sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Bolsonaro representa risco à democracia, escreve The Economist


Da Folha de São Paulo:




Bolsonaro representa risco à democracia, escreve The Economist



São Paulo

Sob a chamada "Brasília, we have a problem" (Brasília, temos um problema), a revista britânica The Economist publicou editorial em que afirma que Jair Bolsonaro (PSL), candidato à presidência, é um risco à democracia. Segundo a revista, Bolsonaro seria um presidente desastroso.

A publicação, que se define como defensora do livre mercado, afirma que o candidato já demonstrou ter pouco respeito a vários grupos de brasileiros, incluindo negros e gays.

Além disso, há pouca evidência de que ele conheça os problemas econômicos do país bem o suficiente para resolvê-los, afirma a revista.
A revista descreve Bolsonaro como alguém que, até recentemente, era um parlamentar obscuro, cuja principal habilidade demonstrada havia sido a de ofender os outros.

Sobre isso, cita declarações controversas, como a de que ele preferiria ter um filho morto a um filho gay e que já disse a uma congressista que ela merecia ser estuprada.

A The Economist destaca que Bolsonaro vem adotando táticas as baseadas em provocação e uso hábil de redes sociais.

Para a revista, o avanço da candidatura de Bolsonaro é resultado dos traumas que o Brasil enfrentou nos últimos quatro anos.

Ela lembra que, além da grave recessão econômica da qual o Brasil sai lentamente, em 2016 foram registrados 62,5 mil assassinatos, índice recorde para o país, e casos de corrupção envolvendo os principais partidos políticos foram expostos pela Operação Lava Jato. A exposição dos crimes minou a confiança nas instituições políticas do país.
Para a The Economist, Bolsonaro soa como um antipolítico, o que atrai os desiludidos com o sistema atual. Ele também consegue atenção de empresários, em especial devido a sua guinada em direção à defesa de uma política econômica liberal.

Entre as ideias de Bolsonaro citadas pela revista estão a de que um policial que não mata não é um policial, a defesa da redução da maioridade penal para 14 anos.

A The Economist aponta que, durante a votação do Impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados em 2016, Bolsonaro dedicou seu voto ao general Alberto Brilhante Ustra, responsável por unidade policial a qual a publicação atribui 500 casos de tortura e 40 assassinatos durante a Ditadura Militar (1964-1985) no Brasil.

"Este punho de ferro pertence a uma visão de mundo autoritária", escreve a revista.
Ações como essa e também a nomeação do general da reserva Hamilton Mourão (que disse no ano passado que o exército poderia resolver questões que outras instituições não solucionavam) como candidato a vice-presidente em sua chapa indicam que, para Bolsonaro, a ditadura é o antídoto contra a corrupção, escreve a The Economist.

Apesar dos alertas, a revista vê poucas chances de Bolsonaro vencer.
A publicação afirma que, mesmo bem posicionado no primeiro turno, 60% dos eleitores dizem que não votariam nele. Esse índice de rejeição dá maior chance ao candidato que competir com Bolsonaro em um eventual segundo turno.

Mesmo assim, segundo a revista, chegar lá já seria muito. "Ele não merece ir tão longe".


Míriam, deprimente; Waack, abjeto. Mas é da Globo a maior vergonha. Por Fernando Brito






