terça-feira, 8 de outubro de 2019

As perdas com a Lava Jato são frutos da ignorância coletiva das instituições, por Luis Nassif



Os crimes da Lava Jato contra a economia, o emprego, os acionistas, podem ter sido culposos, fruto da profunda tragédia de colocar tal poder nas mãos de um grupo de procuradores ignorantes



Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Certa vez conversei com um procurador bem-intencionado da Lava Jato. Eu já tinha escrito que, quando o país retomasse a normalidade democrática, o então Procurador Geral da República Rodrigo Janot seria condenado por crimes contra a pátria, pelo fato de ter ido aos Estados Unidos levar provas contra a Petrobras.
O procurador dizia que o Ministério Público Federal tinha pessoas de esquerda e direita, mas todos eram patriotas.
É possível. Mas a legislação separa bem os crimes dolosos (aqueles em que o criminoso tem a intenção de realizar o ato criminoso) dos crimes culposos (sem intenção de cometer).
Os crimes da Lava Jato contra a economia, o emprego, os acionistas, podem ter sido culposos, fruto da profunda tragédia de colocar tal poder nas mãos de um grupo de procuradores ignorantes. E, na outra ponta, instituições acovardadas – mídia, Procuradoria Geral da República, STF -, com receio de apontar qualquer inconsistência na operação e ser apontado à execração pública como defensores da corrupção ou por atrapalhar o objetivo final, de inviabiliza Lula Politicamente.
Cansei de escrever na época, mostrando o caminho óbvio. As punições deveriam recair sobre os controladores. Se eles tivessem bens para cobrir as multas, tudo bem. Se não, venderiam o controle das empresas e, com os recursos amealhados, pagariam as multas. Os autores de malfeitos seriam punidos; as empresas mudariam de controle, mas não seriam destruídas; os acionistas minoritários, que nada tiveram a ver com o caso, seriam poupados. Não havia aí nenhuma visão privilegiada sobre a lógica das responsabilizações, apenas o bom senso e um mínimo de entendimento sobre como funcionam as estruturas de responsabilidade no campo das sociedades anônimas.
No final do governo Dilma participei de uma coletiva com ela, presentes jornalistas de primeiro time de Brasilia. Entrou o tema de que a Lava Jato deveria ter punido os controladores, não as empresas. E um dos jornalistas se saiu com essa:
– Isso vale nos Estados Unidos. Aqui as empresas são todas familiares.
Uma tolice, já que empresas familiares também podem ser vendidas – ou achava ele que entrariam na condição de bens de família? Apenas repetia os mantras do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, o verdadeiro condutor da Lava Jato.

O balanço do estrago

O  artigo da professora de direito Erika Gorga, na Ilustríssima de ontem, mostra as perdas gigantescas e a profunda injustiça provocada pelo índice de ignorância líquida do país. Erika foi candidata a deputada federal pelo NOVO e é colaboradora do Instituto Millenium.
A lógica é óbvia:
  1. Quem promoveu a corrupção no grupo foram os controladores.
  2. A família Odebrecht controla o grupo empresarial por meio da empresa Kieppe Participações. Emílio e Marcelo Odebrecht, os acionistas controladores finais, eram, respectivamente, presidentes do conselho de administração e da diretoria da Odebrecht S.A. —empresa esta que controla, por sua vez, a Braskem S.A.
  3. A lógica seria impor as multas e as responsabilidades financeiras pelos crimes ao grupo que controlava. Em vez disso, optaram por colocar sobre todo o grupo jogando no mesmo balaio minoritários que nada tinham a ver com a história. Mais que isso, inviabilizando as próprias empresas e, nesse movimento, todos os bancos públicos que a haviam financiado.
Explica a advogada:
A Lei Anticorrupção, no artigo 6º, determina claramente que as sanções “serão aplicadas às pessoas jurídicas consideradas responsáveis pelos atos lesivos”. A Lei das Sociedades Anônimas define que “acionista controlador é quem “responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder” (art. 117), como, por exemplo, “orientar a companhia para fim estranho ao objeto social” (§ 1º a) ou “induzir … administrador ou fiscal a praticar ato ilegal” (§ 1º e).
Ora, a Lei das S/As é dos anos 70. Naquela época houve uma grande discussão, com participação direta de Modesto Carvalhosa. Dois dos gurus da Lava Jato – Carvalhosa e o Ministro Luis Roberto Barroso que, antes do Supremo Tribunal Federal (STF) foi advogado de grandes grupos empresariais – tinham ampla familiaridade com temas societários. Por que não os aconselharam?
A advogada diz o óbvio:
“O ideal seria ter imposto até a obrigação de os Odebrecht alienarem o controle do grupo. Livre da interferência da família controladora, o conglomerado poderia ter recuperado credibilidade e crédito no mercado, de maneira a evitar a perda de milhares de empregos e valor do investimento dos demais acionistas minoritários e credores. Isso não foi feito, muito pelo contrário”.
O que a Lava Jato fez foi proibir novas contratações pelas empresas, interrompendo projetos e congelando linhas de crédito. Depois, o acordo de leniência, que sangrou as empresas, mas permitiu à família Odebrecht manter o controle.
Alguns exemplos dos prejuízos impostos:
  1. Os procuradores celebraram acordo de leniência com a Brasken, impondo encargo financeiro de mais de R$ 3,1 bilhões. Ora, a Petrobras detinha 47% das ações ordinárias e 21,92% das preferenciais, ou 36,15% do capital total. Só nessa operação, a Petrobras teve perda de R$ 1,12 bilhão. Na mídia, no entanto, celebrava-se que a Lava Jato conseguiu recuperar R$ 264,5 milhões para a Petrobras.
  2. Com a inviabilização das empresas, a Lava Jato prejudicou todos os credores da construtora. O BNDES provisionou perdas de R$ 14,6 bilhões à Odebrecht, mais R$ 8,7 bilhões discutidos nas recuperações judiciais da Odebrecht e da ATvos (Odebrecht Agroindustrial). A Caixa Econômica Federal entrou com pedido de falência da empresa.

