sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Quarto Poder: a mídia manipuladora e a necessidade de desmascará-la

Texto de Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

Com o país dividido, Dilma terá que denunciar a mídia




Rachou, e rachou ao meio. As pesquisas Datafolha e Ibope recém-divulgadas concordam – até numericamente – que Dilma Rousseff e Aécio Neves têm, cada um, metade do eleitorado consigo. Seja em votos válidos, seja em votos totais.

A vantagem numérica de 2 pontos percentuais – portanto, dentro da margem de erro – que os dois institutos deram a Aécio Neves (51% contra 49% de Dilma, em votos válidos) pode muito bem decorrer da preferência que os donos de Datafolha e Ibope – respectivamente, as famílias Frias (dona de fato) e Marinho (dona de direito) – acalentam pelo tucano.

Segundo o Ibope, 4% do eleitorado ainda não sabe em quem votar. Já no Datafolha, são 6%. Poderíamos dizer que, na média, 5% do eleitorado ainda está indeciso. Esse universo de menos de 10 milhões de eleitores irá decidir a eleição.

O que ocorre é que Aécio detém uma vantagem extremamente injusta sobre Dilma. Nos últimos dias, essa mídia, “esquecendo” de todos os escândalos que envolvem o PSDB, dedicou-se exclusivamente a acusar o PT. Sem parar.

Aliás, nos últimos dias um petista e um tucano foram flagrados em aeroportos transportando altas somas em espécie. Como a mídia tratou os dois casos? Escondeu o do tucano e pôs na primeira página o do petista.

Nos jornais, telejornais, rádios, portais de internet, as acusações de corrupção incessantes contra o PT. E o que é pior: com base em informações não confirmadas, sob apuração das autoridades. Na mídia partidária de Aécio, porém, não precisa mais investigação nenhuma: o PT – e, por extensão, Dilma – é culpado.

Todos os casos de corrupção envolvendo o PSDB (escândalo dos trens em SP, entre outros), a crise hídrica em SP, o caso dos aeroportos que Aécio mandou construir em terras de sua família em Minas Gerais, tudo isso é tratado lá no último caderno e nem chega aos telejornais.

Como o eleitorado que irá decidir esta eleição é extremamente pequeno, os ataques da mídia ao PT e a blindagem dessa mídia ao PSDB podem fazer a balança pender para Aécio.

Por mais que o primeiro programa de Dilma no segundo turno tenha começado bem, com um terceiro ator em jogo na disputa (a mídia), a petista não poderá pelear só com Aécio, pois ele poderá muito bem se portar como Marina, fazendo-se de coitadinho, deixando os ataques para Globos, Folhas, Vejas e Estadões.

No primeiro turno, Lula abriu a propaganda eleitoral de Dilma atacando a mídia. Depois, parou. Até porque, no primeiro turno essa mídia chegou a dar notícias desfavoráveis para Aécio ao mencionar, brevemente, o escândalo dos aeroportos.

Agora, porém, não tem mais jeito. Quem assistiu a edição do Jornal Nacional que precedeu o reinício da propaganda eleitoral na tevê e viu o telejornal superdimensionar a vantagem de 2 pontos de Aécio nas pesquisas e martelar acusações sem provas contra o PT, já percebeu que essa situação irá perdurar durante todo o segundo turno.

Dilma, portanto, disputa com Aécio e com a mídia. Dilma não tem um adversário, tem dois. E se tem dois adversários, não pode se defender ou atacar só um deles, por mais que seja injusto uma luta de dois contra uma. Terá, pois, que lutar com ambos.

Como? Dilma tem que denunciar exatamente o que está acontecendo – bombardeio midiático contra si e blindagem midiática de Aécio. Nem mais, nem menos. Afinal, graças às mentiras da mídia e a uma miríade de fatores laterais, o país vive uma situação-limite.

O risco de entregar o país aos banqueiros, à mídia e aos seus despachantes tucanos, em 2014 é o mais alto desde que o PT chegou ao poder. Se Aécio vencer, terá início uma era de perseguições políticas, saque ao patrimônio público, fim das investigações de corrupção contra o governo, entrega da soberania brasileira aos países ricos, sobretudo aos EUA.

Dilma, Lula e o PT não têm que reagir à mídia em defesa de seus interesses eleitorais. Eles têm obrigação de reagir em defesa do povo brasileiro, ora ameaçado por uma coalizão infame do capital financeiro que planeja sugar o sangue deste país até a última gota.

A mídia golpista, Dilma e Jango

Texto de Luis Nassif, extraído do Luis NassifOline-Jornal GGN:

José Eduardo Cardoso, Dilma e a solidão de Jango




A governo Dilma entra na batalha final do segundo turno. Perdendo, joga fora um projeto de país do qual é fiadora. Trata-se, portanto, de uma batalha final onde está em jogo um governo e, mais que isso, um projeto de país.

Nas gravações clandestinas dos depoimentos de Paulo Roberto Costa há um jogo de vazamentos seletivos, cuja responsabilidade é do juiz Sérgio Moro. Digo isso pelo fato da gravação ter sido efetuada na sua presença, sem que tomasse a menor precaução em prevenir o grampo - mesmo havendo um número reduzido de pessoas assistindo o depoimento - e por seu desinteresse em apurar o episódio.

Trata-se de um vazamento articulado com os grupos de mídia, cada qual atuando como peça de uma estratégia maior. E a gravação clandestina foi cometida nas narinas de Moro, sutil como um estupro à luz do dia, em plena Avenida Paulista.

Abre-se uma guerra de informações e declarações. Do lado do governo, o porta-voz autorizado, o que obteria maior espaço na mídia seria o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Ele seria o campeão de Dilma, a entrar em campo, de peito aberto, em defesa do seu governo.

Sem minimizar a gravidade das denúncias, ele poderia dar uma de suas aulas de direito - que reserva para os cursos que coordena nas Faculdades Damázio, acumulando com seu cargo de Ministro.

Lá poderia didaticamente explanar sobre os abusos dos vazamentos, anunciar medidas para apurar as responsabilidades, atuar junto ao Conselho Nacional de Justiça, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para punir os infratores e interromper o estupro da lei. Tudo isso sem abrir mão do reconhecimento das tramoias.

Nada faz. Não corre riscos, não se expõe em nenhum momento.

Contam que, ao sair de uma apresentação do documentário "O  dia que durou 21 anos" - sobre a ditadura - Dilma comentou com interlocutores, emocionada, como Jango estava só. Referia-se ao Comício da Central, com Jango cercado por assessores e aliados parte dos quais, dias depois, o abandonaria.

Um dos convivas  olhou para José Eduardo, que também assistia o documentário, pensou em falar alguma coisa para a presidente. Mas achou melhor não. Com a teimosia da presidente, o alerta cairia no vazio.

Se reeleita, talvez Dilma já esteja suficientemente vacinada contra a mais cruel das armadilhas: os assessores que só dizem sim e que jamais se expõem.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Mais uma sujeira das Organizações Globo: TSE desmente a Revista Época e a estranha pesquisa "Paraná". O jogo da mídia que tem candidato

Extraído do Blog da Cidadania:

TSE desmente que Época tenha pago a esquisitíssima pesquisa “Paraná”


No fim da tarde de quarta-feira (8), a revista Época divulgou em seu portal na internet que contratou “A primeira pesquisa sobre o segundo turno” com um tal “Instituto Paraná”. O resultado dessa pesquisa surpreendeu não só petistas mas também tucanos ao mostrar Aécio Neves disparado à frente de Dilma Rousseff (54% a 46%).

Abaixo, a chamada na home do portal de Época



Pelo inusitado dos números, o Blog procurou a campanha de Dilma Rousseff. Perguntou se o PT já dispunha de trackings ou pesquisas internas sobre o segundo turno, ao que foi informado de que o partido começa a fazer suas sondagens a partir desta quinta-feira (9).

Em seguida, a pergunta foi sobre a confiabilidade da pesquisa. Abaixo, a resposta:

“Picaretagem. Dê uma olhada no site do TSE. [A pesquisa] nem está registrada no TSE como uma pesquisa comprada pela Época. No registro da pesquisa perante o TSE (BR 01064 e 01065), não consta a revista Época nem tampouco a Editora Globo como contratantes, ao contrário do afirmado pela própria Época em sua página”

O Blog acolheu a sugestão da fonte e foi ao site do TSE pesquisar. Abaixo, a reprodução da página de registro de pesquisas do TSE que mostra os números de registro da pesquisa “Paraná”.


Como se vê, a pesquisa custou R$ 62 mil e o contratante é o próprio “Instituto Paraná”.

Pelo que se entende da lei, quando o TSE pergunta a quem registra uma pesquisa eleitoral quem foi que pagou por ela, espera que lhe digam a verdade. Ora, se a revista Época diz que pagou, mas o site do TSE diz que não pagou, só há duas hipóteses: ou mente a revista ou mente o Tribunal.

Enquanto sobrevém esse fato estranho, surgem outros. O blogueiro parananese Esmael de Moraes divulga que o dono do “Instituto Paraná” é alguém chamado Murilo Hidalgo. A partir da informação de Esmael, o blogueiro Miguel do Rosário vai “fuçar” e descobre que o mesmo Hidalgo “já está nomeado para integrar o novo governo de Beto Richa” e que “deverá dirigir a Celepar, companhia de TI do estado do Paraná”.

Para fechar o círculo de estranhezas, o Blog tentou acessar o site do tal “Instituto Paraná” e o resultado você confere abaixo.


Como se vê, não abre página alguma ao digitar o endereço http://www.paranapesquisas.com.br/

A primeira tentativa de acesso foi por volta das 19 horas de quarta-feira (8). Foi tentado o acesso por mais QUATRO computadores diferentes e por dois celulares, e nada. Esperou-se mais SETE horas para tentar acessar o site, e nada.

Nesta quinta-feira (9), deve ser divulgada pesquisa Datafolha registrada no dia 4 deste mês, com campo nos dias 8 e 9. Abaixo, o registro da pesquisa.