Publicado originalmente no Tijolaço
POR FERNANDO BRITO, jornalista e editor do blog Tijolaço
O triste espetáculo de Míriam Leitão, repetindo, tatibitati, a nota da Rede Globo, ao final (espichado) da entrevista de Jair Bolsonaro foi um dos mais deprimentes episódios da TV dos tempos recentes.
Não precisaria ter sido, porque Miriam tem traquejo, experiência e autoridade dentro da emissora suficiente para que pudesse resolver a situação.
Pedir um “brake”, pedir a nota por escrito e ler, com o texto na mão, deixando claro que era um editorial e não gaguejando, com olhos de vidro, num humilhante “jogral”. Um robô, nitidamente.
Deprimente, mas dentro do limite flácido da dignidade de quem já aceitou reproduzir a voz do dono da emissora, informalmente, mas que, como profissional,  deveria saber colocar o tom que até mesmo um Cid Moreira – que não era jornalista, mas apenas locutor – se obrigava a fazer.
E o fez em momentos certamente terríveis, para ele, como o do direito de resposta concedido a Leonel Brizola no Jornal Nacional.
Ao contrário de nós, que fomos “bagrinhos” nas empresas Globo, Miriam não seria demitida sumariamente.
Nem toquei no assunto, aqui, porque os leitores deste site já têm perfeita consciência de quem é Miriam Leitão, que aceita, como já fez de outras vezes, ser ofendida por aqueles a quem serve, como no episódio quem que recebeu um “que bobagem, Míriam” – aliás, com razão – de José Serra, na campanha de 2010.
Míriam mostrou, porém, os limites de sua valentia verbal.
Ao ponto de ser “zoada” por ninguém menos que William Waack, 21 anos de Globo, antes de ser “afastado” pelo notório “coisa de preto” dito fora do ar.
Coisa de gente sem caráter promover-se dizendo que não fala as coisas porque o “chefe está no ponto”, referindo-se ao fone de ouvido do apresentador e, pior ainda, imitando o gaguejar da ex-colega.
O comportamento de Miriam foi deprimente, vergonhoso. O de Waak, abjeto. Mas não se pode esquecer, nunca, que menos perdoável que o papel do humilhado é o de quem humilha.
Dias depois de ter baixado o AI-5 em que diz como os seus empregados devem se portar, em matéria de política, abstendo-se de terem opiniões e simpatias, a Globo fez uma errata, ao vivo, neste episódio.
Eles não só podem como devem ter, e têm, uma opinião: a dos seus patrões.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Em carta aberta ao STF e a importantes governantes da Europa, Juristas Internacionais denunciam "caráter desleal" e persecutório em processo contra Lula


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Do RBA e da ACADEMIA PAULISTA DE DIREITO

1 - Comentário do RBA:

lula
Espanhol Baltasar Garzón é um dos signatários de mensagem à presidenta do STF: 'grande preocupação' com processos

Importantes juristas internacionais enviaram carta à presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, na qual manifestam grande preocupação com a condução dos processos judiciais contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No documento, eles pedem também uma audiência com Cármen, “se vossa excelência tivesse disposição de nos receber”. Entre os autores da carta, figura o juiz Baltasar Garzón, advogado licenciado em Madri e famoso mundialmente por ter mandado prender o ditador do Chile Augusto Pinochet em 1998.
A carta será enviada também aos presidentes da França, Emmanuel Macron, do governo espanhol, Pedro Sánchez, e ao primeiro-ministro de Portugal, António Costa. O documento, dizem os missivistas, tem o objetivo de “transmitir nossa preocupação frente ao que nos parecem irregularidades sérias que afetam o inquérito policial e o processo que conduziram a recente condenação” de Lula. A preocupação “aumentou com os entraves criados para evitar sua libertação”.
Segundo os juristas, a correspondência é baseada em “diversas fontes”. Eles citam vários fatos como argumentação:
* A divulgação pela mídia, “originária do juiz Sérgio Moro, de elementos do inquérito”, como a gravação de uma conversa telefônica entre a então presidente Dilma Rousseff e Lula;
– “As condições criticáveis pelas quais foi anulada a decisão do desembargador Rogério Favreto” (do Tribunal Regional Federal da 4ª Região), que havia concedido habeas corpus a Lula, depois revogado por outros magistrados do TRF4. “Compreendemos que a anulação da ordem foi consequência de uma intervenção ilegal, e fora de qualquer marco processual, do senhor juiz Sergio Moro”;
– “O caráter precipitado, desleal e parcial do processo que determinou a prisão (de Lula), acontecido em uma temporalidade inédita, em comparação à tramitação dos processos do mesmo tipo, material e formal no Brasil.
Os juristas transmitem ainda a Cármen Lúcia a preocupação “sobre os graves prejuízos ao direito de defesa de Lula, ilustrados em particular pela interceptação telefônica de seus advogados”. Eles acrescentam: “Entendemos que estas irregularidades e anomalias, excelência, não são alheias a uma pressão midiática muito forte, alimentada pelo jogo de ambições corporativas e pessoais”.
No documento, apelam à presidenta do STF para garantir o respeito aos princípios que regem o Estado de direito no exame do processo relativo a Lula.
Assinam o documento, além de Baltasar Garzón, os seguintes juristas: William Bourdon, advogado em Paris e fundador da Associação de Defesa das Vítimas de Crimes Econômicos (Sherfa); Mireille Delmas-Marty, professora no Collège de France; Luigi Ferrajoli, jurista emérito da Universidade de Roma; Emílio Garcia Mendes, jurista e professor de psicologia da Universidade de Buenos Aires; Henri Leclerc, advogado licenciado em Paris; Wolfgang Kaleck, advogado licenciado em Berlim e secretário-geral do Centro Europeu pelos direitos Constitucionais e Direitos Humanos (ECCHR); Louis Joinet, magistrado e ex-presidente do Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária e da Comissão de Direitos Humanos da ONU; e Jean-Pierre Mignard, advogado licenciado em Paris.






