quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A importância do apoio de um assessor de Teori à ida de Lula à ONU, por Paulo Nogueira

  "Ele é vítima de uma brutal perseguição da plutocracia (dos ricos exploradores de sempre), encabeçada pela Globo e por Moro com sua Lava Jato. Brutal, indecente, descarada, vergonhosa: são muitos os adjetivos, todos eles negativos, com os quais você pode designar a caça a Lula. E a plutocracia teve o desplante de acusar Lula de desmoralizar a Justiça brasileira no mundo."

O que é absurdo é a caça a ele

Texto de Paulo Nogueira
No DCM
Enfim sai uma notícia que permite ter alguma esperança na Justiça. Alguma, repito. Não muita. Mas já é um avanço.

Estou falando da inclusão de um assessor de Teori Zavascki entre os signatários de um manifesto de jurista em apoio à decisão de Lula de recorrer — pedir socorro é a expressão mais adequada — à ONU. Manoel Lauro Volkmer de Castilho é o nome.

Clap, clap, clap. De pé.

Lula fez, com atraso, o que deveria ter realizado há muito tempo.

Ele é vítima de uma brutal perseguição da plutocracia, encabeçada pela Globo e por Moro com sua Lava Jato.

Brutal, indecente, descarada, vergonhosa: são muitos os adjetivos, todos eles negativos, com os quais você pode designar a caça a Lula.

E a plutocracia teve o desplante de acusar Lula de desmoralizar a Justiça brasileira no mundo.

Ora, ora, ora.

A Justiça brasileira vem-se impondo um formidável processo de autodesmoralização. Lula é vítima dela e deste processo.

Seu crime: ser nordestino, não ter diploma universitário, ser amado pelos pobres, falar a língua dos excluídos e, sobretudo, trabalhar por eles.

É o oposto, para ficar numa comparação eloquente, de FHC, o fâmulo dos plutocratas, o corrupto que comprou votos para se reeleger e durante oito anos governou para os poderosos, a começar pela Globo.

A plutocracia faz horrores no Brasil para manter suas mamatas e privilégios, mas parece sentir vergonha quando suas práticas são levadas ao mundo.

No próprio Brasil, está tudo dominado. As grandes comporações da mídia plutocrata controlam o noticiário (não mais como antes, é certo, com o avanço explosivo da internet).

Mas no cenário internacional nem Globo nem ninguém na imprensa tem o menor peso e a menor influência.

É para lá que a esquerda deve se dirigir no chamado duelo das narrativas. Golpe virou golpe em todo o mundo, desde que o jornalista Glenn Greenwald, americano radicado no Brasil, deu uma entrevista à CNN desfazendo a farsa da “legalidade”.

E a perseguição a Lula ganhou ares internacionais também, desde que ele apelou para a ONU. O recurso, segundo contas dos advogados de Lula, foi notícia em quase 50 país.

Isso quer dizer: o mundo sabe quem é Moro. Quais são suas armas sujas, como gravar conversas de Lula e Dilma e depois vazá-las para a cúmplice Globo.

Se Moro estivesse preocupado com sua reputação de juiz sério não tiraria fotos abraçado com os irmãos Marinhos e João Dória em eventos da plutocracia. Não compareceria, alegremente deslumbrado, ao lançamento de um livro de um jornalista da Globo em que é santificado e Lula demonizado. Não teria vazado ações da Lava Jato para que a mídia transformasse tudo num circo para desestabilizar Dilma e destruir o PT. Não teria forçado Lula a um depoimento sem base legal nenhuma, numa aparente tentativa de prendê-lo que só não foi adiante graças à reação dos lulistas.

Essas coisas, sim, desmoralizam a Justiça. Podem deslumbrar imbecis que pedem a volta dos militares, e que usam máscaras de Moro em protestos descerebrados, mas não merecem ser levadas a sério.

Uma luz pode fazer diferença. A adesão de um assessor de Teori ao oportuníssimo documento de juristas de apoio à ida de Lula à ONU é uma luz.

No meio das trevas jurídicas em que vivemos, é um avanço.

