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terça-feira, 9 de agosto de 2022

O dia em que a mídia brasileira descobriu Murdoch e como manipular politicamente as informações à favor dos interesses dos mais ricos. Artigo de Luis Nassif

 "No Brasil, o discurso do ódio, atendendo a interesses do submundo dos negócios e desmonte civilizatório, encontrou um dos seus ápices na campanha do desarmamento, com a capa da revista Veja contaminando irreversivelmente a democracia brasileira, abrindo um mercado que foi amplamente explorado pela Veja, Record, rádio Jovem Pan, e por nomes como Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho, este último representante da ultradireita nas redes sociais." -



Artigo de Luis Nassif, publicado no Jornal GGN:

O dia em que a mídia brasileira descobriu Murdoch

Inicialmente ligado ao marketing político e, posteriormente, à busca dos meios de comunicação para ganhar protagonismo político diante da crise econômica, a imprensa internacional descobriu o discurso de ódio, o movimento das Fake News e a disputa pelo controle das redes sociais na campanha de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos.

No Brasil, o discurso do ódio, atendendo a interesses do submundo dos negócios e desmonte civilizatório, encontrou um dos seus ápices na campanha do desarmamento, com a capa da revista Veja contaminando irreversivelmente a democracia brasileira, abrindo um mercado que foi amplamente explorado pela Veja, Record, rádio Jovem Pan, e por nomes como Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho, este último representante da ultradireita nas redes sociais.

De lá para cá, uma sucessão de capas da revista Veja jogava o jornalismo brasileiro no ponto mais baixo da sua história, um período turbulento de disseminação do ódio, acentuado pelo Mensalão e pela Lava Jato. 

No artigo “O dia em que a mídia brasileira descobriu Murdoch”, publicado pela primeira vez no dia 16 de janeiro de 2015, detalha-se o antecessor desse fenômeno, quando o Partido Republicano dos EUA recorreu à Fox News, do australiano Rupert Murdoch, abrindo espaço para o chamado ativismo do liberalismo-progressista e a atuação de empresas de algoritmos como a Cambridge Analytica, que ajudou a eleger Donald Trump, e tornou-se peça-chave no avanço da ultradireita mundial. Confira:

Em meados dos anos 2000, subitamente o Olimpo da mídia passou a ser invadido por corpos estranhos, dinossauros de direita que se supunha extintos desde o final da Guerra Fria, com uma linguagem vociferante, bélica, atacando outros jornalistas, pessoas públicas, partidos políticos, com um grau de agressividade inédito. Inaugurava-se o que batizei, na época, de jornalismo de esgoto.

O grande movimento começou por volta de 2005, coincidindo com a montagem do cartel midiático liderado por Roberto Civita, o cappo da Editora Abril.

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Inspirada no australiano-americano Rupert Murdoch, a estratégia adotada consistia em juntar todos os grandes grupos de mídia em uma guerra visando ganhar influência para enfrentar os grupos que surgiam no bojo das novas tecnologias.

Desde seus primórdios, a indústria de comunicação de massa ganhou a capacidade de criar um universo virtual, com enorme influência sobre o universo real. Personalidades construídas pela mídia são agentes poderosos de influência em todos os campos. Ao contrário, as vítimas de ataques sofrem consequências terríveis em sua vida pessoal, profissional.

Nas democracias imperfeitas – como é o caso da brasileira -, com enorme concentração de poder, trata-se de um poder tão ilimitado que uma das “punições” mais graves impostas a recalcitrantes é a “lista negra”, a proibição da citação de seu nome em qualquer veículo. O sujeito “morre”, desaparece.

Em um modelo competitivo de mídia, essas idiossincrasias são superáveis, permitindo a diversificação de pensamento.

De fato, o fim da guerra fria – no caso brasileiro, o fim da ditadura e o pacto das diretas – produziu um universo relativamente diversificado de personalidades, entre jornalistas, intelectuais, empresários, artistas e celebridades em geral, bom para o pluralismo e para o jornalismo, ruim para as estratégias políticas da mídia.

Montado o pacto, o primeiro passo foi homogeneizar o universo midiático, acabando com o contraditório.

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Nos Estados Unidos, a estratégia de Rupert Murdoch foi criar um inimigo externo, que substituísse os antigos personagens da Guerra Fria. Os atentados às Torres Gemeas vieram a calhar. E calar eventuais vozes independentes, de jornalistas, com ataques desqualificadores, para impedir o exercício do contraponto.

A estratégia brasileira imitou esse modelo, criando fantasmas bolivarianos, ameaças ficcionais à democracia e ataques desqualificadores aos críticos.