Os gênios ocultos

A destinação dos valores à União foi solicitada pela força-tarefa após a celebração de um novo acordo de leniência pela empresa com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU) na última semana. O instrumento firmado pelos órgãos reconhece o termo de leniência da Braskem com o MPF, homologado pela 13ª Vara Federal de Curitiba e pela Câmara de Combate à Corrupção (5ªCCR) do MPF. Paralelamente, o MPF reconhece o acordo firmado na esfera administrativa e se valeu dos cálculos efetuados pela CGU/AGU para propor a divisão dos valores entre as entidades públicas vitimadas, União Federal e Petrobras.
Ou seja, uma tragédia desse tamanho, convalidada pelo MPF, Justiça Federal de Curitiba, Câmara de Combate à Corrupção do MPF, Advocacia Geral da União e Controladoria Geral da União. E saudada pela grande juíza e jurisconsulta Gabriela Hardt que, do alto de sua enorme sapiência reputou como “extremamente louvável” esse conciliábulo de ignorantes. A palavra “reputo” mostra a extraordinária relevância que ela conferia ao seu próprio discernimento:

Petrobras completa 66 anos hoje, ameaçada, por Alencar Santana




Ameaçada por um governo brasileiro subserviente aos EUA, o maior interessado no petróleo mundial e protagonista direto de todos os conflitos



Plataforma para exploração de petróleo da Petrobras. Foto: Agência Petrobras


Por Alencar Santana*
Deputado federal (PT)
Uma Petrobras forte e um Brasil Soberano
Nesse aniversário, a Petrobras e seus funcionários merecem mais do que um parabéns: merecem reconhecimento e o apoio de todos e de todas as brasileiras
Fundada em 1953, a maior e mais valiosa companhia do país completa 66 ameaçada.
Ameaçada pela campanha midiática de mais de uma década e carimbou na Estatal, uma das empresas mais cobiçadas do mundo, a falsa ideia de ineficiência, incapacidade produtiva e corrupção, preparando a opinião pública para aceitar calada seu desmantelamento.
Ameaçada por um processo de “privatização fatiada” que entregou a BR distribuidora e partes da Petrobras para empresas estrangeiras, tirando do país a autonomia de distribuição de derivados no atacado e varejo, atacando em cheio nossa segurança de abastecimento.
Ameaçada pela entrega de poços de petróleo do Pré-sal, a maior reserva não explorada do planeta, capaz de garantir ao Brasil soberania energética e recursos para áreas fundamentais ao desenvolvimento nacional, como a educação e a saúde.
Ameaçada por um governo brasileiro subserviente aos EUA, o maior interessado no petróleo mundial e protagonista direto de todos os conflitos e guerras ligados à questões de energia derivada de combustíveis fósseis.
Ameaçada de nunca mais ter o crescimento obtido nos governo Lula, quando seu valor de mercado saltou de u$ 15 bi (2003) para u$ 214 bi (2009) e sua produção e seu lucro médio aumentou em 500%.
Assim, nesse aniversário, a Petrobras e seus funcionários merecem mais do que um parabéns: merecem o reconhecimento e o apoio de todos e de todas as brasileiras, para que nossa maior empresa continue sendo nossa e que nosso país volte a ser uma potência econômica e energética, rico, próspero e soberano.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Sanatório Brasil: rir ainda é o melhor remédio, mas está em falta, por Ricardo Kotscho



