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sábado, 15 de junho de 2019

A obscura face da Maldade de Moro é por fim revelada com provas além de todas as convicções... Por Sérgio Medeiros



A SENTENÇA presta-se simplesmente a dar concretude ao acertado nas conversas. Não havia como o réu fugir da condenação.

Do Jornal GGN:


Moro, a obscura face da maldade aos poucos é revelada

por Sergio Medeiros

A indesmentível congruência do contido nos diálogos revelados pelo The Intercept, e a linha adotada na SENTENÇA proferida por Sergio Moro, quando do julgamento de Luis Inácio Lula da Silva em relação ao tríplex, aos poucos se revela em sua face mais odiosa.
Todas as conversas convergem para um mesmo ponto, a adoção de uma estratégia – feita de comum acordo do Julgador com a Acusação –  para a condenação e, a questão mais estarrecedora, todas as combinações feitas, todo o direcionamento acordado a quatro mãos ou mais, que nos diálogos era mera  intenção , mais tarde, por ocasião da SENTENÇA, foi concretizado na peça condenatória (travestida de sentença).
Sim, definitivamente, não foram apenas conversas e intenções, as consequências foram terríveis.
A SENTENÇA presta-se simplesmente a dar concretude ao acertado nas conversas.
Não havia como o réu fugir da condenação.
A exploração das supostas contradições é o pano de fundo para o feroz ataque que é posto em prática contra Lula e, neste embate, surge clara a estratégia a ser adotada para conseguir o objetivo primordial e ferir de morte ao “adversário”. Para tanto, usam a recente morte de Dona Marisa Letícia como forma de enfraquecer e tentar destruir, tanto a imagem pública, quanto a autoestima do ex-Presidente.
Como recomendado pelo Procurador Carlos Fernando, eles vão na jugular, sem meios termos, e fora de qualquer padrão aceitável, eles usam a morte da companheira de Lula para atingi-lo, e da forma mais vil possível o acusam de algo por eles acordado, ou seja, atacam a imagem e a honra de Lula, distorcendo o fato dele ter dito que ela era dona de uma quota cooperativa para aquisição de um apartamento no prédio onde passou a se afirmar que ele era dono de um tríplex.
Ainda, em outro ponto dos diálogos, foi salientada como a grande prova para dar suporte a denúncia, a notícia veiculada no Jornal O Globo, sobre a propriedade do tríplex.
E agora, da revelação direta de conversas levadas a cabo por Sergio Moro, Deltan Dallagnol e outros, emerge de modo nítido, nos pontos acima salientados – sobre a exploração da morte de Marisa e da utilização da reportagem do jornal e O Globo – a maneira como foi construída a narrativa para a condenação de Luis Inácio Lula da Silva, ou seja, através da junção de esforços, do Juiz Sérgio Moro, do Procurador Deltan Dallagnol (secundado por outros componentes da força-tarefa) e de um esforço midiático imenso, que visava buscar junto a opinião pública quais as versões mais aceitáveis para a condenação de Lula.
No caso, toda esta articulação jurídico institucional midiática, aparece de forma clara na SENTENÇA.
Neste ponto, tomo de empréstimo algumas passagens de um outro artigo, onde esta forma de agir é mostrada em sua face mais deletéria.
Prossigo.
Inicialmente, a título de esclarecimento, anoto que a conclusão inicial de Moro de que existem contradições nos depoimentos de Lula e que estas conduzem a dedução de que Lula esta mentindo não resistem a meras considerações contidas na própria sentença, e mais, após o revelado nas conversas obtidas pelo The Intercept, denotam apenas que os  reais motivos estão alicerçados em outra premissa, a de demonizar o réu perante a opinião pública após incessante massacre midiático, direcionado pelo que posteriormente passou a se denominar República de Curitiba.
Além disso, em face dos novos elementos, revela-se a fragilidade de tais argumentos, porque a conclusão de que Lula mentiu/se contradisse em seus depoimentos, é de tal forma débil, que custa crer que alguém consiga fazer tal exercício de imaginação com base em três depoimentos do Presidente Lula em momentos distintos e que substancialmente não discrepam entre si –, sendo que o último, deu-se apenas uns dias após a morte de sua esposa Marisa Letícia, e, nesse, foi bombardeado incessantemente com perguntas referentes a fatos relativos a esfera pessoal da falecida, como esta agiu, o que ela pensou.