O fuzilamento de recalcitrantes baseou-se em um modelo retratado no filme “The Crusader” que, no Brasil, recebeu o nome de “O Poder da Mídia” – dirigido por Bryan Goeres, tendo no elenco, entre outros, Andrew McCarthy e Michael York. É de 2004.

Narra a história de uma disputa no mercado de telecomunicações, no qual o dono da rede de televisão é cooptado por um dos lados. A estratégia consistiu em pegar um repórter medíocre e turbiná-lo com vários dossiês até transformá-lo em uma celebridade. Tornando-se celebridade, o novo poder era utilizado nas manobras do grupo.

Por aqui o modelo foi testado com um colunista de temas culturais, Diogo Mainardi. Sem conhecimentos maiores do mundo político e empresarial, foi alimentado com dossiês, liberdade para ofender, agredir e, adicionalmente, tornar-se protagonista nas disputas do banqueiro Daniel Dantas em torno das teles brasileiras.

Lançado seu livro, os jornais seguiram o script de “construir” uma reputação da noite para o dia e alça-lo à condição de celebridade. O ápice foi uma resenha do Estadão comparando-o a Carlos Lacerda e um perfil na Veja tratando-o como “o guru do Leblon”. Tornaram-se peças antológicas do ridículo desses tempos de trevas.

Foi usado e jogado fora, quando não mais necessário. Seus ataques a vários jornalistas serviram de álibi para as organizações fazerem o expurgo e montarem a grande noite de São Bartolomeu da mídia.

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A segunda parte do jogo foi a reconstrução do Olimpo midiático com uma nova fauna, que se dispusesse a preencher os requisitos exigidos, de total adesão à estratégia do cartel. Não bastava apenas a crítica contra o governo e o partido adversário. Tinha que se alinhar com o preconceito, a intolerância, expelir ódio por todos os poros, tratar cada pessoa que ousasse pensar diferente como inimigo a ser destruído.

Vários candidatos se apresentaram para atender à nova demanda. De repente, doces produtores musicais, esquecidos no mundo midiático, transformaram-se em colunistas políticos vociferantes e voltaram a ganhar os holofotes da mídia; intelectuais sem peso no seu meio tornaram-se fontes em permanente disponibilidade repetindo os mesmos mantras; humoristas ganharam programas especiais e roqueiros espaço em troca das catilinárias. Dessa fauna caricata se exigia a lealdade absoluta, a capacidade de exercitar a palavra “canalha” para se referir a adversários e nenhum pudor para repetir os mantras ideológicos das senhoras de Santana.

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Mas a parte que interessa agora – para entender a ação que me move o diretor da Globo Ali Kamel – foi o papel desempenhado por diretores de redação com ambições intelectuais.

Com autorização para matar e para criar a nova elite de celebridades midiáticas, ambicionaram não apenas o poder midiático, mas julgaram que eles próprios poderiam cavalgar a onda e ocupar o posto de liderança da nova intelectualidade que a mídia pretendia forjar a golpes de machado. Eles construíam o novo Olimpo e se candidatavam ao posto de profetas, assumindo outro Olimpo – o do mundo intelectual – que estava a léguas de distância de sua capacidade.

Montaram um acordo com a editora Record e, de repente, todos se tornaram pensadores e escritores. Cada lançamento recebia cobertura intensiva de todos os veículos do cartel, páginas na Veja e na Época, resenhas na FolhaGlobo e Estadão, entrevistas na Globonews e no programa do .

Durante algum tempo, o mundo intelectual tupiniquim testemunhou um dos capítulos mais vexaminosos de auto-louvação, uma troca de elogios e de favores indecente, sem limite, que empurrou a grande mídia brasileira para o provincianismo mais rotundo.

Diretor da Veja, Mário Sabino lançou um romance que mereceu uma crítica louvaminhas na própria Veja, escrita por um seu subordinado e campanhas de outdoor em ônibus bancada pela própria Record – que disseminava a lenda de que o livro estaria sendo recebido de forma consagradora em vários países. O livro de Kamel foi saudado pela revista Época, do mesmo grupo Globo, como um dos dez mais importantes da década.

Coube à blogosfera desmascarar aquele ridículo atroz, denunciando a manipulação da lista dos livros mais vendidos de Veja, por Sabino, para que sua obra prima pudesse entrar. E revelando total ausência das supostas edições estrangeiras de Sabino na mais afamada e global livraria virtual, a Amazon.

Na ação que me moveu, um dos pontos realçados por Kamel foi o fato de ter colocado em meu blog um vídeo com a música “O cordão dos puxa sacos”, para mostrar o que pensava da lista dos livros mais relevantes da década da revista Época.

