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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Mentiras, farsas e trapaças: uma campanha para explicar Sérgio Moro, por Tânia Maria de Oliveira, da Associação Brasileira dos Juristas Pela Democracia, ABJD



 "Na perspectiva da alegoria, a campanha deflagrada pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD – que intenta esclarecer os desvios cometidos pelo ex-juiz da operação Lava Jato e atual Ministro na Justiça e da Segurança Pública – mostra Sérgio Moro com um nariz de Pinocchio. A pertinência do comportamento dele, contudo, não é pueril como do boneco-menino, que de forma compulsiva se desviava por deslumbramento, e criava histórias fantásticas para justificar os erros cometidos. Os atos de Moro aproximam-se de uma disposição elaborada e previamente formulada, para dissimular a realidade e produzir resultados desejados, naquilo que se pode chamar de mentiras como conceito não moral." - Tânia Maria de Oliveira, jurista


Do GGN:


Mentiras, farsas e trapaças: uma campanha para explicar Sérgio Moro, por Tânia Maria de Oliveira

Não é relativização da verdade ou ambiguidade de conteúdos, é farsa. Farsa deliberadamente inventada para alcançar resultado específico.

Mentiras, farsas e trapaças: uma campanha para explicar Sérgio Moro

por Tânia Maria de Oliveira

Na fábula italiana que se tornou célebre com os desenhos de Walt Disney, o nariz de Pinocchio, o boneco de madeira, crescia a cada mentira que ele contava, tendo, por isso, se tornado um símbolo popular desse desvio moral. No conto a virtude se sagra vencedora na disputa pelo caráter de Pinocchio, que aprende a praticar os valores da verdade e do respeito.
O ministro da propaganda nazista de Hitler, Joseph Goebbels dizia que uma mentira mil vezes contada se torna verdade. Todo o engano sobre o holocausto foi produzido massivamente com essa máxima: a repetição.
Na perspectiva da alegoria, a campanha deflagrada pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD – que intenta esclarecer os desvios cometidos pelo ex-juiz da operação Lava Jato e atual Ministro na Justiça e da Segurança Pública – mostra Sérgio Moro com um nariz de Pinocchio. A pertinência do comportamento dele, contudo, não é pueril como do boneco-menino, que de forma compulsiva se desviava por deslumbramento, e criava histórias fantásticas para justificar os erros cometidos. Os atos de Moro aproximam-se de uma disposição elaborada e previamente formulada, para dissimular a realidade e produzir resultados desejados, naquilo que se pode chamar de mentiras como conceito não moral.
As mentiras de Sérgio Moro vêm, na verdade, para dissimular seu comportamento desviante. Quando repetidamente proclama sobre os diálogos divulgados: “não sei se disse, mas se disse não há problema” ele, paradoxalmente afirma que as evidências de sua parcialidade como magistrado não estão presentes quando discute os rumos de uma operação de investigação junto aos membros do Ministério Público Federal da força-tarefa, indicando testemunhas, dando conselhos que se assemelham a ordens que são, de fato, cumpridas, encomendando pareceres, negociando prazos e procedimentos. Suas mentiras resultam de um processo de construção da linguagem, para constituir conceitos de aparência de legalidade.
As retóricas professadas por Sérgio Moro não sobrevivem à mais simples verificação de critérios de adequação de comportamento de magistrados. Não por acaso diversas juízas e juízes participam da campanha #MoroMente, falando de suas respectivas atuações jurisdicionais, como testemunho de que não há adequação nas práticas do ex-juiz da Lava Jato à essência da magistratura, mas ao oposto, identificados os elementos de sua conduta, elas conduzem ao arbítrio.
A torpeza dos argumentos de Sérgio Moro cumpre dupla função, uma vez que, quando confrontado com a evidência de condutas não aceitáveis e ilegais, ele diz que não reconhece os diálogos divulgados. Afasta-se de sua condição original quando é conveniente, para inverter a lógica do debate e virar novamente acusador dos responsáveis pela divulgação dos diálogos.
Na escala de razões que justificam a negação da realidade, modificação ou distorção de fatos, Sérgio Moro está muito mais para Goebbels que para Pinocchio. Não há em seus atos a infantil mentira que busca proveitos efêmeros. Suas dissimulações são objetivas e tem intenção clara.  Sua autoimagem de herói, com o apoio da mídia empresarial, o tornou um ser megalomaníaco que se supunha sem limites, e se baseia no ódio aos que com ele tem discordância político-filosófica.
O rol de artifícios criados para sustentar a teia de mentiras em que se transformou a operação Lava Jato foi levado a um nível em que a sedução do dinheiro entrou em jogo, e os membros da força-tarefa tentaram criar uma fundação para gerir os fundos públicos arrecadados, e uma empresa de palestras usando suas mulheres como laranjas. É quando a mentira vira trapaça, clara e explicitamente.
O terreno sobre o qual nos encontramos situados não é o do debate verdade versusmentira, mas o de uma reflexão sobre uso do sistema de justiça para perseguição política contra adversários e a negação dos procedimentos por interesses escusos. Um processo de camuflagem, de distorção, tudo feito por repetições em série durante anos, que criou pelas vias midiáticas, vínculos de identificação coletiva e ampla aceitação social.
Não é relativização da verdade ou ambiguidade de conteúdos, é farsa. Farsa deliberadamente inventada para alcançar resultado específico. Moro não cometeu erros nem enganos, ele praticou desonestidade militante.
#MoroMente
Tânia Maria de Oliveira é da Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Mauro Santayana: E segue a manipulação midiática
























