"Não é necessário crer em Deus para ser uma boa pessoa. De certa forma, a ideia tradicional de Deus está desatualizada. Alguém pode ser espiritual mas não religioso. Não é necessário ir á igreja e dar dinheiro. Para muitos, a natureza pode se ruma igreja. Algumas das melhores pessoa da História não acreditavam em Deus, enquanto muitos dos piores atos de fizeram em seu nome". Papa Francisco
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Poesia, beleza e sensibilidade na animação The Lighthouse (O Farol).
A animação The Lighthouse - ou O Farol - foi feita por Po Chou Chi, um jovem cineasta originário de Taiwan, mas radicado em Los Angeles, Califórnia. Este trabalho, pleno de poesia existencialista, ganho cerca de 27 prêmios internacionais. Espero que vocês se emocionem e entendam a mensagem do filme (ele pode ser assistido abaixo). Bom vídeo!
domingo, 12 de julho de 2015
A máfia dos bancos e o silêncio da mídia
"Já virou até motivo de piada de que basta se filiar ao PSDB para não ser investigado, julgado ou preso no Brasil. A escandalização também inexiste quando atinge poderosos empresários. Na semana passada, pequenas notinhas informaram que vários bancos são suspeitos da formação de um criminoso "cartel do câmbio". A bombástica notícia, entretanto, já sumiu da mídia."
Segue texto de Altamiro Borges, extraído do Contexto Livre
A máfia dos bancos e o silêncio da mídia
Com o intento de "sangrar" o governo Dilma, a mídia privada promove diariamente a escandalização da política — com base nas prisões arbitrárias, nos vazamentos seletivos e nas "delações premiadas" de notórios bandidos. Este denuncismo, porém, desaparece do noticiário quando envolve algum cacique da oposição demotucana. Já virou até motivo de piada de que basta se filiar ao PSDB para não ser investigado, julgado ou preso no Brasil. A escandalização também inexiste quando atinge poderosos empresários. Na semana passada, pequenas notinhas informaram que vários bancos são suspeitos da formação de um criminoso "cartel do câmbio". A bombástica notícia, entretanto, já sumiu da mídia.
Segundo relato da Folha, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um processo para investigar o "suposto" cartel formado por 15 instituições financeiras estrangeiras com o objetivo de manipular o mercado de câmbio. "É o primeiro processo antitruste no Brasil por manipulação de índices do mercado financeiro. Parte dos bancos já foi investigada pela mesma prática no Reino Unido, na Suíça e nos Estados Unidos, em processos que vieram a público a partir de 2013 e que somaram mais de US$ 5,8 bilhões em acordos e multas".
Ainda de acordo com o jornal, a investigação do Cade é mantida sob total sigilo — não há vazamentos seletivos ou prisões arbitrárias. Sabe-se, apenas, os nomes das instituições financeiras envolvidas no suposto cartel no Brasil: Banco Standard de Investimentos, Banco Tokyo-Mitsubishi UFJ, Barclays, Citigroup, Credit Suisse, Deutsche Bank, HSBC, JPMorgan Chase, Merrill Lynch, Morgan Stanley, Nomura, Royal Bank of Canada, Royal Bank of Scotland, Standard Chartered e UBS, além de 30 pessoas físicas. "Procurados pela Folha, os bancos disseram que não vão comentar o assunto".
A máfia dos banqueiros
As investigações do Cade comprovaram até agora a existência de "fortes indícios" de que os bancos adotaram práticas anticompetitivas, como a combinação de preço e de volume de moeda vendida a clientes e comprada deles. "Os operadores trocavam informações por meio de chats da plataforma da agência de notícias Bloomberg. O grupo se autodenominava com expressões como o 'cartel' e a 'máfia'. As indicações preliminares são de que as condutas ocorreram, pelo menos, de 2007 a 2013 — mesmo período em que os bancos são investigados no exterior".
Para o superintendente-geral do Cade, Eduardo Frade, os bancos investigados tentaram influenciar a Ptax — taxa calculada diariamente pelo Banco Central com base na média das operações de câmbio — e também as taxas de referência do Banco Central Europeu e da Reuters. Essas taxas são utilizadas para liquidar contratos em outros negócios, como financiamento de comércio exterior e proteção contra oscilação de moedas estrangeiras (hedge). "As supostas condutas teriam comprometido a concorrência, prejudicando as condições e os preços pagos pelos clientes", afirma o Cade.
Os acusados terão um prazo de 30 dias para apresentar sua defesa. "Concluída a investigação, caberá à Superintendência-Geral do Cade recomendar a condenação ou o arquivamento do caso, que terá de ser julgado pelo tribunal do conselho. Não há um prazo para o julgamento, e Frade disse que não deve sair uma decisão ainda neste ano. Em caso de condenação, as multas previstas variam de 0,1% a 20% do faturamento do banco no ramo de atividade em que ocorreu a infração. Os administradores pessoas físicas podem ser multados de 1% a 20% do valor das empresas pelas quais operavam".
A grave denúncia, que envolve bilhões de dólares, até agora não virou manchete nos jornalões, nem resultou em reportagens especiais nas revistonas ou em comentários histéricos contra a corrupção nas emissoras de rádio e tevê. Na prática, a mídia privada de há muito tempo está totalmente associada ao capital financeiro — é quase sua refém. Daí o silêncio ensurdecedor. A tendência é de que as apurações do Cade sumam totalmente da mídia. Esta operação-abafa não causaria qualquer surpresa.
