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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Novos diálogos vazados revelam deslealdade processual de Moro e procuradores




A condução coercitiva ilegal de Lula

Trechos do artigo sobre os vazamentos das sujeiras da Lava Jato publicados por Ricardo Balthazar, da Folha de S. Paulo, e Rafael Neves, do The Intercept Brasil
(…)
As mensagens obtidas pelo Intercept sugerem que a força-tarefa temia que Rosa aceitasse os argumentos da defesa do ex-presidente. Além disso, revelam que o grampo nos telefones do petista permitiu que os procuradores obtivessem informações sobre a movimentação dos seus advogados e se antecipassem a eles.
(…)
“Sou contra falar sobre qualquer coisa sobre operação”, disse o procurador. “Apenas sobre a necessidade de que o STF não interrompa a investigação.”
Deltan foi a Brasília no dia 29, segunda-feira, e tratou do assunto com o procurador Eduardo Pelella, chefe de gabinete de Janot. Pelella levou as informações produzidas pela força-tarefa ao Supremo à tarde e deixou-as com o chefe de gabinete de Rosa, segundo as mensagens obtidas pelo Intercept.
“Boa conversa com o chefe de Gabinete dela”, disse Pelella a Deltan no Telegram, após a reunião no tribunal. “Mas o cara é fechadão”. Poucas horas depois, Rosa determinou que a defesa de Lula fosse comunicada das informações apresentadas pela força-tarefa para que se manifestasse, indicando que esperaria a resposta para tomar sua decisão.
(…)
A ministra anunciou sua decisão no mesmo dia. No despacho, Rosa afirmou que não encontrara indício de ilegalidade na condução das investigações que justificasse interferir no trabalho do Ministério Público em estágio tão prematuro e disse não ao pedido dos advogados de Lula.
(…)

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Gilson Dipp, que indicou Moro para Rosa Weber, desaprova as suas atitudes. Artigo de Luis Nassif





"Como é que se pode conceber um Ministro telefonando para autoridades comunicando grampos, como se lhes prestasse um favor?", diz Dipp, que também acha que a Operação Spooling "Parece muito mais como uma tentativa de desviar o foco das acusações que pesam sobre os grampeados pela Intercept."

Do GGN:



Gilson Dipp é um magistrado que fez história na luta anticorrupção. Como Ministro da Controladoria Geral da União (CGU) definiu as bases de um amplo processo de fiscalização, que chegou até os municípios e permitiu montar uma rede interministerial de combate aos mal feitos.
Coube a ele, também, uma decisão que se mostrou, posteriormente, decisiva para a história política do país: a indicação do então juiz Sérgio Moro como assessor da Ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do mensalão. Dipp considerava Moro muito técnico em suas sentenças.
Foi de Moro a máxima de Rosa Weber, no julgamento de José Dirceu:
– Não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite.
Essa mesma manobra foi utilizada na Lava Jato, exposta no famoso Power Point de Deltan Dallagnol.
Conversei com ele há pouco, depois de ler declarações suas para a Folha, sobre as manobras de Sérgio Moro no caso dos hackers de Araraquara.
Aqui, suas principais declarações.

Sobre a Operação Spoofing

Parece muito mais como uma tentativa de desviar o foco das acusações que pesam sobre os grampeados pela Intercept.

Sobre os hackers

Não há nenhuma evidência que tenham levantado o mesmo material usado nas reportagens. Lá, havia trabalho focado, de meses de esforços. Como é possível a dois hackers, inexpressivos, grampear todas as autoridades da República?

Sobre Sérgo Moro avisando autoridades sobre os grampos

A Folha me perguntou sobre o caso e respondi. Depois, achei que a notícia da conversa de Moro com o presidente do Superior Tribunal de Justiça pudesse ter sido mal interpretada, tal o absurdo. São duas pessoas com conhecimento técnico. Como é que um Ministro liga para o presidente do STJ, fala sobre informações de uma investigação sigilosa e comunica que vai destruir as provas.

Sobre a intenção de Moro com os telefonemas

O Ministério da Justiça é o mais antigo da República, um dos mais importantes. Como é que se pode conceber um Ministro telefonando para autoridades comunicando grampos, como se lhes prestasse um favor?