Sabe aquele homem da Fiesp do Pato amarelo do Skaf que deve R$ 6,9 bi à União? Ele participou dos escândalos Banestado e Mensalão

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Diretor da Fiesp, um dos grandes devedores da União, foi mira do Banestado

por Patricia Faermann, no Jornal GGN
A soma das dívidas de empresas e pessoas para o governo federal já passou da linha do R$ 1 trilhão. Entre apenas aqueles que devem mais de R$ 15 milhões, que se tratam de 13 mil devedores, são responsáveis por cinco vezes o buraco total no Orçamento da União previsto para este ano.
Nesse grupo seleto de maiores devedores, estão casos como o do empresário Laodse de Abreu Duarte, que é um dos diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ele é o número um dessa indesejável lista entre pessoas físicas. Já entre empresas, figuram devedores como a já quebradas Varig e Vasp, mas também a Vale, a antiga Parmalat (Carital Brasil) e Petrobras.
Laodse, que já foi condenado à prisão por crime contra a ordem tributária, mas ainda está com o processo em aberto porque recorreu, concentra R$ 6,9 bilhões de débitos de difícil recuperação. Para se ter uma ideia, o empresário deve mais ao governo federal que os estados da Bahia, Pernambuco ou qualquer um dos outros 16 governos estaduais.
Um dos motivos para a dívida do diretor da Fiesp é a mesma de seus dois irmãos, Luiz Lian e Luce Cleo, que também ultrapassam os prejuízos de R$ 6,6 bilhões. Isso porque a família foi processada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional por uma de suas empresas, a Duagro, que deve um total de R$ 6,84 bilhões ao governo.
De acordo com o processo tributário, a empresa se empenhou em operações de compra e venda de títulos da Argentina e dos Estados Unidos, sem pagar os impostos devidos entre 1999 e 2002. A Duagro "fraudou a fiscalização tributária", apontou a Procuradoria.
Ainda, os investigadores desconfiam que a empresa realmente tenha firmado títulos, uma vez que alguns não foram sequer registrados na contabilidade, lançando a suspeita de que a empresa serviu como "laranja" em esquema de "sonegação ainda maior, envolvendo dezenas de outras renomadas e grandes empresas, cujo valor somente poderá vir a ser recuperado, em tese, se houver um grande estudo do núcleo central do esquema".
De acordo com o site de busca judicial Escavador, a empresa mencionada, Duagro S/A Administração e Participações, possui 7 processos, sendo dois movidos pelo Banco do Brasil, todos protocolados em 2014 e três estendendo-se até este ano.
Mas não é só referente à Duagro que o empresário e um dos diretores da Fiesp está envolvido. Investigações sobre evasões de divisas e crimes tributários relacionados a Laodse de Abreu Duarte recupera o caso do escândalo do Banestado.
Duarte teve uma de suas empresas, ligada a comércio e exportação de grãos, indicada no esquema do mensalão como recebedora de sete pagamentos de Marcos Valério. Também foi indiciado pela CPI do Banestado, em 2004. Sobre esses casos, o empresário negou qualquer ligação.
"Não mantive relação comercial ou pessoal com os mencionados e não respondo a processo ou procedimentos que tenham ligações ou relacionados a estes", disse, em nota, ao Estado de S. Paulo.
Ainda, em 2003, o empresário chegou a ser condenado por participar de esquema de falsificação de operações de exportação de soja que superaram os US$ 60 milhões. Neste caso, a sentença foi de cinco anos de prisão, mas teve a pena convertida em domiciliar. Em resposta, afirmou que entrou com recurso à sua condenação e aguarda análise do Judiciário.
Outra suspeita contra Laodse de Abreu Duarte foi investigada em 2006, quando o Ministério da Justiça solicitou colaboração aos Estados Unidos para apurar a suspeita de lavagem de dinheiro e crimes financeiros supostamente praticados pelo empresário, por João Francisco Daniel, irmão do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, e Geraldo Rondon da Rocha Azevedo. Mas o inquérito foi arquivado em 2010. A esse respeito, o empresário negou ter "relação de qualquer espécie" com os dois investigados.