Juristas de diversos países e instituições enviaram nesta quinta-feira (09) carta aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), onde pedem à Corte o “respeito a todos os princípios que regem o Estado de Direito Democrático no exame do processo relativo ao ex-presidente Lula”. O objetivo é afastar quaisquer tipos de ambições políticas fora dos marcos da legalidade.
Os juristas pedem, também, para se encontrarem com a presidente do STF, a ministra Cármen Lúcia. O material foi enviado a todos os ministros da Corte, e aponta diversos pontos que levantam dúvidas sobre a isenção do processo, apontados pelos juristas como “irregularidades sérias”. Entre elas, a carta aponta:
– A divulgação à imprensa pelo juiz Sergio Moro de elementos do Inquérito envolvendo o ex-presidente, como, por exemplo a gravação de uma conversa telefônica entre a então presidente Dilma Rousseff e Lula.
– A anulação da decisão do desembargador Rogério Favreto (TRF-4), que concedeu “habeas corpus” pela libertação do ex-presidente Lula, ocorrida após intervenção ilegal e fora de qualquer marco processual do Juiz Sergio Moro.
– O caráter precipitado, desleal e parcial do processo, que determinou a reclusão de Lula em tempo recorde em comparação com processos do mesmo tipo material e formal no Brasil.
A carta é assinada por William Bourdon, advogado licenciado em Paris e presidente fundador da Associação de Proteção e Defesa das Vítimas de Crimes Econômicos (SHERPA), além de Mireille Delmas-Marty, professora emérita no College de France, Luigi Ferrajoli
jurista e professor emérito na Universidade Roma 3, Juan Garces, Advogado licenciado em Madrid e prêmio Nobel alternativo 1999 (Right Livelihood Foundation, Suécia), Emilio Garcia Mendez, jurista e professor de psicologia na Universidade de Buenos Aires, Baltasar Garzón
advogado licenciado em Madrid, Louis Joinet, magistrado e ex-presidente do Grupo de
trabalho sobre a detenção arbitrária e da Comissão de direitos humanos da ONU, Wolfgang Kaleck, advogado licenciado em Berlin e secretario-geral do Centro Europeu pelos direitos constitucionais e os direitos humanos (ECCHR), Henri Leclerc, advogado licenciado em Paris e presidente honorário da Liga dos Direitos Humanos (LDH), e Jean-Pierre MIGNARD
Advogado licenciado em Paris.
Leia a íntegra aqui:

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Vídeo: os bastidores do vexame histórico de Miriam Leitão e da Globonews, apoiadoras do golpe de 2016 e ainda em curso, na sabatina com o folclórico Bolsonaro


Video do canal do Dário do Centro do Mundo:


Juristas criticam a relativização da presunção de inocência durante ato na USP



Campanha entregará abaixo-assinado ao STF em setembro (Foto: Reprodução/Lu Sudré/Brasil de Fato)
A relativização da presunção de inocência e seus impactos na democracia e no encarceramento em massa foram temas de um ato político realizado por juristas e promotores, na noite desta sexta-feira (3), na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). A atividade foi organizada pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), em parceria com a Associação Juízes para a Democracia (AJD) e com o Coletivo Transforma MP (Ministério Público).
Em 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou o entendimento de que a prisão após uma condenação em segunda instância não seria ilegal. No entanto, Laura Benda, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) e presidenta da AJD, relembrou que a Constituição Federal de 1988 foi explícita ao registrar que ninguém deveria ser privado de liberdade sem a sentença condenatória transitada em julgado, ou seja, sem que todos os recursos estejam esgotados. Benda foi uma das juristas que compôs a mesa da atividade.
Ela rebateu o argumento usado pelos favoráveis à prisão em segunda instância de que a nova jurisprudência combateria os crimes de “colarinho branco” e os políticos condenados na Operação Lava Jato. “Esses motivos alegados, que levaram a essa mudança de entendimento da jurisdição são falsos e estão gerando essa tragédia. Precisamos impedir essa tragédia de prosseguir, precisamos reanimar a democracia nesse país”.
A juíza reforçou ainda que a relativização da presunção de inocência é mais uma prova de que o Brasil vive um Estado de Exceção. “Temos dados de que, com a decisão final do trânsito em julgado, quase 50% das decisões são alteradas, ou seja, pessoas que estavam com sentenças condenatórias, ao final, são absolvidas”, afirmou. Benda usou como base informações da Defensoria Pública do Rio de Janeiro.
Por sua vez, Tânia Oliveira, da direção executiva da ABJD, apontou que a relativização da presunção de inocência é apenas um dos muitos direitos constitucionais que estão sendo destruídos no país. “O cidadão entra no processo do sistema penal brasileiro culpado. Cabe a ele provar sua inocência. É uma inversão. A presunção de inocência relativizada pelas decisões da nossa Corte Suprema, nos faz assumir essa bandeira de que defender esse princípio é defender minimamente as garantias do processo penal constitucional.”
“A garantia da presunção de inocência é uma conquista histórica, não só da nossa Constituição, é uma conquista das sociedades democráticas do mundo”, defendeu Oliveira, que também fez parte da mesa do ato público.
Encarceramento e punitivismo
Roberto Tardelli, representante do Transforma MP, trabalhou durante 30 anos como promotor do Ministério Público e critica a atuação do órgão. Para ele, o MP não está cumprindo com sua missão constitucional e está contaminado pelo conservadorismo.
“Quem não é de extrema-direita está absolutamente sem inserção social no MP. Hoje, o Ministério Público é uma extensão da viatura da Polícia Militar”, denunciou Tardelli, que considera a antecipação do cumprimento de pena uma tragédia. “Nós temos hoje no MP um exército de burocratas que se presta, tão somente, a condenar pobres”.
De acordo com o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), do Ministério da Justiça, o número de pessoas encarceradas no Brasil chegou a mais de 726 mil em junho de 2016. Mais de 50% deste total é composto por jovens de 18 a 29 anos e 64% são negros.
Na análise do especialista, os pilares centrais da democracia foram quebrados. “Quando falamos da quebra do princípio da presunção de inocência, não é a quebra apenas de um princípio constitucional. É muito mais do que isso. É a quebra da coluna vertebral de todo o nosso sistema. Quebrou-se a Constituição Federal e as coisas passaram a acontecer completamente fora do controle”, afirmou.
Dados da Defensoria Pública do Estado de São Paulo apontam que, desde a decisão do STF, apenas o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-SP) expediu 13.887 mandados de prisão com base na nova jurisprudência.
Campanha
A ABJD é uma das entidades organizadoras de uma campanha em defesa da presunção de inocência, que tem como uma das principais iniciativas um abaixo-assinado, lançado no dia 16 de julho. O resultado da coleta de assinaturas será entregue ao STF em setembro.
Tânia Oliveira enfatizou a importância da campanha. “Essa luta é uma luta de todos nós. Temos que ter a capacidade de levar essa discussão para toda a sociedade. É preciso que o cidadão seja efetivamente considerado inocente até que se prove sua culpa. Com essa campanha, pretendemos mostrar como pode ser perniciosa essa inversão de valores”, disse, se referindo à prisão de segunda instância sem o trânsito em julgado.
Em parceira com a ABJD, o Brasil de Fato lançou, neste mês de agosto, um tabloide especial sobre a presunção de inocência, com uma entrevista exclusiva com o juiz Marcelo Semer e um artigo da jurista Kenarik Boujikian.