Isto já ocorreu com a Operação Zelotes, que investiga as fraudes fiscais de vários ricaços — como os donos da Gerdau e da RBS, afliada da Globo. O mesmo fim teve a denúncia sobre a sonegação de impostos forjada pelo HSBC da Suíça — que também envolve figurinhas carimbadas da mídia. Na prática, a escandalização da corrupção sempre serviu a interesses econômicos e políticos. Só mesmo os ingênuos e os otários acreditam nos princípios éticos e na imparcialidade dos barões da mídia.
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Entenda porque a Globo destila feroz ódio contra a Petrobrás
A campanha sistemática contra a Petrobrás já confere à Globo o título de inimiga número 1 da empresa. Resta entender os motivos. Seria por conta da corrupção? É pouco provável. O “portfólio” da Globo não recomenda. A emissora estaria envolvida em vários escândalos de corrupção. Gente ligada à Globo,Veja, Band e à Folha de São Paulo é citada nas contas do HSBC, na Suíça, em investigação sobre lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
Segue texto de Emanuel Cancella, extraído da Tribuna da Imprensa Online:
Porque a Globo destila ódio contra a Petrobrás
O ódio das Organizações Globo à Petrobrás é tão grande que a empresa teve que veicular matéria paga quando recebeu o prêmio equivalente ao “Nobel” da indústria do petróleo, pela terceira vez, em 2015. No entanto, a estatal tem sido manchete diária na rádio, TV e jornal da família Marinho, quando as notícias servem para detonar a sua imagem.
A campanha sistemática contra a Petrobrás já confere à Globo o título de inimiga número 1 da empresa. Resta entender os motivos. Seria por conta da corrupção?
É pouco provável. O “portfólio” da Globo não recomenda. A emissora estaria envolvida em vários escândalos de corrupção. Gente ligada à Globo,Veja, Band e à Folha de São Paulo é citada nas contas do HSBC, na Suíça, em investigação sobre lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
A TV Globo também está sendo investigada como suspeita de sonegação do Imposto de Renda, na Copa do Mundo de 2002.
A rede dos Marinho estaria ligada à corrupção da Fifa. A Globo monopoliza transmissões esportivas há décadas. Um de seus sócios na TV TEM, em São Paulo, José Hawilla, já fez a “mea culpa” e devolveu à justiça US$ 151 milhões. Mas a poderosa rede de comunicação continua ilesa e ainda tem a cara de pau de fazer acusações a terceiros, no escândalo da Federação de Internacional de Futebol.
Essa, aliás, é uma diferença crucial entre os atos de corrupção que envolvem o nome da Petrobrás e da Globo. Enquanto os desvios na estatal estão sendo investigados e noticiados dia a dia, há mais de um ano; enquanto quatro diretores corruptos da companhia já estão na cadeia, gerentes estão sendo investigados e parte do dinheiro roubado está voltando aos cofres da empresa; os crimes da Globo continuam impunes.
Se a razão de tanto ódio não está centrada nos atos de corrupção, seriam razões políticas e econômicas?
A Globo sempre fez campanha aberta pela privatização da Petrobrás. Nos governos Collor-FHC a estatal era comparada a um paquiderme e seus trabalhadores chamados de marajás.
Nas privatizações dos governos Collor-FHC, com a cumplicidade da mídia, estatais eram vendidas a preço de banana. As tarifas dos serviços eram propositalmente congeladas, com o objetivo de onerar as estatais, reduzir seu valor de mercado, criando facilidades para os compradores, em geral empresas estrangeiras multinacionais.
O Sistema Petrobrás foi fragilizado pelas políticas neoliberais, mas suportou a pressão. Em 2006, a companhia deu a volta por cima. Anunciou as riquezas do pré-sal, considerada a maior descoberta petrolífera da atualidade, o que só foi possível graças à dedicação dos trabalhadores petroleiros que desenvolveram tecnologia inédita no mundo.
Acostumada a vencer desafios, a Petrobrás atravessou um período de grande crescimento. Basta dizer que, em 2003, valia R$ 15,4 bilhões no mercado. Em 2014, passou a valer R$ 214 bilhões. Portanto, houve um crescimento de mais de 300 por cento no período Lula-Dilma. Por que será a Globo omite essa informação dos seus leitores, ouvintes e telespectadores?
Estariam o PSDB e a grande mídia, Organizações Globo à frente, nessa campanha descarada para desqualificar a Petrobrás, empenhados em derrubar as ações da empresa para vendê-las mais barato? Forçar a venda de ativos, achatando seu valor de mercado?
Continua a pergunta, sem resposta. Mas por que logo a Petrobrás? Trata-se da maior empresa do país, responsável por 17% do PIB, empregadora de cerca de 400 mil trabalhadores. Financiadora maior das principais obras em andamento no país (PAC), através de seus impostos. A empresa é estratégica. Há 62 anos assegura o abastecimento de combustível em todas as regiões do país.
Ora, por que tanto ódio? Quem sabe porque a Globo seja ligada ao Grupo Time Life, americano. Quem sabe o grau dos compromissos assumidos pelo senador José Serra (PSDB) com a petrolífera Chevron, americana, para além do que já foi divulgado pela Wikileaks? Quem sabe...
Existem tantos mistérios a serem desvendados nesse obsessivo ódio da Globo/PSDB à Petrobrás quanto são enormes os desafios que a empresa brasileira ainda tem pela frente, para superar mais essa onda de ataques.
*Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
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O que o nazista Joseph Goebbels ensinou a Ali Kamel e à golpista Rede Globo?
12o. Principio do Kamel: abuse da palavra “crise” ! Tudo é crise ! – Paulo Henrique Amorim
O Conversa Afiada reproduz excelente contribuição do amigo navegante ocator:
Conhece Joseph Goebbels, o violento ministro de propaganda de Hitler? Estes são os 11 princípios que levaram o povo alemão a tentar exterminar à humanidade:
1.- Principio da simplificação e do inimigo único.
Simplifique não diversifique, escolha um inimigo por vez. Ignore o que os outros fazem concentre-se em um até acabar com ele.
2.-Princípio do contágio
Divulgue a capacidade de contágio que este inimigo tem. Colocar um antes perfeito e mostrar como o presente e o futuro estão sendo contaminados por este inimigo.
3.-Princípio da Transposição
Transladar todos os males sociais a este inimigo.
4.-Princípio da Exageração e desfiguração
Exagerar as más noticias até desfigurá-las transformando um delito em mil delitos criando assim um clima de profunda insegurança e temor. “O que nos acontecerá?”
5.-Princípio da Vulgarização
Transforma tudo numa coisa torpe e de má índole. As ações do inimigo são vulgares, ordinárias, fáceis de descobrir.
6.-Princípio da Orquestração
Fazer ressonar os boatos até se transformarem em noticias sendo estas replicadas pela “imprensa oficial’, pigal.
7.-Principio da Renovação
Sempre há que bombardear com novas notícias (sobre o inimigo escolhido) para que o receptor não tenha tempo de pensar, pois está sufocado por elas.
8.-Princípio do Verossímil
Discutir a informação com diversas interpretações de especialistas, mas todas em contra do inimigo escolhido. O objetivo deste debate é que o receptor, não perceba que o assunto interpretado não é verdadeiro.
9.-Principio do Silêncio.
Ocultar toda a informação que não seja conveniente.
10.-Principio da Transferência
Potencializar um fato presente com um fato passado. Sempre que se noticia um fato se acresce com um fato que tenha acontecido antes
11.-Princípio de Unanimidade
Busca convergência em assuntos de interesse geral apoderando-se do sentimento produzido por estes e colocá-los em contra do inimigo escolhido.
Qualquer semelhança com as práticas do PIG é pura coincidência….
Reinaldo Azevedo disputa com Olavo de Carvalho a posição de maior imbecil a orientar os coxinhas do Brasil. Ele agora prega a morte do Papa Francisco...
Reinaldo Azevedo pede a morte do papa
Num artigo freneticamente retuitado por Malafaia, Reinaldo Azevedo pediu a morte de Francisco.
“O próximo papa, por favor!”, disse ele.
Como Francisco só deixará o Vaticano no caixão, a mensagem foi clara.
Antes de secar o papa, Azevedo fez questão de dizer que ele não o representa.
O papa, com certeza, está muito preocupado com isso. (do Diário do Centro do Mundo)
Veja também o artigo do jornalista Paulo Nogueira: Você preferiria viver num mundo com a cara do Papa Francisco ou num mundo com a cara de Malafaia?
A revista Piauí, ciente da influência de sumidades como Azevedo, Carvalho, Kataguri, Petruso, Kadayan e da sujíssima Revista Veja e Rede Globo, já anteviu a movimentação dos fascistas pedindo o "impítima" do Papa Francisco. Segue abaixo:
Veja também o artigo do jornalista Paulo Nogueira: Você preferiria viver num mundo com a cara do Papa Francisco ou num mundo com a cara de Malafaia?
A revista Piauí, ciente da influência de sumidades como Azevedo, Carvalho, Kataguri, Petruso, Kadayan e da sujíssima Revista Veja e Rede Globo, já anteviu a movimentação dos fascistas pedindo o "impítima" do Papa Francisco. Segue abaixo:
AVENIDA PAULISTA - Flagelados pela adesão oficial do Papa ao comunismo, milhares de católicos do bem, que pagam seus impostos em dia, iniciaram uma romaria para pedir o impeachment de Francisco. "Isso é mais do que pecado. É estelionato papal", discursou Mateus Kataguiri, líder do movimento Vem pra Cúria, de um altar. "A nossa Igreja jamais será vermelha", responderam os fiéis, em uníssono. Em seguida, todos foram convocados a peregrinar pelo caminho de Santiago com faixas pedindo o impeachment de Francisco e a fogueira para Dilma Rousseff. Alguns, mais radicais, exigiam a intervenção divina no Vaticano.
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| Ele já está preparado para assumir |
Como primeira prova de fé, a Teologia da Liberal Libertação exigiu que o Papa Francisco devolva imediatamente a foice e o martelo com crucifixo dada por Evo Morales. "Ou que mostre seu descontentamento presenteando Morales com a versão de Romero Britto para a Santa Ceia", profanou o coroinha Davi Constantino.
sábado, 11 de julho de 2015
A vitória do NÃO da Grécia abate Merkel e o FMI. Análises de Luis Fernando Veríssimo e Leonardo Boff sobre as políticas de "austeridade" dos neoliberais que martirizam populações
Na Grécia a dignidade venceu a cobiça
Texto de Leonardo Boff
Há momentos na vida de um povo em que ele deve dizer Não, para além das possíveis consequências. Trata-se da dignidade, da soberania popular, da democracia real e do tipo de vida que se quer para toda a população.