Já sobre o caso atual da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Duarte informou que não houve julgamento ou condenação, o que "torna precipitado qualquer conclusão ou juízo". Mas nega que a Duagro tenha participado do esquema de sonegação fiscal.
Ainda, outra das empresas de Laodse de Abreu Duarte, a J.B. Duarte SA, que leva o nome da família, teve a sua contabilidade analisada por uma consultoria autônoma, em abril deste ano.
Registrada como uma sociedade anônima de capital aberto, constituída em 1936 e sede São Paulo, as atividades registradas da empresa está focada na participação em outras sociedades e desenvolvendo atividades próprias na área de reflorestamento.
Mas o balanço patrimonial da companhia, entre os anos de 2014 e 2015, não foi positivo. O resultado líquido da empresa ao final do exercício de 2015, foi negativo em R$ 4.221 mil, contra um resultado negativo de R$ 10.234 mil ao final do exercício de 2014.
No documento da auditoria, a análise responsabilizou o cenário econômico e político do Brasil do último ano para justificar o balanço. De acordo com a JPPS Auditores Independentes, o "quadro econômico, político e social permaneceu confuso e sem definição até o final do exercício de 2015, e continuou a se agravar no primeiro semestre de 2016", sendo que o que "contribui para a atual situação a dificuldade de conjugação de esforços dos políticos em torno da aprovação do impedimento da atual presidente da República e de medidas a serem propostas por um novo governo venha a propor, caso o impedimento venha a ocorrer".
Ainda, de acordo com o balanço encaminhado aos sócios da empresa, "o único dado positivo que temos até o presente momento (abril/2016), refere-se a da redução da inflação, cuja projeção para o final do exercício de 2016, mostra a possibilidade de fechamento do atual exercício (2016) ao redor dos 7%".
"Os demais fatores anteriormente considerados, ou seja, o agravamento do clima político, o nível dos juros, a apreciação do valor do dólar, o aumento dos gastos de custeio da máquina governamental, o aumento do nível de desemprego, a permanente queda da produção industrial e a perversa perspectiva da situação financeira internacional, permanecem totalmente indefinidos, com perspectivas de alteração caso um novo governo venha efetivamente a ser instalado", concluiu a análise (leia aqui a íntegra do arquivo).
Em nota à imprensa, a Fiesp respondeu que "não tem qualquer vínculo ou responsabilidade sobre questões pessoais, profissionais ou empresariais de seus diretores e conselheiros" e que trabalha visando "o bem do Brasl" por meio de seus projetos do Sistema Sesi/Senai. Entretanto, o sistema S é mantido pelo governo federal.
Além dos devedores pessoa física, entram no ranking topo dos maiores prejuízos à União empresas como a Carital Brasil, antiga Parmalat. A empresa é a segunda da lista de maiores débitos, com um prejuízo de R$ 25,4 bilhões à União, sendo superada apenas pela Vale S.A, com R$ 43,3 bilhões de dívida consolidada.
O Diário Oficial do Estado de São Paulo, do dia 1 de outubro de 2010, publicou notas explicativas às demonstrações financeiras de dezembro de 2008 e de 2009. As notas explicam as condições de controle da então matriz italiana Parmalat SpA, já alvo à época de processos administrativos (acesse aqui o DOSP).
Apesar de também estar incluída na lista, na posição de terceiro lugar, a Petrobras já teve a sua dívida ativa de R$ 15,62 bilhões parcelada e sendo paga ao governo, nos últimos anos.
Os dez inscritos na Dívida Ativa da União com os maiores débitos:
1- Vale S.A: R$ 43,3 bilhões*
2- Carital Brasil Ltda. (ex Parmalat Participações): R$ 25,4 bilhões
3- Petróleo Brasileiro S.A (Petrobras): R$ 16 bilhões
4- Indústrias de Papel R.Ramenzoni: R$ 9,9 bilhões
5- Duagro S.A Administração e Participações: R$ 6,7 bilhões
6- Viação Aérea São Paulo S.A (Vasp): R$ 6,36 bilhões
7- Manole Jancu: R$ 6,34 bilhões
8- Banco Bradesco S.A: R$ 5 bilhões
9- Viação Aérea Rio-Grandense S.A (Varig) (falida): R$ 4,7 bilhões
10- American Virginia Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Tabaco: R$ 4,2 bilhões
*Valores da dívida consolidada. Podem incluir montantes parcelados ou suspensos pela Justiça

