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quarta-feira, 22 de maio de 2019

A PF e a Mula Sem partido. Na Lua Cheia tsunami, na Minguante… por Armando Coelho Neto



PF não é filiada a um partido, mas nela predomina um ideário partidário. Majoritariamente seus servidores pensam estar ou querem ser parte do 1%.


A PF e a Mula Sem partido. Na Lua Cheia tsunami, na Minguante…

por Armando Rodrigues Coelho Neto, no GGN

Em 2017, 82% da riqueza mundial ficaram nas mãos do 1% mais rico. São indicadores que deixavam sem nada 3.7 bilhões de pessoas. No mesmo período, o número de bilionários do Brasil passou de 31 para 43. O patrimônio dos ricos cresceu 13% em relação a 2016, enquanto para os mais pobres, uma queda de 2,7% para 2%. Os dados são da Oxfam, uma ONG britânica, divulgados pelo jornal Valor, em janeiro de 2018.
Ter noção daquele 1% é meu referencial de pensar e me dispensa de assistir os vídeos idiotas que servidores da PF me mandam, do mesmo modo que me isenta de ler textos apócrifos e mal escritos. Se eles desconhecem aquele 1%, deveriam procurar saber. Se sabem e ignoram, por mais colegas são uns… Ressalvadas as exceções, a PF está infestada de Macabéas, Moscas Azuis. Em momento oportuno detalho o uso dessas expressões.
Além daquelas espécies, a instituição está repleta de Mulas Sem Partido, ainda que o mesmo ocorra noutras instituições, onde predominam bons salários. Justiça e Ministério Público Federal estão no pacote e, como regra, nelas vige certo voyeurismo em relação ao tal 1%. Integram a classe média que quer, a qualquer preço, fazer parte ou viver de forma parecida com o bendito 1%. Cultuam os valores do 1% no melhor estilo Cazuza – a burguesia fede e quer ficar rica. Consciência social zero, quem pensa diferente disso é petista, comunista. Não em sentido real, mas com o sentido que a burrice permite.
Servidores da PF mais atentos sempre souberam que os Estados Unidos ensaiavam repor as patas sobre o Brasil. Alheios às consequências, com solene toque de ingratidão, comemoraram a perspectiva de que a “era Lulista estaria no fim”. Como a PF tinha e tem lado (igual à escola sem partido), cedo passei a tratar a Farsa Jato como o que efetivamente ela é: FARSA. Como usina do golpe de 2016 e da farsa eleitoral de 2018, ideia reforçada pelo Pato Marreco – hoje aliado explícito da Mula Sem Partido, com promessa de novas recompensas.
Ter partido pode ser apenas tomar partido. Pode também ter sentido de filiação à sigla partidária. A PF não é filiada a um partido, mas nela predomina um ideário partidário. Majoritariamente seus servidores pensam estar ou querem ser parte do 1%. Votaram em candidatos apoiados pelo 1% como Collor, FHC, Aécio, foi capitã do mato do golpe de 2016 e cúmplice da farsa eleitoral de 2018. Sem explicação, guarda a sete chaves o segredo da farsa sobre a “facada no Bozo”, como não guardou o segredo de uma conversa de uma Chefe de Estado.
O alinhamento a tal faixa 1% é tão intenso, que inclui até servidores presos, processados, demitidos ou que sofreram arranhões morais. Recentemente, dois delegados da PF foram notícia. “PF: Delegado que indiciou testemunha do Caso Marielle quis achacar vereador”, diz uma chamada do site UOL do dia 19/05. Pergunte em quem ele votou. “Moro demite delegado da PF”, diz outra chamada no O Estadão. Em quem votou?
“Nós que fomos às ruas pedimos o impeachment da chapa Dilmanta/Temer”… Estava escrito no Facebook (página) do delegado demitido. Abaixo, uma série de apoio de colegas. A mesma rede social já exibiu fotos de outros delegados da PF demitido trajando a clássica camisa do golpe. Camisas, aliás, que hoje vestem mendigos nas ruas do país, enquanto as bandeiras do Brasil – com o perdão do poeta Castro Alves, servem de cobertor para uns ou de mortalhas para outros indigentes.
É possível que hoje nossas Macabéas estejam um tanto envergonhadas. Qualquer enquete na instituição sagraria vencedor o Cabo Daciolo ou Amoedo, já que os eleitores da Mula Sem Partido sumiram.
Não sei o que nos espera, nem qual o papel que da Polícia Federal nos dias sombrios que se avizinham. Seus servidores correm atrás de emendas para suas peles no desmonte da Previdência. Reajustes e salários ameaçados, assistem suas justas prerrogativas de funções policiais sendo tratadas maldosamente como privilégios. Quando a Mula Sem Partido e a Farsa Jato negavam as instituições eles aplaudiram, esquecendo que a PF é também uma instituição. Aplaudiram a demonização e negação da política e hoje precisam de políticos.
Às vésperas da Lua Cheia, no dia 18 último, Bozo (a Mula Sem Partido) teve a visão de um tsunami e fugiu para se homiziar na casa de seu patrão nos EUA. Passada a Lua Cheia, a lua de hoje está 91.71% visível, mas está decrescendo, faltando apenas 5 dias para a fase Lua Minguante. Sabe Deus o que acontece até lá! Talvez seja a hora dos federais seguirem o astrólogo da Mula, batendo retirada. Mais que isso, se enxergarem como cidadãos e terem um olhar mais generoso sobre os 99%.
Armando Rodrigues Coelho Neto – advogado e jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Noam Chomsky, linguista e filósofo americano, afirma com sua lucidez de sempre: "Neoliberalismo faz crescer a extrema-diretia (entenda-se, neo fascismo e neonazismo)


