legado olímpico já adiantou que o estádio continuará entregue à iniciativa privada depois das competições.

Remadores do Rio pedem que seja aberta concorrência pública. Dizem que um negócio ilegal jamais seria mantido por quase 20 anos se o poder da Globo e da família Marinho não estivessem por trás.

Denunciam que a empresa Glen/Glem/Lagoon, de Alexandre Chiappeta Azevedo, não cumpriu a promessa de estimular o esporte, pelo contrário, roubou espaço e prejudicou o desenvolvimento do remo no Brasil.

Afirmam os esportistas que isso será demonstrado quando o Brasil não ganhar nenhuma das medalhas em disputa nas competições de remo nas Olimpíadas do Rio.

As empresas de mídia da família Marinho jamais repercutiram as denúncias dos remadores.

Se Paula nada teve a ver com os negócios do marido, por que esconder as denúncias?



ANOTAÇÕES APREENDIDAS

O nome de Paula, um número de conta bancária que pode ser dela e valores supostamente pagos à Mossack como taxa de manutenção aparecem em documentos manuscritos apreendidos pela Polícia Federal no escritório da empresa panamenha em São Paulo. São pagamentos relativos aos meses de junho e julho de 2015.

As denúncias foram feitas originalmente pelo Viomundo.

Como explicar que Paula tenha feitos pagamentos e agora diga que não tem relação com as empresas offshore?

É muito mais que a Polícia Federal tem em relação ao ex-presidente Lula e o triplex atribuído a ele no edifício Solaris.

A PF não terá dificuldades em esclarecer as anotações reproduzidas acima: basta ouvir o autor delas, Ricardo Honório Neto, que foi preso e depois libertado pelo juiz Sérgio Moro.

Também pode ouvir duas funcionárias ligadas aos negócios de Alexandre: Lúcia Cortes Pinto e Rita de Cássia de Oliveira Wirth.

Lúcia não respondeu a perguntas do Viomundo feitas por telefone.

Segundo os documentos publicados pelo blog de Fernando Rodrigues, é ela a procuradora oficial da Vaincre LLC no Brasil.

Procurada por um jornalista no Rio, Rita disse não ter relação com um negócio no qual o nome dela aparece como procuradora: a importação de um helicóptero por um consórcio do qual participou empresa ligada a Alexandre.

Impossível determinar a esta altura se Rita é mesmo apenas uma laranja, como sugeriu em gravação.

Foi uma pessoa de primeiro nome Rita que trocou e-mail com a Mossack & Fonseca para reativar a Vaincre LLC em 2009, acertando a emissão de invoice em nome de Paula Marinho de Azevedo.



DUPLA BLINDAGEM

Nos papéis da Mossack & Fonseca apreendidos em São Paulo, Lúcia Cortes Pinto aparece como acionista da Juste, a offshore das ilhas Seychelles da qual Paula Marinho pagou pelo menos duas vezes a taxa de manutenção.

Os diretores da Juste aparecem como duas empresas também criadas pela Mossack & Fonseca: Shareton Ltd. e Direhold Ltd.

Este nível de dupla blindagem não é usual e demonstra que se pretendia esconder a qualquer custo a identificação dos verdadeiros donos da empresa.

Uma linha de investigação das autoridades brasileiras poderá fazer o rastreamento das operações feitas em nome das offshore Vaincre LLC, A Plus Holdings, Juste e da Pliwel, uma empresa uruguaia que também apareceu associada aos negócios de Alexandre Chiapetta Azevedo.

Operações superiores a U$ 100 mil devem ser registradas junto ao Banco Central. Se não houver nenhum registro oficial, a pergunta óbvia é: por que ter empresas offshore se não havia pretensão de utilizá-las?

Se foram utilizadas de forma ilegal, serviram para fazer lavagem de dinheiro, para ocultar patrimônio e pagar propinas? Serviram apenas aos donos oficiais das empresas ou a terceiros?