De acordo com o jornalista Ricardo Kotscho, não se pode nem mais rir em paz no Brasil. “Tá rindo do que? Ficou bobo? Isso aqui é sério, não é brincadeira, não, talkei?”, vem logo latir um bolsominion amestrado". "Deve ser dura a vida de palhaço num país que ficou triste e já não ri mais de nada", lamentou

Do Brasil 247:

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Qual foi a última vez que você deu boa uma risada, daquela de chorar e não parar mais?
Parece até que agora está proibido dar risada para não contrariar as novas normas da Caixa Cultural evangelizada.
“Tá rindo do que? Ficou bobo? Isso aqui é sério, não é brincadeira, não, talkei?”, vem logo latir um bolsominion amestrado.
Se fosse um filme, o Brasil antigamente poderia classificado como comédia.
Mas, de uns tempos pra cá, virou um grande drama e, por fim, uma tragédia de horror. Acabou a graça.
Cada vez que aquele alucinado abre a boca no chiqueirinho dos jornalistas no Alvorada, você já não sabe se é para rir ou chorar.
Brasileiro sempre gostou de contar piadas, ria de qualquer coisa, até da própria desgraça, e assim a gente ia levando a vida.
Getúlio, JK e Lula eram um prato cheio para humoristas, chargistas, cartunistas.
Não por acaso, foram os melhores presidentes que este país já teve.
Gostavam das caricaturas que faziam deles e de ouvir a última piada sobre o presidente.
Você já ouviu alguma piada sobre o capitão-presidente?
Pode-se dizer que ele já é uma piada, mas ninguém consegue achar engraçado.
Aquela figura patética, de cara amarrada na tribuna da ONU, pode despertar medo, raiva, qualquer sentimento ruim, mas não consegue arrancar um simples sorriso da platéia.
À sua volta, uma coleção de anões da República ri das besteiras que o chefe fala e bate palmas.
Só eles ainda dão risadas como se estivessem debochando da gente, enquanto o país afunda na desesperança e na melancolia profunda.
Nesta manhã de domingo, dei uma folheada nos jornais e pesquei pela internet para ver se achava alguma coisa engraçada para comentar aqui e dar um refresco aos leitores.
Sem chance, não achei nada que me desse vontade de rir.
Se o caro leitor ou leitora teve mais sorte e se divertiu com alguma notícia, por favor, conte pra nós aqui.
Será que viramos todos uns chatos macambúzios?
Deve ser dura a vida de palhaço num país que ficou triste e já não ri mais de nada.
Vida que segue.

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Lava Jato causou mais danos à Petrobras do que a corrupção. Por Afrânio Silva Jardim, jurista


“Os prejuízos causados à Petrobrás, pela forma inadequada de agir da Lava Jato, superam em muito os danos que lhe foram causados pela corrupção. Os métodos escandalosos e inconsequentes da Lava Jato causaram imensos danos à nossa economia e ao nosso sistema de justiça criminal”