Parte da imprensa festeja, como se fosse grande coisa, a tal arrecadação, via repatriação, pelo governo federal, de 50 bilhões de reais.

Vamos por os pingos nos is.

Para um PIB de 5.9 trilhões de reais, em 2015, trata-se de um número irrisório, que não chega a 0,01% do Produto Interno Bruto.

Na página abaixo, do Banco Mundial, a evolução do PIB em dólar, que, "apesar da crise" no ano passado, mais que triplicou entre 2002 — último ano do governo FHC — e 2015, passando de pouco mais de 500 bilhões para quase 1.8 trilhão de dólares http://data.worldbank.org/country/brazil (agora voltou a aumentar devido à valorização do real).

No mesmo link, outros dados, como a queda no número de pobres e o crescimento da renda per capita e da expectativa de vida nos últimos 13 anos.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

"Estamos vivendo a espetacularização fascista", afirma a filósofa Márcia Tiburi

:

  A filósofa Marcia Tiburi lançou o livro "Como conversar com um fascista" no qual fala sobre o momento atual vivido pelo Brasil onde a intolerância política tem provocado uma série de agressões contra pessoas que defendem o estado democrático de direito no país; "Acho que a gente está vivendo uma espécie de escândalo fascista", afirma; ela diz que o ódio dessas pessoas tem sido "fomentado pelos meios de comunicação"

247 - A filósofa Marcia Tiburi lançou o livro "Como conversar com um fascista" no qual fala sobre o momento atual vivido pelo Brasil onde a intolerância política tem provocado uma série de agressões contra pessoas que defendem o estado democrático de direito no país.
"Acho que a gente está vivendo uma espécie de escândalo fascista", afirma. Para ela, há um temor no país por parte das pessoas até por questões simples como utilizar uma camisa vermelha. "O fascista não escuta, é uma figura autoritária, não está aberta ao outro. Ela tem um pré-julgamento do outro", disse. "Esse ódio que ela pensa que é dela foi fomentado pelos meios de comunicação", destacou.
Ouça aqui a entrevista à Rede Brasil Atual.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Noavemente, "delator premiado" reafirma que Aecio decebeu propina... E a mídia, destaca? A Globo Destaca? Isso é Capa da Veja?

Segue, abaixo, diversos textos sobre a Propina que Aécio teria recebido e como a mídia ou encobre, maquia ou tenta minimizar o fato...

“A pessoa está me cobrando estes R$ 300 mil”. “Que pessoa?” “Aécio Neves”