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"Associando sua raiva aos imigrantes, como acontece em diversas partes da Europa, dos EUA e até no Brasil, a razão do crescimento da direita radical pode não estar tão associada ao ódio irracional contra populações vulneráveis, mas ao sentimento de abandono diante da aplicação de políticas neoliberais..."


Do Brasil de Fato:



Na Suécia, país-estandarte da social democracia europeia, a extrema-direita xenófoba conquistou 17,5% dos votos em eleições realizadas nesta semana. Associando sua raiva aos imigrantes, como acontece em diversas partes da Europa, dos EUA e até no Brasil, a razão do crescimento da direita radical pode não estar tão associada ao ódio irracional contra populações vulneráveis, mas ao sentimento de abandono diante da aplicação de políticas neoliberais, como aconteceram nos últimos anos na Suécia.

Essa é a opinião do renomado linguista, cientista político e filósofo Noam Chomsky, apoiado por um estudo de cinco economistas suecos que mostrava a ligação entre o corte de gastos em políticas sociais e o crescimento do ódio. “Os eleitores da extrema-direita xenófoba têm pouco contato com imigrantes, mas sofreram com as políticas neoliberais do governo sueco em anos recentes. São pessoas deixadas de fora conforme a desigualdade cresceu e que se sentiram abandonadas pelas instituições políticas”, relatou Chomsky, presente ao Seminário Internacional Ameaças à Democracia e a Ordem Multipolar, e responsável por abrir a segunda mesa do evento, “O progressismo e o neoliberalismo em um mundo em desenvolvimento”.

Ele explicou também que o neoliberalismo surgiu durante uma crise da democracia, nas década de 1970, quando as mentes pensantes do capitalismo central se sentiram ameaçadas pelo crescimento de grupos organizados de minorias, mulheres, negros e LGBT, que buscam reivindicar seus direitos.

Contra esse movimento, as elites precisaram desenhar um novo modelo social que combatesse as greves e as lutas dos trabalhadores. “Eles diziam: 'são marginais que devem ser colocados em seus lugares' – ou seja, como espectadores, não participantes do processo político, enquanto a minoria de homens responsáveis comandam em nome de todo mundo”. Desde então, os lucros do mercado financeiro cresceram mais de 1000%, enquanto os salários reais declinaram.