Glenn Greenwald, repórter investigativo internacional conhecido mundialmente, critica o monopólio e tendenciosidade da mídia dos Marinhos, Frias, Mesquitas, Civitas e lança o The Intercept em português



O jornalista investigativo norte-americano Glenn Greenwald, Prêmio Plutizer e conhecido mundialmente por ter tornado público, com provas, a espionagem norte-americana por meio do ex-agente da CIA Edward Snowden no jornal britânico The Guardian, lançou a versão em português de seu portal de notícias, o The Intercept. Em um texto de apresentação da página, ele faz críticas pertinentes ao monopólio da mídia no Brasil.
"Há muito tempo, o quinto país mais populoso do mundo é dominado por um número reduzido de veículos de comunicação, dos quais a grande maioria apoiou o golpe de 1964 e os 21 anos da violenta ditadura de direita que se seguiram. Essas instituições ainda pertencem às mesmas cinco famílias extremamente ricas e poderosas", diz ele, acrescentando que o "monopólio resultou em um mercado de comunicação que asfixia a diversidade e a pluralidade de opiniões".

Veja o texto do 247 sobre isto:

Greenwald critica monopólio da mídia e lança The Intercept em português

:
Jornalista norte-americano, que denunciou recentemente a fraude da pesquisa Datafolha, destaca a "reação extraordinária" às reportagens do portal no Brasil e diz que "ficou claro que há um enorme apetite por formas alternativas de jornalismo no país"; "Há muito tempo, o quinto país mais populoso do mundo é dominado por um número reduzido de veículos de comunicação, dos quais a grande maioria apoiou o golpe de 1964 e os 21 anos da violenta ditadura de direita que se seguiram. Essas instituições ainda pertencem às mesmas cinco famílias extremamente ricas e poderosas", diz ele em um texto de apresentação, acrescentando que o "monopólio resultou em um mercado de comunicação que asfixia a diversidade e a pluralidade de opiniões"

247 – O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, conhecido por tornar públicos os segredos do ex-agente da CIA Edward Snowden no jornal britânico The Guardian, acaba de lançar a versão em português de seu portal de notícias, o The Intercept. Em um texto de apresentação da página, ele faz críticas ao monopólio da mídia no Brasil.
Ele cita que os artigos do portal escritos em inglês e português têm tido uma "reação extraordinária" e que o público tem "crescido rapidamente". Greenwald, que recentemente denunciou a fraude da pesquisa Datafolha que escondeu números aos leitores, diz que "ficou claro que há um enorme apetite por formas alternativas de jornalismo no país".
"Há muito tempo, o quinto país mais populoso do mundo é dominado por um número reduzido de veículos de comunicação, dos quais a grande maioria apoiou o golpe de 1964 e os 21 anos da violenta ditadura de direita que se seguiram. Essas instituições ainda pertencem às mesmas cinco famílias extremamente ricas e poderosas", diz ele, acrescentando que o "monopólio resultou em um mercado de comunicação que asfixia a diversidade e a pluralidade de opiniões".
"Acreditamos que a sede por um jornalismo mais independente, pluralístico e destemido vai além da crise política pela qual passa o país. Ao simplesmente ignorar grande parte da população, os grandes veículos de comunicação brasileiros mascaram os principais desafios sociais e econômicos presentes, assim como a diversidade de opiniões e movimentos existentes no país", afirma. Ele define os jornalista e blogueiros independentes no Brasil como uns dos "mais dinâmicos e talentosos do mundo".
Leia aqui a íntegra do texto e conheça aqui a equipe do novo site.

Gilmar Mendes e a máfia do Golpe.... Que raios de "Justiça" existe no Brasil, afinal?



Por que um jantar entre Gilmar e Temer para discutir estratégia do impeachment não causa estranheza?