aecio300
A Folha fez o possível.
Colocou a chamada lá no cantinho de baixo, bem pequenina.
Mas não adianta.
Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, entregador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, afirmou, em depoimento que levou R$ 300 mil no segundo semestre de 2013 a um diretor da empreiteira UTC, de nome Miranda ( Antonio Carlos D’Agosto Miranda) que seriam entregues ao senador Aécio Neves.
Segundo o “entregador”, Miranda ficou aliviado, pois estaria sendo cobrado pela quantia por Aécio, teria dito o diretor da empreiteira.
Aécio, claro, nega tudo. Diz que  sua campanha só recebeu legalmente da UTC para a campanha.
E quem disse, senador, que era pra a campanha? R$ 300 mil, o senhor me perdoe, não é padrão de campanha, onde a coisa é na casa do milhão.
Tudo tem mais força porque a alta direção da UTC já havia admitido, em depoimentos, que Miranda recebia, guardava e entregava dinheiro destinado a políticos.
“E o Aécio Neves não é da oposição?”, teria dito Rocha. O diretor da UTC teria respondido, na versão do delator: “Aqui a gente dá dinheiro pra todo mundo: situação, oposição, […] todo mundo”.
O comitê da campanha presidencial do tucano em 2014 recebeu R$ 4,5 milhões da UTC em doações declaradas à Justiça. A campanha de Dilma recebeu R$ 7,5 milhões.
Rocha disse ter manifestado estranheza sobre o local da entrega ser o Rio de Janeiro, já que Aécio “mora em Minas”. Miranda teria respondido que o político “tem um apartamento” e “vive muito no Rio de Janeiro”.
O delator disse que não presenciou a entrega do dinheiro ao senador e que ficou “surpreso” com a citação.
Rocha prestou o depoimento em 1º de julho. Em 4 de agosto, foi a vez de Santana também dar declarações.
Embora tenha dito que Miranda não tinha “nenhuma participação no levantamento do dinheiro para formar o caixa dois” da construtora UTC, Santana observou que “pode ter acontecido algum episódio em que o declarante ou Pessoa informaram a Miranda quem seriam os destinatários finais da entrega”.
Miranda, que é apontado pelo próprio Ministério Público como o responsável pelos “acertos” de propina com o PMDB na obra de Angra 3, seria, por óbvio, o próximo passo de qualquer investigação séria. Mas Miranda, ao que se saiba, não foi preso nem deixado mofar na cadeia até que entregasse os chamados “agentes políticos”, é claro.
Dinheiro para Aécio Neves não é coisa que venha assim “ao caso”, nem uma delação com este potencial explosivo vaza no dia seguinte, como as outras.
Até porque a investigação de corrupção parece estar usando os mesmos critérios editoriais da Folha: R$ 300 mil pra petista é manchete, para tucano é pé de página.
Mas a reportagem de Valente não dá para ser apagada. E vai ter desdobramentos.

Notícia sobre Aécio some da capa da UOL


Uma denúncia sobre propina envolvendo o nome do senador Aécio Neves foi manchete do portal Uol na manhã desta quarta-feira 30, por volta de 6h, mas às 8h já havia desaparecido misteriosamente. Depois que leitores notaram o sumiço da matéria, ela reapareceu, por volta de 9h.

A reportagem de Rubens Valente, da Folha, mereceu apenas nota de rodapé na capa do jornal impresso. A matéria destaca o trecho de um depoimento do delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, apontado como entregador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef. Ele contou aos investigadores da Lava Jato ter levado R$ 300 mil a um diretor da UTC Engenharia no Rio, que seria entregue ao senador tucano.
Segundo Rocha, o diretor da UTC, chamado Miranda, "estava bastante ansioso" para receber o dinheiro, pois "não aguentava mais a pessoa" lhe "cobrando tanto". Rocha teria perguntado quem era e Miranda respondeu Aécio Neves.
Por meio de sua assessoria, o tucano chamou de "absurda" a citação de seu nome. Anteriormente, Aécio já havia sido citado pelo próprio Youssef como responsável por um mensalão em Furnas.

NOTA DE RODAPÉ DA FOLHA SOBRE AÉCIO JÁ DIZ TUDO

:
 Do Brasil 247 - O que a Folha de S.Paulo faria se um delator da Lava Jato mencionasse o pagamento de uma propina de R$ 300 mil para o ex-presidente Lula? Não há nenhuma dúvida de que o caso seria estampado em letras garrafais na manchete principal do jornal; basta lembrar que esse foi o procedimento quando a Folha noticiou uma acusação falsa a uma nora de Lula; além disso, quando denunciado, o pecuarista José Carlos Bumlai perdeu o nome e virou "o amigo de Lula"; em outro episódio, numa manchete sobre o senador Delcídio Amaral, a foto estampada também foi a do ex-presidente; agora, quando o senador Aécio Neves (PSDB-MG) é citado num esquema de propina, o caso é escondido numa nota de rodapé; diante do duplo padrão de julgamento, o colunista André Singer afirmou no último sábado que a mídia abafa a corrupção tucana (leia mais, clicando aqui).

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Operação Zelotes mostra a sonegação dos barões que a midiona tenta esconder

Novamente a Operação Zelotes volta para as manchete da grande mídia com uma única tarefa:  atacar a imagem de Lula falando de seu filho.