Paula Marinho agora atribui o controle das empresas ao ex-marido, mas por que ela pagava as taxas de manutenção? Há a possibilidade de que o casal tenha servido apenas de fachada para um terceiro, que se perdeu nas brumas da papelada da Mossack & Fonseca?

A pressa da Globo para instalar o governo Temer se justifica.

domingo, 6 de março de 2016

Fim do mistério da mansão global de Paraty


Agropecuária dona da propriedade e empresa do genro de João Roberto Marinho têm o mesmo endereço

por Luiz Carlos Azenha e TC publicado 02/03/2016 14:59, última modificação 02/03/2016 15:15 via Rede Brasil Atual
CC/ WIKIMEDIA
mansao.jpg
Mansão tríplex em praia de Paraty tem alguns donos, e todos têm ligação com os Marinho
Viomundo – Na página 15 do registro de número 1030822 da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg), de 25/10/2010, o empresário Alexandre Chiappetta de Azevedo se declara testemunha da formação de um consórcio. Alexandre era genro de João Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo, casado com uma das netas de Roberto Marinho, Paula.
O consórcio formado em Minas Gerais uniu duas empresas. De um lado, a Agropecuária Veine Patrimonial. Está em nome dela a Paraty House, a mansão de concreto construída de forma irregular na praia pública de Santa Rita, no litoral do Rio de Janeiro.
Foi a engenheira florestal Graziela Moraes Barros, do Instituto Chico Mendes, que ligou o "tríplex de Paraty" à família Marinho, em entrevista que deu à Bloomberg, publicada em 8 de março de 2012: "Ricos brasileiros não têm vergonha de construir em área de preservação ambiental".
Em notificação a blogs através de sua advogada, João Roberto Marinho informou que "a notícia é inverídica", pois a casa e as empresas ligadas a ela "não pertencem, direta ou indiretamente, ao notificante ou a qualquer um dos demais integrantes da família Marinho".
Voltando ao consórcio: do outro lado do contrato registrado na Jucemg estava a Santa Amália Administração e Participações Ltda. Ela tem como endereço a rua Margarida Assis Fonseca, 171, na capital mineira.
O Viomundo esteve lá. É a sede da Brasif, que já operou free shops em aeroportos brasileiros e hoje aluga máquinas pesadas. Pertence ao pecuarista e empresário Jonas Barcellos. A Brasif, de Jonas, admitiu recentemente ter contratado a jornalista Mirian Dutra, ex-amante de Fernando Henrique Cardoso, para prestar serviços no exterior.
Mirian, repórter da TV Globo, exilou-se quando, grávida, ouviu do então senador FHC que poderia ter o filho de qualquer um, menos dele, que era casado com a antropóloga Ruth Cardoso e pretendia chegar ao Planalto, como chegou. O caso será investigado pela Polícia Federal, já que FHC ainda ocupava o Palácio do Planalto quando o contrato foi assinado e a Brasif era à época concessionária do governo federal.
O objetivo do consórcio Brasif-Santa Amália-Veine, estabelecido em 2010, foi trazer para o Brasil um helicóptero.
Diz o contrato: "As partes pretendem conjugar esforços para realizar uma operação de arrendamento operacional de um helicóptero Agusta A109E Power, com número de série 11764, com importação da aeronave para o Brasil pelo regime de admissão temporária para utilização da mesma pelas consorciadas e seus executivos".
A mansão de Paraty tem heliporto. Um vôo entre a Lagoa Rodrigo de Freitas — de onde decolam, inclusive, os helicópteros da Globo — ou o aeroporto de Jacarepaguá à Paraty House dura menos de duas horas.
O contrato que formou o consórcio teria duração de cinco anos.
A participação da Veine era de 70%. Por isso, a empresa tinha prioridade no uso do helicóptero, que ficou baseado no Rio de Janeiro.
"Todas as notificações e comunicações feitas de acordo com este Contrato de Consórcio devem ser feitas por escrito", diz o contrato na página 14.
O endereço de entrega da correspondência da Agropecuária Veine, a dona da mansão de Paraty, aparece como: Avenida Borges de Medeiros, 1424, na Lagoa Rodrigo de Freitas.
No documento, Lúcia Cortes Pinto aparece como a sócia da Veine que nomeia uma procuradora.
Lúcia é uma das sócias originais da empresa. Ela teria entrado com 10% das ações. Os outros 90% eram da Blainville, empresa panamenha que tinha como procurador o contador Jorge Lamenza.
Lúcia mora no Grajaú, um bairro de classe média do Rio. Ela desligou o telefone quando consultada se foi mesmo sócia da Veine.
O endereço de correspondência:
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O endereço de correspondência da Agropecuária Veine no Rio que aparece no documento de formação do consórcio – avenida Borges de Medeiros, 1.424 – é onde funciona a empresa do genro de João Roberto Marinho, que os cariocas conhecem como Lagoon.
É um controverso empreendimento que montou cinemas, restaurantes e estacionamento no estádio de remo da Lagoa Rodrigo de Freitas. A Lagoa é um dos endereços mais valorizados do Rio.
No dia 22 de setembro de 1997, o governador e o prefeito do Rio, respectivamente Marcello Alencar e Luiz Paulo Conde, concederam ao genro de João Roberto Marinho, sem licitação, o uso do estádio de remo para fins comerciais.
Era para ter sido a "título precário", conforme está escrito no contrato inicial (leia abaixo). Em 2017, o acordo "precário" completará duas décadas.
captura-de-tela-2016-03-01-axxs-23.jpg
O contrato foi renovado por outros governantes, sempre sem concorrência pública. Em 15 de junho de 1998 foi celebrado o primeiro aditivo. Pelo governo do estado assinou Anthony Garotinho. Pela empresa permissionária, Alexandre Chiappetta de Azevedo . Como fiadora, assinou Paula Marinho de Azevedo, a filha de João Roberto Marinho, mulher de Alexandre.
Naquele primeiro aditivo foi mantida a mesma cláusula de compensação financeira: pagamento mensal de 10% do valor faturado ou, no mínimo, R$ 25 mil.
Porém, segundo ação movida pelo Ministério Público Estadual, entre 1997 e 2003, a empresa nunca recolheu o aluguel, tendo dívida calculada então em mais de R$ 3 milhões.
O remo é um esporte muito tradicional no Rio. Tombado pelo patrimônio histórico, o estádio é um ícone para os praticantes. Muitos deles passaram a reclamar que a empresa permissionária se voltou para atividades comerciais desligadas do objetivo de incentivar o esporte.
Em dezembro de 2006, em preparação para os Jogos Panamericanos de 2007, a arquibancada do estádio de remo foi demolida. Um oficial de Justiça levou uma ordem judicial que deveria ter paralisado a implosão, por conta de tratar-se de prédio tombado. Mas os engenheiros foram orientados a prosseguir.
O estado alegou que a ordem deveria ter dado entrada na Procuradoria.
Novas arquibancadas foram erguidas com dinheiro público. Com um detalhe: foram feitas já com a capacidade de abrigar as salas de cinema que hoje funcionam no empreendimento do genro de João Roberto Marinho.
Praticantes do remo ficaram inconformados com as mudanças feitas. Um dos mais ativos é Zezé Barros, neto do arquiteto que projetou o estádio de remo, Benedicto de Barros. Ambos foram remadores. Em um dos desabafos, ele escreveu:
"Hoje, o remo usa quase de favor uma área, sendo cada vez mais espremido. É inacreditável que isto está acontecendo nas nossas caras e não conseguimos impedir esta apropriação indébita. Isto é real e palpável. Não está sendo publicado em nenhum jornal, como se a comunidade do remo não se importasse, como se nem existisse mais. O que fazer?".
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A ação movida pelo MPE para extinguir o contrato foi julgada procedente em 9 de novembro de 2005 pelo juiz Eduardo Gusmão Alves de Brito Neto. Mas a empresa do genro do dono da Globo recorreu.
Ao longo do tempo, o jornal O Globo, da família Marinho, ao tratar de temas relativos ao estádio, nunca mencionou que a empresa concessionária era de Alexandre, o marido de Paula, filha de João Roberto e neta de Roberto Marinho. Nunca denunciou a falta de licitação.
No dia 24 de abril de 2006, um notinha escondida na página 14 tratou de uma manifestação contra as obras da Lagoon.
Terminou com a declaração de uma porta-voz da concessionária, que acusou os manifestantes de serem "ligados a uma outra empresa que não conseguiu emplacar seu projeto no estádio de remo".
Os organizadores do protesto denunciaram a reprodução de uma declaração que disseram ser completamente mentirosa.
O Globo não mencionou que a porta-voz falava em nome da empresa de Alexandre, o genro de João Roberto Marinho, dono do jornal.
Em outubro de 2015, o empresário e a filha de João Roberto se divorciaram. Ela voltou a usar o nome de solteira: Paula Marinho.
Nossas tentativas de encontrar os responsáveis pela Vaine na sede da Lagoon até agora foram infrutíferas.
Abaixo, o helicóptero no aeroporto Roberto Marinho, em Jacarepaguá, no Rio, e a assinatura da neta do magnata como fiadora de concessão obtida sem concorrência pública:
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segunda-feira, 23 de março de 2015

