quinta-feira, 21 de março de 2024

GGN: PGR Paulo Gonet indicou que levará os crimes do governo Bolsonaro na pandemia à Justiça

 

Randolfe Rodrigues disse que Gonet confirmou que irá "prestigiar" o trabalho da CPI da Covid, que, entre outros, incrimina Jair Bolsonaro

Do Jornal GGN:


Foto: Secom/PGR

A notícia de que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, avalia reabrir as investigações da CPI da Covid, possivelmente transformando-a em denúncias formais na Justiça, ganhou novos episódios nesta terça-feira (19), quando o PGR se reuniu com os senadores da CPI, Omar Aziz (PSD), Renan Calheiros (MDB) e Randolfe Rodrigues.

Junto a interlocutores, Gonet teria anunciado as suas intenções de aproveitar o relatório final da Comissão, de outubro de 2021, para denunciar os envolvidos por omissões e crimes da pandemia no Brasil. O relatório recomendava o indiciamento do então presidente Jair Bolsonaro e boa parte de sua equipe de governo, incluindo 4 ministros, além de outros envolvidos. Crimes de responsabilidade e crimes contra a humanidade foram expostos pelas investigações à época.

A peça, que não detem caráter jurídico, por ser um trabalho de investigação de parlamentares junto a testemunhas e obtenção de documentos probatórios, foi encaminhada ao Judiciário: no caso, a Procuradoria-Geral da República, para que fossem tomadas providências jurídicas.

Entretanto, o relatório não se desdobrou em peças jurídicas enquanto a PGR era comandada pelo procurador Augusto Aras. Desde que assumiu, Gonet indicou que teria interesse em reabrir o caso.

Ontem (19), ele se reuniu diretamente com o então presidente da CPI de 2021, o senador Omar Aziz, o relator da Comissão, o senador Renan Calheiros, e o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues. Os parlamentares pediram que os crimes apontados e descobertos à epoca sejam levados adiante na Justiça.

Além disso, o caso recente do indiciamento, pela PF, de fraude nos cartões de vacinas de Covid-19 de Jair Bolsonaro e de seus assessores trouxe novos elementos de provas de crimes cometidos pelo então presidente.

Ao sair do encontro, Randolfe afirmou estar “confiante” de que Gonet levará os crimes para a Justiça: “Ele destacou que a CPI, o trabalho que foi feito por nós, é digno de admiração e será, por ele, prestigiado. Isto é mais relevante e fundamental deste encontro. Nós saímos daqui convencidos que não terá impunidade para mais 700 mil brasileiros que morreram. Saímos daqui muito confiantes do trabalho, agora, do Ministério Público”, disse o senador, à imprensa, ao deixar a reunião.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.

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