Sobre a Polícia Federal

Certamente não vão se expor a esse jogo. Ontem mesmo a Polícia Federal soltou uma nota dizendo que não iria destruir as provas encontradas. É impossível que não tivessem sido informados, antes, dos telefonemas do Ministro. É a comprovação de que não irão se dobrar a jogos políticos.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Exército pede investigação sobre coronel fascista que ameaçou TSE na internet




da Agência Brasil
O Exército confirmou hoje (23) que o homem que divulgou um vídeo na internet insultando e ameaçando a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, é o coronel Carlos Alves, militar da reserva. Em nota, a instituição diz que as declarações do coronel não representam o pensamento do Exército Brasileiro e que o Comandante do Exército encaminhou uma representação ao Ministério Público Militar solicitando que fosse investigado o cometimento de possível ilegalidade.  
“O referido militar afronta diversas autoridades e deve assumir as responsabilidades por suas declarações, as quais não representam o pensamento do Exército Brasileiro.”
Em vídeo que está circulando nas redes sociais, o militar critica Rosa Weber e a adverte, caso o Tribunal acate a denúncia de que a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) tenha patrocinado de forma ilegal o impulsionamento de mensagens falsas pelo whatsapp.
“Como eu ,outros coronéis, generais, comandantes da Marinha, brigadeiros, almirantes, nós não aceitaremos fraudes, Rosa Weber. Primeiro, se você aceitar essa denúncia ridícula e tentar tirar Bolsonaro por crime eleitoral, nós vamos derrubar vocês aí sim, porque aí, acabou”, diz o militar.
No vídeo, o coronel que critica Rosa Weber por ela ter recebido integrantes do PT e do PDT que ingressaram com uma ação na instituição para que sejam investigadas as denúncias de fraude na campanha. O militar chega a proferir palavras ofensivas contra a magistrada.
“O PT por um lado acusando e a Rosa Weber aceitando essa denúncia absurda de que o Bolsonaro está patrocinando ou promovendo fraudes bilionárias com o pessoal do Whatsapp para plantar fake news. E esta salafrária, corrupta, essa ministra incompetente. Se ela fosse séria, patriótica, se não devesse nada pra ninguém, ela nem receberia essa cambada no TSE, ela nem ouviria esse absurdo”, diz.
Intitulando-se como militar da alta cúpula do Exército, ele também ataca o candidato Fernando Haddad (PT) e intimida a presidente do TSE para que ela ignore a ação impetrada pelo candidato petista para investigar a possibilidade de crime de caixa 2 na campanha de Bolsonaro
“Não te atreve a ousar a aceitar esta afronta contra o povo brasileiro, essa proposta indecente do PT de querer tirar o Bolsonaro do pleito eleitoral acusando-o de desonestidade, acusando-o de ser cúmplice de uma campanha criminosa, bilionária e fraudulenta com Whatsapp para promover notícias falsas”.
Também em tom de ameaça ao TSE e ao Judiciário, Alves insinua que o sistema de votação eletrônico não é seguro e afirma que integrantes da alta cúpula das Forças Armadas estão exigindo que a ministra “se vire” para garantir “eleições dignas e limpas para que não paire nenhuma dúvida” sobre o resultado das eleições.
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (23) mandar para a Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de investigação contra Alves.
O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) não vai se manifestar sobre as declarações.

domingo, 10 de julho de 2016

O PSTF — Partido do Supremo Tribunal Federal com dois de seus ministros tendo seus filhos trabalhando na Globo, por Paulo Nogueira