Tal fato, agora com o tempo passado – e as conversas divulgadas pelo The Intercept – , é de tal forma estarrecedor, porque permite verificar de forma clara, toda a perfídia, com que tais perguntas e direcionamentos foram feitos. Realizadas de modo intencional, para forçar uma contradição, ainda que mínima na versão dos fatos, narrada pelo acusado.
Assustadora, porque revela uma doentia tentativa de manipular um depoimento, utilizando para tanto um momento de fragilidade do acusado, uma vez que realizado de forma calculada, poucos dias após a morte de Marisa Letícia.
Item 437-440, pags 83 a 88,  o absurdo da oitiva de Lula por Moro, após a morte recente de Marisa tentando encontrar alguma contradição, dezenas de perguntas sobre Marisa a  Lula e sobre o apto, e nada relevante, apenas a tentativa de coloca-lo confuso (o objetivo de tal tortura, que, gize-se, não foi alcançado, mostra-se agora, em toda sua maldade, na sentença).
Intenção esta que – não obstante a exaustiva tentativa – não obteve êxito.
E, diga-se de passagem, foi de tal forma flagrante que Moro foi alertado pela defesa de Lula mais de uma vez  (e ainda teve o descaramento de criticar e culpar a defesa por ter notado suas intenções distorcidas), para que parasse com tal forma de condução da audiência.
Anote-se que, ao final de sua forçada tentativa, nada conseguiu. Entretanto, apesar de seu insucesso nesta empreitada, não esmoreceu em seu propósito e, mesmo assim, criou num surto imaginário delirante, uma narrativa condenatória.
Registro, neste ponto, que a única condenação passível de ser extraída de tal relato é a referente aos métodos adotados por um Juiz, que deveria ser imparcial, mas que, ao invés disso age com a intenção de buscar, a qualquer custo, uma autoincriminação do acusado, no momento em que este se encontrava fragilizado pela perda de sua companheira de toda uma vida.
Ainda, a conclusão a que chegou, da existência de contradições e de culpa, são carentes de uma mínima sustentação razoável, mostrando-se fruto de um raciocínio que desde seu início revela-se, em tese, direcionado, evidentemente, ao propósito de condenar Lula a qualquer preço.
Estes são os termos corretos, condenar a qualquer preço, ao arrepio da lógica, ao arrepio das provas, ao arrepio dos fatos, da lei, da constituição.
Devidamente esclarecido este ponto, poderíamos dizer, então vamos aos fatos.
Mas, para desmontar este frágil castelo de cartas, não é preciso ir nem mesmo a estes pontos básicos, basta analisar os elementos colacionados pelo juiz Sergio Moro em sua sentença.
Pois bem, vamos a outros elementos da sentença que foram mencionados nas conversas entretidas entre o Juiz Sergio Moro e a acusação.
Da prova considerada por Moro, consistente em manchetes do jornal O Globo, que o tríplex, ainda em 2010 já era considerado como se fosse de propriedade de Lula.
Este ponto, da mesma forma que os antecedentes são de tal forma frágeis que custaria crer que a sentença efetivamente foi proferida por um juiz com anos de experiência, mas, agora, frente a narrativa impositiva das novas revelações, ela se mostra consistente com o propósito condenatório.
Consta, na sentença, de forma expressa que, in verbis: Os aptos eram vendidos pelos corretores com a informação que neste prédio é que Lula iria morar.
Não é preciso ser nenhum gênio para considerar que tal narrativa – que atribui o tríplex a Lula –  é a única possível dentro de um contexto no qual o Presidente tinha um apartamento no Condomínio, que se destinava a sua futura moradia.
Nada menos que uma cobertura se poderia considerar como digno de um ex Presidente – que agora, como sabemos, e que o prolator da sentença sempre soube, na época era possuidor de mera expectativa de direito, em razão de sua esposa Marisa Leticia possuir uma quota de um empreendimento imobiliário oriundo de uma cooperativa de crédito imobiliário, a Bancoop.
Trata-se, no caso, de um óbvio ululante (desculpem o trocadilho), o fato que tal “notícia” tivesse um mínimo ar de veracidade, que esta condição, de moradia, não iria se dar no apto indicado, de 80 metros quadrados, ou seja no 131/141.
