quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Paulo Sérgio Pinheiro sobre a desconsolidação da democracia



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Participante dos governos FHC e Lula, Paulo Sérgio Pinheiro dispara: país está acuado por grupos criminosos; maior responsável é “o presidente não eleito, que constituiu um governo de réus”
Por Fernanda Cirenza, na Brasileiros e Outras Palavras
Cinco dias depois do massacre de 56 presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, o episódio de mortes em série na penitenciária agrícola de Monte Cristo, a maior de Roraima, que aconteceu na madrugada desta sexta-feira, 6, deixando 33 presos mortos, mantém o país em estado de alerta. Como em Manaus, fala-se que essa tragédia também é resultado da guerra entre facções.
O cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, que em abril de 2015 já declarava aqui no site da Brasileiros que “o crime organizado está gargalhando da sociedade” , agora afirma que a maioria dos estados brasileiros está acuada por facções criminosas. “Estudos mostram que vários grupos criminosos têm o controle do sistema penitenciário. Desde o início da redemocratização, nenhum governo conseguiu efetivamente fazer o controle democrático do sistema penitenciário. Além da impunidade das execuções pela Polícia Militar, um território onde há um legado maior da ditadura é o mau funcionamento do sistema penitenciário. No entanto, os governos deram a sua colaboração para os direitos humanos, mas essa caminhada foi interrompida com o impeachment de Dilma Rousseff, com a posse de um presidente não eleito democraticamente.”
Respaldado por quase quatro décadas de atividades em defesa dos direitos humanos, Paulo Sérgio afirma que um dos maiores déficits da consolidação da democracia é a política de reclusão fácil, que mantém quase a metade dos presos reclusos sem sentença. “Isso é um absurdo dentro do estado de direito. Não tenho um carinho especial por pessoas que cometem crimes. Mas a questão é que existe uma legislação. Há mais de 200 mil presos sem sentença, pessoas que não deveriam estar na prisão. A política moderna nas democracias de verdade só coloca em reclusão aqueles que cometeram crimes violentos. Mas, no Brasil, tem gente na cadeia que roubou galinha, chocolate no mercadinho. Isso é um escândalo.”
O País, de acordo com ele, vive o que ele chama de “processo de desconsolidação” da democracia. “Todas essas leis antipopulares, como a PEC dos 20 anos, o aumento da jornada de trabalho para 12 horas, a idade mínima de 70 anos para a aposentadoria, esses horrores são sinal de um processo lento e gradual de desconsolidação da democracia desde o golpe. E o maior responsável por esses problemas é o presidente não eleito, que constituiu um governo de réus.”
Ele continua: “Temos a pior distribuição de renda do mundo e uma descabida, fenomenal má distribuição da renda aliada ao racismo. A maioria desses presos é de pessoas sem poder, afro-brasileiros, negros, jovens. A sociedade não se importa que nessa desconsolidação da democracia haja esses retrocessos de barbárie. Mas governos e governantes, evidentemente, não deveriam ser motivados pelo clamor da sociedade que quer que essas pessoas sumam. Se este fosse um governo legítimo, teria que fazer uma intervenção federal no estado do Amazonas. Como é um governo não eleito e acuado nas mãos do crime organizado, não tem coragem, nem atitude e honradez para fazer o que deveria ser feito”.
Ressalta ainda que o comentário do governador José Melo de Oliveira, do Amazonas, de que não havia nenhum santo no presídio onde o massacre aconteceu, legitima as mortes e decapitações. “Quem é esse homem para dar certificado de santidade? Quer dizer, só em um país bárbaro, como é essa nossa Banana Republic, isso pode acontecer.”
Paulo Sérgio, que ocupou postos em defesa dos direitos humanos nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, acrescenta que as alianças feitas nos três governos são parecidas, mas havia um diferencial. “Os três presidentes eleitos democraticamente, por experiência pessoal ou por convicção, colocavam limites aos horrores que agora são rotina nesse governo não eleito. É um liberou total. Quem tem hoje hegemonia neste governo? O circo daqueles que votaram pelo impeachment. Por que temos um Congresso que não representa o Brasil? Porque grupos econômicos importantes, sem nenhum controle, compraram esses mandatos. É um escândalo.”
Para o cientista político, que desde 2011, o cientista político está no comando de uma comissão internacional nomeada pela ONU para investigar violações de direitos humanos na Síria, este ano, infelizmente, será pior que o passado. “É desagradável dizer isso nos primeiros dias de janeiro. Mas vai ser pior por causa de todas as caixinhas de horror que esse governo abriu com os projetos absolutamente retrógrados que estão para ser votados. Para mim, a única solução é que se organize eleição direta. Não vejo outra maneira.”

