domingo, 7 de agosto de 2016

No caso do hipócrita, cínico, golpista e estuprador Feliciano, haverá panelaço Gospel?



Parece que o espírito olímpico e o fogo de Zeus vieram em missão, para elucidar o oculto e iluminar as mentes desprovidas de sabedoria. 
Primeiramente fora, Temer! Segundo, o espetáculo que foi a cerimônia de abertura dos jogos olímpicos revelou para o mundo a capacidade de organização do nosso país, quando quer ser organizado.  É inegável que boa parte do mundo que apostava no fracasso da cerimônia de abertura, teve que chupar uma manga bem doce, cultivada no quintal da criatividade artística e se lambuzar com um show jamais visto em outra edição de jogos olímpicos. Isso não significa que os jogos deveriam ter sido realizados aqui. Acho que não. Todo esse investimento poderia ter sido aplicado em saúde, educação e saneamento básico, por exemplo. Mas não podemos ser injustos. Foi sim um espetáculo.
Mas como o show não pode parar, temos mais um espetáculo entrando em cartaz no nosso país. Estou falando do caso de assédio sexual envolvendo o pastor e deputado Marco Feliciano, do PSC, que é acusado por uma jovem militante do seu partido de ter tido com ela relações sexuais não consentidas e de tê-la agredido fisicamente. Um áudio por ela mesmo gravado foi vazado e nele ouvimos um diálogo entre ela e o assessor do deputado, que tenta, digamos, lhe oferecer um agrado em trocado seu silêncio.  Logo após a divulgação desse áudio, a jovem gravou um vídeo no qual dizia que tudo não passava de mentira e armação dos esquerdistas petralhas para sujar a imagem do deputado em época de eleição.
Mas além de toda a torcida do Flamengo, parece que ela mesma não acreditou na sua declaração e resolveu contar a verdade. Em outro vídeo publicado numa matéria da revista Veja (http://vejasp.abril.com.br/materia/jovem-conta-detalhes-de-caso-de-assedio-envolvendo-pastor-marco-feliciano) a jovem abre o jogo e revela que foi coagida a gravar o vídeo de desagravo ao pastor, inclusive recebendo a visita do seu assessor, que portando uma arma (segundo relatos dela mesma), a obrigou a gravar o falso depoimento. No mesmo vídeo ela ainda relata a tentativa de suborno que sofreu do pastor Everaldo, presidente do partido, que lhe ofereceu “um saco de dinheiro” para que ela mantivesse sigilo sobre o caso e a proposta feita pelo deputado Marco Feliciano, que lhe daria um cargo no partido com um salário de 15 mil reais (que ela diz no vídeo que achou pouco. Oi?), caso ela aceitasse exercer também o “cargo” de sua amante.
Como se não bastasse a arrogância pessoal, a conduta religiosa duvidosa, as várias declarações preconceituosas e as artimanhas políticas nas quais o deputado em questão sempre esteve envolvido, temos agora uma acusação de estupro contra um homem que se diz um profeta e digno de toda a autoridade e santidade que, segundo ele, Deus lhe conferiu. Um defensor da família, que ataca, julga e condena abertamente o comportamento de quem não segue a sua doutrina. Um homem que já sentenciou em uma de suas pregações que os católicos (como eu) irão para o inferno. Um homem que ataca a várias outras religiões em suas pregações, como se isso tornasse a ele e os seus seguidores, espiritualmente superiores aos demais. Esse mesmo senhor que já presidiu a comissão de direitos humanos da câmara, levantando a bandei ra da preservação da família cristã. Ele mesmo que também foi um dos artífices do golpe e votou a favor do impeachment da presidente Dilma pontuando o seu voto com “Tchau, querida!”
O mesmo deputado que profetizou debochadamente que Lula estaria preso em 2018 e que, portanto, não seria páreo para uma disputa contra a sua chapa presidencial, na qual ele é candidato à vice e tem Jair Bolsonaro como postulante a presidência. O mesmo deputado e pastor que agora pode ser indiciado e preso por tentativa de estupro, se a nossa justiça não fizer vista grossa para o caso, como sempre faz quando o suposto criminoso é da direita. Um homem que atrai uma multidão de ovelhas para a sua igreja e lhes oferece como bálsamo a mentira que ele tem dentro de si. O seu cinismo e capacidade de manipular impressionam, mas não deveriam convencer. Pelo menos a quem tem o mínimo de bom senso e de capacidade de perceber que o seu discurso não combina com as suas atitudes. Não me surpreende em nada essa acusação, o que me causa espanto é ainda perceber que muitos tentam defender o indefensável.
Espero que não me interpretem mal, mas a jovem não me pareceu tão ingênua assim. Por que vazou o áudio? Ou ela omitia o fato para todo o sempre ou trazia a verdade a tona sem rodeios. O medo não deve ser maior do que a disposição em defender a própria honra. Dizer que achou 15 mil reais pouco? Teria sido um lapso? Talvez. Sem julgamentos ou conclusões precipitadas, mas eu gostaria de fazer alguns questionamentos.  O que o deputado Bolsonaro acha disso tudo. Será que ele pediria castração química para o seu vice-presidente? E o que pensa a igreja, os seus fiéis seguidores e os defensores da família, da moral e dos bons costumes? Será que vai rolar um panelaço gospel? Será que vão entrar com um pedido de impeachment junto a Deus contra o pastor? Teria a ele a sua unção cassada? Haverá manifes tações em prol da verdade? Será que vai rolar uma sessão do descarrego coercitiva? Será que outros grampos telefônicos serão divulgados na mídia? Haverá delação abençoada, digo, premiada?
Deixo aqui o meu sincero respeito à família do pastor e deputado. Esposa e filhas não merecem passar por tamanha humilhação e exposição. Elas devem ser preservadas. Quanto a jovem vítima do assédio, entendo que ela deve agradecer a Deus por ele não ter lhe pedido o cartão de crédito e a senha. O estrago seria ainda pior. Ao pastor e deputado, que segundo sua assessoria, ficou de joelhos em seu gabinete pedindo a Deus que revelasse ao mundo toda a verdade (E parece que ele atendeu ao seu pedido), eu estimo a pronta recuperação da sua vergonha na cara. Depois, é claro, de ser submetido a uma sessão de “cura hétero” para aprender a “aquietar o pintinho” e de ser punido de forma exemplar por nossa rigorosíssima justiça brasileira. A mesma que costuma lavar a jato toda corrupção e todos os corruptos.  A justiça divina já está fazendo a sua parte, embora muitos não percebam.
Amém?