***

Graças à democratização trazida pelas redes sociais, os neo-intelectuais não resistiram à exposição de suas fraquezas. Voltaram para o limbo da subcultura midiática.

Kamel conformou-se com seu papel de todo-poderoso da Globo, mas com atuação restrita aos bastidores, onde seus subordinados são obrigados a aceitar seu brilho e acatar suas orientações; Sabino desistiu da carreira de candidato ao Nobel de literatura.

Derrotados no campo jornalístico, no mano-a-mano das disputas intelectuais, recorreram ao poder das suas empresas para tentar vencer no tapetão das ações judiciais, tanto Kamel quanto Sabino, Mainardi, Eurípides.

Ao esconder-se nas barras da saia das suas corporações, passaram a ideia clara sobre a dimensão dos homens públicos que eram, quando despidos das armaduras corporativas.

Leia mais em O CASO VEJA.

Essa publicação também faz parte da investigação do projeto Xadrez da ultradireita mundial à ameaça eleitoral, para o documentário sobre o avanço da ultradireita mundial e a ameaça às eleições. Apoie aqui!

quarta-feira, 11 de abril de 2018

O juiz, o circo da mídia desmoralizada e a circulação circular do Estado de Exceção, por Fábio de Oliveira Ribeiro



"Os irmãos Marinho queriam ver Lula preso e condenado. Os desejos deles foram integralmente satisfeitos pelo Judiciário, que não somente se recusou a dar valor às provas produzidas pelo réu como atribuiu valor de prova incontestável do crime a acusação sacada contra Lula pelos jornalistas do jornal O Globo." - Fábio de Oliveira Ribeiro


Foto: Fronteiras do Pensamento
O juiz, o circo e a circulação circular do Estado de Exceção
por Fábio de Oliveira Ribeiro

GGN. - O ideal dos filósofos é fazer a justiça transcender os interesses dos cidadãos. O desejo do cidadão, contudo, é sempre mesquinho. O que ele quer é privatizar a decisão.
O meu juiz será melhor do que o seu Direito! - diz o poderoso ao seu adversário. E fica decepcionado e vingativo quando o juiz não lhe dá razão.
A justiça humana deveria se colocar entre estes dois extremos. O homem é um ser impedido de transcender a si mesmo, mas isso não quer dizer que ele tenha que se transformar num diábolo nas mãos de uma das partes.
Os irmãos Marinho queriam ver Lula preso e condenado. Os desejos deles foram integralmente satisfeitos pelo Judiciário, que não somente se recusou a dar valor às provas produzidas pelo réu como atribuiu valor de prova incontestável do crime a acusação sacada contra Lula pelos jornalistas do jornal O Globo.
A justiça diabológica, ou seja, que segue a lógica do diábolo jogado pelos barões da mídia, cumpriu sua função privada. Mas para fazer isso deixou de ser pública. Ingressamos, pois, numa era pré-hobbesiana, em que o Leviatã se transforma num lobo a serviço de alguns homens.
Eu sou o juiz que vai abolir qualquer Direito! Disse o pistoleito que matou Marielle Franco, provavelmente o mesmo que eliminou a prova testemunhal.
Nenhum juiz vai reprimir minha conduta! Disse o militar que queria jogar Lula pela janela do avião e o policial que agrediu a candidata a presidente Manuela d’Ávila.
O Estado moderno avocou para si o poder/dever público de distribuir justiça por uma razão muito simples: pacificar a sociedade. Uma sociedade em que os juízes se colocam a serviço de uns e se negam a reconhecer o direito de outros não será pacificada através da auto-tutela. De fato, o crescimentod a vingança privada é uma evidência indiscutível da falência do Estado.
Porque sou obrigado a pagar o salário de um juiz que não pode ou não vai assegurar meu Direito! Uma decisão judicial não depende da credibilidade do juiz. Afinal, sempre que profere qualquer decisão o juiz ofende os interesses de uma das partes. Isso não cehga a ser um problema, desde que o Direito (legislação, doutrina e jurisprudência) tenha sido respeitado.
O que depende de credibilidade é a estrutura por traz do juiz. É essa estrutura que ele mesmo compromete quando age como o agente público de interesses privados não tutelados pelo Direito.
Os membros do clã Marinho tem interesse privado no resultado da eleição. Todos os brasileiros com direito a voto tem. Portanto, o que deve ser tutelado pelo Estado é o interesse público. Numa democracia os candidatos se apresentam, fazem campanha e disputam os votos. Os mais votados são empossados nos cargos que disputaram.
A justiça não pode definir o resultado da eleição antes do pleito, eliminando um dos candidatos só porque os adversários dele desejam assegurar o resultado da disputa. Lula não deveria ser impedido de concorrer à presidência, mas foi exatamente isso que ocorreu através de um processo claramente fraudulento que resultou numa prisão injusta.
Em sua última manifestação pública, o ministro Ricardo Lewandowski do STF clamou pelo retorno do Estado de Direito. Ele tem toda razão. O ato violento praticado pelo Estado para atender o clã Marinho certamente acarretará um ciclo vicioso de violência. E em algum momento os próprios juízes acabarão se tornando vítima da violencia privada que eles mesmos estimularam ao privatizar a justiça por razões eleitoreiras.
O Estado de Direito é um bem público que atende os interesses de todos. O Estado de Exceção apenas e tão somente espalha a barbárie e, por via de consequencia, obriga seus integrantes a colher a barbárie que plantaram.
O melhor juiz é aquele que atende o interesse público! Ele não pode ser o meu ou o seu juiz, pois ninguém deve ter seus Direitos menosprezados e qualquer um deve sofrer a repressão dentro dos limites da Lei quando se coloca acima dela. Pagar o salário do juiz não é só uma desagradável obrigação, pois a distribuição de justiça é um bem que atende os interesses de todos os cidadãos. De fato, pagar o salário do juiz pode ser um prazer. Mas para que isso ocorra o juiz deve ser  imparcial, ou seja, deve rejeitar o ideal inatingível de justiça e firmemente se recusar a ser um brinquedo nas mãos de algumas pessoas ou de uma rede de televisão.
É aqui, onde o circo foi aberto que o circulo irá se fechar. É preciso imediatamente recuperar a autoridade, validade e eficácia da Lei Orgânica da Magistratura. Ela não proibe expressamente a super-exposição midiática dos juizes porque é autoritária e sim porque o recato protege não só a dignidade do juiz como também a credibilidade da estrutura que está por traz dele.
Juiz bom não é aquele que parece um galã de televisão e sim aquele que distribui justiça de maneira recatada e sempre obedecendo os limites da legislação! A privatização da justiça só se tornou possível e aceitável porque alguns juízes se deixaram usar pelos menos de comunicação. Ao fazer isso eles transformaram a sociedade em refém do Estado de Exceção. Portanto, não será possível retornar ao Estado de Direito sem antes remover do circo os juízes que se colocaram deliberadamente como fontes da circulação circular da notícia.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Luis Nassif sobre o Primeiro Amigo Yunes, a holding Maraú e o encontro dos bilionários pró-Temer