Essa mudança de paradigma, que também demandou mudanças na educação para formar cidadãos mais “dóceis e obedientes”, preconizadas pelas reformas do Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial, geram “frustração, raiva e tristeza” na classe trabalhadora, que irá se voltar contra alvos mais vulneráveis. E, desde os anos 1970, quando aconteceu o "assalto neoliberal de Margaret Thatcher e Ronald Reagan [Primeira ministra do Reino Unido e o presidente dos EUA nos anos 1980]", que preconizava a inexistência da sociedade – “existem apenas indivíduos”–, o modelo teve que ser renovado. 

Criação de precariedades


Com a crise imobiliária de 2008 e as revoltas que se seguiram em todo o mundo, o sistema financeiro teve que buscar novas formas de garantir seus lucros. “A economia está desenhada para criar precariados”, diz Chomsky, ao lembrar de um estudo importante do economista Alan Krueger, que mostra “que 95% do crescimento do emprego nos EUA entre 2005 e 2015 aconteceu em arranjos alternativos, temporários, de meio período, transformando a sociedade em um saco de batatas e criando uma mistura tóxica que pode irromper de formas perigosas, como vemos hoje pelo mundo”.

Além disso, avançou o que ele qualifica de “capitalismo corporativo”. “O poder corporativo se traduz em declínio da democracia”, analisa Chomsky. “A grande maioria da população é abandonada e os representantes apenas defendem os interesses dos doadores de campanha. A Amazon, a segunda empresa de US$ 1 trilhão de dólares dos EUA, que consome 2% da energia elétrica do país, tem muitos subsídios, enquanto se cortam benefícios sociais. Só quem ganha é o agronegócio, as finanças, as grandes indústrias”.

Com a democracia sob ataque, um processo que, apesar do exemplo estadunidense, pode ser visto também no Brasil e em diversas partes do globo, quais são as saídas? Mesmo reconhecendo que a situação do país é grave, Chomsky apresenta um exemplo generoso:

“Há um século, o Brasil era reconhecido como possível colosso e esse objetivo parecia à vista há alguns anos, quando se tornou talvez o país mais respeitado do mundo, sob a liderança de Lula e de seu ministro Celso Amorim, com seus impressionantes feitos. E isso é uma indicação do que pode ser alcançado pelo país. Nunca subestime os obstáculos à frente e tampouco a capacidade do espírito humano de superá-los e prevalecer”.

Resistências


Na sequência, antes de começar sua exposição, Cuauhtémoc Cárdenas, presidente do Centro Lázaro Cárdenas, do México, e ex-governador do Distrito Federal daquele país, destacou a satisfação de encontrar o ex-presidente Lula na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, na tarde da última quinta-feira (13). “Encontramos uma pessoa que nos levantou o ânimo, nos fez ver que ele segue combativo e disposto a seguir na luta”. 

Cárdenas fez uma explanação sobre a realidade atual do México, recordou a aplicação de políticas neoliberais nas últimas décadas e a recente eleição do esquerdista Andrés Manuel López Obrador como um marco para a história recente dos mexicanos, no sentido de superar problemas gerados ou aprofundados pelo período neoliberal. “Nós acreditamos que a única forma de resolver os nossos problemas é mudar o modelo, o sistema de desenvolvimento político, econômico e social que temos”. 

“Estamos propondo uma mudança na forma como vivemos. E que finalmente possamos superar isso que ficou conhecido como políticas neoliberais”, ressaltou.

Em seguida, Luiz Carlos Bresser Pereira, economista, cientista político, ex-ministro nos governos de José Sarney (PMDB, 1985-1990) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1994-2002) fez uma fala com foco no desenvolvimento da economia capitalista até a adoção das políticas neoliberais, mais fortemente aplicadas a partir da década de 80 na América Latina. E fez uma crítica aos projetos políticos de esquerda, pela ausência de uma alternativa. “O neoliberalismo, que esteve vigente no mundo desde a década de 80, fracassou. Mas a centro-esquerda não conseguiu formular o seu projeto econômico”.