sábado, 6 de agosto de 2016

Michael Löwy esclarece porque gritamos "Golpe" no que foi feito pela direita derrotada em quatro eleições seguidas com a ajuda da Globo




"Se antes já vivíamos em uma democracia de baixa intensidade, agora parece que até mesmo essa democracia era intensa demais para as classes dominantes e para o capital financeiro."

– Michael Löwy, no livro de intervenção "Por que gritamos GOLPE? Para entender o impeachment e a crise política no Brasil" da Editoral Boitempo

Juristas garantem: você tem direito de protestar contra Temer nos eventos das Olimpíadas



Do Justificando:

Nos primeiros eventos esportivos do Jogos Olímpicos Rio 2016, pessoas que protestaram contra o presidente interino Michel Temer foram repreendidas pelos fiscais dos jogos. Os vídeos que tem repercutido nas redes sociais mostram fiscais repreendiam quem se manifestavam contrariamente ao chefe provisório do executivo nacional, com o aviso de que qualquer material será apreendido e a pessoa excluída do evento.
Os fiscais ainda mencionam a existência de uma lei que diz ser proibido gritar, vestir camisetas, exibir faixas ou qualquer outra demonstração que seja contra Temer. 
Veja o vídeo:
Em outro vídeo postado por usuário da rede social, o fiscal é ainda mais duro, aflorando os ânimos na discussão.
 O Justificando perguntou a três juristas se as pessoas podem protestar como elas bem entenderem contra o Temer, incluindo gritar, vestir camiseta, compor uma música, apitar, enfim, agir até onde vá a criatividade humana sem o uso da violência.
É evidente que pode. Qualquer coisa diferente disso é ditadura. - afirmou o Historiador e Professor de Ciências Criminais da Universidade Federal do Rio Grande Salah H. Khaled Jr.
O Procurador do Estado de São Paulo, Márcio Sotelo Felippe explica que o direito de gritar "Fora Temer" nos estádios está garantido na Constituição. "O direito de expressão e manifestação é garantido pela Constituição brasileira como direito fundamental".
Felippe afirma que a conduta é reflexo do autoritarismo que tem crescido no país - "Nem devemos ficar surpresos com isso que está acontecendo. Um golpe que foi dado rasgando a Constituição resulta num governo que viola cotidianamente a carta magna. É estado de exceção. A Constituição de 1988 não existe mais", afirmou. 
Já o Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Marcelo Semer, acredita, depois do golpe parlamentar, a Constituição não valha mais muita coisa. Mesmo assim, ele acha que essa proibição não tem razão de ser- "A proibição é inconstitucional o que, convenhamos, não significa muita coisa nos dias atuais".