GGN. - O dossiê  distribuído pelo Anonymous, com informações sobre supostos negócios entre o presidente Michel Temer e o primeiro amigo José Yunes é composto por 30 documentos, entre PDFs e Words, basicamente registros na Junta Comercial e em paraísos fiscais.
Versam sobre uma infinidade de holdings e off-shores, algumas delas com os mesmos sócios, outras entrelaçando-se nas relações societárias, algumas soltas sem que, de cara, se possa montar alguma ligação maior.
Como é um quebra-cabeça extremamente complexo, vamos desbastando pelas bordas para ver onde chega. Pode não chegar a nenhum lugar, mas pode chegar a paragens interessantes.
As holdings que surgem da papelada são as seguintes:
Greystone, Shadowscape e Yuni Co são offshores instaladas em paraísos fiscais.
A holding principal é a Marau Administração de Bens e Participaçoes Ltda que contém sócios do clube dos bilionários brasileiros.
O objeto da sociedade é amplo: aquisição e alienação de bens imóveis, realização de estudos, planejamento, incorporações e participação em empreendimentos imobiliários em geral , administração de bens, participação em outras sociedades, com objeto relacionado a empreendimentos imobiliários ou empreendimentos em geral, na condição de cotista, acionista, consorciada ou de qualquer outra forma, bem como a realização de quaisquer outras operações que se relacionem, direta ou indiretamente, com seu objeto social. E ainda terá por objeto a exploração de atividade agrícola ou extrativa.
Entre os sócios participam (ou participaram as seguintes pessoas físicas e jurídicas:
Vamos a um pefil rápido deles:
Alba Maria Juaçaba Esteve Pinheiro e Andrea Capelo Pinheiro – pertencem à família cearense que controlou o banco BMC – que teve relativo sucesso no início dos anos 90.
Alberto Dominguez Von Ihering Azevedo – é um dos três sócios da fábrica de roupas esportivas Track & Field e mais uma dezena de empreendimentos industriais e imobiliários.
Jean-Marc Roberto Nogueira Baptista Etlin – presidente da CVC Partners e vice-presidente do Itaú- BBA.
Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho – o Tuta, dono da Jovem Pan.
José Roberto Marinho – um dos herdeiros das Organizações Globo.
Construter Participações Ltda – de Rodrigo e Michel Terpins, herdeiros das Lojas Mariza.
Christopher Andrew Mouravieff-Apostol – irmão do banqueiro Roger Wright, tragicamente falecido perto de Troncoso – caiu o seu avião matando 14 membros da sua família, todos os filhos e netos. Sua parte foi assumida pela mãe, que morava na Suiça. Depois de sua morte, pelo irmão Christopher. Roger participou do Banco Garantia, do Credit Suisse e, no final, tinha a Arsenal, de investimentos.
Agnes Leopardi Gonçalves – sócia de Lg Office Manager Servicos Administrativos Ltda – ME e da Sao Sebastiao Vii Az Administracao de Bens e Participacoes Ltda., empresa da família Yunes.
Lúcia de Carvalho Lins – não consegui maiores informações.
Marcos Mariz de Oliveira Yunes – filho de José Yunes e executivo de um sem-número de empresas. Pelo sobrenome, é parente do criminalista Antônio Mariz de Oliveira, também na lista dos amigos pessoais de Temer.
Luiz Terepins – ex-presidente da Eternit, tem empresas do setor têxtil e de construções e presidiu a Bienal de São Paulo.
YS Marau Projeto Imobiliário Ltda – Do Grupo José Yunes.
Shadowscape Corporation – aí começa a entrar na zona cinza. Praticamente todos os sócios da Maraú são também sócios da Shadowscape. Por seu lado, entre as empresas controladas pela Shadowscape estão a própria Marau e a São Sebastião V Administração de Bens. Era registrada nas Ilhas Virgens, paraiso fiscal, pela Greystoke Trus Co, escritório especializado em montar offshores. Na documentação, aparece como controlada pela  Greystone First Nominees Limited (https://goo.gl/LVXG7Z) que, por sua vez, aparece como controladora de fundos de investimento em várias partes do mundo, em uma teia típica de processos de lavagem de dinheiro.
Por hoje, ficamos por aqui.
É possível que os investidores da Maraú tenham se reunido em torno de um investimento imobiliário específico. Ou não. Vamos ver como as demais investigações prosseguem.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Paulo Henrique Amorim lança seu Manual Inútil da Televisão na próxima terça