Já Carlos Ominami, ex-senador chileno e diretor da Fundación Chile 21, homenageou o ex-presidente Lula. “Eu diria que Lula é o principal líder, a figura mais destacada do progressismo a nível global. Em uma época existiam dois: Nelson Mandela e Lula. Mandela se foi e Lula ficou. Por isso, por sua liderança no Brasil e no mundo, podemos dizer que tentaram acabar com ele, mas não conseguiram. Hoje Lula é maior do que antes”.

E comparou o golpe de estado no Brasil, em 2016, ao golpe vivido por Salvador Allende no Chile, na década de 70. “As ameaças à democracia existem e são muito sérias. E o Brasil é um exemplo disso. O golpe de estado em 2016 contra Dilma é, talvez, o fato mais grave da política latino-americana desde o golpe contra Salvador Allende”.

Brasil da esperança


O ex-primeiro ministro espanhol José Luís Rodrigues Zapatero, lembrou, em tempos de crise migratória, como o Brasil foi capaz de receber ao longo de sua histórias, ondas de imigrantes europeus, acolhendo, dando refúgio e oferecendo uma nova vida e construção do país. E que isso se seguiu até o presente, com os últimos governos progressistas do país.

“O Brasil é uma referência decisiva para a América Latina. O Brasil de Lula, da democracia, da esperança. Nunca se havia empenhado tanto na luta contra a pobreza e a miséria no mundo. Temos que reconhecer o seu compromisso em erradicar a pobreza extrema e a morte por fome. Minha geração pode ser a primeira que conhece o fim da mortalidade pela fome no mundo”, disse.

Zapatero, ao fim, pediu que o campo progressista não perca a esperança e a capacidade de pensar saídas para o neoliberalismo. “Todos os petistas, lulistas, todo o Brasil progressista, temos que demonstrar que não permitem que a democracia seja a superioridade dos mais poderosos. Não podemos perder a confiança em nós mesmos, no que representamos nos valores da esquerda, nos ideais, e saber que a democracia é sempre uma luta pela democracia.”, finalizou. 

 Fonte: Brasil de Fato

domingo, 4 de março de 2018

“Inadmissível” greve dos juízes por auxílio-moradia, diz Conselho dos Tribunais


Em “Carta de Maceió” presidentes dos TJs dos Estados afirmam que são contra a greve de juízes federais 

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(Foto ABr)


Jornal GGNMembros do Conselho dos Tribunais de Justiça, composto pelos presidentes dos TJs dos Estados e do Distrito Federal, criticaram a greve dos juízes federais, marcada para o dia 15 deste para pressionar o Supremo Tribunal Federal na decisão sobre as regras de concessão de auxílio-moradia. 
 
O Conselho, que se reuniu Maceió na última sexta-feira (02) no 113º Encontro de Presidentes, decidiu editar uma nota pública que está sendo chamada de “Carta de Maceió” onde considera inadmissível o setor pressionar os ministros da Corte e prejudicar a sociedade com a paralisação dos trabalhos.
 
“Este Colegiado defende a legitimidade de direitos previstos na Loman [Lei Orgânica da Magistratura] e em Resoluções do CNJ [Conselho Nacional de Justiça], e entende inadmissível pressionar ministros da Suprema Corte com paralisação de atividade essencial à sociedade, devendo prevalecer sempre a autonomia e independência funcionais dos magistrados”, assinam os representantes do CTJ.
 
O auxílio-moradia costuma ser pago para magistrados que moram fora da comarca onde trabalham, mas parcela significativa solicita recursos mesmo com casa própria na região onde atuam. Atualmente mais de 17 mil juízes e desembargadores em todo o país recebem o provento, representando 70% dos servidores públicos do judiciário. 
 
A regra foi criada pela Lei Orgânica da Magistratura em 1979, ampliado em 2014 a partir de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça e, em novembro daquele mesmo ano, estendido para os juízes federais de todo o país por liminar parcial do ministro do Supremo Luiz Fux. 
 