Assim, a informação dada a todos, pelos espertos corretores (tão espertos que enganaram até o esperto Juiz prolator da sentença condenatória)  é que o imóvel do Presidente, seria a cobertura.
O fato da dita cobertura que, diga-se de passagem, não poderia ser comercializada por ter sido dada em garantia, ter o ônus de ser gravada como RESERVADA, dava o ar final de veracidade a estória criada pelos vendedores em uma estratégia exitosa de marketing.
Desta forma, esta unidade, apesar de não poder ser alienada, prestava-se a vender a ideia que se destinava ao Presidente Lula, uma vez que somente uma cobertura poderia ser indicada como compatível com o status que a figura de um ex-Presidente ostentava.
Acresce o fato que, efetivamente o casal Lula Marisa tinha uma cota – unidade de interesse – no referido prédio.
A Globo, ao divulgar a propaganda dos corretores – em sua ânsia de agregarem valor ao imóvel que estavam tentando comercializar -, e para prejudicar a imagem de Lula, nada fez além do que faz até hoje, pois o considera inimigo de seus interesses particulares.
Assim, com base nestas breves considerações, a conclusão dada por Moro ao sustentar  que desde 2009, este apto já era de Lula, revela-se flagrantemente descabida.
Não é outro o contido no depoimento da testemunha Jose Afonso Pinheiro, que declara:… exatamente pessoas compravam porque achavam que o ex-presidente tinha um apartamento lá, os corretores mesmo faziam a propaganda do apartamento.
Seguem trechos do depoimento de José Afonso Pinheiros, onde tal fato é narrado de forma minudente.
  1. Foi também ouvido José Afonso Pinheiro (evento 426), que teria trabalhado   como   zelador   do   Condomínio   Solaris   entre   11/2013   a   04/2016.   Confirmou que o apartamento 164-A, triplex, foi reformado e que o ex-Presidente e Marisa Letícia Lula da Silva teriam visitado o imóvel.
  2. Segundo sua afirmação, era conhecimento comum no prédio que o apartamento pertenceria ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
“Ministério   Público  Federal:-  (…)     E   era   dito   de   alguma   forma   que   esse apartamento era pertencente ao ex-presidente Lula?
José Afonso Pinheiro:- Sim, todos sabiam lá que o apartamento pertencia ao ex- presidente Lula, inclusive até os condôminos sabiam também que era dele o apartamento, sempre houve esse comentário lá.
Ministério Público Federal:- Esse comentário foi depois da visita ou antes da visita, ou todos já sabiam isso?
José Afonso Pinheiro:- Antes da visita o pessoal já comentava que o apartamento era dele.
(…)
Defesa:- Sim, excelência. Quando o senhor disse, respondendo a perguntas do doutor procurador da república, que os condôminos diziam que o ex-presidente Lula tinha um apartamento no local, é isso que o senhor respondeu?
José Afonso Pinheiro:- Oi? Repete.
Defesa:- Os condôminos diziam ao senhor que o ex-presidente Lula tinha um apartamento no Condomínio Solaris?
José Afonso Pinheiro:- Inclusive tinham corretores que faziam as vendas de apartamentos no Condomínio Solaris, exatamente pessoas compravam porque achavam que o ex-presidente tinha um apartamento lá, os corretores mesmo faziam a propaganda do apartamento.
Defesa:-   Faziam   propaganda   dizendo   que   o   ex-presidente   Lula   tinha   um apartamento lá?
José Afonso Pinheiro:- Exato, que ele tinha, que ele tem, né.
Defesa:- Isso era usado na propaganda de venda, então?
José Afonso Pinheiro:- É, porque tinha corretor que falava Olha, aqui é o prédio que o presidente Lula tem um apartamento’.”
Estes são os dados que, inegavelmente podem ser vistos por uma nova ótica, e de forma contundente revelam a verdadeira face dos que construíram uma verdadeira conspiração acusatória contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Aos poucos cai o véu das mentiras primorosamente construídas com a finalidade de destruir uma pessoa, um pensamento, uma ideologia, uma forma humana de ver o mundo e, aos poucos, a obscura e feia face da maldade passa a ter revelada sua real identidade.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Condução de Lula revela motivações de Moro, por Guilherme Boulos