Do site Justificando 
 Como um jantar promovido por ruralistas para o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral e Ministro da Suprema Corte, Gilmar Mendes, e o Presidente Interino Michel Temer a fim de discutir estratégias para assegurar o impeachment não choque o noticiário nacional?
O encontro aconteceu ontem, na casa do ministro interino ruralista Blairo Maggi, que foi governador do Estado do Mato Grosso, terra natal de Gilmar. Ao jornal O Globo, insuspeito para servir de assessoria do governo interino, senadores da base aliada disseram que uma das estratégias seria antecipar a votação do impeachment, artifício oportuno, uma vez que Temer perde popularidade a cada dia que passa.
E assim, às claras, sem qualquer receio de constrangimento, um Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, figura fundamental para o processo político articula uma manobra para beneficiar um político e prejudicar outra. Gilmar ocupa cargo fundamental para a política do executivo nacional, pois, dentre outras participações, julgará a chapa Dilma/Temer por uso de verba de campanha. Enfim, como pode um sujeito dessa função fazer o que ele faz?
Gilmar pode. Como disse Gustavo Gindre - não o conheço, mas pela sua postagem tem um senso de justiça maior do que a grande maioria dos juristas -, ele pode muito. Se você tiver dificuldade em saber as razões, sente-se e assista o programa Coisas que Você Precisa Saber. Junto a Igor Leone, tive a chance de escrever uma mini biografia sobre essa figura. Deixei muita coisa de fora, infelizmente, pois a modernidade não costuma consumir conteúdos que ultrapassem um determinado tempo. Mas a minibiografia dele está aqui:
Por que a mídia não aborda em extensos editoriais o jantar de ontem? Será que a pauta não é relevante?
A questão sempre pode ser respondida com o inverso: imagine Ricardo Lewandowski, Presidente do Supremo que será o responsável por conduzir o julgamento do impeachment, jantando com Dilma, Lula e a base do PT para discutir estratégias que assegurem a volta da Presidenta? Aí sim, a pauta ganharia relevância, entende?
O pior é que não é a primeira vez que Gilmar arregaça as mangas para trabalhar como político - entenda, não há problema algum em ter sua militância partidária, desde que você não seja um ministro do Supremo, óbvio. Gilmar poderia fazer exatamente o que faz de forma legítima, apenas deveria estar na tribuna de uma das casas do legislativo, simples.
Como que a outra parte vai estar em pé de igualdade quando o juiz se vale de táticas não jurídicas ou processuais, mas apenas políticas, em um jantar que não houve convite para todos. Apenas um teve o privilégio de cochichar no ouvido de Sua Excelência.
A existência de um ministro como Gilmar é um deboche a qualquer país que se pense como uma democracia séria, no qual, como dizem os cínicos, as instituições funcionem. 
Brenno Tardelli é diretor de redação do Justificando.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Veja um sumário da (I)moralidade dos golpistas, heróis dos agressores de Letícia Sabatella



