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quarta-feira, 31 de maio de 2017

TV GGN - Aécio dá risada quando Parrella diz: "Só trafico drogas"



Por volta dos 2 minutos e 50 segundos da conversa entre Aécio e o dono do Helicoca, Perrella, então, comentou: "Eu não faço nada de errado, eu só trafico drogas", e Aécio, em resposta, dá uma risada tímida.

Assista ao vídeo da TV GGN e leia o texto do Jornal GGN:


Jornal GGN - Um grampo da Polícia Federal no âmbito da Lava Jato registrou Aécio Neves dando uma bronca em Zezé Perrella por falta de lealdade, na época em que o senador tucano apareceu como um dos mais implicados na chamada lista de Janot 2.0 - um pacote de pedidos de inquérito ao Supremo Tribunal Federal com base nas delações da Odebrecht.
O grampo foi divulgado por alguns portais na noite de segunda (29), mas a maioria usou o áudio editado. Na íntegra da gravação, Perrella diz que só se vangloriou de não estar na lista de Janot porque poderia usar isso para dizer que estava "limpo" àqueles que até hoje questionam seu envolvimento com o episódio do helicóptero apreendido com quase meia tonelada de pasta de cocaína, em 2013.
Por volta dos 2 minutos e 50 segundos, Perrella, então, comentou: "Eu não faço nada de errado, eu só trafico drogas", e Aécio, em resposta, dá uma risada tímida.
Em seguida, Aécio disse que buscou Perrella para conversar porque eles estão no "mesmo campo político" e precisam manter a união. "Se a gente começar a nos separar e começar cada um achar que se salva sozinho, acabou amigo."
Aécio disse a Perrela que não precisa "provar" o quanto o ajudou "na vida" e é pela relação de "amizade" que se deu a liberdade de dizer que poucas vezes viu uma declação "tão escrota" quanto a que foi publicada pela Rádio Itatiaia. "[Perrella] Colocou todo mundo no mesmo mar de lama", disse Aécio.
"Não fica chateado, não, você sabe que eu te adoro", afirmou Perrella, prometendo dar uma declaração à rádio em favor de Aécio e Antonio Anastasia. "Tá bom. Mas foi por isso que eu te liguei. Eu te adoro também. Se na hora que a gente tá tomando porrada pra caralho não aparecer um amigo, olha...", rebateu Aécio.
No início da conversa - no trecho divulgado por alguns portais - Aécio disse que Perrella não pode se distanciar dos investigados por caixa 2 na Lava Jato porque sua campanha foi financiada "exatamente como a minha e do Anastasia".
"A não ser, Zezé, que a sua campanha foi financiada na Lua, ou pela [empresa de] semente lá sua, ou pela quentinha do Alvimar. Nossa campanha foi a mesma, Zezé”, afirmou.
"A expressão 'quentinha do Alvimar' refere-se à empresa de Alvimar Perrella, irmão de Zezé, a Stillus Alimentação. A companhia foi denunciada pelo Ministério Público em 2014 por suspeita de participação em esquema de fraude em licitações de fornecimento de comida a presídios em Minas Gerais", publicou o Poder 360.
Já a "sementinha" diz respeito a um suposto esquema de corrupção envolvendo o fornecimento de sementes pela Epamig, do governo mineiro, para fazenda da Limeira, de Perrella. Além de fornecer a matéria prima, a empresa pública comprava a produção da família Perrella para que os alimentos fossem usados no programa "Minas Sem Fome". A contratação, sem licitação, é investigada pelo Ministério Público de Minas Gerais.
As investigações em torno da JBS mostram que, para a Polícia Federal, empresa da família Perrella ajudou Aécio a lavar R$ 2 milhões que o senador mineiro recebeu de Joesley Batista.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Os 39 kg de cocaína de Escobar versus a meia tonelada do helicoca. Por Paulo Nogueira