Rosa Weber fez o que se esperava que fizesse
Rosa Weber fez o que se esperava que fizesse
Um STF partidarizado é uma tragédia nacional.
Esta é a principal conclusão que você pode tirar da decisão da ministra Rosa Weber por uma CPI exclusiva da Petrobras.
Não vou nem discutir aqui se o melhor seria mesmo uma CPI exclusiva ou uma abrangente, na qual coubessem as propinas do metrô de São Paulo.
Meu ponto é o STF como partido. O PSTF, Partido do Supremo Tribunal Federal.
O drama é que, tomado de interesses políticos, o STF perde completamente o caráter técnico que deveria ter. E isso é um golpe avassalador na ideia da justiça como um conceito acima de interesses.
Machado de Assis escreveu que o maior pecado depois do pecado é a publicação do pecado. Já se imaginava, há algum tempo, que a justiça não fosse exatamente neutra. Agora, isto é amplamente conhecido.
As consequências da partidarização do STF são calamitosas.
Se uma decisão cabe a um juiz, você sabe antecipadamente como ele vai votar. Se houvesse uma casa de apostas jurídicas, não haveria jeito de você errar em seu palpite.
Caiu nas mãos da ministra Rosa Weber o veredito sobre a CPI. Dado o seu retrospecto – ela entrou para a história ao dizer que mesmo sem provas se achava no direito de condenar Dirceu – já se sabia desde sempre qual seria a escolha.
Deu a lógica.
Imagine que o caso parasse nas mãos de Lewandowski. Teríamos uma CPI abrangente.
Repito: não estou julgando aqui qual caminho é o melhor, se é que algum deles é bom. A discussão é sobre a negação da justiça representada pelo PSTF.
Pessoas pagam o preço disso. Dirceu, por exemplo. Joaquim Barbosa faz tudo que pode para atrapalhar a vida de Dirceu. O mesmo vale para Genoino, tratado como se fosse saudável como, para usar uma imagem cara a Nelson Rodrigues, uma vaca premiada, mesmo com o coração comprometido seriamente.
Dirceu e Genoino terão que esperar Joaquim Barbosa deixar a presidência do Supremo para se livrarem de uma perseguição inclemente.
Com o PSTF, o real perdedor é a sociedade.
A mim chamou a atenção, na votação dos embargos infringentes, como uma questão simples – uma segunda jurisdição está ou não na Constituição – foi tratada com caudalosos, eruditos, intermináveis pronunciamentos que simplesmente se anulavam.
Sim, estava. Ponto. Mas ministros como Gilmar Mendes e Luiz Fucs defenderam, em minúcias, a tese absurda de que a segunda jurisdição não estava na Constituição.
É, como se vê, um PSTF dividido.
Se há alguma coisa boa no julgamento do Mensalão, é que os brasileiros puderam ver quanto é precário o Supremo, a principal corte nacional.
Se ela é assim, imagine as cortes inferiores.
Não se trata apenas de reformar a justiça. Trata-se de reinventá-la no Brasil.
Quanto mais se conhece o STF, mais fica clara sua extraordinária falta de qualidade e de grandeza.
Agora mesmo, no calor da decisão de Rosa Weber, vazou a informação de que um filho dela trabalha na Globo, como jornalista.
É o segundo caso do gênero. Também um filho de Barbosa foi acolhido pela Globo.
Nada contra os filhos dos juízes do STF, mas como esperar imparcialidade dos pais se chegar a eles alguma decisão que diga respeito à Globo?
Alguém vai votar contra o empregador do filho? Quem acredita nisso, como disse Wellington, acredita em tudo. Há, portanto, conflito de interesses, dado o peso e considerada a folha corrida da Globo.
A tarefa urgente, essencial na reinvenção da justiça nacional é tirar o P do PSTF. Não pode ser um partido, ou a sociedade é alvo de intensa, cruel, insuportável injustiça.

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Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

domingo, 12 de junho de 2016

Dilma explica a Rosa Weber que foi golpe usando mais de 100 fontes sérias, por Patrícia Faermann

 
Jornal GGN - Para explicar à ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o processo de impeachment no Senado foi um "golpe de Estado", a defesa de Dilma Rousseff citou o Dicionário de Política, representantes de organizações internacionais de todo o mundo, juristas, cientistas políticos e filósofos, além de livro que reúne mais de 100 escritores.
 
Entre os estudiosos da América Latina, Cardozo fez referência ao Diretor do Departamento de Ciência Política e Estudos Internacionais da Universidade Di Tella, Juan Gabriel Tokatian, explicando o conceito do "neogolpismo" - usado, segundo o autor, quando se "pretende violar a Constituição do Estado" e "pretende-se preservar uma imagem de segurança institucional mínima":
 
 
Mencionou Magdalena Lopez, do Instituto de Estudos sobre América Latina e Caribe (IEALC-UBA), que afirmou que "as novas estratégias de golpe, utilizadas pelas direitas em aliança com grandes meios de comunicação, corroem a legitimidade a partir do discurso". 
 
Ainda usou as palavras do doutor em Ciência Política pela Universidade de Notre Dame, o pesquisador argentino Aníbal Pérez-Liñán, que em artigo explicou como o impeachment é usado como arma, sob a égide de um "recurso legal", para resolver disputas políticas na América Latina.
 