 
Com o entendimento de Fux, o pagamento de auxílio-moradia aumentou 20 vezes em apenas três anos, ou de R$ 96,5 milhões de janeiro de 2010 a setembro de 2014, para R$ 1,3 bilhão de outubro de 2014, quando o ministro amplio as regras do benefício, até novembro de 2017. 
 
Leia a nota a seguir:
 
CARTA DE MACEIÓ
113° ENCONTRO DO CONSELHO DOS TRIBUNAIS DE JUSTIÇA
 
O Conselho dos Tribunais de Justiça – CTJ, composto pelos Presidentes dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, reunido na cidade de Maceió (AL), ao final do 113º Encontro, no dia 02 de março de 2018, vem a público manifestar posição contrária à deflagração do movimento grevista de juízes federais em razão da designação do julgamento do auxílio moradia, que ocorrerá na sessão plenária do STF no próximo dia 22.
 
Este Colegiado defende a legitimidade de direitos previstos na LOMAN e em Resoluções do CNJ, e entende inadmissível pressionar ministros da Suprema Corte com paralisação de atividade essencial à sociedade, devendo prevalecer sempre a autonomia e independência funcionais dos magistrados.
 
Maceió/AL, 02 de março de 2018.
 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Quando a imprensa elitista tem horror aos direitos e à justiça social...



Novo” colunista da “Folha” repete o antiquíssimo cacoete das elites. Para elas, não há relação com o Estado que não se baseie em privilégios — porque nada é mais detestável que a igualdade…


Eles nunca compreenderão os Direitos


artigo de Camila Barrettto Maia - no Outras Palavras

Em sua coluna de estreia na Folha de São Paulo (“Discurso dos ‘direitos’ parece admirável, mas é antidemocrático”), Joel Pinheiro da Fonseca embaralha conceitos e confunde o leitor para deslegitimar a defesa dos direitos humanos no país.
Omitindo os qualificativos implícitos nas palavras de ordem, Joel não menciona os “direitos humanos” (na sua versão universal) nem os “direitos fundamentais” (na sua versão nacional-constitucional). O faz de maneira a colocar no mesmo saco do “discurso de direitos” o seu extremo oposto: a defesa de privilégios corporativos.
O colunista acerta ao dizer que, ao categorizar determinada questão como um direito, estamos afirmando a obrigação que a sociedade tem de protegê-lo. Os direitos que garantem que todas as pessoas que se encontram no nosso território vivam com um mínimo de dignidade são condição essencial para que a própria regra da maioria, assim como outras normas básicas do jogo democrático, funcione. A desigualdade social e a pobreza podem atingir níveis tais que a sociedade como um todo mergulhe na barbárie – como já ocorre nos territórios marginalizados desde que o Brasil é Brasil.