Não existe a referida lei que veda protestos contra Temer

Mencionada no vídeo, a lei que proíbe a manifestação da mulher contra o presidente interino não existe. Isso porque, a lei das olimpíadas dispõe em um dos seus incisos que não pode exibir "para outros fins que não o da manifestação festiva e amigável".
No entanto, a própria lei abre exceção quando a pessoa exercer seu direito ao livre exercício de manifstação - é ressalvado o direito constitucional ao livre exercício de manifestação e à plena liberdade de expressão em defesa da dignidade da pessoa humana.
Ou seja, pode protestar em paz. O direito, pelo menos, você tem.
Foto: NINJA

Glenn Greenwald, repórter internacional e prêmio Pulitzer de jornalismo, diz claramente: "Temer não tem legitimidade NENHUMA no MUNDO".

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Jornalista e escritor norte-americano diz que manobras realizadas pelo Congresso e parte da mídia brasileira para sustentar o governo Michel Temer que, segundo ele, "não tem legitimidade nenhuma no mundo", estão a serviço de um golpe. "Os meios de comunicação dominantes no Brasil estão em propriedades de poucas famílias ricas, que estão abusando de forma aberta para forçar a queda de Dilma. Todo mundo pode ver que a mídia aqui é muito unida e controlada, e isso não é jornalismo e, sim, propaganda contra os partidos de esquerda e de defesa de partidos de direita. Isso é muito perigoso", observou, em entrevista à Rádio Guaíba (do Brasil 247).