Os garotos mimados do MBL e o Facebook Malvadão, por Jota Camelo



domingo, 5 de agosto de 2018

Cientista Político e professor da PUC-SP, Pedro Fassoni Arruda discute sobre a Globo, a sórdida ditadura militar e sobre aquele candidato fascista....



"Bolsonaro e a família Marinho se merecem. São uns lixos que deveriam responder pela apologia à violência que sempre praticaram." - Pedro Fassoni Arruda


Do DCM:


Herança da ditadura (Foto: Reprodução)


Publicado no Facebook do autor
POR PEDRO FASSONI ARRUDA, cientista político e professor da PUC-SP
1. A TV Globo foi criada em 1965, um ano depois do golpe que derrubou João Goulart.
2. O fundador e proprietário da TV Globo na época, Roberto Marinho, não era jornalista. Era empresário de mídia. Por favor, não confundam o patrão com o empregado.
3. Como empresário, Roberto Marinho sempre defendeu os interesses da sua classe. Ele herdou o jornal O Globo, criado em 1925, e sempre fez uma feroz oposição a todos os líderes trabalhistas no Brasil: Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Lula e Dilma.
4. Em 1964, foram publicados no jornal O Globo diversos editoriais, capas de jornal e reportagens defendendo a derrubada do presidente legítimo e justificando a intervenção militar.
5. A família Marinho apoiou a ditadura do começo ao fim. Foram 21 anos de colaboração com o regime. Como conglomerado de mídia, as Organizações Globo colocaram todos os seus veículos a serviço da ditadura: jornais, revistas, emissoras de televisão, rádio etc.
6. Apenas em 2013 as Organizações Globo divulgaram uma nota reconhecendo que o apoio ao golpe de 1964 foi um “erro editorial”.
7. Precisamos entender que não foi apenas um “erro editorial”. Não se trata de erro simplesmente porque eles agiram de má-fé, sabiam exatamente o que estava acontecendo: PRISÕES ARBITRÁRIAS, CASSAÇÕES DE DIREITOS POLÍTICOS E MANDATOS PARLAMENTARES, CENSURA, PERSEGUIÇÃO, TORTURAS, EXECUÇÕES SUMÁRIAS, OCULTAÇÃO DE CADÁVERES e outras atrocidades.
8. Não basta dizer que houve um “erro”. É preciso PEDIR DESCULPAS às vítimas que foram perseguidas e torturadas, e pedir desculpas aos familiares daqueles que foram brutal e covardemente assassinados. É preciso defender a revisão da lei de anistia, é preciso fazer a reparação histórica e colocar os criminosos no banco dos réus. Os mesmos barões midiáticos que apoiaram os 21 anos de ditadura e só reconheceram que “erraram” quase três décadas depois do restabelecimento da democracia acabaram apoiando um novo golpe dois anos atrás…
9. Bolsonaro e a família Marinho se merecem. São uns lixos que deveriam responder pela apologia à violência que sempre praticaram.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Bem que Zé Wilker já tinha avisado, em um vídeo memorável: a Globo segue padrões de manipulação do Mein Kempff do ultra-direitista Adolf Hitler.... E A exaltação da ditadura por Bolsonaro está toda num editorial de Roberto Marinho que ele tem exibido



Antes de ler o texto de Kiko Nogueira, veja o histórico vídeo sobre o que inspira o tal "padrão Globo" de qualidade....



Veja agora o texto de Kiko Nogueira publicado no Diário do Centro do Mundo:

A exaltação da ditadura por Bolsonaro está toda num editorial de Roberto Marinho que ele tem exibido. Por Kiko Nogueira

O dito cujo

Jair Bolsonaro vai repetir na sabatina da Globo News desta sexta, dia 3, um texto que tem usado para defender que o Brasil não teve ditadura militar.
Alega que, num regime realmente autoritário, não teria nascido a TV Globo em “meia cinco” (esse linguajar de tira de seriado dos anos 70 é de doer).
É uma estupidez, dadas as cassações, perseguições, atos institucionais, suspensão de habeas corpus, censura.
Mas Bolsonaro toca numa verdade inconveniente para a Globo: ela foi criada por causa do golpe, não apesar dele, com o intuito de dar-lhe sustentação midiática, tarefa que desempenhou com brilhantismo.
O livro “Dossiê Geisel”, baseado nos arquivos pessoais do penúltimo general, conta que o ministro da Justiça Armando Falcão definia Roberto Marinho como “o maior e mais constante amigo” na imprensa.
Ao reivindicar novas concessões, o “Doutor Roberto” mencionava seu “constante apoio”. Em reunião com Golbery, afirmou que o comportamento da emissora “deveria fazê-la merecedora de atenção e favores especiais”.
Bolsonaro costuma tirar do paletó um editorial de RM, publicado no Globo em 7 de outubro de 1984, chamado “Julgamento da Revolução”.
“Participamos da Revolução de 1964, identificados com os anseios nacionais de preservação das lnstituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”, escreve Marinho.
Ainda: “Acompanhamos esse esforço de renovação em todas as suas fases. No período de ordenação de nossa economia, que se encerrou em 1977. Nos meses dramáticos de 1968 em que a intensificação dos atos de terrorismo provocou a implantação do AI-5. Na expansão econômica de 1969 a 1972, quando o produto nacional bruto cresceu à taxa média anual de 10%.”
“Não há memória de que haja ocorrido aqui, ou em qualquer outro país, que um regime de força, consolidado há mais de dez anos, se tenha utilizado do seu próprio arbítrio para se auto-limitar, extinguindo os poderes de exceção, anistiando adversários, ensejando novos quadros partidários, em plena liberdade de imprensa.”
E por aí vai.
Toda a elegia da ditadura está ali, com a assinatura de Roberto Marinho.
Ao exibir esse artigo como as tábuas da lei, Bolsonaro está cobrando que seja reconhecido como igual. Ele é o filho enjeitado da Globo. Sem ela, JB não seria possível.
O editorial de Roberto Marinho louvando o golpe de 64 vinte anos depois

O desafio atual: contra o Estado pós- (e anti-)democrático, para resgatar a democracia, por Leonardo Boff