O diabo está sempre nos detalhes. A passagem mais importante do artigo, aquela que promove uma ideia distorcida do discurso de direitos, está ali onde menos se espera: no exemplo. “Se algo – digamos, a aposentadoria integral de um funcionário público – é visto como um direito, ele sai da esfera da deliberação democrática”, argumenta.
O exemplo é escolhido a dedo para associar defesa de direitos à busca de privilégios. Essa estratégia é nossa velha conhecida, sendo acionada sempre para desqualificar políticas defendidas pela esquerda, notavelmente as de ação afirmativa.
Desta forma sutil, o colunista dá a entender que somos contra a reforma de Previdência em função do direito abstrato de qualquer funcionário público de receber aposentadoria integral às custas da sociedade. Nada mais longe da realidade.
A proposta da “Reforma” da Previdência que buscamos derrubar nas ruas está marcada pela garantia de privilégios como a aposentadoria integral, sem teto, daqueles funcionários que recebem supersalários, incluindo diversas categorias de nível federal, os parlamentares e os integrantes do Poder Judiciário; ou as aposentadorias e pensões dos integrantes das Forças Armadas e seus familiares. Retira, por outro lado, direitos – estes sim, com toda a carga que essa palavra tem – de quem tem pouco ou quase nada como, os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada e os trabalhadores das camadas mais pobres, que têm dificuldade de se manter de maneira estável no mercado de trabalho formal.
Outra questão muito diferente, com consequências estruturais, é restringir o acesso à aposentadoria dos professores da rede pública. Aqui, o discurso de direitos não diz respeito apenas ao direito adquirido de uma categoria de servidores. Há décadas, os professores recebem no Brasil salários absolutamente indignos, incompatíveis com a importância da função que cumprem. O sucateamento da educação afeta a busca, pactuada democraticamente em 1988, da garantia do direito à educação pública de qualidade.
Não é privilégio da direita neoliberal “elencar prioridades e medir consequências”. Ao definir nossas prioridades para o Brasil, escolhemos defender direitos e combater privilégios corporativos e de classe. Se a denúncia da retirada de direitos é “a objeção indignada que serve para todas as reformas”, talvez seja porque todas elas apresentam um sentido comum.
A conscientização da população sobre os impactos das reformas – seja sobre seus direitos adquiridos, seja sobre a garantia dos direitos fundamentais no país – busca provocar um debate que as autoridades e a mídia se negam a fazer no tempo e forma necessários. Longe de “cegar para os reais dilemas da política e da ação do Estado”, o discurso de direitos os revela.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Majestades imperiais: o super salário de promotores e juízes e o abuso de autoridade. Por Joaquim de Carvalho


Do Diário do Centro do Mundo (DCM):

supersalarios

Em maio deste ano, depois de abrir um inquérito civil para investigar supersalários na Prefeitura de Sorocaba, interior do Estado de São Paulo, o promotor de justiça Orlando Bastos Filho mandou um ofício duro ao prefeito da cidade: “Que fique claro, desde logo, que não será aceita eventual alegação de sigilo: uma, porque detém o MP constitucionalmente poder de requisição; duas, porque os vencimentos de servidores públicos é informação pública; por fim, porque são até publicados, considerando a lei de acesso à informação.”
Conhecido na cidade pelo rigor com que fiscaliza o poder público, Orlando Bastos Filho acaba de ter seu nome divulgado na lista de supersalários do Ministério Público do Estado de São Paulo: em outubro, seus vencimentos foram de R$ 107 mil brutos, incluídos nesse pagamento vantagens como indenização, vale-alimentação, auxílio-moradia, auxílio-livro, auxílio-funeral, pagamento de diárias, remunerações retroativas, duas férias anuais.
O promotor Bastos, que conduz também uma investigação sobre gastos dos vereadores da cidade com carros oficiais, telefones e verbas de indenização, está longe de ser uma exceção no Ministério Público de São Paulo (e muito provavelmente nos Ministérios Públicos de outros Estados e no Ministério Público Federal).
Em outubro, dois outros promotores ganharam mais do que ele – os maiores vencimentos foram de R$ 130 mil. Oitenta por cento dos promotores e procuradores do Estado de São Paulo teriam vencimentos acima do teto constitucional.

A revelação dos supersalários dos promotores e procuradores, feita pelo site da Agência Pública, é uma oportunidade para debater a questão das prioridades dos gastos públicos.
No orçamento do Estado para 2017, estão previstos os gastos de R$ 2,3 bilhões com o Ministério Público de São Paulo – o dobro do que será destinado para pastas como Agricultura, Meio Ambiente ou Habitação ou três vezes mais que o Estado pretende gastar com a Secretaria de Cultura.
É óbvio que o Ministério Público é absolutamente indispensável na sociedade democrática. Mas ganhar muito acima da média salarial do país, cerca de 2.300 reais, está correto?
Até que ponto um servidor público com salário até 50 vezes maior que a média do País está em condições éticas de exigir austeridade dos demais agentes públicos?
Este é o debate que também precisa ser feito.
Ou, então, precisamos resgatar os artigos 98, 99 e 100 da primeira Constituição do Brasil, a Imperial de 1824. É só trocar a palavra imperador por promotor, procurador ou juiz que fica perfeito para os dias atuais:
– O Poder Moderador (promotor, procurador e juiz) é a chave de toda organização política e é delegado privativamente ao imperador (promotor, procurador e juiz), como chefe supremo da Nação, e seu Primeiro Representante, para que incessantemente vele sobre a manutenção da Independência, equilíbrio, e harmonia dos demais Poderes Políticos.
– A Pessoa do Imperador (promotor, procurador e juiz) é inviolável, e sagrada: Ele não está sujeito à responsabilidade alguma.
– Os seus títulos são Imperador Constitucional, e defensor Perpétuo do Brasil e tem o tratamento de Majestade Imperial.
Depois de rejeitar a discussão da hipótese de enquadramento por crime de abuso de autoridade e passarem batido na questão do teto salarial intra corporis, promotores, procuradores e juízes se investiram, na prática, da Majestade Imperial.
Até quando?