Jornal GGN - Paulo Henrique Amorim, jornalista, blogueiro e apresentador de TV, lança na próxima terça-feira (22), em São Paulo, seu novo livro, intitulado “Manual inútil da televisão e outros bichos curiosos”.
O livro traz histórias que o jornalista reuniu ao longo de sua carreira, com episódios envolvendo personagens como Tom Jobim, Lula, Roberto Marinho, Marilyn Monroe, Dilma Rousseff, Collor, Galvão Bueno, Princesa Diana, Fidel Castro, Cid Moreira e William Bonner, entre outros. 
No ano passado, Paulo Henrique Amorim lançou o livro “O Quarto Poder”, que aborda a história dos meios de comunicação no Brasil, desde o período Vargas, passando pela ditadura militar, até a redemocratização e o período atual.
Assista aqui a entrevista de Paulo Henrique Amorim com o jornalista Luis Nassif, na ocasião do lançamento do “O Quarto Poder”. 
Serviço
Lançamento - Manual inútil da televisão e outros bichos estranhos, de Paulo Henrique Amorim
22/11 (terça-feira), às 19h
Na Livraria Saraiva do Shopping Higienópolis - Avenida HigienópoIis, 618 - São Paulo (SP)

domingo, 14 de agosto de 2016

O segurança do Mineirão que provou que a Globo manda mais que Temer. Por Paulo Nogueira