O Diário do Centro do Mundo apresenta video sobre a Sonegação da Globo




O DCM apresenta o documentário sobre o escândalo da sonegação da Globo na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002.

O trabalho é resultado de um crowdfunding. Através da plataforma Catarse, os leitores ajudaram a bancar a série de reportagens assinadas pelo repórter Joaquim de Carvalho.

Em resumo: a Rede Globo comprou os direitos e, pela transação, não pagou impostos. Depois, adquiriu esses mesmos direitos da empresa de fachada que criou no Caribe por um preço bem superior.

Mais uma vez, não pagou impostos. É a forma conhecida de remeter ao exterior dinheiro que deveria ter sido contabilizado como lucro no Brasil e, por isso, tributado.

O serviço de inteligência da Receita auditou as contas. Em 2006, chegou-se à conclusão de que a emissora deixou de recolher impostos que, à época, com multa e correção, chegavam a 615 milhões de reais.

O episódio veio à tona em 2013 através do blog O Cafezinho. Uma assessoria de imprensa afirmou que a dívida foi quitada, mas diante de uma campanha que circulou na internet exigindo o DARF fosse mostrado, a Globo se calou.

O processo sobre a sonegação foi furtado. A autora do furto chegou a ser presa, mas, defendida por um dos mais caros escritórios de advocacia do Brasil, foi colocada em liberdade por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Joaquim mergulhou nos dados da Receita, falou com tributaristas e especialistas e esteve no Rio de Janeiro com profissionais como Miguel do Rosário e Eduardo Goldenberg, que descobriu o paradeiro dos documentos.

Foi até as Ilhas Virgens, onde ficava a Empire Investment Goup Ltd., companhia fantasma aberta com o objetivo exclusivo, segundo a Receita, de sonegar. Contamos a história rocambólica da sobrevivência dos papeis no submundo do crime.

O escândalo global foi nossa terceira incursão no mundo do financiamento coletivo. Antes disso tivemos o “Diário de Melgaço”, sobre o programa Mais Médicos na cidade com IDH mais baixo do Brasil, e o “Helicoca”, a respeito da apreensão de 445 quilos de pasta base de cocaína no helicóptero do político e empresário Zezé Perrella. Estamos no momento nos dedicando a esmiuçar o papel da Sabesp e do governo do estado de São Paulo na crise da falta de água.

A investigação de Joaquim sobre a Globo resultou também nesta vídeo-reportagem dirigida por Alice Riff que ora compartilhamos. Agradecemos a todos aqueles que apostaram no jornalismo independente do DCM e colaboraram para o projeto se concretizar.
 
Fonte: Contexto Livre