Fachada da sede da Petrobras, no Rio Foto: Arquivo
PUBLICADO NO FACEBOOK DO AUTOR
POR AFRÂNIO SILVA JARDIM
Prévia reflexão: “Os prejuízos causados à Petrobrás, pela forma inadequada de agir da Lava Jato, superam em muito os danos que lhe foram causados pela corrupção. Os métodos escandalosos e inconsequentes da Lava Jato causaram imensos danos à nossa economia e ao nosso sistema de justiça criminal”.
A realidade é muito instigante e nos faz refletir. Ela desperta a nossa consciência e também, em uma perspectiva mais crítica, nos faz ver melhor a verdade que se oculta por trás dos fatos e atos do nosso cotidiano.
Recentemente, foram amplamente divulgadas, pela grande imprensa, algumas notícias que, se bem compreendidas, demonstram que o nosso “sistema de justiça penal” está ideologicamente assumindo “partido”. Vale dizer: “escola sem partido” e “justiça penal com partido” …
Como tenho constantemente salientado, a estratégia punitivista de se socorrer da grande mídia para lograr punições, previamente desejadas, “está dando bastante certo”.
Aliás, esta estratégia perversa encontra agora um “terreno fértil”, pois os nossos órgãos de persecução penal e do Poder Judiciário, com as costumeiras exceções, são compostos por pessoas de formação conservadora, acrítica e, por vezes, profundamente elitista.
A falta de cultura geral torna polícias, membros do Ministério Público e do Poder Judiciário em “presas fáceis” do autoritarismo, de posturas simplistas e mais voltadas para o “senso comum”.
Na verdade, são raros os profissionais do Direito que, aprovados nos respectivos concursos públicos, continuam estudando e lendo sistematicamente. A falta de cultura geral é uma realidade em nossa atual sociedade. Os motivos desta “letargia” são vários e não cabe aqui elencá-los e comentá-los.
De qualquer forma, entendo que há um certo despreparo para o desempenho mais consequente destas relevantes funções, mormente quando se deflagra um ativismo judicial desmedido, quando se busca ampliar a discricionariedade no processo penal e quando somos dominados pelo poder econômico, que se utiliza da grande imprensa para padronizar comportamentos e pensamentos conservadores.
O pior é que se somam a tudo isso comportamentos insólitos de alguns magistrados e membros do Ministério Público, misturando-se estrelismo com messianismo ingênuo.
Esta sede de poder e um corporativismo danoso incentivam muitos membros do Ministério Público a sustentar, cada vez mais, a ampliação da discricionariedade no processo penal, buscando importar nefastos institutos próprios do sistema da “Common Law”.
Estamos presenciando juízes abandonando a sua necessária posição de sujeito processual imparcial, que deve ser indiferente ao resultado do processo. Estamos presenciando Procuradores da República e Promotores de Justiça agindo como verdadeiros “advogados de acusação”.
Tudo isso fica muito claro na chamada “Lava Jato”, pautada pelo estardalhaço e exibicionismo de vários agentes que atuam em nosso sistema de justiça criminal.
O chamado “processo penal do espetáculo” criou danos irreparáveis para a nossa sociedade. Não só prejudicou fortemente a imagem de pessoas que sequer eram rés, como tornou vulnerável a diversas críticas juízes e procuradores da república.
Cabe também salientar que a forma espetaculosa que foi imprimida nesta operação, previamente articulada com alguns órgãos da grande imprensa, causou imenso dano a várias empresas nacionais e à nossa economia em geral.
Note-se que não estamos afirmando que o combate à corrupção foi danoso, mas sim que a forma usada para efetivar este combate foi a maior responsável pelos imensos prejuízos acima apontados. Um exemplo claro disso, dentre tantos outros, foi a “Operação Carne Fraca”, irresponsavelmente tornada pública por alguns delegados da polícia federal. Outro exemplo foi a morte do reitor Cancellier da Universidade Federas de Santa Catarina.
Ademais, não resta dúvida de que os danos que o processo penal do espetáculo causou à Petrobrás são absurdamente maiores do que lhe causava a deletéria corrupção. Para comprovar o que acabamos de dizer, basta citar o pagamento de quase dez bilhões de reais que a Petrobrás acordou com seus acionistas norte-americanos.
Nada obstante tudo isso, julgo que as sequelas maiores deixadas pela Lava Jato não são os danos patrimoniais, mas sim a disseminação, perante a opinião pública, de que vale a pena “flexibilizar” regras jurídicas de garantias, inclusive os chamados Direitos Fundamentais, previstos na Constituição da República, em prol de um combate à corrupção em nosso país, mais simbólico do que efetivo, como demonstrou o professor Jessé Souza, em sua excelente obra intitulada “A Elite do Atraso”.
Outra sequela indelével foi a total “desarrumação” do nosso já precário sistema processual penal. A introdução, em nosso sistema de justiça criminal, do “negociado sobre o legislado”, através de acordos de cooperação premiada em flagrante desacordo com o disposto no Código Penal e Lei de Execução Penal, criando regras processuais absurdas, chegou ao ponto de violar o princípio “nulla poena sine judicio”, fundante do Estado Democrático de Direito.
Assim, o descalabro chegou ao ponto de se tentar executar diretamente o acordo de cooperação premiada, independente de uma necessária sentença condenatória, vale dizer, execução penal por título extrajudicial !!!
A utilização descabida do acordo de cooperação premiada tirou o Poder Judiciário o dever constitucional de aplicar e individualizar a pena no processo penal !!!
Enfim, o passageiro e decrescente prestígio que a Lava Jato outorgou ao Ministério Público Federal criou um sedutor incentivo para que alguns de seus membros buscassem, inclusive no plano legislativo, um poder discricionário no processo penal, totalmente incompatível com o Estado Democrático de Direito, previsto na Constituição da República.
A prova do que se disse acima, vale a pena repetir, é a insólita tentativa do Conselho Superior do Ministério Público de legislar sobre Direito Processual Penal, criando um sistema paralelo ao disciplinado no código vigente, consoante se constata da sua Resolução 181/16, cuja posterior pequena modificação não infirma todo o ato normativo de inconstitucionalidades formais e materiais (Resolução 183/17).
Enfim, o nosso sistema de justiça criminal está muito próximo do obscurantismo e muitas destas mazelas foram referendadas pelo Supremo Tribunal Federal. O voluntarismo de alguns de seus ministros está degradando este importante tribunal, que passou a decidir contaminado pela perigosa ideia de que os “fins justificam os meios”.
Afranio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj. Mestre e Livre-Docente em Direito Processual pela Uerj.

