terça-feira, 26 de março de 2019

GGN: O capitão sonha ser capataz, por Maister F. da Silva


"Nesse momento, ouso apontar alguns elementos que podem encurtar o sonho do capitão em tornar-se capataz do imperialismo e lhe relegar o papel de integrante indigesto de ralé da política nacional."
 Jornal GGN


Reprodução Facebook

O capitão sonha ser capataz

por Maister F. da Silva

O capataz é uma figura icônica do mundo rural brasileiro, é o sujeito considerado como o braço direito do fazendeiro, o homem de confiança, por vezes atua como um gerente, outras como um subchefe. Um amigo companheiro de mais de uma década de militância define o capataz como o sujeito que cuida da fazenda do rico, puxa o saco do rico, toma mate com o rico, mas não vai na festa do rico e nem é convidado a tomar parte nas grandes decisões do rico. Bolsonaro é desses, um tenente promovido a capitão para ir para reserva, que com seu estilo político peculiar conseguiu sobreviver durante anos no submundo do baixo clero e num período de contestação da classe política capitalizou os anseios da massa popular brasileira e chegou ao posto que ambiciona todo e qualquer político brasileiro.
Desde o início de sua campanha o capitão colocou-se como um vassalo do imperialismo estadunidense, ele e toda sua equipe econômica. O que a elite brasileira almejava era uma submissão jurídica e no campo da inteligência, capaz de fortalecer e afiançar o combate as forças progressistas brasileiras e latino-americanas, lhes ajudando a retomar a hegemonia na condução da política neoliberal, nas áreas social e econômica. É importante observar que por mais que nossa elite seja pouco inteligente, ela não gosta de perder dinheiro e o desejo do capitão em consolidar-se como um mero capataz de Donald Trump pode causar cisões internas e acirrar a ainda mais o cenário da crise política e econômica por que passa o país. Quando o Ministro da Economia diz “o que peço é que nos deixe estabelecer relações econômicas com quem quisermos…mas se não der, não tem problema”, indica que vamos mal, muito mal.
Enquanto o Presidente, a família e a trupe da patrulha ideológica segue assistindo vídeos do Olavo de Carvalho, propagando fake News e postando asneiras nas redes sociais, para os que não estão na terra plana o mundo gira. Nesse momento, ouso apontar alguns elementos que podem encurtar o sonho do capitão em tornar-se capataz do imperialismo e lhe relegar o papel de integrante indigesto de ralé da política nacional. Vejamos:
Elite estatal – Bolsonaro está encurralado. Primeiro, de um lado precisa tocar em frente a reforma da previdência que torna o funcionalismo público inimigo e não agrada os altos funcionários do quadro estatal, a demissão dos comissionados não resolve o problema objetivo do presidente. Para implementar sua política ele precisa mais do que um ministro alinhado, precisa ter o quadro funcional como parceiro e colaborador e ao que tudo indica hoje encontram-se em lados opostos, sem eles o serviço público paralisa, um bom exemplo é o MEC. Segundo, o judiciário, procuradores, promotores, juízes – sócios majoritários da elite estatal – vêm sofrendo sérios ataques do Presidente e sua família desde a campanha, e ao que parece os robôs que estão atacando o STF tem relação direta com os robôs responsáveis pelo enfrentamento virtual que em certa medida garantiram sua vitória eleitoral. Terceiro, o problema Moro, expoente político do judiciário no governo, merece confiança, ou está doido pra herdar o butim?
Militares – Os militares tentam manter as aparências de total lealdade ao Presidente, quando todos sabemos que a única lealdade que os militares brasileiros realmente cultivam é a própria corporação. Vale retomar, desde 2013, de novo 2013, em sucessivas consultas a população feitas por diversos institutos de pesquisa as instituições militares figuraram como as mais confiáveis. Por mais que a elite do serviço militar desdenhe do presidente, aos olhos da população ele é considerado como um autêntico representante das forças armadas, não como um político de carreira que passou quase a totalidade da vida usufruindo dos privilégios que diz combater. A reforma da previdência militar foi um disparate, uma verdadeira declaração de guerra perante aos demais setores da população. A pergunta, estariam os militares dispostos a ver a corporação mais bem avaliada pelo povo brasileiro enxovalhada pela inércia e ineficácia do capitão? Mourão está aí, conversando com os mais amplos setores da elite nacional…
Desemprego e volta da fome – O governo até o presente momento não conseguiu apresentar um único programa estruturante a população, capaz de gerar empregos e estimular a economia com resultados de curto, médio e longo prazo. O desemprego leva a consequências drásticas para o destino de qualquer nação, para um país que já foi a sétima economia do mundo então, ser reinserido no mapa da fome é catastrófico, mas é isso que segundo a Organização da Alimentação e Agricultura (FAO) está na iminência de acontecer, caso não se tomem providências rápidas. O povo estará disposto a retornar à condição de mendicância do final dos anos 1990, quando mais de 10,6% da população era considerada subnutrida?
Sistema político – Bolsonaro é conhecedor do sistema político brasileiro, mas como sempre fez parte do andar de baixo, não teve tempo para aprender e não tem tato para a resolução de problemas com os velhos barões da política, onde só a aceleração do pagamento de emendas e a distribuição de cargos não basta. No afã de responder as promessas de campanha cercou-se ministros acéfalos e justamente por ser uma “aberração” da política, nunca sonhou um posto mais alto do que ocupava, ao que parece não confia em ninguém, cercou-se de um conselho político familiar. Não consegue desvencilhar-se de antigos aliados e não é bem quisto para ir as “festas” da elite política nacional. É descartável.
E o Carlinhos, os escândalos envolvendo seu nome não seria um fator de desestabilização do governo? Nesse momento o Carlinhos é mais um prato para a mídia, se seu pai soubesse utilizar a popularidade do início de mandato, passaria incólume, ao menos por ora, esquecido em alguma gaveta para ser usado no momento oportuno.
Teriam outros tantos elementos…a milícia por exemplo.
Maister F. da Silva – Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores e membro do FRONT – Instituto de Estudos Contemporâneos

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