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Joaquim de Carvalho
Sobre o Autor
Jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquimgilfilho@gmail.com

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Por que - segundo o "honorável" José Sarney - o STF foi conivente com o Golpe por “está puto com ela”? É só ler os privilégios que querem para os juízes

Deixo a cada um o julgamento ético-moral de homens que, num país pobre e, agora, ardendo na crise, acham isso razoável para, como disse o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, João Ricardo dos Santos Costa,”que a carreira de juiz tenha os atrativos necessários para atrair os melhores quadros”. Melhores em que?
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Numa das gravações do delator Sérgio Machado, Renan Calheiros relata uma conversa com Dilma Rousseff onde a Presidenta se queixa que, em meio a uma enorme crise institucional sem precedentes, o presidente o STF, Ricardo Lewandowski, “só quer saber de aumento”.
E que este seria um dos motivos de, nas palavras de Renan, os ministros  estarem “putos com ela”.
Uma matéria da Folha, discreta – o Estadão havia publicado antes, com a mesma discrição, mostra o que os ministros do STF querem.
Privilégios. A consolidação de vários que já existem, alguns novos e, sobretudo, a unificação de todos, nacionalmente, de modo a que toda a corporação os tenha.
A reportagem, de Graciliano Rocha, resume tudo no título: Projeto do STF cria auxílios do berço ao caixão para magistrados.
Boa parte dela está reproduzida na imagem, para facilitar a leitura.
Logo, claro, as benesses também serão estendidas ao Ministério Público.
Deixo a cada um o julgamento ético-moral de homens que, num país pobre e, agora, ardendo na crise, acham isso razoável para, como disse o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, João Ricardo dos Santos Costa,”que a carreira de juiz tenha os atrativos necessários para atrair os melhores quadros”.
Melhores em que?

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O Shopping de Eduardo Cunha a ser montado com o dinheiro público


O PARTICULAR SHOPPING DOS DEPUTADOS

Calos Antonio Fragoso Guimarães


  Por meio de uma manobra hábil, digna dos que tem experiência em extorquir dinheiro público sorrateiramente, o evangélico nada espiritualizado Eduardo Cunha (PMDB) conseguiu aprovar a primeira etapa de um projeto para  a construção de um complexo de edifícios anexos à câmara e que inclui, entre outras regalias, a construção de um shopping center privativo para os deputados, e tudo isso em tempos de ajuste fiscal e aperto financeiro.
 Avaliado em R$ 1 bilhão (podendo, é claro, sair bem mais caro na prática), o projeto do novo complexo parte de uma reforma no anexo IV, ampliando salas para uso dos deputados, até a construção de três grandes prédios, incluindo um que abrigaria todo um moderno shopping.
  Mas claro, neste episódio, as mesmas elites que elegeram grande parte dos deputados que, por sua vez, elegeram Cunha como presidente da casa, são a favor do projeto e que frequentam Shoppings ou os tem quase que inteiramente em seus prédios de apartamentos bem equipados ou suas casas em condomínios estilo Alphavilles dificilmente irão se dar ao trabalho de fazer um panelaço contra essa medida do presidente da Câmara, tão exclusivista, neoliberal, explorador do erário público e anti-povo quanto eles mesmos, não é?