Reportagem de hoje da Folha de São Paulo diz que um lobista fez um pagamento que pode ter sido de verba ilícita, segundo investigações da CARF, para uma empresa de marketing esportivo que tem o filho de Lula como proprietário. Viu só quantas voltas eles deram para, SUPOSTAMENTE, chegar até o filho de Lula? Pois é. Mandaram foi logo na manchete e bem diretão.

Quer ver sobre o que trata, verdadeiramente, a Operação Zelotes que a midiona trata de esconder? Então, vem com a gente!

A Zelotes é uma CPI que investiga o pagamento de propinas milionárias, por parte de grandes empresas, para juízes da CARF, orgão da Receita Federal, em troca de “abono” ou “desaparecimento” de débitos tributários, ou seja, dos impostos devidos. Estima-se que os valores sonegados por meio dessa prática chegam a R$ 19 bilhões. São bem maiores que os da Lava-Jato, que está em todos os noticiários, por exemplo. Mas, como na Operação Zelotes tem muita gente bacana envolvida, você não vê ela após cada “plim plim” na sua tela.

Até porque, a Rede Globo é uma das investigadas na operação pela suposta sonegação de R$ 672 milhões do Gupo RBS, uma de suas afiliadas. Veja alguns valores “supostamente” sonegados por essas grandes empresas, segundo a CPI da CARF.

Santander – R$ 3,3 bilhões

Bradesco – R$ 2,7 bilhões

Gerdau – R$ 1,2 bilhão

Safra – R$ 767 milhões

RBS – R$ 672 milhões

Camargo Corrêa – R$ 668 milhões

Mitsubishi – R$ 505 milhões

Carlos Alberto Mansur – R$ 436 milhões

Cervejaria Petrópolis – R$ 406 milhões

Marcopolo – R$ 260 milhões

Cimento Penha – R$ 109 milhões

Bank Boston – R$ 106 milhões

Petrobras – R$ 53 milhões

Copersucar – R$ 62 milhões

Évora – R$ 48 milhões

Embraer – R$ 12 milhões

BRF – Os números ainda estão sendo apurados

Você pode ler mais sobre a verdadeira Operação Zelotes e seus valores astronômicos abafados pela grande mídia http://goo.gl/LK0HUv ou aqui http://goo.gl/6VzOZ2

No MudaMais

domingo, 12 de julho de 2015

O que o nazista Joseph Goebbels ensinou a Ali Kamel e à golpista Rede Globo?

12o. Principio do Kamel: abuse da palavra “crise” ! Tudo é crise ! – Paulo Henrique Amorim


Conversa Afiada reproduz excelente contribuição do amigo navegante ocator:


Conhece Joseph Goebbels, o violento ministro de propaganda de Hitler? Estes são os 11 princípios que levaram o povo alemão a tentar exterminar à humanidade:

1.- Principio da simplificação e do inimigo único.
Simplifique não diversifique, escolha um inimigo por vez. Ignore o que os outros fazem concentre-se em um até acabar com ele.

2.-Princípio do contágio
Divulgue a capacidade de contágio que este inimigo tem. Colocar um antes perfeito e mostrar como o presente e o futuro estão sendo contaminados por este inimigo.

3.-Princípio da Transposição
Transladar todos os males sociais a este inimigo.

4.-Princípio da Exageração e desfiguração
Exagerar as más noticias até desfigurá-las transformando um delito em mil delitos criando assim um clima de profunda insegurança e temor. “O que nos acontecerá?”

5.-Princípio da Vulgarização
Transforma tudo numa coisa torpe e de má índole. As ações do inimigo são vulgares, ordinárias, fáceis de descobrir.

6.-Princípio da Orquestração
Fazer ressonar os boatos até se transformarem em noticias sendo estas replicadas pela “imprensa oficial’, pigal.

7.-Principio da Renovação
Sempre há que bombardear com novas notícias (sobre o inimigo escolhido) para que o receptor não tenha tempo de pensar, pois está sufocado por elas.

8.-Princípio do Verossímil
Discutir a informação com diversas interpretações de especialistas, mas todas em contra do inimigo escolhido. O objetivo deste debate é que o receptor, não perceba que o assunto interpretado não é verdadeiro.

9.-Principio do Silêncio.
Ocultar toda a informação que não seja conveniente.

10.-Principio da Transferência
Potencializar um fato presente com um fato passado. Sempre que se noticia um fato se acresce com um fato que tenha acontecido antes

11.-Princípio de Unanimidade
Busca convergência em assuntos de interesse geral apoderando-se do sentimento produzido por estes e colocá-los em contra do inimigo escolhido.