Em sua coluna na Folha de S. Paulo, Guilherme Boulos afirma que a condução coercitiva do ex-presidente Lula, criticada por juristas e ministros do Supremo Tribunal Federal, revelou as motivações políticas do juiz Sergio Moro: "operação não tem outra explicação que não o linchamento público de Lula".


Jornal GGNEm sua coluna na Folha de S. Paulo, Guilherme Boulos afirma que a condução coercitiva do ex-presidente Lula, criticada por juristas e ministros do Supremo Tribunal Federal, revelou as motivações políticas do juiz Sergio Moro: "operação não tem outra explicação que não o linchamento público de Lula".
O colunista da Folha diz que, com o passar o tempo, a Lava Jato e Sergio Moro (o "Falcone das Araucárias") foram revelando vícios comprometedoras, dizendo que a operação escolheu alvos e excluiu outros, mirando no PT e em Lula e preservando o PSDB. Boulos também acha "curioso" o silêncio do ministro Gilmar Mendes, "tão preocupado com as garantias constitucionais", em relação aos procedimentos da operação. Leia mais abaixo:
Da Folha
 
Guilherme Boulos

espetáculo da condução coercitiva do ex-presidente Lula na semana passada expôs a nu as motivações políticas do juiz federal Sergio Moro. Criticada por ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e por juristas de todos os matizes (incluindo um ex-ministro de FHC), a operação não tem outra explicação que não o linchamento público de Lula.
O argumento de que a medida extrema foi para a proteção do ex-presidente não convence nem as carolas do Country Club de Maringá, frequentado pelo juiz. O ministro Marco Aurélio Mello, que não é exatamente um petista, afirmou que "não gostaria de ser 'protegido' dessa maneira".
Lava Jato ganhou popularidade por ter pegado peixes graúdos do empresariado. Os donos do Brasil foram em cana e não saíram no mesmo dia. Assim Moro elevou-se com a fama de justiceiro, o Falcone das Araucárias. No entanto, com o passar do tempo, a Lava Jato e seu principal condutor foram revelando vícios comprometedores.
O primeiro foi o dos pesos da balança. A décima quarta fase da operação, quando foram presos Marcelo Odebrecht [presidente da Odebrecht] e Otávio Marques de Azevedo [presidente da Andrade Gutierrez], recebeu o nome de "Erga Omnes", em latim "Vale para todos". Vale mesmo?
Presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) foi citado em mais de uma delação –numa delas como detentor de um terço das propinas de Furnas e... nada. A campanha tucana foi beneficiária de doações das mesmas empresas que financiaram Dilma, por vezes com valores iguais ou maiores. Mas num caso as doações foram criminosas e noutro não? O Instituto FHC recebeu contribuições de várias das empresas investigadas, tal como o Instituto Lula. Mas não consta ter havido busca e apreensão por lá.
Visivelmente a Lava Jato escolheu alvos e excluiu outros. Optou por atacar Lula e o PT e por preservar o PSDB. Além disso, há os incríveis vazamentos das operações e de depoimentos sob "sigilo". O editor da revista "Época" –do Grupo Globo– anunciou a operação no Twitter com horas de antecedência. Há algo de podre aí. Resta saber o que une Moro, Globo e a PF numa sintonia tão fina...