Cafezinho - Conhecido mundialmente por ter sido escolhido pelo analista de sistemas Edward Snowden para revelar a rede de espionagem da National Security Agency (NSA), o jornalista e escritor norte-americano Glenn Greenwald passou a produzir entrevistas e reportagens no exterior denunciando que o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff resulta de um esquema arquitetado com esse fim. Após ter denunciado a rede internacional de grampos, Greenwald ganhou o Prêmio Pulitzer de Jornalismo, em 2014.
Em entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, Greenwald ratificou, nesta terça-feira, o entendimento de que manobras foram realizadas pelo Congresso e parte da mídia nacional para sustentar o governo interino de Michel Temer que, segundo ele, "não tem legitimidade nenhuma no mundo". "Eu comecei a usar a palavra golpe depois da divulgação das conversas entre Romero Jucá e Sergio Machado, quando eles falaram sobre envolvimento do Supremo e demais facções no Brasil no plano para realizar o impeachment de Dilma", salienta.
Para Glenn Greenwald, o processo de impeachment se deu pela quarta derrota consecutiva da oposição contra o PT. "Na minha opinião o motivo principal do impeachment é que as pessoas contra o PT não conseguiram vencer as eleições e decidiram que não poderiam mais usar a democracia para expulsar o PT. Ainda mais, políticos corruptos estão liderando o processo contra Dilma em nome (do fim) da corrupção. É impossível de pensar em um governo novo, como o governo Temer, cheio de corrupção. Eu acho que isso mudou a opinião internacional, mais do que tudo", segue.
Impeachment no Exterior
"Este tema (impeachment de Dilma) foi criado pela mídia brasileira e a mídia internacional aceitou, mas quando eles olharam mais sério e outros jornalistas estrangeiros - The Intercept, Guardian e New York Times – começaram a explicar melhor o que se passava aqui, a opinião no mundo mudou muito. Eu acho que, agora, o governo Temer não tem legitimidade nenhuma no mundo, talvez com a Argentina. Mas o mundo inteiro não confia mais neste processo, este governo não tem mais credibilidade".
Mídia conservadora
"Os meios de comunicação dominantes no Brasil estão em propriedades de poucas famílias ricas, que estão abusando de forma aberta para forçar a queda de Dilma. Todo mundo pode ver que a mídia aqui é muito unida e controlada, e isso não é jornalismo e, sim, propaganda contra os partidos de esquerda e de defesa de partidos de direita. Isso é muito perigoso".
Critica da GloboNews contra imprensa internacional
"Isso é ridículo. Absurdo, é uma vergonha. A primeira coisa é que existem ótimos jornalistas que moram no Brasil há muitos anos, falam bem português e trabalham para os jornais mais importantes do mundo. A mídia brasileira - Globo, Abril, Veja e Estadão – está atacando os jornalistas estrangeiros, mas agora com a Internet a mídia não pode mais controlar as informações que os brasileiros estão recebendo. Nós (estrangeiros) estamos fazendo o trabalho que eles, incluindo (quem trabalha para) a Família Marinho, não podem fazer, que é mostrar outras perspectiva".
Michel Temer
"Em primeiro lugar, ele (Temer) escolheu 23 ministros, já perdeu três e tem muitos outros ministros envolvidos em corrupções serias. É muito claro, que o próprio Temer também é citado e acusado de receber e controlar dinheiro ilegal para campanhas. Isso é um fato incrível, pois ele está liderando esta força para retirar uma presidente eleita em nome da corrupção. O fato incrível é que a mídia brasileira quase nunca menciona é que ele foi condenado e proibido para qualquer candidatura".
Eduardo Cunha
"O Cunha foi a cebola do impeachment na Câmara. No exterior, isso sempre foi o fato mais incrível – como Eduardo Cunha pode liderar um processo de impeachment quando ele é um ladrão óbvio e um dos maiores corruptos políticos da América Latina. O Cunha é muito corrupto e o plano para ele renunciar foi para diminuir a tensão contra ele".
Jornalismo honesto
"Eu comecei a fazer as reportagens sobre a crise no Brasil neste ano porque eu não conseguia acreditar o que estava acontecendo com a mídia brasileira. Eu fiz jornalismo em quase 30 países, nos últimos cinco anos, e nunca vi uma mídia como a brasileira que se comporta com desonestidade, mostrando apenas um lado do debate com muitas mentiras. Eu acho que a democracia precisa de um jornalismo honesto e justo, mas as organizações dominantes do país estão muito abusadas".

A falta de caráter do tucano Anastasia (+ vídeo), por Altamiro Borges



Em mais um capítulo grotesco do "golpe dos corruptos", a Comissão Especial do 
Impeachment no Senado aprovou nesta quinta-feira (4) o relatório do tucano mineiro 
Antonio Anastasia favorável ao afastamento definitivo da presidenta Dilma. Foram 14 
votos a favor e cinco contrários. A partir da próxima terça-feira (9), o texto passa a 
ser analisado pelo plenário em uma votação prévia chamada de "pronúncia do réu". 
Se for aprovado por maioria simples — por 41 dos 81 senadores —, o presidente 
o Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, marcará a data para 
o julgamento final — previsto para começar em 25 ou 26 de agosto e que deve durar cerca de cinco dias.

A sessão que aprovou o relatório teve quase três horas e muito bate-boca. Dominada 
pelos golpistas, a comissão nem fez esforços para comprovar o crime de responsabilidade 
que justificaria o processo do impeachment. A motivação política da conspiração ficou 
evidente. Alguns senadores até fizeram questão de se defender, jurando que não 
são golpistas. A ex-serviçal da TV Globo, Ana Amélia (PP-RS), por exemplo, rechaçou a
 tese de que este impeachment é um típico golpe. "O rito está sendo respeitado aqui. 
Se assim não fosse, e aí de novo cai a narrativa do golpe, caberia ao STF suspender 
ste processo. O STF não o fez, pois as leis e a Constituição estão sendo cumpridas 
rigorosamente".