A Globo manda mais que Temer
A Globo manda mais que Temer


Uma advertência de um segurança num estádio olímpico é o retrato perfeito do Brasil.
Numa cena registrada num vídeo, o segurança diz que cartazes contra Temer tudo bem, mas contra a Globo não. Você pode vê-lo aqui.
Ora, ora, ora.
Isso escancara o óbvio: a Globo pode mais que Temer.
O segurança deve ter ouvido isso de algum chefe. Que também ouviu a ordem de um superior.
Seja como for, é uma aberração.
Qual o sentido em proibir manifestações pacíficas contra a Globo? Liberdade de expressão não inclui acusar a casa dos Marinhos de golpista?
A favor do segurança, pelo menos se pode dizer que ele foi sincero. Ministros togados do STF louvam as chamadas instituições e fingem que a Globo não manda em todas elas. Seria mais honesto e realista se um magistrado do STF bradasse, agarrado a uma Constituição: “Acima disso aqui, só a Globo.”
2016 deixou claro que enquanto existir a Globo tal qual a conhecemos não haverá democracia. 54 milhões de votos podem ser incinerados com relativa facilidade caso a Globo deseje.
A culpa não é do segurança que avisou que estava proibido cartaz contra a Globo.
A culpa é de todos nós, de uma sociedade que permite que a Globo seja o que é e faça o que faz.
Fonte: DCM. Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui.
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Será que a GLOBO rifou o FHC para ninguém mais comentar na Internet HIPER-MEGAPLEX de Paraty?