Reflitamos juntos.
Pablo Escobar virou celebridade na Colômbia quando foi apanhado com 39 quilos de cocaína.
A imprensa colombiana notou: havia um novo rei do tráfico no país.
No Brasil, o helicóptero de um senador é apanhado com meia tonelada de pasta de cocaína e, bem, e não acontece nada.
A Polícia Federal, tão operosa e tão espetaculosa quando se trata de vazar informações ou pseudoinformações e de prender os suspeitos de sempre, não esclarece nada.
E a imprensa tratou o assunto como se tivesse sido encontrada meia tonelada de pasta de amendoim. (O único esforço de reportagem foi do DCM. Graças à contribuição de seus leitores, pudemos investigar o caso. Produzimos um documentário que pode ser visto aqui. O responsável pelos trabalhos, Joaquim Carvalho, está agora investigando a Lista de Furnas, e outra vez pedimos sua ajuda para financiar a reportagem.)
Em suma: 39 quilos semearam a fama mundial de Escobar. Meia tonelada semeou coisa nenhuma.
Há uma única razão para isso.
É que o dono do helicóptero, o senador Perrela, é amigo de Aécio.
Blindagens se transmitem.
E amigo de baladas, como mostram fotos em que os dois não estão exatamente sóbrios.
O silêncio criminoso da mídia sobre o helicoca veio em hora boa para Aécio, em plena campanha presidencial.
Isso tem que ser lembrado sempre: Aécio conseguiu perder mesmo com uma operação fabulosa de favorecimento pela imprensa.
Mas o helicoca sobreviveu na mente e na consciência de quem não se deixa manipular por jornais e revistas altamente comprometidos.
Meses atrás, Luciana Genro evocou-o numa treta no Twitter com Feliciano.
Luciana defende, com razão, a descriminalização das drogas. Pablos Escobares nascem exatamente da guerra às drogas.
Ela expôs sua tese no Twitter. E afirmou que há traficantes até no Congresso.
Feliciano pediu que ela explicasse isso. E ela citou o helicóptero do senador Perrela.
O resultado é que quem teve dor de cabeça com o helicóptero não é seu dono, mas Luciana. Perrela foi recompensado por Temer por seu apoio ao impeachment. Seu filho arrumou uma sinecura na CBF.
E então nós ficamos assim.
Menos de 40 quilos consagraram o banditismo histórico de Pablo Escobar – cuja história você pode ver na brilhante série Narcos, da Netflix, agora na segunda temporada.
Meia tonelada de pasta consagrou a impunidade de um certo grupo privilegiado de brasileiros para os quais pau que bate em Chico não bate em Francisco.
O texto acima foi publicado originalmente neste mesmo dia de 2015. É republicado agora, com ligeiras adaptações, por ocasião do lançamento da segunda temporada de Narcos.
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Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Roberto Requião: Temer que comprar o Senado para forçar o Golpe de todo o jeito


:


Sem os votos necessários para consolidar o impeachment, o interino Michel Temer vem reforçando o assédio sobre senadores indecisos, que ainda não decidiram se irão condenar a presidente Dilma Rousseff pelas "pedaladas fiscais"; “O Temer está comprando a bancada. É uma compra explícita de apoio”, denuncia o senador Roberto Requião (PMDB-PR); na luta para conseguir votos, Temer já nomeou o filho de Zezé Perrella (PTB-MG), dono de um helicóptero apreendido com 450 quilos de cocaína, prometeu uma secretaria a Romário (PSB-RJ) e negocia apoios a parlamentares em disputas municipais, como é o caso de Omar Aziz (PSD-AM); ele também recebeu pedidos inusitados, como o de Hélio José (PMDB-DF), que queria a presidência de Itaipu e dos Correios

Paraná 247 – Uma reportagem dos jornalistas Pedro Venceslau e Valmar Hupsel Filho (leia mais aqui) revela como o interino vem tendo que barganhar votos para consolidar o impeachment, ainda não garantido da presidente Dilma Rousseff.
Diante das negociações nada republicanas, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) não usou meias palavras para denunciar o toma-lá-dá-cá. “O Temer está comprando a bancada. É uma compra explícita de apoio”, afirmou.
O caso mais curioso é o do senador Hélio José (PMDB-DF), conhecido como Hélio Gambiarra. "Ele pediu 34 cargos, entre os quais a presidência de Itaipu, Correios, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e até o comando do BNDES", diz a reportagem.
Temer já nomeou Gustavo Perrella, filho de Zezé Perrella (PTB-MG), dono de um helicóptero apreendido com 450 quilos de cocaína, para uma secretaria dos Esportes, prometeu uma secretaria voltada para deficientes e pessoas especiais a Romário (PSB-RJ) e negocia apoios a parlamentares em disputas municipais, como é o caso de Omar Aziz (PSD-AM).
Ontem, para intensificar o corpo a corpo, ele foi ao aniversário de Wilder Morais (DEM-GO).

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Auditoria aponta prejuízo milionário em negócio de Aécio e Anastasia com os Perrella do Helicóptero da cocaína



Uma auditoria da CGE (Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais) apontou que contratos firmados entre duas estatais mineiras e parentes e um funcionário do senador Zezé Perrella (PTB-MG) causaram prejuízos de R$ 18,9 milhões aos cofres públicos entre 2007 e 2011, nos governos dos tucanos Aécio Neves e Antônio Anastasia.


As supostas irregularidades foram encontradas no âmbito do programa Minas Sem Fome, uma ação do governo mineiro voltada a famílias de agricultores.


Segundo auditores, cerca de 2.400 toneladas de sementes de arroz, feijão, milho e sorgo foram pagas com dinheiro público, mas não foram entregues para os beneficiários do programa.


Os contratos investigados pela CGE eram termos de cooperação técnicas assinados entre a Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), a Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais), a empresa Limeira Agropecuária e os produtores individuais Geraldo de Oliveira Costa e Manoel Luiz Silveira Pinhão.


A Limeira Agropecuária pertence aos sócios Gustavo Perrella, Carolina Perrella e André Almeida Costa. Gustavo e Carolina são filhos do senador e André é filho de Geraldo, irmão de Perrella. O próprio senador foi sócio da Limeira até 2008.


Manoel Pinhão também tem ligação com os Perrella: chegou a ser nomeado assessor no Senado em 2011.


Pelos contratos, a Epamig repassava sementes especiais de arroz, feijão, milho e sorgo "sem ônus" para os produtores ligados ao senador. Após o plantio, a Epamig comprava de volta o produto e a Emater-MG ficava responsável pela distribuição das sementes para os beneficiários do programa. Ao analisar recibos, os auditores concluíram que não há provas de que as 2.400 toneladas de sementes foram de fato entregues a agricultores do Estado.


Na lista de irregularidades feita pelos auditores, estão a falta de notas fiscais ou notas sem a certificação de funcionários das estatais.


Em um dos casos, os auditores desconfiaram do destino de 620 mil quilos de sementes. Ao checar o local em que elas teriam sido armazenadas, concluíram que não havia capacidade para acomodar a quantidade de grãos.


O relatório aponta também superfaturamento na negociação de sementes.


Na compra de milho do tipo BR 106, a Epamig pagou preço R$ 1,65 maior por quilo em relação ao valor de mercado, o que gerou prejuízo de R$ 26 mil. Numa operação considerada atípica, a Epamig adiantou um pagamento de R$ 2,8 milhões à Limeira Agropecuária.


Os auditores encaminharam ao Ministério Público de Minas relatório recomendando que os gestores da Epamig e da Emater-MG e os produtores rurais ligados a Perrella devolvam R$ 18 milhões.


O Ministério Público já abriu processo por improbidade em relação a esses contratos porque eles não passaram por licitação. A Justiça concedeu liminar, em 2014, bloqueando bens da família de Perrella em R$ 14 milhões.


Outro lado


A defesa do senador Zezé Perrella diz que ele "é perseguido por um promotor" do Estado e que já prestou todos os esclarecimentos no caso. Afirma ainda que não houve nada de irregular nos contratos com a Epamig e Emater.


A Epamig, por meio de sua assessoria, disse que as notas fiscais foram emitidas pela estatal e entregues a Emater-MG, responsável pela distribuição aos beneficiários.


Afirmou ainda que as notas fiscais de aquisição de sementes dos cooperados foram encaminhadas para a Controladoria-Geral do Estado em 2015.


A Emater-MG diz, em nota, que "tem o registro em seu sistema informatizado de toda a entrega de sementes feita pelo Minas Sem Fome". "Neste sistema constam nome, endereço e CPF de todos os beneficiários no período de 2007 a 2011." O advogado da família, Sérgio Rodrigues, diz que a Limeira nunca foi intimada a dar explicações.

Wálter Nunes
No folha

No país dos paneleiros elitistas, do MBL hipócrita e dos golpistas corruptos é assim: Dono do Helicóptero da Cocaína vai para o Ministério do Esporte do judas Temer

Jornal GGN – O ex-deputado estadual Gustavo Perrella, dono do helicóptero que em 2013 foi apreendido pela Polícia Federal transportando 445 kg de pasta base de cocaína, foi nomeado pelo ministro interino do Esporte, Leonardo Picciani, para o cargo de secretário Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor.
O helicóptero pertencia à empresa de Perrella, o piloto era funcionário do seu gabinete na Assembleia de Minas, o então deputado utilizou R$ 14 mil de sua verba indenizatória para abastecer a aeronave para a viagem, e mesmo assim a Polícia Federal concluiu que ele não teve nenhum envolvimento no episódio.
Do Estadão
Por Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo
Ex-deputado estadual Gustavo Perrella assume cargo de Secretário Nacional de Futebol; ele empregava em seu gabinete, na Assembleia de Minas, o piloto que foi flagrado no helicóptero da família Perrella com 445kg de cocaína
O ministro do Esporte Leonardo Picciani (PMDB) nomeou nesta sexta-feira o ex-deputado estadual em Minas Gustavo Perrella, que ficou famoso em todo País após um helicóptero de sua empresa ser apreendido pela Polícia Federal com 445 kg de cocaína em 2013, para o cargo de Secretário Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor.
Na ocasião, o piloto do helicóptero, que foi detido em flagrante, era funcionário do gabinete de Gustavo Perrella na Assembleia de Minas e foi exonerado após o episódio. Além disso, o então deputado mineiro utilizou R$ 14 mil de sua verba indenizatória para abastecer a aeronave, que foi devolvida à empresa da família Perrella por decisão da Justiça Federal, em agosto de 2014.
Gustavo Perrella chegou a ser investigado pela Polícia Federal, que concluiu que ele não teve envolvimento com o tráfico de drogas, poi o piloto teria pego a aeronave sem o conhecimento da família. A apreensão do helicóptero foi parte de uma operação da PF que revelou uma organização criminosa comandada por empresários brasileiros era responsável pelo transporte de cocaína das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) da Venezuela para Honduras, onde toneladas da droga eram entregues aos cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas.
O grupo comprava códigos de identificação do controle aéreo venezuelano que, assim, deixava de abater o avião. Cada voo pagava até US$ 400 mil de propina a militares da Venezuela.
Gustavo Perrella é filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), um dos representantes da bancada da bola no Congresso.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

A desmoralização da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, em certeira análise de Lionel Rupaud




Aconteceram dois eventos que acabaram com as pretensões de republicanismo de ambas as instituições federais PF e MPF, nem vamos falar das estaduais que são claramente ridículas:

1 - o helipóptero com meia tonelada de cocaína, que mesmo a aeronave sendo de um senador da república, foi devidamente inocentado, e

2 - a ação do FBI e US Attorney sobre os conhecidos negócios da CBF e da TRAFFIC do J. Havillah, duas entidades brasileiras que nunca tiveram qualquer problema apesar do largo conhecimento na sociedade sobre seus negócios.

As instituições federais PF e MPF foram ridicularizadas.

Fim da linha.

Não vou nem falar dos casos Alstom e Siemens pois tem tecnicidades que escapam a maioria das pessoas.

Lionel Rupaud, extraido do Jornal GGN/Luis Nassif Online

sábado, 7 de março de 2015

Bob Fernandes: "Imaginem se o Helicóptero da cocaíne fosse de Genoíno"



Segue vídeo e sua transcrição textual do comentário de Bob Fernandes, de dezembro de 2013, que se tornou uma crônica atualíssima da hipocrisia golpista midiática do Brasil:



Vem aí um novo capítulo da novela político-policial do Brasil. Quem seria o dono do Hotel Saint Peter, onde José Dirceu quer trabalhar?

E José Genoino segue nas manchetes. Ele renunciou ao mandato, e não teria como não estar nas manchetes. O problema é quanto ao que não chega, ou não permanece nas manchetes.

O ministério público requisitou a suspensão de 10 contratos para reforma de trens em São Paulo. O tal escândalo dos trens e metrô.

O promotor Marcelo Milani diz que um pacote de reforma de trens em São Paulo custou mais do que a compra de trens novos.
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Segundo Milani, em 4 dos contratos não houve competição. Só foi apresentada uma proposta por lote. Valor destes 4 contratos? R$ 1 bilhão e 600 milhões.

Cada trem reformado, só o trem, custou 80% do preço de um trem novo, informa o promotor.
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O metrô alega que a reforma de cada trem custou 60%, e não 80% de um novo trem. Vamos ver o fôlego deste escândalo.

Há 8 anos, José Adalberto Vieira da Silva foi preso no aeroporto de Congonhas. Ele era assessor do então deputado no Ceará, José Guimarães. Que é irmão de Genoino.
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Adalberto foi preso com US$ 100 mil na cueca, isso em meio às investigações do "mensalão. Hilário, chocante e monumental escândalo, aquele dos "dólares na cueca".

Adalberto assessorava Guimarães, lá no Ceará. Mas, mesmo sem prova alguma, na repercussão quem pagou a conta foi Genoino.
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Tem gente que não exerce o livre arbítrio. Analisa os outros pelo que carrega dentro de si mesmo, pelo que é.

Quem é assim não aceita que liberdade de escolha e liberdade na crítica possam conviver numa só pessoa.
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Maior cronista do Brasil, Luis Fernando Veríssimo declarou voto no PT por mais de uma vez. E, aos 77 anos, Veríssimo segue dizendo o que pensa. Outro dia ele escreveu:

-Proponho o fim da hipocrisia no julgamento de casos de corrupção no país. Oficialize-se, já, dois sistemas de pesos e medidas diferentes. Um que só vale para o PT... e outro para os outros, principalmente o PSDB.

Como previsível, aplausos de um lado da arquibancada. O outro lado da arquibancada vaiou. Ou fez que não leu. A proposta de Veríssimo provoca reflexão. E a imaginação.

Imagine, cara amiga, caro amigo, que Genoino não está condenado à prisão. E que ele não é deputado, e sim senador.

Imagine que Genoino e um dos seus filhos, que é deputado, têm um helicóptero. E que nesse helicóptero o piloto é preso, pela Polícia Federal, com 450 quilos de cocaína.

Imagine a dimensão, o tamanho da repercussão. Já imaginou?



sábado, 15 de novembro de 2014

A Guerra Fria da PF, em especial a paranaense, contra o PT e o porque de os delegados também devem ser investigados

Os três textos à seguir foram extraídos do Diário do Centro do Mundo:


I - A guerra fria da PF contra o PT





Texto de Paulo Nogueira, publicado em 14/112014


Coincidências acontecem, mas …

Mas a superoperação da Polícia Federal no caso Petrobras nesta manhã de sexta feira parece feita sob medida.

O estardalhaço tende a desviar as atenções das denúncias – frescas  e de alta relevância — sobre o comportamento brutalmente partidário dos delegados encarregados das investigações.

As informações sobre o antipetismo estrondoso dos delegados da PF colocaram uma sombra copiosa de dúvida sobre a qualidade das apurações da PF.

Ódio partidário influencia qualquer investigação. Inimigos são tratados com extremo rigor e amigos podem ser convenientemente engavetados caso alguma coisa comprometedora apareça.

O caso do Helicoca é exemplar: como a PF conseguiu não apurar nada, com tantas evidências? Como a ligação com os Perrellas, os donos do helicóptero, foi tão rapidamente descartada?

Aparentemente, a nova fase da operação Lava Jato assinala uma guerra fria entre a PF e o PT.

Há similitudes no comportamento da PF e da mídia. Grandes organizações jornalísticas, quando alguém as aborrece, costumam promover uma retaliação imediata na qual não são poupados os feridos.

A Globo é mestra nisso, mas está longe de ser um caso único.

Num mundo menos imperfeito, as coisas não seriam assim. Mas, no Brasil 2014, são.

A PF tem que ser reinventada. Tanto a PF como as polícias militares são, para usar a grande expressão de Brizola, filhotes da ditadura.

A mentalidade dominante ali é aquela segundo a qual a esquerda come criancinhas.

É o tipo de pensamento com o qual a imprensa, a Globo de Roberto Marinho à frente, intoxicou mentalmente os brasileiros na época dos militares.

As polícias brasileiras são dominadas por uma cultura, ou falta de cultura, de extrema direita.

É esta cultura que tem que ser enfrentada com disciplina, método – e rapidez.

Ou teremos sempre, na PF, investigações partidarizadas – e por isso suspeitas — quando, como no caso da Lava Jato, políticos estiverem de alguma forma envolvidos.

Leia mais: Os delegados da Lava Jato agem como políticos e não como policiais

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Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

II - Por que os delegados da Lava Jato devem sim ser investigados


Texto de Paulo Nogueira, publicado hoje, dia 15/11/2014

Dilma usou várias vezes – mais do que deveria, é certo – o adjetivo “estarrecedor” nos debates com Aécio no segundo turno.

Imagino que seja por isso que uma nota do PSDB sobre os delegados da PF na operação Lava Jato tenha, logo no começo, exatamente essa expressão: “É estarrecedor”.

Mas o que é “estarrecedor” para o PSDB?

Bem, ficamos sabendo que o que supostamente causa horror ao PSDB é a decisão do ministro de Justiça de investigar os delegados da PF da Lava Jato que no Facebook, em grupo fechado, trocaram durante a campanha mensagens torrencialmente insultuosas contra Dilma, Lula e o PT.

O caso se limitaria simplesmente à questão de atentado à honra se não se tratasse dos delegados que estão investigando o episódio Petrobras.

Bastaria talvez aos agredidos processá-los na Justiça por calúnia e difamação.

Lula foi chamado de “anta”, e uma caricatura de Dilma com os dentes incisivos de fora ilustra um grupo do qual um delegado da PF faz parte.

Mas o assunto é muito mais complicado e muito mais grave.

Como policiais apaixonadamente antipetistas podem cuidar de um caso que exige completa isenção partidária para não se transformar num panfleto político?

Quem acredita que o antipetismo fulgurante dos policiais não vai interferir nas investigações – e nos vazamentos para a mídia – acredita em tudo, para usar a grande frase de Wellington.

Transporte os trabalhos, para que você tenha uma ideia da dimensão do problema, da polícia para a imprensa.

Como a Veja, por exemplo, se comportaria numa reportagem investigativa sobre o mesmo tema?

Com isenção? Levando ao leitor tudo que descobriu?

Ou, pelo furor antipetista, seria tentada a jogar luzes sobre o que lhe interessa e engavetar o que entende que possa prejudicar seus amigos e aliados?

Nem a velhinha de Taubaté, o personagem de Veríssimo que acreditava em tudo, confiaria nos resultados do trabalho de um grupo da PF tão tomado de ódio partidário.

Pelas postagens absurdas, ainda que fechadas, os delegados da PF na Lava Jato estão, sim, desacreditados.

O Brasil já viveu mais de uma vez – com Getúlio e Jango – situações em que, em nome do combate à corrupção, se tramou na verdade um golpe contra a democracia.

O combate à corrupção – o real, o genuíno, o vital para o desenvolvimento social do país – é importante demais para ser deixado nas mãos de delegados da PF que parecem muito mais empenhados numa cruzada política do que numa operação policial.

Deve haver na PF delegados com a isenção indispensável para averiguar os fatos, ao contrário dos que faziam campanha anti-Dilma.

Se não houver, teremos um problema infinitamente maior do que o escândalo da Petrobras.

III - Um ano depois, o papel cada vez mais estranho da Polícia Federal no caso Helicoca



O flagrante no helicóptero dos Perrellas no Espírito Santo

 Texto de Kiko Nogueira

Na esteira da denúncia de que delegados da Polícia Federal envolvidos na operação Lava Jato fizeram campanha para Aécio Neves, vale a pena relembrar um episódio recente e rumoroso em que a PF teve um papel, no mínimo, estranho. Falo do Helicoca.

O helicóptero da família Perrella foi apreendido com 445 quilos de cocaína numa fazenda no interior do Espírito Santo em 24 de novembro de 2013. Vai fazer um ano.

Apenas quatro míseros dias depois, a ligação dos Perrellas com o crime foi descartada. Segundo o delegado responsável, Leonardo Damasceno, não existiam indícios de participação dos parlamentares.

“Pará nós, essa questão está encerrada”, disse ele. “O deputado [Gustavo, filho de Zezé] não estava no local e a contratação do frete foi feita pelo copiloto, que subcontratou o piloto”.

No inquérito, o proprietário do local onde ocorreu o pouso foi inocentado também, sem uma explicação convincente. A Superintendência da PF em Minas ouviu Gustavo, mas apenas como testemunha. “Hoje não há nada que indique que ele tivesse conhecimento sobre a droga”, afirmou Damasceno.

Uma escala num hotel fazenda em Jarinú (SP), onde, de acordo com documentos, ficaram 50 quilos do entorpecente, foi ignorada. O juiz federal Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa relacionou algumas questões sem resposta: “Há realmente diversos aspectos que dependem de investigação, como a origem da droga apreendida, a dúvida sobre a internacionalidade, o papel dos envolvidos e a possível participação de terceiros”.

Quem é Leonardo Damasceno? Ele formou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais e é pós-graduado em Direito Público e Processual pela Consultime-Unives, de Vitória. Em 1996, foi nomeado para o cargo de agente fazendário em Belo Horizonte.

Fez carreira em terras capixabas. Em janeiro, assumiu a secretaria de Defesa Social do município de Serra, o mais populoso do ES e um dos mais violentos do Brasil. O prefeito é Audifax Barcelos (PSB), que trabalhou pela reeleição de Renato Casagrande (derrotado). Ambos apoiaram Aécio.

Damasceno ficou cerca de três meses na função e teria saído por causa de conflito de interesses. Ele esteve à frente de operações como “Duty Free”, que desbaratou um bando especializado em crimes ligados à área do comércio exterior, e “Calouro”, que apanhou fraudadores de mais de 50 vestibulares em 30 instituições de ensino superior privadas.

O jornalista Joaquim de Carvalho falou com o policial na série de reportagens sobre o Helicoca publicada no DCM. Escreve Joaquim: “Leonardo Damasceno é de uma família de funcionários públicos. Seu irmão, auditor fiscal em Minas Gerais, ocuparia um cargo de confiança no governo mineiro. Sobre a hipótese de conflito de interesses, já que Zezé Perrella, dono do helicóptero, é aliado político de Aécio Neves, Leonardo diz:

– Não tenho ideia do que fazem meus irmãos. Ilações todo mundo faz. Dizem, por exemplo, que por eu ser Galo (torcedor do Atlético Mineiro) não poderia defender alguém que é do Cruzeiro (Zezé Perrella era presidente do clube).

Parecia empenhado na investigação, mas o fato é que, depois da entrevista em que isentava Perrella, entrou de férias e quem assina o relatório final do inquérito é a delegada Aline Pedrini Cuzzuol.”

Sobre o Autor

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.