Idec avisa: consumidor pode ser outra vítima do (des)governo Temer

Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Ana Paula Bortoletto diz que riscos ambientais e para saúde são maiores com governo interino e instabilidade
Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)
O direito do consumidor à informação está ameaçado. No Senado, um projeto de lei – relatado pelo suplente do Ministro da Agricultura – pode retirar a obrigatoriedade dos rótulos para produtos transgênicos. Confirmando o que foi aprovado, em 2015, na Câmara dos Deputados. Uma pesquisadora do Idec, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, diz que a instabilidade política joga a favor da aprovação – e convida a sociedade a se mobilizar contra.
Para Ana Paula Bortoletto, que também faz parte de um grupo de pesquisa na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), são grandes as chances de retrocesso em relação aos direitos sociais, em meio ao governo interino de Michel Temer. “E isso inclui o direito do consumidor à informação clara, correta, sobre o que está sendo ofertado no mercado e quais os riscos que os produtos apresentam para a saúde, ou o impacto ambiental dos alimentos”.
Ana Paula observa que nos governos anteriores a situação já não era favorável. Os alimentos transgênicos foram aprovados em 2003, no início do governo Lula. “Desde então o número de sementes no mercado vem aumentando, assim como os agrotóxicos. Agora a gente corre riscos ainda maiores”. Na Câmara esse projeto de lei foi apresentado em 2008 pelo deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), e foi aprovado no ano passado. No Senado, está sendo relatado, na Comissão de Agricultura, pelo senador Cidinho Campos (PP-MT), dono de frigorífico no Mato Grosso.
Campos assumiu o cargo por ser suplente do senador eleito Blairo Maggi (PR-MT), hoje ministro da Agricultura. “Os dois pertencem à bancada ruralista, que defende os interesses do agronegócio”, diz Ana Paula. “Na Comissão da Agricultura a maioria dos senadores tem algum conflito de interesses em relação a apoiar os grandes produtores de soja, de commodities”. O deputado Heinze ficou conhecido por se referir a indígenas, quilombolas, gays e lésbicas, em um discurso no Rio Grande do Sul, como “tudo o que não presta”.
A pesquisadora menciona ações concretas que indicam retrocesso no direito à alimentação, como a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário e o corte de verbas para políticas públicas que beneficiam a agricultura familiar. “Está claro esse caminho”, diz. Em seu doutorado na USP, ela constatou que as famílias beneficiárias do Bolsa Família consumiram mais alimentos que diversificam e melhoram a qualidade da alimentação. Medidas que facilitem a liberação de agrotóxicos podem prejudicar essas famílias, que possuem menos acesso a alimentos orgânicos.
O senador Cidinho Santos foi eleito em 2010, com patrimônio declarado de R$ 6,5 milhões. Ele tinha, na época, quatro áreas rurais que somavam 874 hectares. E, principalmente, metade do capital do frigorífico União Avícola Agroindustrial, no valor de R$ 5,4 milhões, além da participação em outra empresa agropecuária, a MC. É réu no escândalo que ficou conhecido como “máfia das sanguessugas”, pelo suposto superfaturamento de ambulâncias no período em que foi prefeito de Nova Marilândia.
Santos esteve na quarta-feira com o presidente interino, Michel Temer, apresentando “demandas da agroindústria”, como simplificação de impostos e perdão de dívidas de empresários. Um dia antes, o senador articulou uma reunião entre o ministro Maggi e representantes do setor lácteo.
O Idec tem uma página contra o fim dos rótulos nos transgênicos, onde o consumidor é convidado a se manifestar contra cada senador: “Fim da rotulagem dos alimentos transgênicos: diga não!”
DE OLHO NOS RURALISTAS
A entrevista com Ana Paula Bortoletto foi feita para o segundo programa-piloto produzido pelo observatório jornalístico De Olho nos Ruralistas. Nos próximos dias publicaremos mais trechos. O primeiro programa foi com a professora Larissa Bombardi, da Geografia-USP, com dados sobre a Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil. Nos próximos dias divulgaremos outros trechos do programa com a pesquisadora do Idec.
|| De Olho nos Ruralistas é um observatório sobre agronegócio no Brasil; sobre ambiente, alimentação, conflitos. E, até o dia 10 de agosto de 2016, está em campanha de financiamento. Para contribuir, clique aqui: http://bit.ly/1sCYNBQ ||

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Devido ao Golpe e às sandíces midiáticas e dos chamados "coxinhas", ausência de líderes internacionais na abertura do Rio 2016 será recorde



Golpe político no Brasil gerou situação constrangedora: apesar de ser a primeira vez que os Jogos Olímpicos ocorrem na América do Sul, festa de abertura amargará um recorde de ausências internacionais. Das 206 nações representadas, apenas 45 delas terão líderes presentes no evento. Há 4 anos, em Londres, foram 95.