Quando o Rei cai, há cheque-mate


Por Ion de Andrade
Há no cenário atual do Brasil uma crise produzida pela tentativa de destruir o projeto de país construído nos últimos 60 anos. Trata-se de um esforço para varrer o legado de Vargas, o dos militares desenvolvimentistas e o dos trabalhistas. Os ataques coordenados ocorrem nas seguintes frentes:
  1. A desmoralização do Estado nacional Essa ação se desenvolve através de uma contínua chuva de críticas demolidoras voltadas para gerar a convicção de que o Brasil não tem capacidade para produzir nada de valor. Assim foi com a Copa, é atualmente com as Olimpíadas, foi com o Enem e é continuamente usada contra o SUS, dentre outros. Um ícone recente, o último artigo de Clovis Rossi na Folha diz que em virologia o “Horrível Brasil”, (que tem uma Fiocruz), tem lições a receber de... Uganda. Intitula-se: “Uganda não é aqui, que pena”
  2. O desrespeito ao Estado de direito. Significativas parcelas do poder judiciário e da polícia atuam como se estivéssemos num Estado policial e agem de maneira a assegurar total inimputabilidade ao conjunto da oposição capitaneada pelo PSDB e pela Rede Globo. O envolvimento explícito da Globo na Lava Jato no episódio do tríplex e do helicóptero dos Marinho e os ouvidos surdos às denúncias envolvendo Aécio Neves, (parte delas, aliás recém arquivadas!) comprovam a determinação de desmoralização do Estado de direito pelo uso da força, da intimidação ou do cinismo.
  3. A tentativa de destruição da engenharia pesada nacional. A ação está focada contra o que temos de mais competitivo internacionalmente. Se dá através de processos intermináveis e desgastantes, (observem que o escândalo da Volkswagen já está em vias de ser resolvido judicialmente) Tais processos almejam tanto punir os responsáveis, cujas reputações são destruídas em praça pública, antes mesmo de serem sentenciados, quanto inviabilizar o funcionamento e a sobrevivência das empresas.
  4. A ameaça aos megaprojetos de Defesa. A fragilização do projeto do Submarino Nuclear brasileiro, a prisão do Almirante Othon e a recente tentativa de desmoralizar a FAB no que toca à compra dos jatos Gripen, compõem o quadro de ataque ao país fragilizando-o na defesa militar do pré-sal e desmoralizando-o internacionalmente. Essa frente tenta desconstruir o legado do desenvolvimentismo de matriz militar que teve o mérito de manter o Brasil atualizado com o desenvolvimento tecnológico contemporâneo. A essas ações atuais se agrega a explosão do VLS sobre a qual pesa muito forte suspeita de sabotagem.
  5. A ameaça aos megaprojetos econômicos. A ferocidade com que as forças que estão envolvidas nesses ataques bateram na normatização dos acordos de leniência é demonstrativa da frustração que experimentaram de ver inviabilizado um dos propósitos da cruzada falsamente moralista em curso, destruir a capacidade tecnológica do país e inviabilizar os inúmeros projetos estratégicos em andamento.
  6. A ação deletéria sobre a economia. As perdas econômicas motivadas pela cruzada contra a corrupção são incomparavelmente maiores do que os ganhos decorrentes do seu meio-enfrentamento, (ataca gaviões, mas não ataca tucanos). A ação contra a economia é tão irresponsável quanto desprezar um bebê junto com a placenta e não pode ser involuntária.
  7. A ação política contra o trabalhismo. Essa linha de atuação pretende desmoralizar as forças que deram ao Brasil duas grandes capacidades: um mercado interno poderoso por meio de uma melhor distribuição da riqueza e uma projeção internacional autêntica, comprometida com a América latina, com a África e com os BRICS. A Triplo X que saiu de Guarujá e parou na sala de jantar do Triplex dos Marinho ilustra um modus operandi de um pau que só dá em Lula. Como bem percebeu Nassif a Triplo X é a Rio Centro da Lava Jato, a virada a partir da qual a sua ação contra a corrupção politizou-se, desmoralizando-a.
Observemos que todas essas ações antinacionais se estruturam sobre a falsa e frágil compreensão de que viveríamos num Estado policial e não num Estado democrático, ou num Estado restrito e não num Estado ampliado. Ora, se essa compreensão é falsa, todas as ações que estão construídas sobre ela ruirão. Dure o tempo que durar, faça o mal que fizer, essa é a última grande crise da nossa história relacionada à consolidação do Estado de direito no Brasil.
Como e por onde podemos enxergar isso?
Pelo princípio de que, tendo a legalidade resistido, como de fato resistiu, (e não poderia ter sido de outra forma) a dureza da lei não poderá eternamente ser aplicada apenas contra um lado.
Por esse prisma podemos ver a falta que faz, pois teria apressado o tempo de resposta, um Ministério da Justiça atuante, que fosse capaz, não de coibir a ação da Polícia Federal, mas de exigir que investigasse os que propositadamente são poupados. O ministro tolera a investigação e a humilhação do empresariado desenvolvimentista, dos militares desenvolvimentistas e dos trabalhistas, mas não exige a investigação dos tucanos corruptos, nem da Globo. Deveria, no entanto, fazê-lo, não por espírito de vingança mas para assegurar a liturgia elementar da legalidade e do princípio de que todos são iguais perante a lei.
Acéfalo o Ministério da Justiça, a sociedade teve que fazer por ele. Teve que exigir nas ruas e até no futebol que o Ministério Público e a Polícia Federal cumpram o seu papel. Tem que exigido que a lava jato investigue Aécio e a Globo. Até os Gaviões da Fiel querem saber quem vai punir o chefe do merendão, mas o fazem porque não têm quem faça por eles. Alguém tem que perguntar em público se o “Dominio do Fato” vale para os cem milhões de FHC e para o merendão de Alckmin ou se esse instituto jurídico é apenas mais um pau que só dá em Chico. Esse esforço social artesanal mostrou-se, entretanto, à altura de mover a conjuntura em favor do campo democrático e legalista.
Comprovada a verdade cristalina de que não há luta contra a corrupção, mas uso da corrupção para destruir o projeto de um Brasil grande, se veem unidas (involuntariamente) as três vertentes que estão apanhando e que raramente estiveram juntas na nossa história: os desenvolvimentistas do empresariado, os das Forças Armadas e os trabalhistas. Essa forças serão beneficiadas se assegurarem:
  • O fortalecimento do Estado Nacional e a recuperação da autoconfiança da nação;
  • A consolidação e estabilização do Estado democrático;
  • O garantia da indústria pesada nacional e da Engenharia Estratégica;
  • A preservação e a proteção dos megaprojetos de Defesa, do legado desenvolvimentista dos militares e da retomada firme e resoluta do lançador brasileiro de satélites;
  • A conclusão plena dos megaprojetos estruturais que abrem a porta para um país moderno e contemporâneo;
  • A preservação das nossas riquezas em mãos nacionais;
  • A continuidade da construção de uma sociedade mais justa para todos, de um mercado interno robusto e do legado trabalhista e;
  • A recuperação da imagem, da projeção internacional e da liderança do Brasil.
A luta é e foi árdua, pode ser longa e pode ainda trazer grandes perdas à nação. Entretanto foi contra essas mesmas forças que hoje querem ver o Brasil ajoelhado que erguemos o Brasil de hoje.
As lutas devem ocorrer em cada local de moradia ou de trabalho, sobretudo nas instituições que vêm sendo usadas como aríete contra os interesses nacionais, onde os patriotas devem ter estratégia para enfrentar os inimigos do país sempre no campo democrático e na legalidade, como ocorreu magistralmente no caso do promotor Conserino, limitado em sua ação política por uma instância de controle social, o CNMP, que assegurou e garantiu o papel constitucional do Ministério Público. A nossa frente de batalha são também as ruas, os horários de TV dos partidos da base do governo, que devem ajudar a população a refletir sobre por que a Justiça e o Ministério Público atacam Lula mas não os Marinho, Lula mas não Aécio, Lula mas não FHC. Vamos aos tribunais, às assembleias estudantis, e enfrentemos de frente esses inimputáveis nos legislativos. O país precisa levantar-se.
As três vertentes unidas permitem antever a consolidação de uma frente forte, que terá poder para desmascarar os falsos heróis anticorrupção, como sugere o juiz Narciso Alvarenga de Castro do TJMG, que exorta o país a investigar o que há por trás de operações que ameaçam projetos como o do Submarino Nuclear brasileiro.
Devemos nos esforçar para alcançar a vitória com o menor dano possível ao país, preservando o pré-sal, as indústrias estratégicas, os projetos de defesa, a coesão nacional das três vertentes, a democracia e a justiça social. Não importa muito se o empresariado desenvolvimentista, os militares e os trabalhistas são muito diferentes entre si, e são, essa luta é parecida com a que uniu os franceses contra os invasores nazistas nos anos 40, o fator de união é que estão todos apanhando porque, cada um à sua maneira, sonha com um Brasil grande.
O poder de fogo do nosso campo é tão real que a Globo rifou FHC para ser esquecida no Triplex dos Marinho. Hoje só se fala em Brasif.
Precipitados, os estrategistas globais esqueceram apenas de uma coisa: quando cai o Rei, há cheque mate.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Cunha ao mar: Globo percebe que ele tornou-se um estigma na testa da oposição


"Antes o todo poderoso carrasco da presidente eleita legitimamente, agora Cunha é o retrato moral do golpismo.

"Porque Cunha é a moralidade falsa, a a hipocrisia dos desonestos de sempre, a aura cínica dos selvagens, a afetação dos imundos.

"O que mais emblemático que “o Porsche de Jesus (ponto com)”? - Fernando Brito


 Cunha ao mar: Globo percebe que ele tornou-se um estigma na testa da oposição


POR FERNANDO BRITO · 21/10/2015 Tijolaço.com


Ontem à noite escrevi aqui que Cunha tinha se tornado quase um panfleto contra a oposição “impixista”.

Estava evidente e hoje o império Globo – que segue sendo nossa Roma, mesmo sob césares medíocres – exibe seu polegar voltado para baixo, ordenando sua execução política.

Eduardo Cunha não pode mais presidir a Câmara, proclama em editorial.

O texto, claro, começa com uma chicana: “Independentemente de pedidos de impeachment da presidente, se eles fazem ou não sentido, o princípio da ética na vida pública impõe o afastamento do deputado”,

Pulando o fato de que já escreveram melhor os editorialistas, fica claro que não há independência alguma entre Eduardo Cunha e os pedidos de impeachment.

Antes o todo poderoso carrasco da presidente eleita legitimamente, agora Cunha é o retrato moral do golpismo.

Porque Cunha é a moralidade falsa, a a hipocrisia dos desonestos de sempre, a aura cínica dos selvagens, a afetação dos imundos.

O que mais emblemático que “o Porsche de Jesus (ponto com)”?

Será que tinha um daqueles estúpidos adesivos afirmando que “foi Deus quem me deu”, como se o Senhor andasse preocupado em premiar  com carrões os que o louvam da boca para fora? Ou um “eu amo a minha família” expresso em abrir-lhes conta da Suíça com fortunas ilícitas?

O Globo faz o que os tucanos não tiveram coragem de fazer não porque tenha “ética na vida pública”.

Há mais de duas décadas seus repórteres levantaram mais de uma dúzia das mais escabrosas histórias e o jornal dispõe de todo o inventário – judicial, inclusive – de desmandos e desvios praticados por ele.

As contas na Suíça são apenas a cereja fétida sobre o bolo imundo.

Mas tudo o que O Globo sabia saiu sempre de forma esparsa, em surtos.

Muito diferente do que faz com os que lhe desagradam, quando, aí sim, a campanha de mídia é fogo cerrado, sem descanso, sem trégua nem quartel.

Não se pejou em servir-se dele para todos os propósitos reacionários, na redução da maioridade penal, na tentativa de abolir o regime do pré-sal e no financiamento empresarial de campanhas.

Nada do que sabia a fez, inclusive, torcer o nariz aos afagos que Cunha fez ao próprio João Roberto Marinho, em sessão solene na Câmara, para saudar os 50 anos da emissora que nasceu siamesa da ditadura.

E segue hipócrita porque iguala Oposição e Situação na sustentação de Cunha, o que sabe ser falso: Cunha é o que é porque  filho do desejo de derrubar Dilma, que se pariu antes mesmo dos resultados oficiais das urnas.

Cunha é um estima na testa do impeachment, e a Globo o sabe.

Mas é também uma marca indelével nela própria e em todos os que, como o PSDB, o Dem e os seus rapazes revoltados, a ele se aliaram pelo golpe.