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Do Outras Palavras: Teori, arquivo queimado. E agora? Texto de Antonio Martins


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Morte de Teori Zavascki interessa aos que querem prolongar o golpe e temem as delações da Odebrecht. Faltam a Temer condições éticas para nomear sucessor. É hora de voltar às ruas
Por Antonio Martins, extraído do Outras Palavras
Não é preciso transformar o ministro Teori Zavascki, morto num acidente suspeitíssimo, em herói. Encarregado do processo da Lava Jato no STF, ele foi, como quase todos os seus colegas, incapaz de defender a Constituição e a imparcialidade da justiça. Mas é facílimo identificar os que se beneficiam com seu desaparecimento. Em primeiro lugar o presidente Temer; seu “governo de réus” (para usar a feliz expressão de Paulo Sérgio Pinheiro); as cúpulas do PSDB e PMDB; e centenas de deputados e senadores destes e outros partidos governistas. Todo este grupo estaria ameaçado e desmoralizado já a partir de fevereiro, quando Teori homologaria as delações premiadas dos executivos da Odebrecht, expondo a corrupção e hipocrisia dos que derrubaram o governo eleito e tomaram o poder em maio.
O “acidente” favorece, em segundo lugar, o prolongamento do golpe de Estado e a adoção de sua agenda de retrocessos selvagens. A quebra do sigilo sobre as delações (outra decisão que Teori mostrava-se disposto a tomar) demonstraria que o recebimento de propina e o favorecimento ao poder econômico são práticas corriqueiras e quase universais no mundo da política institucional. Esta revelação destrói o núcleo central da narrativa dos golpistas – a ideia de que o impeachment foi adotado para afastar um grupo corrupto e sanear a vida nacional. De quebra, frustrar ou adiar a publicação oficial das delações permite a um Congresso onde há centenas de prováveis corruptos tocar impunemente a agenda de horrores em curso. Nela se incluem, entre tantos outros pontos, o desmonte da Previdência Social Pública, a anulação na prática da maior parte da legislação que protege o trabalho, o bloqueio da demarcação de terras indígenas e o prosseguimento da entrega do pré-sal.
A análise inicial do regimento do STF sugere que todos processos sobre a Lava Jato, até agora centralizados em Teori Zavascki, serão entregues ao novo ministro do Supremo – a ser proposto pelo presidente da República e confirmado pelo Senado. Nas condições atuais, trata-se de uma afronta à ética. As poucas delações vazadas até agora indicam que Michel Temer foi apontado como receptor de propina ou praticante de favorecimento ilícito 43 vezes pelos executivos da Odebrecht. Em que julgamento legítimo pode o réu escolher o juiz que decidirá sua pena – ou sua absolvição? A necessária confirmação da escolha pelo Senado torna o escárnio ainda mais completo. Porque serão padrinhos do novo ministro, além de Temer, dezenas de senadores igualmente citados como corruptos.
Ninguém duvide: tanto Michel Temer quanto os senadores executarão, se lhes for permitido, o roteiro bizarro exposto acima. Eles tomaram o poder sem pudor, conscientes de sua hipocrisia, nas sessões grotescas da Câmara e do Senado em 19 de Março e 31 de agosto. Eles, sem vergonha, obrigam o país a engolir uma agenda impopular e nunca submetida a consulta alguma. Se foram capazes de tanto, o que não farão para salvar a própria pele e para preservar o sistema espúrio que lhes dá cada vez mais riqueza e poder?
Na vida e na política, as omissões são muitas vezes mais trágicas que os erros. As manifestações contra o golpe, que mobilizaram multidões e cresceram até abril, arrefeceram em seguida. Um pensamento acomodado tem soprado a alguns setores, mesmo entre a esquerda, que os males do presente poderão ser reparados em 2018, quando um novo presidente for eleito. Outros, que se julgam mais radicais, deixaram as ruas porque, enojados com razão de toda a política institucional, avançaram um limite. Amorteceram-se e se tornaram incapazes de lutar contra a brutalidade específica de um golpe capaz de instalar o Estado de Exceção em sua versão mais crua.
A morte de Teori Zavascki abre espaço para uma recuperação. Ninguém será capaz de convencer a sociedade de que foi de fato um acidente (é sugestivo que a velha mídia, discreta sobre a vida íntima de quase todos os poderosos, alardeie agora, como cortina de fumaça, a possível presença de uma amante no voo fatal). Os que queremos uma reforma política profunda devemos assumir nossa responsabilidade.
É preciso impedir que a casta política se safe e que o golpe se amplie. Há instrumentos para bloquear esta fuga. O futuro ministro do STF que assumirá o processo precisa ser questionado. Deve se comprometer, como indicava claramente Teori, a aceitar os acordos de delação premiada da Odebrecht. Poderá alegar que precisa de tempo para analisar milhares de horas de gravação, dezenas de milhares de páginas de processo. Mas isso não poderá servir de pretexto para manter o processo engavetado. O sigilo precisa ser rompido. Estamos na era do digital. Nada mais tacanho que impedir os brasileiros de conhecer as práticas políticas dos que querem governar.
A luta contra a corrupção – muitos têm dito – não pode ser uma bandeira dos conservadores. A oportunidade para frear esta captura está dada agora. Não se trata, como alguns chegaram a propor, de aderir às manifestações reacionárias. Trata-se de propor agenda às maiorias que percebem, tanto quanto nós, o esvaziamento da política. Trata-se de construir, com o impulso do fato inesperado, uma narrativa mais rica sobre o sequestro da democracia pelo poder econômico. Trata-se de tomar a frente, de propor saídas concretas diante de um acontecimento que comove o país. Estamos dispostos?