Além dos especialistas, o documento de resposta à Rosa Weber também recupera as denúncias de golpe no Brasil feitas por Noam Chomsky, filósofo e linguista norte-americano; Adolfo Perez Esquivel, ativista de direitos humanos argentino e ganhador de Nobel da Paz; Michael Lowy, diretor de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (França); o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, além de jornais estrangeiros reconhecidos, em reportagens e editoriais.
 
Para somar à comprovação do termo "golpe" ao processo realizado no Brasil para afastar a presidente da República, Dilma Rousseff, o documento também lembra do livro "Resistência ao Golpe de 2016", que traz uma coletânea de 103 artigos e entrevistas escritos por diferentes autores, todos afirmando que foi golpe de Estado.
 
Em determinado momento do texto, o ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, citou como referência à favor de Dilma o seu sucessor, Fabio Medina Osório, nomeado por Michel Temer para comandar a AGU. Isso porque Osório Medina concedeu uma entrevista antes mesmo de se tornar nome do Ministério de Temer, em 15 de abril de 2015, quando afirmou que o impeachment da presidente "seria realmente uma espécie de golpe institucional e provavelmente seria barrado no Judiciário".
 
Á época, o posterior ministro era Presidente do Instituto Internacional de Estudos de Direito do Estado e foi questionado por reportagem do Diário do Grande ABC sobre a condenação de fatos ocorridos no passado, sem continuidade da prática em mandatos seguintes, o que seria uma "perspectiva retroativa" incabível.
 
Além disso, Cardozo também utilizou trechos das conversas gravadas do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com "importantes lideranças políticas brasileiras", os caciques do PMDB Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney, para argumentar que "cabalmente" a "verdadeira razão deste processo de impeachment" é afastar "uma Presidente da República, pelo simples fato de ter cumprido a lei, ou seja, ter permitido que as investigações contra a corrupção no país avançassem de forma autônoma e republicana".
 
Apesar de se tornarem domínio público, uma vez que os grampos das conversas entre os políticos vazaram à imprensa, esse trecho da resposta da presidente afastada poderá ser prejudicado. Ainda nesta quarta-feira (08), o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, negou à Dilma usar essas conversas como provas de sua defesa do impeachment, porque ainda tramitam em segredo de Justiça nas investigações da Lava Jato no STF.
 
Ao final, Dilma não só responde à Rosa Weber por que foi um golpe, como também anuncia que "tem tomado todas as providências que, dentro da lei, estão a seu alcance para evitar a consumação deste golpe de Estado". 
 
Autoritarismo de Temer
 
O advogado de Dilma aproveitou o documento enviado à ministra do STF para afirmar que, assim como o "pedido de explicações" ao uso da palavra "golpe", solicitado pelo governo Temer, a gestão do interino vem praticando "autoritarismo" em outras decisões. E citou a proibição do uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) à Dilma.
 
Cardozo criticou que, da mesma forma como a interpelação na Justiça é uma forma de controle da divulgação do "golpe", o governo interino ignorou "as regras de segurança para o deslocamento presidencial", ao determinar a restrição de aeronave oficial, com o objetivo de impedir que ela se locomova pelo país.
 
Defendeu o advogado:
 
 
A intenção de Temer seria, na visão da defesa de Dilma, "evitar os cada vez mais crescentes atos que denunciam a ocorrência de um golpe no país", impondo-se "à Presidente da República afastada um tratamento muito inferior ao que o próprio Sr. Vice-Presidente da República possuía quando ainda não havia assumido a interinidade", acusou. 
 
"Uma verdadeiramente anomalia, apenas justificada pelo autoritarismo dos novos tempos que vivemos", completou. "Podemos afirmar, assim, que a presente interpelação faz
parte de um vasto conjunto de medidas tomadas para evitar que a palavra 'golpe' evidencie o que para muitos já está evidente", justificou, em outro trecho.
 
Na conclusão, Cardozo depositou esperanças na força da Constituição. "Cumpre assim a Sra. Presidenta da República, com seu papel, apesar de todas as ameaças e intimidações, confiante em que as instituições brasileiras serão fortes para fazer respeitar a Constituição de 1988 e o Estado Democrático de Direito", publicou.
 
Leia, abaixo, a íntegra da explicação de Dilma Rousseff à Rosa Weber: