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quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Glenn Greenwald sobre Deltan: “Ele próprio usou vazamentos para manipular o público e os suspeitos”




O jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil. Foto: Reprodução/YouTube
Do Twitter de Glenn Greenwald:
Vale a pena ler esta entrevista de 2017 que Deltan deu à @bbcbrasil – depois de um de seus discursos- em que ele negou veementemente que LJ usou vazamentos à mídia como parte de sua estratégia investigativa. Vale a pena lembrar o que Deltan afirmou aqui…
Muitos suspeitavam que os promotores da Lava Jato estavam usando vazamentos impróprios para manipular o público e os suspeitos. Deltan negou veementemente, inclusive em uma entrevista à @bbcbrasil em 2017, realizada após um discurso em Harvard. Ele mentiu.
Deltan não estava apenas ciente dos vazamentos que mentiu ao negar. Ele próprio usou vazamentos para manipular o público e os suspeitos. A importância deste material – e uma imprensa livre – é que você pode lê-lo e ver a verdade por si mesmo

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Bob Fernandes sobre Moro e seus irrealistas fantasmas


Da Tv Gazeta:





O juiz Moro deu entrevista à BBC/ Brasil, em Washington. Entre outros temas, tratou da investigação "dos vazamentos de informações" e do "jornalismo".
Vazamentos de informação podem levar à anulação parcial, ou mesmo total, do que tenha sido contaminado pelo vazamento.
Moro reconhece: houve vazamento de delações de executivos da Odebrecht; há vazamentos na Lava Jato.
Mas Moro alega: "Muitas vezes se tenta (investigar), mas é quase como se fosse uma caça a fantasmas".
Pode ser difícil, mas também pode ser muito fácil encontrar vazamentos e seus autores...
E não tem faltado vazamento. Há semanas, vazamento da Lista do Janot se deu em off e em bloco para jornalistas...
Nesta segunda, 10, já vaza, em tempo real, depoimento dado ao juiz por Marcelo Odebrecht.
...Há um ano foi gravada a já histórica conversa telefônica de Lula e Dilma, entre outros. Ilegal em parte por exceder o tempo determinado pelo próprio Moro.
Ilegal por tornada pública gravação com pessoas então não investigadas.
Dilma era presidente. Por ter foro privilegiado só poderia ser investigada com autorização do Supremo.
Ilegal porque as conversas vazaram. E não foi "um fantasma" quem vazou. Foi o próprio juiz Moro quem derrubou o sigilo, caminho para vazamento. E no mesmo dia.
Teori Zavaski e Marco Aurélio, ministros do Supremo, criticaram o juiz, duramente. Marco Aurélio afirmou então: "Esse vazamento foi um crime".
O crime foi punido? Não. Porque o Tribunal Regional entendeu: a Lava Jato traz "problemas inéditos" e exige "soluções inéditas".
Ou seja, à margem da lei... Mais uma gambiarra.
Por decisão do Supremo, em 2009, não é necessário diploma para ser jornalista. Moro disse à BBC ser "difícil" definir quem é jornalista.
Moro pergunta: estar na internet, no Facebook, qualifica alguém como jornalista? Um blog é jornalismo?
É fácil saber quem, na prática, exerce o jornalismo. Basta querer saber.
Alguém precisa informar ao juiz: a enorme maioria dos 5.570 municípios do Brasil tem como comunicadores, como jornalistas, se tanto alguém com horário numa rádio. Seja ela comunitária ou não.
Quando não alguém com um megafone nas ruas, na feira... É esse, são esses que queiram ou não, goste-se ou não, sérios ou não, vivem a função de comunicar, reportar
No Brasil profundo, também real, os cidadãos é que têm decidido quem são ou não seus comunicadores, seus jornalistas. Ao dar ou ao negar audiência, leitura...

terça-feira, 19 de julho de 2016

Bob Fernandes/ Faltam espelhos: brasileiros, e ricos, devem mais de R$ 1 trilhão à União


Segue, para reflexão, mais um brilhante comentário político-econômico sobre a hipocrisa dos golpistas, efetuado por Bob Fernandes:



No jornal O Globo, Guilherme Amado informa: Odebrecht delatará Caixa Dois de campanha de Alckmin. Seria uma contrapartida a obras no Rodoanel.
Campanhas, atos de Temer, Dilma, Lula, Aécio, Serra, Marina, entre tantos, já foram delatados, ou citados, ou estão sendo investigados.
Até que na Justiça tudo se prove fato definitivo e verdadeiro, delação, citação, deveriam ser apenas passos de investigações que antecedem julgamentos.
Mas a regra tem sido outra: vazar com destaque, ou esconder, a depender se a reputação é adversária ou “aliada”.
Feito o estrago, se depois não se confirmar... azar do alvo.
Assim se construiu sólida e nacional percepção, convicção: partidos e políticos não prestam. Nem um deles; salvo, claro, aquele para o qual se torce...
...Como se tudo fosse fruto de geração espontânea. Mas, de vez em quando os fatos alertam: há outros personagens e instituições nesse ambiente da ilegalidade.
É notícia no Estadão desta segunda-feira, 18, algo que temos abordado há anos: brasileiros, empresas e pessoas, que integram o cadastro de Dívida Ativa, que devem à União.
(Até número recente, dívida de mais de R$ 1 trilhão e 400 bilhões).
Relato no Estadão: Laodse de Abreu Duarte, um dos diretores da FIESP- aquela do Pato, lembram?- deve R$ 6,9 bilhões. Mais do que Bahia, Pernambuco e 16 estados juntos.
Treze mil e quinhentas pessoas devem mais de R$ 15 milhões, cada, e são responsáveis “por uma dívida de R$ 812 bilhões”.
Só essa elite do tombo deve o equivalente a cinco vezes o tal buraco no Orçamento federal previsto para 2016.
Não são os habituais “partidus” e “pulíticus”. Isso e esses são empresas, empresários, brasileiras e brasileiros.
E há mais. Estudo de James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, detectou, e isso anos antes dessa crise:
-Brasileiros têm US$ 520 bilhões, mais de meio trilhão de dólares, estocados em paraísos fiscais.
No Descobrimento do Brasil, índios recebiam espelhos dos colonizadores em troca de riquezas. Está na hora de voltar a distribuir, e de olhar para espelhos.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Bob Fernandes a Gilmar Mendes: Só agora vazamento é crime?

Jornal GGN - Em seu comentário na TV Gazeta desta semana, o jornalista Bob Fernandes fez uma comparação entre o vazamento do pedido de prisão aos caciques do PMDB - ao ex-presidente José Sarney, presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (RJ), e aos senadores Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR), com o vazamento dos áudios entre o ex-presidente Lula e Dilma Rousseff.
Referindo-se à crítica do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, Bob Fernandes afirmou: "Agora Gilmar Mendes diz ser preciso 'chamar às falas os responsáveis'". Assista e leia a coluna completa:
Por Bob Fernandes
Reações ao vazamento dos pedidos de prisão para Sarney, Eduardo Cunha, Renan Calheiros e Romero Jucá, feitos pelo Procurador Janot. O ministro do Supremo Tribunal, Gilmar Mendes, protestou:
- É processo oculto, pede-se sigilo, mas divulga-se para a imprensa. Isso é grave, brincadeira com o Supremo. Quem faz isso está cometendo crime, certo?
Certíssimo... Mas, sem levar em conta o "mensalão", centenas de vazamentos ocorreram nos últimos dois anos, nas investigações do "petrolão".
Há três meses, de maneira ilegal foi gravada parte de conversa entre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula. Com vazamento ilegal da porção ilegalmente gravada.
À época o ministro Teori Zavaski criticou e cobrou o juiz Moro. O que disse então o ministro Gilmar Mendes sobre o vazamento?
Disse que a divulgação foi "correta" e que importante era discutir o "conteúdo extremamente grave".
Agora Gilmar Mendes diz ser preciso "chamar às falas os responsáveis".
Em 2008, preso Daniel Dantas, Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (aquele cassado depois) foram ao Palácio do Planalto.
Para protestar contra grampos, que não existiram, e chamar "às falas" o presidente Lula.
Paulo Lacerda, que havia modernizado a Polícia Federal, foi demitido da direção da ABIN. O delegado Protógenes seria demitido da Polícia Federal.
Como previsível, agora, enfim, delações começam a pegar geral. É o que mostra vídeo que não interessa a tantos que costumam pontificar sobre "corrupção" e moralidade.
O Blog de Fausto Macedo, do Estadão, em texto de Gustavo Aguiar, Mateus Coutinho e do próprio Fausto, flagra o delator Cerveró dizendo no décimo minuto de depoimento que está em vídeo online: ( https://m.youtube.com/watch?v=ZjdqNmzI3IA ).
-A Odebrecht sempre teve profunda influência (na Petrobras) desde época do (Joel) Rennó (Ex-presidente da Petrobras)...
Prossegue Cerveró:
-A Braskem é um dos maiores escândalos criados na época do Fernando Henrique...e não foi o Lula quem inventou... Essas coisas não são investigadas, isso é que eu fico impressionado.
Continua Cerveró: "A Braskem é um escândalo, feita com a Odebrecht".
Nesse exato instante do depoimento, quem interroga (e não aparece no vídeo) interrompe Cerveró e busca mudar de assunto perguntando: "...passados dois anos...".
Cerveró, então, vira-se para alguém ao lado, franze testa e sobrancelha, balança cabeça e mãos como quem diz "tá vendo?", e conclui:
-... Essas coisas é que me chamam a atenção...
Cerveró, entenda uma coisa: isso não vem ao caso, nunca vem ao caso...