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O 7 X 1 das mulheres americanas em manifestação contra ideias elitistas e xenófobas de Trump e a imbecilidade da mídia golpista brasileira. Por Luciana Oliveira

"Fosse no Brasil o gigantesco protesto de mulheres um dia após a posse de Donald Trump, seria visto pela ‘maioria’ como manifestação isolada e patética de uma turba feminista e noticiado em nota coberta de 30 segundos no Jornal Nacional."


Do 247:




Fosse no Brasil o gigantesco protesto de mulheres um dia após a posse de Donald Trump, seria visto pela ‘maioria’ como manifestação isolada e patética de uma turba feminista e noticiado em nota coberta de 30 segundos no Jornal Nacional.

O contraste tira o fôlego, deixa boquiaberto pela distância de mentalidade e postura entre americanas e brasileiras.

Pouco importa se havia mais ou menos manifestantes no ‘National Mall’ durante a posse Trump ou na marcha das mulheres.

As americanas tomaram as ruas para dizer a Trump no primeiro dia de governo que irão resistir à agenda ultraconservadora, excludente sobretudo por caráter misógino e xenófobo.

A advogada de direitos civis e ativista Zahra Billoo mandou o recado:

“Nossa América inclui a todos em nossa preciosa diversidade e exige que marchemos para nos proteger, este é o momento de arregaçar as mangas, ter coragem e estar preparado para trabalhar”.

Mulheres comuns e famosas se uniram a homens para deixar claro que não aceitarão nenhum direito a menos como consequência da visão obscurantista do presidente eleito.

A atriz Ashley Judd lembrou a expressão “mulher nojenta”, usada por Trump ao se referir à candidata Hillary Clinton num rompante misógino.

O oposto do que vimos aqui com Dilma Rousseff, que desde a campanha à reeleição suporta generalizadamente não só as ofensas de caráter preconceituoso e machista, mas a banalização delas.



Imagine como as americanas reagiriam se Hilarry fosse constantemente chamada de ‘feia’, ‘anta’, ‘vagabunda’, ‘safada’, ‘bandida’, como foi e ainda é, Dilma.

A cantora Madonna usou a palavra rebelião para convocar resistência à pauta do retrocesso, o que aqui seria considerado incitação à violência.

“À rebelião. À nossa recusa como mulheres em aceitar essa nova era da tirania”, convocou Madona.

Aqui por muito menos se prendeu arbitrariamente e também mulheres estimularam o achincalhamento virtual da estudante Ana Júlia, que fez um discurso memorável em defesa de ocupações de escolas e contra a reforma do ensino médio.

A marcha em Washington foi sugerida por uma advogada nas redes sociais: “E se as mulheres marchassem em massa em Washington durante a posse?”, perguntou.

Dormiu com 40 “curtidas” e acordou com mais de 10.000.

Enquanto isso em Rondônia, como tantas outras, uma advogada pedia em vídeo no facebook que os militares tomem o poder.

“Nós queremos os militares agindo pra que haja ordem nesse país, pois nós estamos numa desordem. Raciocine e veja o que está acontecendo no nosso país”, vociferou.

Inacreditavelmente, pela pobreza de argumentos e com erros primários de português, o vídeo teve cinco compartilhamentos.

Algumas mulheres a parabenizaram nos comentários e pasme, uma delas aproveitou para ridicularizar a jovem massoterapeuta que morreu no acidente aéreo junto com o ministro do Supremo, Teori Zavascki.

Outra advogada que adora tirar férias em Miami e que teria participado do ato em Washington se estivesse por lá, segue utilizando as redes sociais para eleger Jair Bolsonaro presidente.

Bolsonaro que ao votar pelo impeachment homenageou o coronel Carlos Brilhante Ustra, como o “pavor de Dilma Rousseff, aquele que foi o primeiro torturador na ditadura militar reconhecido pela justiça brasileira.

Bolsonaro, que defendeu no programa Super Pop, salário menor às mulheres.

Bolsonaro que disse no plenário da Câmara à deputada Maria do Rosário (PT-RS), “que não a estupraria “porque ela não merece”.

Ao encarar Trump arrastando multidão três ou quatro vezes maior que a esperada em inequívoca demonstração de coragem e força, as americanas deram uma lição às brasileiras.

Sem recato, belas e nas ruas, provaram que não fogem à luta.

A mensagem a Trump é clara: não provoque.

Aqui ainda se autoriza que Bolsonaro use e abuse da estupidez sem moderação.




by Taboola
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O neolberalismo dizimador em xeque



Do 247:

FABRICE COFFRINI

A verdade nua e crua é que a conversa fiada do neoliberalismo fez foi aprofundar o fosso social no mundo inteiro. De acordo com a OXFAM, ONG britânica ramificada em mais de 90 países, apenas 8 bilionários concentram metade da riqueza mundial (eram 62 ). Esse super-ricos põem na conta bancária o equivalente ao que 3,6 bilhões de pessoas colocam no bolso para sobreviver


Artigo de Sebastião Costa


Nasceu atraente feito um galã de cinema. forte como uma dama de ferro.

Margaret Thatcher na Europa, Reagan nos EEUU
Seguiu pela América Latina, com o mexicano Salinas, Menem na Argentina, Pinochet no Chile e no Brasil, Collor e FHC.

Todos comprometidos até a medula com os dogmas da direita mundial e sem uma gota de sensibilidade social
Vale informar, que alguns líderes latino-americanos, Lula, Correia, Evo, Chavez, que rezam no catecismo da esquerda, rumaram por outras veredas e elevaram o padrão de vida dos pobres de seus países.
A conversa do neoliberê era muito bonita: Recolhe-se o Estado e deixa o mercado resolver.

A famosa teoria do "trickle-down", o "gotejamento" que transborda dos mais ricos para os mais pobres, iria distribuir renda, reduzindo as desigualdades sociais
Mas, parece que finalmente os adoradores do Deus mercado deram o braço a torcer e admitiram que essa história de neoliberalismo era mesmo conversa pra boi dormir e encher o bolso deles às custas da pobreza e miserabilidade que se espalhou pela Europa EEUU e América Latina
Pois não é que, às vésperas do Fórum Econômico Mundial, um relatório dos organizadores fala em "uma nova agenda de crescimento e desenvolvimento"; e que é necessário "padrões medianos de vida –isto é, o povo – no centro das estratégias nacionais de desenvolvimento e da integração econômica internacional".

Neoliberalismo preocupado com povo? Onde já se viu! Tá mais pra Porto Alegre do que Davos.
Tem mais: quem abriu o Fórum foi Xi Jimping, líder do 'continente' chinês, com a economia fortemente monitorada pelas garras do Estado e sem dar a mínima para essa 'besteira' de democracia , inventada pela elite econômica pra manter em suas mãos os cordões que movem a política de quase todos países do mundo ocidental
Até o criador do Forum Mundial Econômico, Klaus Shwab andou entregando os pontos: "Está claro que, hoje, as coisas não estão indo bem para essa visão aberta e pragmática de progresso. Líderes têm sido demonizados como 'a elite'. A retórica antiglobalização está ameaçando a economia colaborativa e as estruturas comerciais..."
A verdade nua e crua é que a conversa fiada do neoliberalismo, fez foi aprofundar o fosso social no mundo inteiro. De acordo com a OXFAM, ONG britânica ramificada em mais de 90 países, apenas 8 bilionários concentram metade da riqueza mundial (eram 62 ). Esse super-ricos põem na conta bancária o equivalente ao que 3,6 bilhões de pessoas colocam no bolso para sobreviver.
No nosso país, esse time cai para 6 brasileiros abocanhando US$78 bilhões, que correspondem à renda de 100 milhões de pobres e miseráveis que vão conviver nos próximos 20 anos numa penúria social sem precedentes na história do país.
E lá no frio dos Alpes suíços, enquanto o anfitrião do evento, Klaus Shwuab reconhece a falência do projeto neoliberal, e o próprio FME areja seu discurso com propostas de alcance social, o ministro Henrique Meirelles leva na bagagem a mensagem do governo Temer de mais privatizações, arrocho econômico e sufocamento das camadas mais vulneráveis da sociedade brasileira.
Lembranças do Brasil de Collor e FHC!

Artigo de João FIlho para o The Intercept escancara o racismo e o reacionarismo da mídia brasileira




"Essa semana, o Balanço Geral DF, da Record, um programa regional que mistura jornalismo com entretenimento e possui réplicas em todos os estados, protagonizou uma cena chocante de racismo. O jornalista e âncora do programa Marcos Paulo Ribeiro de Moraes, também conhecido como “Marcão Chumbo Grosso”, se sentiu à vontade para dizer que a cantora Ludmilla era uma “pobre macaca” antes da fama. Foi assim que ele ilustrou sua indignação com a possibilidade de a cantora não ter tratado fãs com a humildade que ele gostaria. Um caso evidente de racismo".

Artigo de João Filho, para o The Intercept Brasil:


HÁ UMA IDEIA CORRENTE nas redes sociais de direita que defende a existência de uma hegemonia do pensamento de esquerda na mídia internacional. Este delírio antes se restringia às sombras da extrema direita, mas, ultimamente, vem se tornando popular e ganhando força nas redes sociais.
Não é exatamente surpreendente que seja identificada como de esquerda qualquer abordagem mais progressista.Os telejornais, os telejornais policiais e programas que misturam entretenimento com jornalismo ainda são grandes fontes de informação para grande parte dos brasileiros. Segundo pesquisa Ibope divulgada pela Secom, 63% da população se informa sobre o que acontece no Brasil por meio de noticiários televisivos, e 77% afirma ver TV todos os dias da semana. Os programas policiais são um fenômeno de audiência e, invariavelmente, abraçam causas reacionárias. Apresentadores enfurecidos berram condenando suspeitos, discutem com entrevistados, aplaudem violência policial desmedida e repetem a máxima “bandido bom é bandido morto”. A fórmula sangrenta que fere todos os princípios jornalísticos é conhecida. Para quem está acostumado a isso, qualquer artigo no Guardian pode soar como um novo manifesto comunista. Há até quem considere a Folha de São Paulo um jornal esquerdista.
Essa semana, o Balanço Geral DF, da Record, um programa regional que mistura jornalismo com entretenimento e possui réplicas em todos os estados, protagonizou uma cena chocante de racismo. O jornalista e âncora do programa Marcos Paulo Ribeiro de Moraes, também conhecido como “Marcão Chumbo Grosso”, se sentiu à vontade para dizer que a cantora Ludmilla era uma “pobre macaca” antes da fama. Foi assim que ele ilustrou sua indignação com a possibilidade de a cantora não ter tratado fãs com a humildade que ele gostaria. Um caso evidente de racismo, mas a direção do programa tentou justificar no Twitter:

Impressiona a capacidade do programa da Record de subestimar seus telespectadores – não que já não faça isso diariamente. A direção do programa se reuniu e chegou à conclusão que contar essa mentira seria uma saída razoável. É grave demais para um programa que se pretende jornalístico.
Marcão Chumbo Grosso, aconselhado por seu advogado, apresentou outra justificativa para uso do termo “macaca” e recorreu aos “dicionários informais da internet” para provar que não foi racista:
“Nos dicionários informais, que facilmente pode ser visto através da rede mundial de computadores, a expressão “pé de macaco”, é usada como sendo: ‘Diz-se de algo pobre ou desprovido de vantagens ou de acessórios, que varia entre o ruim e o mais ou menos’, inclusive esta expressão de linguagem, é usada também em uma linda canção do Eduardo Costa.”
A pontuação do jornalista e seu advogado chocam menos que a cara de pau. Marcão não é um jovem inexperiente. É macaco velho. Já foi vereador eleito pelo PR (Partido da República) no interior do Tocantins, onde foi acusado de falsidade ideológica.
Após onda de indignação que se levantou nas redes, a empresa do Bispo Macedo não teve outra saída a não ser demiti-lo, e o programa teve o seu perfil deletado do Twitter. Chumbo Grosso deve ter ficado chateado, já que, quando foi contratado, declarou amar a empresa “porque é uma emissora que preza pela família brasileira”.
Este não é um caso isolado. Humilhar minorias na televisão é uma prática recorrente. No último dia 8, a repórter Fabélia Oliveira, do programa Sucesso no Campo, da Record Goiás, criticou o samba enredo da Imperatriz Leopoldinense, que aborda o conflito entre agronegócio e índios do Xingu. Na ânsia em defender o agronegócio, a repórter foi buscar inspiração no período colonial para tratar índios como se fossem pedras no sapato da civilização:
“Eles querem a mata para preservar a cultura deles? Pois então eles vão viver da cultura deles. Sou a favor dessa preservação se o índio for original. Agora, deixar a mata reservada para comer de geladeira…isso não é cultura indígena, não!  Eu sinto muito. Se ele quer preservar a cultura ele não pode ter acesso à tecnologia que nós temosEle não pode comer de geladeira, tomar banho de chuveiro e tomar remédios químicos. Porque há um controle populacional natural. Ele vai ter que morrer de malária, de tétano, do parto. É… a natureza. Vai tratar da medicina do pajé, do cacique, que eles tinham antigamente. Aí justifica.”
A eloquência com que esse ataque à cultura indígena foi proferido lembra bastante a garra com que o jornalista da Globo Alexandre Garcia costuma defender a ditadura militar, que massacrou povos indígenas. Ex-porta voz do ditador general Figueiredo e atual comentarista político do programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, o prestigiado jornalista voltou na última semana mais uma vez à trincheira em defesa do regime do qual fez parte:
Não é a primeira vez que o jornalista desfruta da liberdade de expressão para vangloriar o regime assassino e torturador. Ele exalta o crescimento do PIB no período, conquistado graças a empréstimos estrangeiros que quadruplicaram a dívida externa, mas finge ignorar o aumento da desigualdade social e da miséria. Chama de “terrorista” quem ousou lutar contra a ditadura, mas omite as práticas terroristas perpetradas por ela durante os anos de chumbo.
As Organizações Globo pediram desculpas por terem apoiado – com muito gosto diga-se de passagem – a ditadura militar, mas não veem problema em manter em seus quadros um jornalista declaradamente entusiasta dela. É um perdão curioso, já que a empresa permite que um funcionário saia por aí exaltando o golpe de 64 e criminalizando quem o combateu.
Os três episódios aconteceram apenas neste mês e ajudam a mostrar a tendência reacionária da imprensa corporativa brasileira. Enquanto jornalistas mais identificados com causas progressistas ficam de canto, quem vai pro centro da ribalta para brilhar são datenas, sheherazades, alexandres garcias e outros chumbos-grossos prestigiados pelos barões da mídia.

ENTRE EM CONTATO COM O AUTOR:

João Filhojoao.filho@​theintercept.com@jornalismowando

The Intercept: Quem são as mulheres que foram às ruas contra Trump em Washington. Artigo de Chelsea Matiash





A fotógrafa Polina Yamshchikov clicou rostos e vozes em manifestação nas ruas de Washington. A pergunta era: Pelo quê você está marchando?


Artigo de Chelsea Matiashe para o The Intercept:



CENTENAS DE MILHARES DE MULHERES e homens lotaram as ruas de Washington em comício e marcha contra Donald Trump no último sábado (21). A fotógrafa Polina Yamshchikov (@polinavy) clicou rostos e vozes das ruas para o @theintercept no Instagram. Caminhando pelo percurso da Marcha das Mulheres em Washington, ela perguntou às pessoas que encontrou a mesma pergunta: Pelo quê você está marchando?
Tradução: “Resistir. Resistir”.
Ayesha Gill e Rabia Baig, Virginia, EUA. “Estamos aqui para apoiar a todos os demais que foram marginalizados por Donald Trump. Apoiamos eles, e somos gratas por sermos apoiadas por eles.
Dustin Philips, Washington, D.C., EUA “A energia coletiva e os pensamentos positivos presentes aqui hoje são um grande contraste com ontem. Me deu um pouco de esperança”.
Alina Mogilyanskaya e Elia Gran, Barcelona, Espanha. Alina conta que está marchando porque quer “resistir ao novo regime”. Elia disse: “Estou aqui por motivos egoístas: pela minha própria necessidade de me sentir acompanha e sentir essa presença nesses tempos tão difíceis. Sou de Barcelona, e esta marcha me parece independente de qualquer governo. Os direitos de mulheres são realmente universais. Vim porque posso participar, independente da minha cidadania”.
Rui Wang, Tucson, Arizona, EUA. “Vim para mandar uma mensagem para os EUA e para o mundo todo de que decência, gentileza, justiça e constitucionalidade são importantes. O “guarda-chuva” é amplo, e podemos não concordar em todos os pontos, mas é muito importante demonstrar solidariedade entre si”.
Gayle Ayer, Panamá. “Me preocupo com meus netos, mas não estou aqui pela minha família, estou aqui pelo mundo todo. Ele [Trump] quer destruir tanta coisa. Isso é muito importante”.
Rosie Silvers, 16, (direita) e Anna Goodman (esquerda), Maryland, EUA. Rosie disse que as meninas estão “aqui porque acreditamos em democracia, feminismo e direitos humanos. Também viemos porque não tínhamos voz, já que éramos muito novas para votar, então queremos nos fazer ouvir.
Loretta Aiken, Virginia.”Moro aqui há mais de 45 anos e essa é a maior multidão que vejo desde os protestos do Vietnã. Eu estava aqui no movimento original das mulheres em 1971 e 1972. Fico triste. Por que não progredimos mais? Progredimos em vários aspectos mas ainda há muito a percorrer.
Tradução: “Faça dos EUA um país inclusivo novamente”
Connie Chen, Nova York. “Sendo negra e também mulher, sei como é vital defender aquilo em que você acredita. Estou aqui hoje para apoiar minhas colegas mulheres, negros, muçulmanos e pessoas oprimidas em geral.
Chase Palmer, 16, e Julia Camara, 15, Washington, D.C. “Estamos aqui porque nos recusamos a aceitar o novo presidente”.
Foto principal: Marcha das Mulheres, Washington em 21 de janeiro de 2017.

ENTRE EM CONTATO COM O AUTOR:


Chelsea Matiashchelsea.matiash@​theintercept.com@cmatiash

ADDITIONAL CREDITS:

Translation: Inacio Vieira.

Bob Fernandes: A morte de Teori e o avanço dos que operam o "estancar a sangria"



"No Supremo Tribunal os depoimentos serão homologados. Mas tudo mais vai atrasar, e muito. Os que operam para "estancar a sangria" ganham mais fôlego e espaço."



Francisco, filho de Teori Zavascki, dizia em Maio: "Alerto (...) Algo pode acontecer com alguém da família".
Em Porto Alegre grupos à direita, um deles ligado ao MBL, já haviam protestado em frente ao apartamento de Teori. Chamando-o de "bolivariano", "pelego do PT", "traidor".
Depois da queda do avião, o filho do ministro disse:
-Eu realmente temia, mas agora isso não está passando pela cabeça. Fatalidades acontecem; Paraty, chuva, o avião arremeteu e é isso ai. Deu zebra.
Francisco considera "leviano" tirar conclusões precipitadas. Ele ponderou:
-Seria muito ruim para o país, extremamente pernicioso, que se imagine que um ministro foi assassinado por causa de um processo...Torço para que tenha sido uma fatalidade.
Articula-se nos bastidores como e para quem será distribuído o processo que Teori relatava.
Processo que não desaparece. Não há como estancar 77 delatores e cerca de 900 depoimentos já gravados.
No Supremo Tribunal os depoimentos serão homologados. Mas tudo mais vai atrasar, e muito.
Os que operam para "estancar a sangria" ganham mais fôlego e espaço.
No topo do Poder personagens de todos os grandes partidos foram ou serão delatados.
Alguns estiveram no velório. Quase todos soltaram lacrimejantes notas de pesar.
Temer avisou: não indicará novo ministro até que o Supremo decida quem será o novo relator.
Por quê? Porque aí a pressão seria insuportável.
Imaginem indicar como ministro, já, um Alexandre de Moraes?
Pela regra primeira, existem outras, esse seria o relator. E isso num processo onde também Temer é citado.
Seria escancaração demais. Melhor esperar o novo relator e aí indicar ministro aliado sob menos atenção e pressão.
As investigações deverão elucidar o que aconteceu. Se concluírem que foi acidente, milhões não acreditarão na conclusão.
No dia seguinte à queda do avião, segundo a Paraná Pesquisas, "83% dos brasileiros não acreditavam em acidente".
É natural, humano, a negação da morte, do imponderável. Mais ainda de personalidades públicas com grande exposição, como o ministro Teori Zavascki.
Mas esta reação diz muito, também, sobre um país onde a barbárie, o assassinato de 60 mil ao ano, por exemplo, incorporou-se ao cotidiano.
Indiferença essa porque os assassinados quase sempre não têm rosto. São apenas estatísticas dos guetos...
...Diz muito também sobre país onde tantos alardeiam que "todos são corruptos".
Menos, obviamente, quem aponta o dedo e o verbo.

domingo, 22 de janeiro de 2017

José Serra retoma a entrega da base de lançamento de Alcântara para os Americanos. Artigo de J. Carlos de Assis



  "Para quem não sabe, Alcântara é a localização mais estratégica do mundo, do ponto de vista miliar e político, para lançamento de foguetes. Um acordo secreto, conforme noticiado, daria aos americanos enormes vantagens. "

Foto-montagem: CartaCapital


GGN.- Acordei nesta manhã com a notícia de que o Governo brasileiro está negociando secretamente um acordo com os Estados Unidos para utilização da Base de Alcântara. Para quem não sabe, Alcântara é a localização mais estratégica do mundo, do ponto de vista miliar e político, para lançamento de foguetes. Um acordo secreto, conforme noticiado, daria aos americanos enormes vantagens. Em primeiro lugar, atenderia a seu desejo explícito de não deixar o Brasil desenvolver uma tecnologia própria de foguetes. Em segundo lugar, impediria um eventual acordo brasileiro com outra potência na área, por exemplo, a Rússia.
O Governo brasileiro tentou desenvolver tecnologia de foguetes num acordo com a Ucrânia que, tendo sido uma das repúblicas soviéticas, estava em condições de oferecer uma parceria vantajosa ao Brasil. Como se sabe, só a Rússia, como herdeira dos soviéticos, tem tecnologia aeroespacial comparável à dos EUA, o que de alguma forma compartilhava com a Ucrânia. Entretanto, a Ucrânia sofreu um golpe de Estado comandado pelos americanos, que exigiram o fim do acordo com o Brasil, conforme informações do WikiLeaks. Além disso, em 2003, Alcântara sofreu um acidente devastador destruindo instalações e dezenas de vidas.
O “acidente” de Alcântara nunca foi claramente explicado. Só interessava aos EUA. Considerando que os americanos tem tecnologia suficiente para invadir o Palácio Planalto e o prédio da Petrobrás para coletar informações, não pode ser atribuído exclusivamente aos teóricos da conspiração a ideia de que houve, sim, um atentado para evitar o desenvolvimento tecnológico brasileiro na área de foguetes. Os que sofrem do “complexo de vira-latas” podem subestimar essa considerações dizendo que um país como os EUA, forte e rico, jamais se preocuparia em bloquear o desenvolvimento de uma nação tão insignificante como o Brasil.
Entretanto, como explicar os telegramas do embaixador americano na Ucrânia manifestando sua oposição ao acordo com o Brasil? Mais do que isso: por que a Ucrânia se desinteressou do acordo tão logo assumiu um novo governo apoiado num golpe nazista direcionado contra a Rússia, que os neoconservadores americanos consideram inimiga? Tudo isso é muito suspeito. E mais suspeito ainda é a pouca informação que a sociedade brasileira teve a respeito. Aparentemente as autoridades americanas “ajudaram” nas investigações para esclarecer o acidente ficando na confortável situação de acobertar o que lhes interessava.
Agora, colhendo os frutos do “acidente”, os americanos obtiveram do ministro das Relações Exteriores, José Serra, a sugestão de retomar o acordo de forma próxima do que foi rejeitado pelo Governo Lula antes do acordo com a Ucrânia. A sujeição é total. Perderemos a soberania sobre a base. Nada de parceria tecnológica. O comando pleno das instalações passa a ser dos Estados Unidos – naturalmente, de suas Forças Armadas. Todos os resultados financeiros serão de propriedade americana. De um lado estará o patriotismo de Trump, do outro nossa subjugação total a uma potência estrangeira. Aos oficiais da Força Aérea Brasileira restará cuidar do serviço de limpeza, juntando-se aos oficiais do Exército e da Marinha que estão cuidando dos presídios.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O estranho interesse pelo avião, antes do "acidente", em que viajava Teori, por Marcelo Auler



"Nestas horas, porém, como de hábito, tudo deve levantar suspeitas para depois elas serem ou não afastadas. A maior delas veio às redes sociais pelo jornalista Chico Malfitani, de São Paulo, na noite da mesma quinta-feira em que ocorreu o acidente, a partir de dados que lhes foram repassados pelo Leonardo Manzione, engenheiro da Politécnica da USP. O site que mostrava o avião e sua ficha técnica teve uma alta visualização em um único dia: 1.885".
Do blog de Marcelo Auler
por Marcelo Auler/Chico Malfitani
Não sou adepto da teoria da conspiração, embora entenda que no jornalismo sempre devemos desconfiar de tudo e de todos, fazendo o papel de advogado do diabo. Por tudo que li, ouvi e vi na TV e na Internet, a queda do bimotor PR-SOM LJ-1809 – que estava em perfeita ordem, como prova a ficha técnica da aeronave – deve sim ter sido um acidente, causado pela pouca visibilidade e por alguma manobra mais brusca do experiente piloto, Osmar Rodrigues, 56 anos, há mais de 20 fazendo a mesma rota. Testemunhas falam que ele deu uma guinada de 180º e que a ponta da asa tocou no mar. Ou seja, tudo indica que a morte do ministro do STF, Teori Zavascki, relator da Lava Jato, foi sim uma fatalidade.
Nestas horas, porém, como de hábito, tudo deve levantar suspeitas para depois elas serem ou não afastadas. A maior delas veio às redes sociais pelo jornalista Chico Malfitani, de São Paulo, na noite da mesma quinta-feira em que ocorreu o acidente, a partir de dados que lhes foram repassados pelo Leonardo Manzione, engenheiro da Politécnica da USP. O site que mostrava o avião e sua ficha técnica teve uma alta visualização em um único dia: 1.885.
O alerta de Chico Malfitani na noite de quinta-feira.
Também pode não significar nada, mas vale registra que o filho de Teori, o advogado Francisco Zavascki, pouco depois de ter confirmado a morte do pai na queda do avião fez uma nova postagem em que dizia: “Eu avisei”. Em seguida reproduziu sua postagem de maio passado quando alertou para possíveis atentados contra o pai.
Tudo isso reforça apenas a necessidade de uma investigação detalhada e, acima de tudo, transparente. Não chega a ser notícia de destaque dizer que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal abriram investigações a respeito. É obrigação desses dois órgãos públicos, assim como do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos – CENIPA, a chamada perícia técnica da Força Aérea Brasileira – FAB. O interessante é saber que a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmem Lúcia, designou dos servidores daquela corte para acompanharem este trabalho. Não seria o caso de também colocar como observador um representante da OAB?
O filho de Teori, Francisco, lembrou ontem um recado postado em maio: "Eu avisei".
O filho de Teori, Francisco, lembrou ontem um recado postado em maio: “Eu avisei”.
A aeronave que decolou do Campo de Marte (SP), é de propriedade da empresa Emiliano Empreendimento e Participações Hoteleiras Sociedade Ltda., (que administra os hotéis Emiliano, em São Paulo e no Rio).
A ficha técnica da aeronave, adquirida pela Emiliano Empreendimento e Participações em novembro de 2015, estava em perfeita ordem. O certificado de aeronavegabilidade era válido até abril de 1922 e a Inspeção Anual de Manutenção estava válida até o próximo mês de abril. O avião poderia transportar 4581 quilos e, no máximo, sete passageiros.
A Emiliano Empreendimento e Participações é uma sociedade familiar, encabeçada pelo pai, Carlos Alberto – que morreu no acidente – e por seus quatro filhos – Carlos Emiliano, Carlos Gustavo, Carlos Alberto e Carolina Alessandra- todos com sobrenome Guerra Filgueiras. Carlos Emiliano é um advogado com um famoso escritório em São Paulo.
ficha tecnica do aviião