Texto de Kiko Nogueira, extraído do Diário do Centro do Mundo

Alguém já apontou que não faz sentido José Serra, um sujeito sem amigos que não conhece nenhum vizinho, ocupar um alto cargo na diplomacia.
Temos um elemento novo nessa história: se Serra não junta a família para comer uma pizza em seu aniversário, como esperar que ele convença alguém a comparecer à festa de abertura da Olimpíada?
O chanceler anunciou com pompa a presença de 45 chefes de estado na Rio 2016. O número é altamente suspeito, mas vamos lá. Os mais VIPs são o premiê francês François Hollande, o primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi, o presidente da Argentina Maurício Macri, o da Colômbia Juan Manuel Santos e o do Paraguai Horacio Cartes.
Ban Ki Moon, secretário geral da ONU, também falou que vem. Os EUA vão enviar o secretário de defesa John Kerry — que recebeu, nesta semana, uma carta de congressistas americanos pedindo que tome cuidado para não sinalizar apoio ao governo do impeachment.
O ministro das Relações Exteriores se auto elogiou, garantindo que a recepção será realizada num prédio “muito bonito, com estátuas de todos os heróis das Américas que lutaram pela independência de seus países.”
É o menor número de dignitários das últimas edições: Londres recebeu 95, Pequim 82 e Atenas 48. Não deveria ser assim. Afinal, esta é a primeira vez que os Jogos ocorrem na América do Sul; 206 nações estarão representadas.
O baixo quórom deve ser debitado na conta do golpe. A Associated Press ouviu a professora de direito internacional da USP Maristella Basso. Para ela, fica a dúvida sobre que mão um presidente de outro país vai apertar num ambiente de tamanha incerteza. “É uma situação bizarra. Não é ocasião de festa para o Brasil, olhe a bagunça”, diz.
Além disso, se somos uma zona institucional, como é que poderíamos transmitir qualquer tipo de sensação de segurança?
A coletiva desastrosa do ministro da Justiça Alexandre de Moraes contando vantagem sobre a prisão de dez “terroristas” teve o efeito que se esperava: ao menos 20 mil pessoas devolveram os ingressos.
Se antes podíamos nos considerar alvos remotos do Estado Islâmico, agora estamos oficialmente no mapa de assassinos fanáticos religiosos. Na chegada à Vila Olímpica, a delegação da Austrália encontrou uma pocilga com vazamentos, gatos na eletricidade e mau cheiro.
Você iria a uma festa num lugar desses?
Mas nem tudo está perdido. Numa visita à Cidade do México, José Serra ofereceu algumas palavras de conforto e otimismo. Segundo ele, o país precisa estar “o mais preparado e também pedir a Deus que nada ocorra”.
Moralmente, a Rio 2016 de Temer e seus amigos já começa tomando de 7 a 1.
Kiko Nogueira, DCM

Esmael Morais: Boa notícia aos professores do Paraná: Beto Richa sofreu a 1ª condenação por massacre


richa_massacreOs educadores paranaense retornaram às aulas nesta segunda-feira 1º com uma notícia alvissareira: o governador Beto Richa (PSDB) sofreu a primeira condenação judicial por causa do massacre ocorrido em 29 de abril do ano passado.


Palácio Iguaçu comemorou ataque a bombas:
Abaixo, leia o informe da APP-Sindicato:
Governo do Estado terá que pagar indenização por massacre do dia 29 de abril
No dia 11 de julho, o 15º Juizado Especial da Fazenda Pública de Curitiba deu causa ganha ao professor Arnaldo dos Santos, que juntamente com a Secretaria de Assuntos Jurídicos da APP-Sindicato, entrou com uma ação judicial contra o Estado do Paraná, por conta das agressões, físicas e morais, que sofreu no dia 29 de abril de 2015.
Essa é a primeira ação ganha, das abertas pela APP, contra o Estado que busca indenizar os(as) professores(as) e funcionários(as) de escola vítimas da truculência ocorrida naquele dia, atos abusivos e desproporcionais praticados pela Polícia Militar a mando do Secretário de Segurança, Fernando Francischini.
O professor Arnaldo, assim como muitos educadores(as), registrou um Boletim de Ocorrência no dia e precisou ser atendido no Hospital Universitário Cajuru, sendo afastado do trabalho para tratamento de saúde por 5 dias, ficando evidente a gravidade da agressão sofrida.
O Estado ainda tentou alegar que os agentes estariam agindo dentro da lei, obedecendo ordens superiores e ainda, culpando os(as) educadores(as) por, mesmo cientes da possibilidade de uso de força policial permaneceram no lugar, assumindo assim o risco de se ferirem. O fato é que a Constituição Federal e a Convenção 87 de OIT preveem a proteção da liberdade sindical, sendo direito do(a) civil e servidores(as) manifestarem-se acercas de suas ideologias e direitos. Inclusive, o próprio Ministério Público do Paraná (MP-PR) ajuizou uma ação pública contra o governador Beto Richa (PSDB) por atos de improbidade administrativa, sendo apontado como um dos responsáveis pela operação policial realizada no Centro Cívico.
Os(as) educadores(as) estavam ocupando o espaço público da Praça Nossa Senhora da Salete, com o intuito de demonstrar sua posição de reprovação do PL 252, estando assim, com absoluto direito de manifestar sua opinião e ideais. Também ficou comprovado o uso de força física desproporcional e desarrazoada quando comparado com os(as) professores(as) e funcionários(as) de escola desarmados(as), sem oferecer perigo para os agentes e nem pretensão de ocupar o prédio da Assembleia Legislativa do Paraná.
Dessa forma, a juíza Letícia de Paula Eduardo Bonatto, alegou que o réu Estado do Paraná deve ser responsabilizado pela conduta de seus agentes, punindo-o pela supressão dos direitos fundamentais dos(as) cidadãos(ãs) e pelo uso arbitrário da violência, bem como o desestimulando a cometer novas condutas ilegais e violentas quando se deparar com manifestações. O professor Arnaldo receberá do Estado uma indenização em dinheiro por danos materiais e morais.
Para o Secretário de Assuntos Jurídicos da APP, professor Mário Sérgio Ferreira a questão da busca por indenização vai muito além do valor que cada professor(a) vai receber. “Essa condenação é para que o Estado veja que não se pode agir quando a população se manifesta, com essa violência. É necessário sim proteger o patrimônio público, mas ele também tem que proteger o cidadão, o cidadão que tem direito de se manifestar”, explica.
Fonte: Blog do Esmael Morais