Com atraso e miopia, a Folha de São Paulo faz autocrítica sobre cobertura da Lava Jato



Folha distorce um pouco a realidade quando faz autocrítica mas trata como se as irregularidades e abusos praticados na Lava Jato só tivessem saltado aos olhos agora


Jornal GGN Folha de S. Paulo fez neste domingo (6), no espaço destinado à ombudsman Flávia Lima, uma tímida autocrítica a respeito da cobertura da Lava Jato. A repórter relata que num almoço para comemorar os 30 anos da função, o diretor de redação Sérgio Dávila admitiu que as delações premiadas, com base no “fulano disse que beltrano fez tal coisa”, foram usadas sem critério para fazer alarde quase diariamente.
“Se eu tivesse que revisitar o caso e fazer a cobertura de novo, sei que isso não é possível, talvez repensasse o espaço que demos, manchetes atrás de manchetes…”, disse. “Então, sim, faço essa autocrítica. Mas a postura que o jornal teve em relação à operação, talvez não desde o começo, mas desde que se configurou que eles estavam ultrapassando todos os sinais, eu estou satisfeito com ela”, pontuou Dávila.
O mea culpa da Folha não pode ser desprezado, mas é indiscutivelmente tardio e carregado de uma visão míope dos fatos.
Primeiro porque estabelece como divisor de águas o vazamento do dossiê Intercept, que expôs os desvios de conduta da força-tarefa da Lava Jato. A cobertura crítica, contudo, quase sempre existiu em meios alternativos, seja em blogs independentes, nos sites especializados ou nos veículos estrangeiros. Não é como se grandes jornais como Folha, Estadão e O Globo não tivessem condições de fazer uma cobertura mais equilibrada.
Este GGN, por exemplo, produziu uma série de reportagens mostrando os furos nos processos contra o ex-presidente Lula utilizando, em parte, documentos e vídeos que foram disponibilizados na íntegra pelo Estadão. O material para questionar o que diziam as testemunhas e delatores sempre esteve disponível. Faltou vontade ou coragem para não se curvar à agenda oculta da Lava Jato, que facilmente tomou a grande mídia por“cão de guarda”.
A própria ombudsman da Folha admitiu essa falha quando escreveu que “a imprensa foi transformada, muitas vezes, em linha auxiliar da operação como uma estratégia de angariar suporte” e que “apontar problemas na Lava Jato virou quase um tabu em nome de um objetivo maior: o combate à corrupção.”
Em segundo lugar, ainda que jornais como Folha não quisessem se pautar pela cobertura crítica na mídia alternativa, não precisavam esperar o dossiê do Intercept ser vazado em julho de 2019 – mais de 5 anos depois do início da operação – para começar a apurar melhor os passos controversos da Lava Jato. Os sinais de que as delações premiadas que alimentavam “manchetes atrás de manchetes” não eram confiáveis apareceram muito antes disso.
Só para citar um exemplo: em setembro de 2017, o procurador da República Ivan Cláudio Marx apresentou à 10ª Vara Federal de Brasília as alegações finais do Ministério Público Federal no caso em que Lula era acusado de comprar o silêncio de Nestor Cerveró, com base na delação de Delcídio do Amaral. Marx pediu a absolvição de Lula porque a narrativa construída pelo ex-senador era imprestável, e isso não poderia ser ignorado em “prol de uma cruzada acusatória”.
Essa crítica, que partiu de dentro do próprio Ministério Público, deveria, no mínimo, ter despertado o interesse da imprensa pela veracidade de outras delações.
Folha distorce um pouco a realidade quando faz autocrítica mas trata como se as irregularidades e abusos praticados na Lava Jato só tivessem saltado aos olhos agora. Ao contrário, o dossiê Intercept serviu num primeiro momento para confirmar as convicções dos críticos de sempre. E seguiu dali em diante revelando outras condutas inimagináveis, que deveriam conduzir outros veículos à autocrítica também.
Como disse a ombudsman, esse reconhecimento de que a cobertura foi desequilibrada é “importante”, “mesmo que esse reconhecimento venha muito depois das primeiras ressalvas feitas aos métodos da Lava Jato e num momento (após os vazamentos), em que ficou mais fácil fazer a crítica.”

Janot e DD Dinheirol, eis as duas… que nos deu essa elite!, por Armando Coelho Neto, delegado aposentado da PF e ex-representante da Interpol




Eis, pois, que o Ministério Público Federal teve, e talvez até tenha, como referência essas duas... E outras tantas capazes de ruborizarem corações cidadãos, humanistas, solidários e nacionalistas.


Foto José Cruz/Agência Brasil

Janot e DD Dinheirol, eis as duas… que nos deu essa elite!

por Armando Rodrigues Coelho Neto, no GGN

A Polícia Federal tucana, como ninho de netos e bisnetos da ditadura, já foi objeto de texto nosso neste GGN. Nada republicana e sempre partidária, de forma camaleônica passou de Collorida a Aecista, até desembocar na estupidez bolsopata. Sempre desafiei os policiais federais a apontarem ao menos um carcereiro ou ocupante da mais chinfrim chefia, que fosse simpatizante, filiado ou ligado ao Partido de Trabalhadores. Ninguém apontou, simplesmente por que não existia. Mesmo assim, falando até pelos cotovelos, os bolsopatas da PF diziam que a instituição estava “aparelhada”. Na verdade era aparelhada ao contrário. Mas, só hoje assume essa identidade.
Ao tratar do tema acima,  (aqui) documentei o caso de um delegado federal que foi punido por tratar um colega pelo termo “sujeito”, enquanto foi armada uma verdadeira mutreta para não punir o policial que simulou tiro ao alvo no rosto da Presidenta golpeada Dilma Rousseff. No mesmo texto, citando matéria do repórter Marcelo Auler, dei as primeiras notas sobre o que, só recentemente, foi matéria da Folha de S. Paulo: “Delegado da PF diz que Lava Jato tentou destruir provas em inquérito”.
Volto ao tema para dizer que foi desse universo promíscuo e aparelhado ao contrário, leia-se de moral duvidosa e que odeia povo, que o Partido dos Trabalhadores teve que fazer o que chamei de suas “desindicações”. O PT não tinha e não tem quadros na PF e na maioria das instituições, porque essas, salvo exceções, são naturalmente prostituídas por carreiristas vaidosos, tiranóides de plantão. Gente alinhada à cultura do Marreco de Maringá. Todos querem chegar lá a qualquer preço. Entenda-se por “lá”, um ponto imaginário qualquer que garanta prestígio, promoção, status e quiçá um dinheirinho extra, seja com palestra ou uma falcatrua qualquer.
Tudo isso ou aquilo, parte disso, mais ou menos isso, no melhor estilo Nada Menos Que Tudo, livro de Rodrigo Janot.
Foi assim, mais ou menos assim, por vezes com discursos de conveniências para agradar o Poder Central, que delegados da PF ganharam cargos, juízes se tornaram ministros do Supremo Tribunal Federal. Muitas são as especulações sobre o empréstimo de um avião da JBS para esmolar votos, pois fulanos e beltranos eram candidatos à Corte. Gente de perfil corporativista, umbilicados com seus próprios interesses, não raro abençoados por Lojas Maçônicas, cujos tentáculos se fazem presentes em quase todas, senão todas as esferas de poder dos mais de 5.570 municípios do País. Como, então, criticar as “desescolhas” daquele do PT? Rolou, ao que parece, um “é o que temos para hoje”
A rigor, as escolhas eram feitas pelo sistema, pelas circunstâncias, pelas regras paralelas de governanças com as quais a elite porca brasileiras sempre conviveu (caixa dois, troca-troca, aprovação de contas com restrições pelo TRE – para “pegar lá na esquina se preciso”, pedaladas fiscais, etc). Leia-se, regras inerentes à cultura na qual se forjaram o Marreco de Maringá, procuradores da República, delegados da PF, jornalistas e outros arautos da falsa moralidade.
Nesse contexto, a presidenta Dilma Rousseff, coagida pela mídia e pelo avanço do fascismo nacional, indicou Rodrigo Janot e sequer se atreveu, no auge da crise, a trocar o chefão da PF. Deu no que deu. Não só para ela e o Partido dos Trabalhadores, mas também para a própria dita elite brasileira.
Dilma indicou alguém que, no seu ocaso moral e profissional, escreveu um livro, cujo título, como diz um amigo, poderia ser “Confissões criminais” ou “Como a blindagem e o corporativismo deterioram o caráter”. Poderia ter como subtítulo: “A influência da concentração de poder e da ausência de controle na saúde psíquica – uma experiência concreta”.
De forma objetiva ou nas entrelinhas, Janot quis matar Gilmar Mendes, fala de Lula como objeto de desejo; do não poder investigar o larápio Eduardo Cunha (apoiado por Aécio que era contra a corrupção, lembram?); tramoias sobre o doleiro Youssef (que recebeu benesses do Marreco de Maringá, lembram?)… Irmãos Batista… Ah! Janot foi sondado para ser ministro do STF, candidato a vice-presidente da República. Eis que a Lava Jato quebra o nariz ao esbarrar em José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá – tratados como “muralhas” do sistema, leia-se representantes daquela cultura Sejumoriana de que falo lá em cima. Ah! Janot adora cozinhar!  Coisas que fazem parte do livro “Nada Menos Que Tudo”.
Crimes e golpe confessados, vem o mais grave: os procuradores da República elegeram “isso” (Janot) como o mais apto para comandar a Corporação. Tem mais: sob aplauso da mídia, a imprensa o celebrou durante anos. Içaram alguém cujo equilíbrio emocional e a sanidade estão sendo postas em dúvida por psicanalistas, pitaqueiros, golpistas e leigos ou tudo isso ao mesmo tempo.
Mas, essa … foi eleita com votos daqueles que, a depender de seus alvedrios, se tornariam os substitutos da política. Negando a política passaram a fazer política, que é a forma mais calhorda de se fazer política. DD Dinheirol, por exemplo, já dava como certa sua vaga no Senado e ainda teve peninha dos eventuais adversários.
De outro giro, as revelações do The Intercept e parceiros provam o quanto essa súcia elitizada concorreu para a fraude eleitoral de 2018, que levou ao poder alguém que é mesmo a cara do Ministério Público Federal. Pelo menos a face vergonhosamente exposta pelas personagens, cujos diálogos no Telegran caracteriza a fotografia da vergonha, ou falta de.
Enquanto Janot escrevia seus excertos, testigos e escusas (palavras horríveis que juristas medíocres gostam de usar) para confessar seu imo criminoso e contribuir para desmascarar o golpe de 2018, DD urdia coisas do demônio, entre aha hurru e fraudes processuais. Enquanto alimentava seus súcubos, DD conversava às vezes com ele próprio e, de vez em quando, pasmem (!) conversava também com Deus.
Honestamente, DD ou Janot, não dá pra saber qual dessas duas … seria a mais sóbria. Eis, pois, que o Ministério Público Federal teve, e talvez até tenha, como referência essas duas… E outras tantas capazes de ruborizarem corações cidadãos, humanistas, solidários e nacionalistas.
Portanto, queira por gentileza, o leitor, substituir as reticências deste texto pela palavra feminina ou masculina que melhor defina essas duas… que representam o Ministério Público Federal, símbolo da elite brasileira, igualmente …
Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Retrato de um Brasil Midiático-Alienado no rap Sobrevivente, de Gabriel o Pensador


Do Canal de Gabriel, o Pensador:



Letra: Sobrevivente 
Gabriel o Pensador/Duani

Sangue pra sua sede, ódio na sua rede, seus ouvidos têm paredes e as mentiras travam a sua visão
Tempos sombrios, peitos vazios, você foi estrangulado quando o ar ficou pesado dentro do pulmão
Sopro de vida mal agradecida do parto à partida nossa presença aqui devia ser uma missão 
Se a vida é um sopro eu abro as janelas
Se o mar é de lama eu iço as minhas velas
E busco a luz no fim da escuridão 

Me libertar da escravidão da mente
Exalar o que é impuro do meu coração 
Mas não quero a liberdade isoladamente
Liberdade vigiada é ilusão
A calamidade é banalidade
A dignidade já ficou no chão
Chove impunidade quando a lama invade
Morre uma cidade morre uma nação
Anestesiados pelas novidades 
Vistas pelo insta ou na televisão 
Nós compartilhamos nossa insensibilidade quando a atrocidade vira diversão

O suicida estava prestes a pular
As pessoas se apressaram pra pegar o celular
As memórias tavam cheias e pediram pra esperar 
Por favor não pule ainda nós queremos te filmar
E ele ouvindo lá de cima não entendia bem e não reconheceu ninguém na rua
Mas achou que aquela gente lhe queria bem
E que aquela dor não era mais só sua
Desistiu de desistir e retomou a calma
E todos foram embora quando ele desceu
O silêncio aliviou a sua alma
E o milagre foi que nada aconteceu
Deus tava vendo um jogo lá no céu 
Um anjo deu caneta e um outro deu chapéu
Não sei se era um menino do Flamengo ou qualquer outro adolescente da Rocinha, da Mangueira ou do Borel
Quantas mães em desespero 
Choram nos seus travesseiros?
Toda noite um pesadelo 
Quantas mais farão apelos
Pela justiça divina 
Já que a justiça não veio?
Pânico, assalto, chacina
Estupro, arrastão, tiroteio!
Pra eles não importa, gente viva ou gente morta
É tudo a mesma merda
Os velhos nas portas dos hospitais, as crianças mendigando nos sinais
Pra eles nós somos todos iguais
Operários, empresários e presidiários e policiais
Nós somos os otários ideais
A paz é contra a lei e a lei é contra paz 
Essa tribo é atrasada demais

A morte é banal 
Nos filmes, nos games, na vida real
Matar é normal
Na sala de aula em Suzano
E na verba roubada por baixo dos panos

Preconceito racial, social
Intolerância religiosa, sexual
E os poderosos alimentam a ignorância que sustenta a sua ganância e tudo fica sempre igual

Sangue pra sua sede, ódio na sua rede, seus ouvidos têm paredes e as mentiras travam a sua visão
Tempos sombrios, peitos vazios, você foi estrangulado quando o ar ficou pesado dentro do pulmão
Sopro de vida mal agradecida do parto à partida nossa presença aqui devia ser uma missão 
Se a vida é um sopro eu abro as janelas
Se o mar é de lama eu iço as minhas velas
E busco a luz no fim da escuridão

Me libertei da escravidão da mente
Derrubei o muro que separa a gente
Professores são heróis diariamente
Obrigado por plantarem essa semente 
Na mudança do presente eu moldo o futuro
Essa lama não vai ser maior que a gente 
Vou em frente porque o meu amor é puro
É o abraço do bombeiro com o sobrevivente.

Bob Fernandes: Encurralada, perdendo audiência e com gigantes bilionários, como Netflix e Amazon, fungando no cangote, a Globo segue atacando Lula



Do Canal do Analista Político Bob Fernandes:




Da Vênus Platinada cultivada pela Ditadura à decadente manipuladora pró-mercado financeiro, em análise de Bob Fernandes

Do Plantão Brasil: Globo está rachando, teve MEIO BILHÃO de prejuízo em 2018, será engolida por Netflix e Amazon



Do Canal Plantão Brasil:



Você sabia que a Globo deve mais de MEIO BILHÃO de prejuízo no ano passado? A plim plim está sendo engolida por concorrentes muito maiores que estão chegando ao Brasil. Pivô na manipulação do povo brasileiro que causou a prisão de Lula e Bolsonaro, a Globo não consegue mais concorrer com suas rivais estrangeiras.

Além do entretenimento a Globo também perde nos esportes e até no jornalismo. O grande plano da Globo para sobreviver foi por água abaixo quando a Amazon, maior empresa do mundo, contratou o diretor da Globo Play e deixou a empresa dos Marinho sem rumo.