Por muito menos, o ministro Gilmar Mendes falou em "estado policial" e Paulo Lacerda foi defenestrado da direção da PF em 2007. Aliás, não deixa de ser curioso o silêncio de Gilmar, tão preocupado com as garantias constitucionais, em relação aos procedimentos "heterodoxos" do juiz Moro e da Lava Jato.
Abuso das prisões preventivas, negociações pouco claras em relação às delações premiadas e agora a condução coercitiva (condução compulsória por agentes policiais) sem intimação prévia. Para atingir seus propósitos, Moro abre precedentes perigosos. Com a mente messiânica de um justiceiro, parece estabelecer para si o objetivo de "moralização" do país. Há, porém, sérios motivos para se desconfiar do que ele entende por isso.
Num evento com empresários no ano passado, Moro disse que "a iniciativa privada tem melhores condições de liderar um movimento contra a corrupção". Hein? A mesma iniciativa privada que sonega R$ 500 bilhões de impostos todos os anos e tem 30% do PIB em paraísos fiscais? Aquela que desviou no esquema do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) mais de três vezes o valor das propinas da Petrobras? Ora, dizer um disparate desses revela ou ingenuidade ou cinismo.
Moro é também admirador confesso da Operação Mãos Limpas, conduzida pela procuradoria de Milão nos anos 1990. A Mãos Limpas prendeu 2.993 pessoas durante quatro anos e investigou 872 empresários, 438 parlamentares e 4 primeiros-ministros. Liquidou com os quatro maiores partidos políticos do país.
O resultado de tudo isso não foi a "moralização" da Itália. Foi a ascensão de Silvio Berlusconi como primeiro-ministro, estabelecendo um reinado corrupto e depravado que durou 12 anos. A Mãos Limpas não acabou com a corrupção porque nenhum justiçamento acaba. É evidente que as investigações sobre corrupção são importantes e devem ser aprofundadas, mas sem as arbitrariedades, achincalhamentos e a seletividade de nenhum justiceiro de toga.
Enfrentar a corrupção no Brasil implica enfrentar um sistema político em que os interesses públicos e privados historicamente se amalgamam. Mas isso não está pautado no horizonte do juiz Sergio Moro. Para ele, trata-se de prender Lula e contribuir com a derrubada do governo petista. Definitivamente não parece ingenuidade. 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Eduardo Galeano sobre banqueiros e tecnocratas frios, calculistas, burocratas e desumanos




Os banqueiros da grande bancaria do mundo, que praticam o terrorismo do dinheiro, podem mais que os reis e os marechais e mais que o próprio Papa de Roma. Eles jamais sujam as mãos. Não matam ninguém: se limitam a aplaudir o espetáculo.

Seus funcionários, os tecnocratas internacionais, mandam em nossos países: eles não são presidentes, nem ministros, nem foram eleitos em nenhuma eleição, mas decidem o nível dos salários e do gasto público, os investimentos e desinvestimentos, os preços, os impostos, os lucros, os subsídios, a hora do nascer do sol e a frequência das chuvas.

Não cuidam, em troca, dos cárceres, nem das câmaras de tormento, nem dos campos de concentração, nem dos centros de extermínio, embora nesses lugares ocorram as inevitáveis consequências de seus atos.

Os tecnocratas reivindicam o privilégio da irresponsabilidade:


— Somos neutros — dizem eles.
Eduardo Galeano
em 

 O livro dos abraços.