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Não são poucos os analistas sociais e juristas da maior qualidade que denunciam o atual situação política do Brasil como a instauração de um Estado de exceção. O golpe parlamentar,jurídico e mediático de 2016 permitiu que os golpistas passassem por cima da Constituição, modificassem as leis trabalhistas em favor dos patrões, engesassem o país com o teto de gastos, em saúde e educação, impedindo que se crie um Estado de Bem Estar Social.
A justiça deixou de ser imparcial e, mesmo nos níveis mais altos, mostra ter lado, contra o PT e a figura carismática de Lula. O que o juiz federal de primeira instância Sérgio Moro faz, é a aplicação deslavada do lawfare e não esconde o ânimo persecutório ao ex-Presidente, condenando-o sem provas materiais irrefutáveis. Por isso é considerado um prisioneiro político..
Importa observar que este tipo de política obedece a uma ampla estratégia pensada a partir dos interesses do Império com os aliados internos de nosso pais. O Brasil é decisivo em termos de geopolitica e de abundantes bens e serviços naturais, capazes de garantir a base físico-química que sustenta o sistema-vida e o sistema-Terra, já em alto gru de erosão.
O golpe foi dado sob a égide do mais rigoroso neoliberalismo e da voracidade do capital especulativo de cariz capitalista que domina a políitica no mundo inteiro.
É sabido que a ordem capitalista, por seu individualism e a fúria de acumulação nunca se deu bem coma democracia. Se democracia implica mais que o direito de votar, mas de buscar a igualdade de todos os cidadãos com referência às leis, aos direitos basicos, à justiça social e às garantias fundamentais, devemos dizer que ela é antes um engodo que uma realidade. A democracia moderna se construiu como representativa de toda a sociedade. Na verdade, em geral, representou os interesses dos poderosos e sub-representou os do povo trabalhador ou pobre.
Dados de várias entidades sérias nos relatam que cerca de 8 bilhardários controlam grande parte da economia mundial, deixando milhões e milhões na pobreza e na fome. Como a lógica capitalista é a competição e não a solidariedade, entramos numa era de barbárie e de grande desumanidade,
Esse tipo de capitalismo necessita de demcracias de baixíssima intensidade, com um Estado submetido ao mercado, com a menor participação popular possível. A estratégia dos países capitalistas visam a recolonizar a América Latina e o Brasil condenados a ser meros exportadores de commodities (alimentos, minérios e outros)
O golpe de 2016 foi dado com esse propósito, em si, anti-patriótico, anti-popular e profundamente injusto, em benefício dos endinheirados e herdeiros da Casa Grande. Esse golpe liquidou com o Estado democrático de direito. Guardou as aparências e as instituições. Mas não funcionam como a Constitição prevê ou funcionam sem imparcialidade.
Inaugurou-se o “pós-Estado democrático”, categoria usada por Rubens Casara, juz de direito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e professor universitário, com notável capacidade teórica de pensar o desastre da democracia brasileira e sua ideologia subjacente. Agora vigora de fato um Estado de exceção, à moda do jurista alemão Carl Schmitt (1888-1985) que justificava o regime de Hitler,pois para ele o critério do político reside na definição do inimigo a ser satanizado e destruido (cf. O conceito do político,Vozes 1992,51-53). Acima de todas as leis está o “Führer” ou o “Ducce”, que sempre têm razão.
A consequência se lê no sub-título do livro:”neo-obscurantismo e gestão dos indesejáveis”. Quer dizer, mantem-se a farsa democrática e se castigam os mais pobres, pois são indesejáveis ao sistema de acumulação e de consumo.
O desafio atual consiste em resgatar a democracia mínima (nem aquela “sem fim” de Boaventura de Souza Santos ou como “valor universal” de Norberto Bobbio, nem a democracia “sócio-ecológica” de Zaffaroni e minha) mas simplesmente a pura e simples democracia, expressa no Estado Democrático de Direito. Devemos repudiar o Estado pós-democrático como excrecência da democracia e outro nome para o regime de exceção.
Leonardo Boff escreveu: “Brasil: concluir a refundação ou prolongar a dependência”, Vozes 2018.