Filho de envolvido no escândalo do Banestado agride Letícia Sabatella, por Bob Fernandes

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Leio que Gustavo Abagge é o cara que chamou Leticia Sabatella de "puta" na manifestação de Curitiba. Gustavo seria filho de Nicolau Elias Abagge, ex-presidente do Banestado, do Paraná.

Na farra das contas CC-5 este banco, entre outros, tornou-se símbolo de lavanderia de dinheiro porco; sonegado, na melhor das hipóteses. Por ele, e outros, fortunas — me lembro de certo Bilhão — eram enviadas para paraísos fiscais.

Quem conheceu as listas de dinheiro enviado pra fora via gambiarras nas CC-5 sabe que muitos do que agora bradam, e vários dos que mancheteiam contra a "córrupissão" estavam naquela farra.



Conheci tais listas porque em 34 páginas escrevi, em Maio de 98, a única edição extra de Carta Capital, "Brasil: a maior lavagem de dinheiro do mundo". Tratava desse tema, toda a edição.

Lembrar daquela longa apuração e ver certos tipos pontificando sobre "ética" nas ruas, mídias e redes, provoca engulhos: como conseguem ser tão cínicos, tão hipócritas?

Mas voltando à Sabatella, aos zurros curitibanos, e ao cara que é filho do cara, uma constatação: a neurociência avançou barbaridades, a farmacopéia idem, mas o velho e bom Freud ainda explica muito...

Bob Fernandes

Rascunho Epistemológico: O fariseus de Temer e o medo das mulheres que sabem gozar, por Wellington Pereira





  O gozo das elites brasileiras não atingiu o clímax: falta prender Lula. A prisão do ex-presidente, nordestino, analfabeto, para a classe dominante (e por favor não se sinta ofendido, porque a classe dominante no Brasil é dona de tudo mesmo e não tem empego público e, ao contrário de nós, não paga impostos e tem dinheiro para fazer análise) é uma espécie de Santo Graal da Política. Enquanto isso, jovens herdeiros das dominações com dinheiro público agridem atrizes, compositores, artistas em geral, nas ruas do Brasil. Uma mulher - classe média - chama uma atriz de puta, um termo que a cultura judaica-cristã tirou do domínio dos fariseus. Jesus nunca teve medo das putas, por isso devolveu as pedras atiradas em Maria de Magdalena à hipocrisia dos poderosos de seus tempo. Mas o debate político no Brasil é reles: quer agredir a essência do Ser a partir da separação entre corpo e alma. As elites podem comprar seus gozos, estranhos, fragmentados, escópicos, mas a classe média - entrando no terreno da moralidade política - pensa ter o mesmo poder de gozo. Ora, o gozo dos que xingam de puta mulheres, artistas e atrizes é vicário, de segunda e terceira categorias. Os fariseus do governo Temer são os mesmos: escolhem as putas como bodes expiatórios para justificar a falsa moralidade. É o medo das mulheres que sabem gozar com arte e estética, por isso chamaram a atriz Letícia Sabatella (foto) de puta.

Wellington Pereira é professor de Sociologia e Comunicação na Universidade Federal da Paraíba, UFPB