No outro extremo, os senadores favoráveis à legalidade democrática deixaram 
de lado o conhecido cretinismo parlamentar. Lindbergh Farias (PT-RJ) foi enfático: "Não 
é necessário ter tanques nas ruas. Esse é um golpe frio. Os que votaram pelo 
impeachment ficarão na História como golpistas". Já o líder do PT no Senado, Humberto 
Costa (PE), classificou o processo como uma "pedalada" contra a democracia. 
"Os decretos jamais justificariam a retirada de uma presidente... Escolheu-se a 
criminosa e agora procuram por um crime... Passam por cima da Constituição em nome 
de um projeto de poder. Querem vencer no parlamento porque não conseguem vencer nas urnas".


Merecidamente, o cínico golpista Michel Temer e seus comparsas bandidos são vaiados na abertura das Olimpíadas (que só veio para o Brasil por causa de Lula)



Veja os vídeos abaixo, leia o texto de Esmael Morais

Pilantra vaiado

Mundo assiste Maracanã vaiando o golpista Michel Temer; assista


Cerca de 3 bilhões de pessoas em todo o planeta assistiram na noite desta sexta (5), no Rio, à vaia para o interino Michel Temer (PMDB).

Como previsto, o Maracanã não perdoa nem mesmo minuto de silêncio. Por que perdoaria um golpista?
Temer foi brevíssimo, apenas declarou “aberto” os Jogos Olímpicos. Coisa de segundos.
A TV Globo, que tem o direito de transmissão, reconheceu as vaias mas o narrador Galvão Bueno jurou que também ouviu aplausos (somente ele, pelo jeito ouviu).
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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Jurista Celso Bandeira de Mello desabafa: "não tenho mais ilusões em relação ao Poder Judiciário no Brasil"


Do Brasil 247:

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Prestes a completar 80 anos, o professor Celso Bandeira de Mello, um dos principais juristas brasileiros, diz que "não tem mais ilusões" em relação ao Poder Judiciário; na sua avaliação, a Justiça virou um instrumento da guerra político-partidária e isso se expressa de forma clara no que enxerga como perseguição contra o ex-presidente Lula; "Qualquer pessoa de bom senso sabe e todos os ministros do Supremo Tribunal Federal têm plena consciência de que os direitos e garantias do ex-presidente Lula estão sendo violentados", diz ele; Bandeira de Mello avalia que o STF se curvou aos interesses de uma mídia monopolizada, que combate sistematicamente governos de tendência popular; para ele, Lula fez bem em recorrer à Comissão de Direitos Humanos da ONU, que deverá censurar o Brasil pela violação das garantias individuais do ex-presidente (leia a entrevista completa clicando aqui).

Anastasia e seu relatório hipócrita demonstra a banalização do mal golpista e da má fé no Senado


  "A acusação contra Dilma é nula no mérito e abusiva como procedimento. Se a única base para a denúncia eram crimes de responsabilidade, essa acusação nunca foi demonstrada. A votação, definida desde o início, não expressa fatos nem provas. Tampouco traduz o conteúdo dos debates, os argumentos das partes, a opinião dos peritos. Foi uma demonstração de truculência e força bruta. Expressa a relação de forças entre partidos no Congresso. E só. É política, e não jurídica, quando deveria ser o contrário. " Paulo Moreira Leite

Edilson Rodrigues:

Banalidade do mal no Senado

Artigo de Paulo Moreira Leite

É preciso retornar a um dos períodos mais deprimentes da história humana, o julgamento do carrasco nazista Otto Adolf Eichmann, em Jerusalém, em 1960, para entender a decisão da Comissão Especial do Impeachment que deu sequência ao julgamento de Dilma Rousseff no Senado.