Há cinco anos que a Grécia se debate numa terrível crise econômico-financeira, sujeita a todo tipo de exploração, chantagem e até terrorismo por parte do sistema financeiro, especialmente de origem alemã e francesa. Ocorria uma verdadeira intervenção na soberania nacional com a pura e simples imposição das medidas de extrema austeridade excogitadas, sem consultar ninguém, pela Troika (Banco Central Europeu, Comissão Européia e o FMI).
Tais medidas implicaram uma tragédia social, face à qual o sistema financeiro não mostrava nenhum sentido de humanidade. “Salve-se o dinheiro e que sofra ou morra o povo”. Efetivamente desde que começou a crise ocorreram mais de dez mil suicídios de pequenos negociantes insolventes, centenas de crianças deixadas nas portas dos mosteiros com um bilhete das mães desesperadas:”não deixem minha criancinha morrer de fome”. Um sobre quatro adultos estão desempregados, mais da metade dos jovens sem ocupação remunerada e o PIB caiu 27%. Não passa pela cabeça dos especuladores que atrás das estatíticas se esconde uma via-sacra de sofrimento de milhões de pessoas e a humilhação de todo um povo. Seu lema é “a cobiça é boa”. Nada mais conta.
Os negociadores do novo governo grego de esquerda, do Syriza, com o primeiro ministro Alexis Tsipras e seu ministro da fazenda um acadêmico e famoso economista da teoria dos jogos Yanis Varoufakis que quiseram negociar as medidas de austeridade duríssimas encontraram ouvidos moucos. A atitude era de total submissão:”ou tomar ou deixar”. O mais duro era o ministro das Finanças alemão Wolfgang Sträuble:”não há nada para negociar; apliquem-se as medidas”. Nem pensar numa estratégia do ganha-ganha, mas pura e simplesmente do ganha-perde. A disposição era de humilhar o governo de esquerda socialista, dar uma lição para todos os demais países com crises semelhantes (Italia, Espanha, Portugal e Irlanda).
A única saída honrosa de Tsipras foi convocar um referendo: consultar o povo sobre se diria um Não (OXI) ou um Sim (NAI). Qual a posição face à inflexibilidade férrea da austeridade que aparece totalmente irracional por levar uma nação ao colapso, exigindo uma cobrança da dúvida reconhecidamente impagável. O própro Governo propôs a consulta e sugeriu o Não. Os credores e os governos da França e da Alemanha fizeram ameaças, praticaram um verdadeiro terroismo nas palavras do ministro Varoufakis e falsificaram as informações como se o referundo fosse para ficar na zona do Euro ou sair, quando na verdade não se tratava nada disso. Apenas era de aceitar ou rejeitar o “diktat” das instituições financeiras européias. A Grécia quer ficar dentro da zona do Euroa.
A vitória de domingo dia 5 de julho foi espetacular para o Não: 61% contra 38% do Sim. Primeira lição: os poderosos não podem fazer o que bem entendem e os fracos não estão mais dispostos a aceitar as humilhações. Segunda lição: a derrota do Sim mostrou claramente o coração empedernido do capital bancário europeu. Terceiro, trouxe à luz a traição da Unidade Européia a seus próprios ideais que era a integração com solidariedade, com igualdade e com assistência social. Renderam-se à lógica perversa do capital financeiro.
A vitória do Não representa uma lição para toda a Europa: se ela quer continuar a ser súcuba das políticas imperiais norteamericanas ou se quer construir uma verdadeira unidade européia sobre os valores da democracia e dos direitos. O insuspeito semanário liberal Der Spiegel advertia que através da Sra. Merkel, arrogante e inflexível, a Alemanha poderia, já pela terceira vez, provocar uma tragédia européia. Os burocratas de Bruxelas perderam o sentido da história e qualquer referência ética e humanitária. Por vingança o Banco Central Europeu deixou de subministrar dinheiro para os bancos gregos continuarem a funcionar e os obrigou a fechar.
Uma lição para todos, também para nós: quando se trata de uma crise radical que implica os rumos futuros do país, deve-se voltar ao povo, portador da soberania política e confiar nele. A partir de agora os credores e as inflexíveis autoridades do zona do Euro terão pela frente não um governo que eles podem aterroizar e manpular, mas um povo unido que tem consciência de sua dignidade e que não se rede à avidez dos capitais. Como dizia um cartaz:”Se não morremos de amor, por que vamos morrer de fome”?
Na Grécia nasceu, pela primeira vez, a democracia mas de cunho elitista. Agora, nesta mesma Grécia, está nascendo uma democracia popular e direta. Ela será um complemento à democracia delegatícia. Isso vale também para nós no Brasil.
Um prognóstico, quiçá uma profecia: não estaria nascendo, a partir da Grécia, a era dos povos? Face às crises globais serão eles que irão às ruas, como entre nós e na Espanha e tentarão formular os parâmetros políticos e éticos do tipo de mundo que queremos para todos. Já não confiamos no que vem de cima. Seguramente o eixo estruturador não será a economia capitalista desmoronando, mas a vida: das pessoas, da natureza e da Terra. Isso realizaria o sonho do Papa Francisco em sua encíclica: a humanidade “cuidando da Casa Comum”.
Leonardo Boff é colunista do Jornal do Brasil on Line e ecoteólogo
Fonte: Leonardo Boff Wordpress
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terça-feira, 7 de julho de 2015
O Midiota
Cada vez mais trancados em condomínios com cercas elétricas, presos nos carros com vidros fumês sempre fechados ou encurralados em camarotes vips, os midiotas se deram conta de que eles agora é quem vivem num gueto...
O MIDIOTA
Texto de Lelê Teles, extraído do Brasil 247
hermenegildo é um midiota.
a midiotia, explico, é uma patologia social provocada por excesso de desinformação.
penso nisso, enquanto finjo ouvir música no meu celular, com fones no ouvido, aproveitando para ouvir a conversa mole de três garotas e um rapaz no parque da cidade, em brasília.
ultimamente tenho usado minha condição de invisível social para bisbilhotar a conversa alheia.
voar e ficar invisível são dois sonhos humanos.
sou um pássaro sem asas, mas às vezes desapareço.
conheço hermenegildo, trabalhamos juntos no banco do brasil antes de entrarmos para a universidade, ele não deu pela minha presença.
eu deitado na grama de papo pra cima, tendo a raiz do guapuruvu como travesseiro; os midiotas sentados sobre uma canga.
um casal de bem-te-vis se bicavam enamorados na copa da frondosa árvore. todo pássaro canta, pensei, mas nenhum deles compõe. e nenhum canta a música alheia, não se faz covers na natureza. anotei.
notei, com o rabo do olho, que hermenegildo fez clareamento dentário e por isso ria de qualquer coisa.
das meninas, uma tinha clareado os cabelos, notava-se pela raiz escura; outra se autoelogiou por ter feito clareamento de pele para se livrar das manchas no rosto e a outra se chamava clara.
comentavam sobre o ataque racista à maria júlia coutinho, a maju do jornal nacional.
acho que estão fazendo tempestade em copo d'água, afirmou clara, midioticamente. pra mim ela é a cara da globeleza, disse a do cabelo clareado, se o que ela quer é fama é só tirar a roupa e se requebrar.
todos riram, hermenegildo careteou seus dentes clareados.
a terceira concordou e disse ainda que isso tudo era para promovê-la, um vitimismo calculado e marketeiro.
ah, eu acho que a globo inventou isso para livrar o Zeca Camargo do vexame que deu ao comentar a morte de cristiano araújo, pra desviar o foco, sentenciou o bom hermenegildo.
todos concordaram, como não haviam pensado nisso? parecia mesmo possível na mente dos midiotas que a globo, para livrar um homem branco, jogasse às feras uma mulher negra.
o midiota tem dificuldade de compreender a realidade, ele vive no simulacro midiático.
o grupo falou ainda sobre a defesa da redução da maioridade penal, e da coragem dos dois brasileiros que insultaram dilma nos esteites e da admiração do grupo pelo pequeno kim.
eles faziam uma enorme confusão conceitual sobre tudo o que falavam.
hermenegildo usava uma camiseta de uma mão com quatro dedos. clara disse ter comprado o adesivo com a presidenta de pernas abertas. a do cabelo clareado já bateu panela na varanda de casa e a da pele maicoudjéquizada estava no maraca na abertura da copa das copas e xingou a presidenta.
enfim, quatro perfeitos midiotas. sorridentes e cheios de ódio.
não ficaria surpreso se hermenegildo ou uma de suas colegas aparecessem nos comentários da fanpage do jornal nacional insultando maju.
o midiota fez do facebook uma rede antissocial. tudo pelos quinze segundos de infâmia.
é um comportamento de manada, mas tem uma razão. depois de séculos de escravidão e privilégios, a moçada se tocou que os filhos de porteiros não querem mais ser porteiros e que as filhas de domésticas estudam para serem patroas.
onde tudo isso vai parar?
o midiota é também um meritocrata, gaba-se por ter o mérito de ter nascido no lugar certo, com o sobrenome certo e com a cor correta.
havia um mundo todo planejado para ele se dar bem.
de repente vieram as cotas, o enem, o fies... há negros na publicidade, no cinema, na universidade, fazendo compra em shoppings e agora, veja que ousadia, aparecem até como garota do tempo no jornal nacional.
cada vez mais trancados em condomínios com cercas elétricas, presos nos carros com vidros fumês sempre fechados ou encurralados em camarotes vips, os midiotas se deram conta de que eles agora é quem vivem num gueto.
de tanto segregar o outro, acabou por promover a sua própria apartação social.
por isso eles fazem gozação com um atleta negro. para dizerem, olha, você está invadindo o meu espaço, ponha-se no seu lugar.
Por isso agridem a jornalista negra, porque só aceitamos negras nuas e se requebrando e somente durante o carnaval. deixamos vocês excitarem os nossos homens durante uma semana por ano, depois disso voltem à cozinha.
por isso xingam um goleiro negro de macaco. porque embora tenha ficado rico praticando esportes, não passa de uma criatura selvagem.
no meio da conversa, clara chamou a maju de macaca. eu me levantei, tirei os fones e cumprimentei hermenegildo.
ouvi que falavam sobre a garota do tempo, se não me enagano uma de vocês a chamou de macaca, eu disse.
hermenegildo, meu caro, você estudou antropologia e sabe que essa história de chamar um negro de macaco é um racismo abjeto.
todos nós, hermenegildo, em todas as culturas urbanas, usamos termos para desumanizar o outro, por isso dizemos porco, galinha, jumento, burro, égua, cachorra, baleia, piranha, viado...
mas cada um destes termos, hermenegildo, é dirigido a uma única pessoa a qual julgamos emitir um coportamento que nos lembra certo animal.
a maju, hermenegildo, não está na tv comendo bananas sobre uma árvore, pendurada pelo rabo.
não há absolutamente nada nela que remeta a um macaco.
geralmente, hermenegildo, a imagem do macaco que se usa para ofender os negros é a de uma chimpanzé.
mas você sabe, hermenegildo, que o chimpanzé tem os lábios finos, típicos no homem branco. o chimpanzé, cara, tem pelos no corpo, típicos no homem branco. e o chimpanzé, hermenegildo, você bem o sabe, tem a pele branca.
O chimpanzé é mais um branco que um negro.
por isso, hermenegildo, porco, galinha e burro são sempre ofensas pessoais, individuais.
mas macaco, não.
quando chamamos um negro de macaco estamos a dizer que eles, e não ele, são todos quase humanos, porém são selvagens por natureza e naturalmente incivilizáveis.
e o que dizer de uma mulher, virei-me para clara, que usa um adesivo no carro que simula o estupro de outra mulher, ou que vai a um estádio mandar uma senhora sexagenária ir tomar no cu? O que dizer de um cabra que tripudia da deficiência física de uma pessoa?
em que escala, em que grau de civilidade vocês acham que estão seus midiotas?
oxe, não tem nada a ver o que você falou, cara, eu nem te conheço. quem você pensa que é? disse-me a clara clareada.
eu sou aquele que come lagartas pela manhã e arrota borboletas à tarde inteira.
e vocês, quem vocês pensam que são?
peidei alto e fui-me embora, dando as costas aos midiotas.
mal educado, gritou a outra.
e eu peidei de novo e continuei andando sem olhar para trás.
palavra da salvação.
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segunda-feira, 6 de julho de 2015
Jorge Furtado: "Quando o fascismo cresce, silenciar é ser cúmplice"
"Volto a escrever sobre política porque o crescimento da direita, da intolerância, do fascismo, da ignorância e da homofobia, transforma os calados em cúmplices. A história ensina que os inimigos da democracia se utilizam da frustração e dos anseios legítimos da sociedade, das pessoas de boa fé, para chegar ao poder, e então passam a exercê-lo com tirania, perseguindo minorias, promovendo a intolerância e a violência. E aí é tarde demais para combatê-los pacificamente".
Quando o fascismo cresce, silenciar é ser cúmplice
por Jorge Furtado em 28 de junho de 2015 do Blog do Jorge Furtado
Fiquei muitos meses sem escrever por aqui, por excesso de trabalho e por achar que o debate político estava tão alterado que a atitude mais sábia era o silêncio. Esperava que os derrotados das eleições fizessem o mesmo, deixassem passar os primeiros meses do novo governo para cobrar resultados. Meu volume de trabalho não diminuiu, na verdade cresceu, e os derrotados não esperaram nem um dia para subir ainda mais o volume e a grosseria das críticas, muitos pregam em voz alta, sem qualquer pudor, a volta da ditadura militar ou qualquer outro golpe que lhes devolva o poder que perderam nas urnas.
Volto a escrever sobre política porque o crescimento da direita, da intolerância, do fascismo, da ignorância e da homofobia, transforma os calados em cúmplices. A história ensina que os inimigos da democracia se utilizam da frustração e dos anseios legítimos da sociedade, das pessoas de boa fé, para chegar ao poder, e então passam a exercê-lo com tirania, perseguindo minorias, promovendo a intolerância e a violência. E aí é tarde demais para combatê-los pacificamente.
Não é possível ficar quieto quando o congresso é dominados pelo que há de pior na sociedade brasileira, bandidos e falsos pastores, achacadores em nome de Cristo, picaretas envolvidos em todo tipo de falactrua, legislando em causa própria, manobrando votações, chantageando empresários para garantir seu butim, promovendo cultos religiosos no plenário, fomentando a homofobia e a ignorância. O atual congresso brasileiro, comandado por Renan Calheiros e Eduardo Cunha, ambos investigados por uma dúzia de crimes e toda sorte de imoralidades, é uma vergonha para o país.
Não é possível aceitar calado que o ministro Gilmar Mendes, uma única pessoa sem um único voto, por uma manobra rasteira, mantenha engavetado, por mais de um ano, um projeto de mudança da legislação eleitoral já aprovado pela maioria dos juízes, projeto este que, se não impede, dificulta em muito a roubalheira nas eleições e na política. A quase totalidade dos escândalos que entravam a vida nacional e sangram os cofres públicos está relacionada com a doação de empresas aos políticos, que retribuem o favor legislando contra o interesse da maioria da população e superfaturando obras, ambulâncias, remédios. Sem o fim da doação de empresas para políticos a roubalheira nas eleições será eternizada.
Não é possível silenciar quando a presidente Dilma, eleita legitimamente pela maioria da população brasileira para manter e aprofundar os avanços dos governos populares, concede a tal ponto em nome de uma suposta governabilidade que entrega a economia aos banqueiros, a agricultura aos latifundiários do agronegócio e a política aos sanguessugas do PMDB, um partido que é eternamente governo porque sua única convicção é ser eternamente governo. Se eu imaginasse que e Katia Abreu, Levy e Eliseu Padilha poderiam ser ministros de Dilma teria votado em Luciana Genro.
Infelizmente, quem deveria fiscalizar o governo, o legislativo e o judiciário é a imprensa, que tornou-se irrelevante quando abriu mão de fazer jornalismo para fazer oposição partidária. A imprensa brasileira, que sempre foi ferozmente governista, descobriu sua vocação oposicionista quando a Casa Grande perdeu um pouco o seu poder. É constrangedor ver jornalistas ou similares pensando exatamente como seus patrões mandam. Talvez pela profunda crise que o setor atravessa, com jornais e audiências minguando, velhos jornalistas e jovens sedentos de poder e fama se agarrem aos seus empregos com unhas e dentes, repetindo bobagens até a náusea. A verdade não agrada o patrão? Esqueça! O bandido disse que também deu dinheiro aos tucanos? Ignore! O patrão esconde dinheiro na Suíça e sonega fiscais para não pagar impostos? Não é comigo! O mensalão foi criado para eleger o presidente do PSDB? Concentre-se no plágio petista! A acusação contra um petista não faz sentido? O que importa? A antiga imprensa, que já estava seriamente ameaçada por conta da revolução digital, acelerou seu caminho para o fim abrindo mão do princípio básico do jornalismo: a defesa da verdade factual. Quando a história da antiga imprensa brasileira for contada descobriremos que ela não morreu, suicidou-se.
Você pode achar esta conversa de política uma chatice, e é mesmo. O problema é que os que não gostam de política são governados por aqueles que gostam. Ontem, pela segunda vez, imbecis agrediram o ex-ministro Mantega num restaurante. Outro dia foi num avião, um jornalista - sozinho - que lia uma revista, foi atacado por um punhado de trogloditas. Jô Soares foi ameaçado de morte por entrevistar a presidente da república, eleita democraticamente. Os sinais de intolerância crescem, tornam-se mais frequentes e mais violentos, é de se esperar que a ignorância dos mal informados covardes que andam em bando logo produza vítimas. Silenciar é ser cúmplice deste fascismo crescente.
Votei no Lula e na Dilma na esperança de promover a inserção social, a melhor distribuição de renda, para garantir a geração de empregos, o acesso dos filhos dos trabalhadores às universidades, na esperança de melhorar a vida dos mais pobres, para ver a corrupção ser investigada e punida. Tudo isso aconteceu, menos do que eu esperava, porém mais do que nunca. 40 milhões de pessoas passaram a ter uma vida mais digna, a fome foi praticamente erradicada, os níveis de emprego se mantêm altos, milhares de jovens passaram a ter acesso ao ensino superior, a mortalidade infantil no Brasil caiu pela metade.
O combate à corrupção também avançou muito. Uma lei promulgada por Dilma permite que hoje os corruptores também sejam punidos. A Polícia Federal investiga, o Procurador Geral da República não engaveta as denúncias e vemos, pela primeira vez, empresários, políticos e banqueiros graúdos serem investigados e presos. É bom lembrar (já que ninguém lembra) que Renan Calheiros, que hoje é investigado pela Polícia Federal, no governo de Fernando Henrique era o Ministro da Justiça e, portanto, chefe da Polícia Federal! E foi neste momento (segundo o Ministério Público e segundo vários bandidos delatores), no final do primeiro mandado de FHC, que a quadrilha de Youssef começou a roubar a Petrobrás. Mas também é fato que a continuidade no poder atraiu toda espécie de picaretas que, somados aos picaretas já existentes no PT, sugam os recursos públicos que faltam para os hospitais, para a escolas, para a segurança pública. E os avanços do governo popular começam a ser comprometidos.
Felizmente - talvez pela cretinice evidente dos seus apoiadores na mídia - a direita brasileira tem perdido eleições com agradável regularidade, foram quatro, em dois turnos, nos últimos 13 anos. Oito vezes o povo brasileiro foi às urnas dizer não à intolerância, ao egoísmo e a hipocrisia. Espero que eles percam outra vez em 2018, mas se até lá o PT não se livrar desta direita truculenta, homofóbica, picareta e ignorante, pode até ganhar as eleições, mas não terá mais o meu voto.
Afinal, até quando vamos aceitar calados as agressões dos derrotados nas urnas, uma elite iletrada, egoísta, ignorante e preconceituosa, que ficou 500 anos no poder e transformou o Brasil no país mais desigual do planeta?
Volto a escrever sobre política porque o crescimento da direita, da intolerância, do fascismo, da ignorância e da homofobia, transforma os calados em cúmplices. A história ensina que os inimigos da democracia se utilizam da frustração e dos anseios legítimos da sociedade, das pessoas de boa fé, para chegar ao poder, e então passam a exercê-lo com tirania, perseguindo minorias, promovendo a intolerância e a violência. E aí é tarde demais para combatê-los pacificamente.
Não é possível ficar quieto quando o congresso é dominados pelo que há de pior na sociedade brasileira, bandidos e falsos pastores, achacadores em nome de Cristo, picaretas envolvidos em todo tipo de falactrua, legislando em causa própria, manobrando votações, chantageando empresários para garantir seu butim, promovendo cultos religiosos no plenário, fomentando a homofobia e a ignorância. O atual congresso brasileiro, comandado por Renan Calheiros e Eduardo Cunha, ambos investigados por uma dúzia de crimes e toda sorte de imoralidades, é uma vergonha para o país.
Não é possível aceitar calado que o ministro Gilmar Mendes, uma única pessoa sem um único voto, por uma manobra rasteira, mantenha engavetado, por mais de um ano, um projeto de mudança da legislação eleitoral já aprovado pela maioria dos juízes, projeto este que, se não impede, dificulta em muito a roubalheira nas eleições e na política. A quase totalidade dos escândalos que entravam a vida nacional e sangram os cofres públicos está relacionada com a doação de empresas aos políticos, que retribuem o favor legislando contra o interesse da maioria da população e superfaturando obras, ambulâncias, remédios. Sem o fim da doação de empresas para políticos a roubalheira nas eleições será eternizada.
Não é possível silenciar quando a presidente Dilma, eleita legitimamente pela maioria da população brasileira para manter e aprofundar os avanços dos governos populares, concede a tal ponto em nome de uma suposta governabilidade que entrega a economia aos banqueiros, a agricultura aos latifundiários do agronegócio e a política aos sanguessugas do PMDB, um partido que é eternamente governo porque sua única convicção é ser eternamente governo. Se eu imaginasse que e Katia Abreu, Levy e Eliseu Padilha poderiam ser ministros de Dilma teria votado em Luciana Genro.
Infelizmente, quem deveria fiscalizar o governo, o legislativo e o judiciário é a imprensa, que tornou-se irrelevante quando abriu mão de fazer jornalismo para fazer oposição partidária. A imprensa brasileira, que sempre foi ferozmente governista, descobriu sua vocação oposicionista quando a Casa Grande perdeu um pouco o seu poder. É constrangedor ver jornalistas ou similares pensando exatamente como seus patrões mandam. Talvez pela profunda crise que o setor atravessa, com jornais e audiências minguando, velhos jornalistas e jovens sedentos de poder e fama se agarrem aos seus empregos com unhas e dentes, repetindo bobagens até a náusea. A verdade não agrada o patrão? Esqueça! O bandido disse que também deu dinheiro aos tucanos? Ignore! O patrão esconde dinheiro na Suíça e sonega fiscais para não pagar impostos? Não é comigo! O mensalão foi criado para eleger o presidente do PSDB? Concentre-se no plágio petista! A acusação contra um petista não faz sentido? O que importa? A antiga imprensa, que já estava seriamente ameaçada por conta da revolução digital, acelerou seu caminho para o fim abrindo mão do princípio básico do jornalismo: a defesa da verdade factual. Quando a história da antiga imprensa brasileira for contada descobriremos que ela não morreu, suicidou-se.
Você pode achar esta conversa de política uma chatice, e é mesmo. O problema é que os que não gostam de política são governados por aqueles que gostam. Ontem, pela segunda vez, imbecis agrediram o ex-ministro Mantega num restaurante. Outro dia foi num avião, um jornalista - sozinho - que lia uma revista, foi atacado por um punhado de trogloditas. Jô Soares foi ameaçado de morte por entrevistar a presidente da república, eleita democraticamente. Os sinais de intolerância crescem, tornam-se mais frequentes e mais violentos, é de se esperar que a ignorância dos mal informados covardes que andam em bando logo produza vítimas. Silenciar é ser cúmplice deste fascismo crescente.
Votei no Lula e na Dilma na esperança de promover a inserção social, a melhor distribuição de renda, para garantir a geração de empregos, o acesso dos filhos dos trabalhadores às universidades, na esperança de melhorar a vida dos mais pobres, para ver a corrupção ser investigada e punida. Tudo isso aconteceu, menos do que eu esperava, porém mais do que nunca. 40 milhões de pessoas passaram a ter uma vida mais digna, a fome foi praticamente erradicada, os níveis de emprego se mantêm altos, milhares de jovens passaram a ter acesso ao ensino superior, a mortalidade infantil no Brasil caiu pela metade.
O combate à corrupção também avançou muito. Uma lei promulgada por Dilma permite que hoje os corruptores também sejam punidos. A Polícia Federal investiga, o Procurador Geral da República não engaveta as denúncias e vemos, pela primeira vez, empresários, políticos e banqueiros graúdos serem investigados e presos. É bom lembrar (já que ninguém lembra) que Renan Calheiros, que hoje é investigado pela Polícia Federal, no governo de Fernando Henrique era o Ministro da Justiça e, portanto, chefe da Polícia Federal! E foi neste momento (segundo o Ministério Público e segundo vários bandidos delatores), no final do primeiro mandado de FHC, que a quadrilha de Youssef começou a roubar a Petrobrás. Mas também é fato que a continuidade no poder atraiu toda espécie de picaretas que, somados aos picaretas já existentes no PT, sugam os recursos públicos que faltam para os hospitais, para a escolas, para a segurança pública. E os avanços do governo popular começam a ser comprometidos.
Felizmente - talvez pela cretinice evidente dos seus apoiadores na mídia - a direita brasileira tem perdido eleições com agradável regularidade, foram quatro, em dois turnos, nos últimos 13 anos. Oito vezes o povo brasileiro foi às urnas dizer não à intolerância, ao egoísmo e a hipocrisia. Espero que eles percam outra vez em 2018, mas se até lá o PT não se livrar desta direita truculenta, homofóbica, picareta e ignorante, pode até ganhar as eleições, mas não terá mais o meu voto.
Afinal, até quando vamos aceitar calados as agressões dos derrotados nas urnas, uma elite iletrada, egoísta, ignorante e preconceituosa, que ficou 500 anos no poder e transformou o Brasil no país mais desigual do planeta?
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