Qualquer semelhança com as práticas do PIG é pura coincidência….

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A parcialidade da Globo como perfeita aula de antijornalismo e ilustração dos interesses dos magntadas da mídia


Extraído do Luis Nassif Online:



As “erratas” da Globo contra Dilma: uma aula de antijornalismo





Texto de Michel Arbache - do Portal Luís Nassif


Todo o mundo jornalístico já conhece o velho vício do jornalismo de opinião: não deixar ao espectador a chance de pensar; de tecer o próprio juízo sobre determinado assunto. Pois o que deve prevalecer, sempre, é a opinião do dono da mídia. Se, por exemplo, o dono da mídia é a favor da redução da maioridade penal, o telejornal não dará margem ao contraditório. É do jogo – ainda que isto seja perigoso à democracia, já que os donos da mídia costumam comungar as mesmas idéias. E quando isto acontece, é óbvio que a opinião pública refletirá a opinião de meia-dúzia de oligarcas que mandam no país. A despeito de todo esse jogo, o que o ‘Bom Dia Brasil’ (1), da Globo, fez hoje (22/09/2014) com a entrevistada, Dilma Rousseff, foi de uma baixeza comparável com a manipulação do debate em 1989 (2).

Acontece que, em meio à entrevista (que, importante salientar, foi pré-gravada) com a candidata à reeleição, Dilma Rousseff, a entrevistadora Miriam Leitão divergiu de alguns números – como a taxa de crescimento na Alemanha e o índice de desemprego entre jovens no Brasil – ocorrendo uma ligeira discussão. E logo após a entrevista pré-gravada, já ao vivo, a jornalista Ana Paula Araújo fez as “erratas”para deixar claro que Miriam Leitão estava certa e Dilma Rousseff errada nos dois pontos. Se o apuro da emissora com a correção dos números fosse levado à risca todos os dias e em todos seus programas, a blogosfera não precisaria fazer, quase que diariamente, as “erratas” para corrigir os erros da Globo em seus noticiários – e que a emissora jamais se preocupou em corrigir. Ou seja: a Globo é parcial até na arte da truculência.

Talvez a deselegância (ou truculência, como queira) da Globo com Dilma Rousseff sirva de alerta para que a assessoria da presidenta reflita se realmente vale a pena se sujeitar às entrevistas na empresa que faz explícita oposição a ela e seu partido. Pois é pura arapuca. Um dos funcionários da Rede Globo, Jô Soares, por exemplo, cansa de dizer que “já cansei de convidar pessoas do PT ou do governo federal para entrevistas, mas eles negam”. Só não diz por que eles negam. Ora, pegue-se o exemplo da entrevista com o então ministro da saúde Alexandre Padilha ao Programa do Jô (3). Após a entrevista, Jô Soares ficou uma semana lendo mensagens (4) de corporações médicas – contrárias ao programa Mais Médicos - que “desmentiam” dados do ministro – até que, enfim, fosse convidado o presidente do Conselho Federal de Medicina para “anular” a entrevista do ministro (5). Outro exemplo mais recente que bem ilustra o que significa se submeter a uma entrevista na Globo foi o pedido “delicado” de Ricardo Noblat a ninguém menos do que a presidenta da República: “fale um pouquinho menos” (6). Por muito menos, Barack Obama, presidente dos EUA, passou a tratar parte da mídia (como a Fox News) no seu país como oposição (7).

Fontes:

1- Entrevista de Dilma ao Bom Dia Brasil:

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2014/09/bom-dia-brasil-e...



2- Boni confessa que Globo manipulou o debate de 1989 para favorecer Collor contra Lula:

https://www.youtube.com/watch?v=VrpurEkmJkU



3- Jô Soares entrevista Padilha:

http://globotv.globo.com/rede-globo/programa-do-jo/v/jo-soares-apre...



4- Jô Soares, uma semana lendo mensagens atacando a entrevista de Padilha:

https://www.youtube.com/watch?v=IF6o1d2-Tq4



5- Jô Soares faz entrevista para desdizer a entrevista de Padilha:

http://globotv.globo.com/rede-globo/programa-do-jo/v/roberto-luiz-d...



6- “Fale menos” – Noblat para Dilma –  a 0:47 do vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=o_DeoR3bZ-U



7- Obama trata parte da mídia como oposição:

http://blog.opovo.com.br/pliniobortolotti/obama-e-a-midia-os-mesmos...