A acusação contra Dilma é nula no mérito e abusiva como procedimento. Se a única base para a denúncia eram crimes de responsabilidade, essa acusação nunca foi demonstrada. A votação, definida desde o início, não expressa fatos nem provas. Tampouco traduz o conteúdo dos debates, os argumentos das partes, a opinião dos peritos. Foi uma demonstração de truculência e força bruta. Expressa a relação de forças entre partidos no Congresso. E só. É política, e não jurídica, quando deveria ser o contrário.   
Ao longo dos trabalhos da Comissão, testemunhas deixaram claro que o governo realizou não só operações contábeis banais e corriqueiras, efetuadas por todos os antecessores porque não representam prejuízo aos cofres públicos nem envolviam qualquer tipo de ilegalidade. Apenas alteravam a distribuição interna de recursos, sem modificar os números finais, aqueles que registram o déficit fiscal. Estavam inteiramente de acordo com a legislação em vigor, no momento em que ocorreram.
A incapacidade de caracterizar um crime explica o uso frequente de uma expressão criada por jornalistas, “pedaladas”, destinada a sugerir aquilo que não se consegue demonstrar.
A fragilidade é tão grande que, no momento máximo de vexame, o Ministério Público Federal reconheceu que não constituíam crime.    
Construído por Hanna Arendt, a filósofa que estudou o nascimento das piores tiranias do século passado, a ideia da banalidade do mal ajuda a entender que crimes políticos podem ser cometidos num ritual burocrático, imperceptível, automático, de olhos fechados.
Principal responsável pela máquina de morte de Auschwitz, Eichmann disse em seu julgamento que não tinha nada de “pessoal” contra os judeus que pereciam sob seu comando -- aos milhões. Apenas queria – sem assumir qualquer responsabilidade -- fazer seu serviço profissional, burocrático.
O crime cometido esta manhã no Senado representa um ataque – burocrático e irresponsável – à democracia brasileira. Em nome do respeito à verdade, os senadores aliados de Michel Temer só precisariam recordar as palavras inesquecíveis de sua líder Rose de Freitas (“é tudo política”) para reconhecer que pronunciavam fantasias, fabulações e invenções para aparentar que nada mais faziam do que encaminhar um golpe de Estado.
Não é uma decisão definitiva nem é uma surpresa. Mas os votos pelo impeachment contribuíram para apequenar as instituições democráticas, condenando, sem prova, o mandato de uma presidente eleita por mais de 54 milhões de brasileiras. 
Cedo ou tarde, serão chamados a explicar-se por isso. É a condenação inevitável daqueles que traem a democracia. Até por uma questão de respeito, contudo, recomenda-se que não exagerem em explicações nem desculpas lacrimosas.

Tucanos "incorruptos", o “deus mercado” e mídia golpista pedem “sangue já” a Temer

fimdasbondades
Está acabando o tempo do “Michel está no céu”.
Rolando Lero já irritou a turma da grana.
Depois do chiado da guarda avançada de seus colunistas, agora a pressão é direta.
Voto de confiança no governo pode não resistir por muito tempo, adverte O Globo, já adiantando que o prêmio cobiçado é o arrocho na Previdência que, além da punição brutal aos 80% dos trabalhadores que têm menos de 50 anos, vai se abater pesadamente sobre os dois terços dos aposentados que recebem salário-mínimo:
Já existe consenso de que a vinculação do piso previdenciário ao reajuste do salário mínimo (que permite ganho real) terá de ser revista, diante do impacto nas contas da Previdência. Só falta definir se será junto com a reforma, dada a polêmica em torno da questão, ou em uma proposta à parte.
O Estadão dá manchete para os bufos tucanos, revelando que o queixoso discurso do senador José Aníbal (SP) contra as “bondades temeristas” foi combinado com Aécio Neves, que encomendou os termos usados pelo paulista.
E a Folha anuncia que o PSDB diz que não apoiará pauta ‘eleitoreira’ de Temer , considerando-se os “pais do golpista”:
(…)senadores do PSDB chegaram a dizer que o partido “deu a Presidência a Temer”, e agora ele precisa “dar um governo ao Brasil”. Se não for assim, diz um integrante da cúpula do partido, o PSDB estará “fora”.
Em cinco dias, vejam o estrago que o “sincericídio” do estreante presidente da Câmara, Rodrigo Maia, dando forma expressa aos desejos “quase íntimos” de Temer.
O terreno está aberto para o “baixo clero” da Câmara – com todos os remanescentes do “cunhismo” dentro dele – cobrar caríssimo pelo apoio às “medidas sangrentas” do Governo.