Bob Fernandes sobre Bolsonaro no Roda Viva: Uma ode à ignorância e ao fascismo







"(...) foi mais um capítulo na construção de uma tragédia. O fascismo não nasce do nada, nasce de erros e esgotos de uma sociedade.
Entregar a Comissão de Direitos Humanos a fascistas, em 2013, foi erro decisivo.
Bradar e desfilar contra corrupção e entregar o país a corruptos, e depois se calar, foi erro definidor.
Erro definitivo desconhecer marcas e consequências de 350 anos com 3,5 milhões de escravos.
Bolsonaro e os seus desconhecem 5 séculos de colonização portuguesa na África. E o controle português nesta escravidão.
-Os portugueses nem pisavam na África- disse Bolsonaro.
Certamente escravos vinham a nado, por desejo próprio.
(...) Bolsonaro, como a ignorância ressentida que o segue, desconhece. Ou fiel aos mais baixos instintos finge não saber...
... Mandela, De Gaulle, Menachen Beguin, os partisans na França, Itália, entre tantos na História foram “guerrilheiros”...
...E tratados como “terroristas”. Cristo: “Subversivo” e crucificado. Por quê?
Porque é dever de cada cidadão combater Estado nascido ilegal ou tornado fora da lei. É dever combater uma ditadura, seja ela qual for. É dever enfrentar a ameaça do fascismo."
 "

A imagem pode conter: texto

Do Canal do Jornal da TV Gazeta:


 Bolsonaro, uma ode à ignorância e ao fascismo...


Bolsonaro no Roda Viva? Depende do distanciamento de cada um.
Para quem gosta e se identifica com a quilo foi prato cheio. Para alheios a tudo foi programa humorístico.
Ou, foi mais um capítulo na construção de uma tragédia. O fascismo não nasce do nada, nasce de erros e esgotos de uma sociedade.
Entregar a Comissão de Direitos Humanos a fascistas, em 2013, foi erro decisivo.
Bradar e desfilar contra corrupção e entregar o país a corruptos, e depois se calar, foi erro definidor.
Erro definitivo desconhecer marcas e consequências de 350 anos com 3,5 milhões de escravos.
Bolsonaro e os seus desconhecem 5 séculos de colonização portuguesa na África. E o controle português nesta escravidão.
-Os portugueses nem pisavam na África- disse Bolsonaro.
Certamente escravos vinham a nado, por desejo próprio.
Mortalidade infantil? Porque mulheres não cuidam dos dentes e sistema urinário...O astronauta como ministro da Ciência...
,,,Não existiu ditadura no Brasil...E Herzog não foi assassinado, se enforcou a um metro e vinte do chão...
Estas algumas das declarações da tragédia Bolsonaro no Roda Viva.
Uma das torturadas na ditadura, Amelinha Teles já relatou:
-Nua, vomitada, urinada, recebendo choques elétricos, torturada... Na sala da tortura meus filhos de 5 e 4 anos. Levados por Brilhante Ustra, que me espancara...
Brilhante Ustra homenageado por Bolsonaro naquela noitada do impeachment de Dilma, marcada por discursos grotescos.
Acusado pela morte de 60 pessoas, chefe de tortura, Brilhante Ustra é seu “livro de cabeceira”, confessou Bolsonaro no encerramento do Roda Viva.
“Mandela não foi isso tudo”, disse Bolsonaro. Claro, gigante da humanidade é ele, o Jair.
Bolsonaro, como a ignorância ressentida que o segue, desconhece. Ou fiel aos mais baixos instintos finge não saber...
... Mandela, De Gaulle, Menachen Beguin, os partisans na França, Itália, entre tantos na História foram “guerrilheiros”...
...E tratados como “terroristas”. Cristo: “Subversivo” e crucificado. Por quê?
Porque é dever de cada cidadão combater Estado nascido ilegal ou tornado fora da lei. É dever combater uma ditadura, seja ela qual for. É dever enfrentar a ameaça do fascismo.