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A mídia golpista, Dilma e Jango

Texto de Luis Nassif, extraído do Luis NassifOline-Jornal GGN:

José Eduardo Cardoso, Dilma e a solidão de Jango




A governo Dilma entra na batalha final do segundo turno. Perdendo, joga fora um projeto de país do qual é fiadora. Trata-se, portanto, de uma batalha final onde está em jogo um governo e, mais que isso, um projeto de país.

Nas gravações clandestinas dos depoimentos de Paulo Roberto Costa há um jogo de vazamentos seletivos, cuja responsabilidade é do juiz Sérgio Moro. Digo isso pelo fato da gravação ter sido efetuada na sua presença, sem que tomasse a menor precaução em prevenir o grampo - mesmo havendo um número reduzido de pessoas assistindo o depoimento - e por seu desinteresse em apurar o episódio.

Trata-se de um vazamento articulado com os grupos de mídia, cada qual atuando como peça de uma estratégia maior. E a gravação clandestina foi cometida nas narinas de Moro, sutil como um estupro à luz do dia, em plena Avenida Paulista.

Abre-se uma guerra de informações e declarações. Do lado do governo, o porta-voz autorizado, o que obteria maior espaço na mídia seria o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Ele seria o campeão de Dilma, a entrar em campo, de peito aberto, em defesa do seu governo.

Sem minimizar a gravidade das denúncias, ele poderia dar uma de suas aulas de direito - que reserva para os cursos que coordena nas Faculdades Damázio, acumulando com seu cargo de Ministro.

Lá poderia didaticamente explanar sobre os abusos dos vazamentos, anunciar medidas para apurar as responsabilidades, atuar junto ao Conselho Nacional de Justiça, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para punir os infratores e interromper o estupro da lei. Tudo isso sem abrir mão do reconhecimento das tramoias.

Nada faz. Não corre riscos, não se expõe em nenhum momento.

Contam que, ao sair de uma apresentação do documentário "O  dia que durou 21 anos" - sobre a ditadura - Dilma comentou com interlocutores, emocionada, como Jango estava só. Referia-se ao Comício da Central, com Jango cercado por assessores e aliados parte dos quais, dias depois, o abandonaria.

Um dos convivas  olhou para José Eduardo, que também assistia o documentário, pensou em falar alguma coisa para a presidente. Mas achou melhor não. Com a teimosia da presidente, o alerta cairia no vazio.

Se reeleita, talvez Dilma já esteja suficientemente vacinada contra a mais cruel das armadilhas: os assessores que só dizem sim e que jamais se expõem.