Diante da volatilidade nas eleições de 2014, não se descarta a possibilidade de a pesquisa mostrar alguma coisa parecida, mas que a pesquisa “Paraná é “esquisita”, não há dúvida. Além de todo o exposto, Dilma aparece com menos votos no segundo turno do que teve no primeiro.

Seja como for, na tarde desta quinta o PT já terá seu primeiro tracking no segundo turno. Provavelmente, sairá antes do Datafolha. Ou este Blog ou algum outro certamente terão os números para confrontar com as pesquisas “Paraná” e Datafolha.

Independentemente da pesquisa Datafolha e do tracking do PT, entre outros, sobressai uma pergunta – e não é sobre a ligação do dono do “Instituto Paraná” com o PSDB: por que Época disse que pagou essa pesquisa, se não pagou? Será que a revista e o instituto não sabem que fazer esse tipo de coisa constitui crime eleitoral?




quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Leonardo Boff discute o resultado da primeiro turno das eleições à luz da história reacionária antipovo

As eleições à luz da história antipovo



Os que sobem o tom dizendo que tudo no país está errado, posicionam-se contra as políticas do PT que comabtem privilégios

texto de Leonardo Boff, extraído da revista Carta Maior




Nada melhor do que ler as atuais eleições à luz da história brasileira na tensão entre as elites e o povo. Valho-me duma contribuição de um sério historiador com formação em Roma, em Lovaina e  na USP de São Paulo o  Pe. José Oscar Beozzo, uma das inteligências mais brilhantes de nosso clero.

Diz Beozzo: “a questão de fundo em nossa sociedade é a do direito dos pequenos à vida sempre ameaçada pela abissal desigualdade de acesso aos meios de vida e pelas exíguas oportunidades abertas às grandes maiorias do andar debaixo”.

Como nos ensina Caio Prado Júnior, nossa formação social desigual repousa sobre quatro pilares difíceis de serem movidos: 

a) a grande propriedade da terra concentrada nas mãos de poucos, de tal modo  que não haja terra “livre” e “disponível” para quem trabalha ou para os que eram seus donos originários, os povos indígenas;

b) o predomínio da monocultura;

c) a produção voltada para o mercado externo (açúcar, tabaco, algodão, café, cacau e hoje soja);

d) o regime de trabalho escravo.

A independência de Portugal não alterou nenhum desses pilares.  Os que naquela época sonharam com um Brasil diferente, propunham a troca da grande pela pequena propriedade nas mãos de quem trabalhava; da monocultura para a policultura; da produção para o mercado internacional por outra voltada para o autoconsumo e para o abastecimento do mercado interno; do trabalho escravo pelo trabalho familiar livre. Isso pôde acontecer em pequenas regiões periféricas às monoculturas tropicais,  na serra gaúcha e  catarinense, com colonos alemães, italianos, poloneses, numa propriedade mais democratizada.

Houve geral oposição dos grandes proprietários escravistas a qualquer dessas medidas e foram dizimados a ferro e fogo  levantes populares que apontavam para qualquer medida democratizante na economia, na política e sobretudo nas relações de trabalho. Basta rememorar algumas dessas revoltas: a insurreição dos escravos Malês na Bahia, a Balaiada no Maranhão, a Cabanagem na Amazônia, a revolução Praieira em Pernambuco, a Farroupilha no  Sul.

A revolução de 30, com seu viés nacionalista, mesmo que parcialmente, deslocou o eixo do país do mercado externo para o interno; do modelo agrário exportador para o de substituição de importações; do domínio das elites exportadoras do café do pacto Minas/São Paulo, para novas lideranças das zonas de produção para o mercado interno, como as do arroz e charque do Rio Grande do Sul; do voto censitário, para o voto “universal” (menos para os analfabetos, naquela época ainda maioria entre os adultos), do voto exclusivamente masculino para o voto feminino; das relações de trabalho ditadas apenas pelo poder dos patrões para a sua regulação, pelo menos na esfera industrial, com a criação do Ministério do Trabalho e das leis trabalhistas voltadas para a classe operária. Não se conseguiu tocar o domínio incontornável dos proprietários de terra na regulação do trabalho dentro de suas propriedades, o que vai acontecer só depois de 1964, com o Estatuto do Trabalhador Rural.

Getúlio implantou uma política corporativista de apaziguamento entre as classes e de “cooperação” entre capital e trabalho, entre operários e os capitães da indústria em torno de um projeto de industrialização e defesa dos interesses nacionais.

Nesta campanha eleitoral certos meios de comunicação criaram o motto: "Fora PT!".Busca-se acabar com a "ditadura" do PT para instaurar a "ditadura do Mercado Financeiro".O que realmente incomoda? A corrupção e o mensalão?

A meu ver, o que incomoda, em que pesem todos seus limites, são as medidas democratizantes como o Pro-Uni, as cotas nas universidades para os estudantes vindos da escola pública e não dos colégios particulares; as cotas para aqueles cujos avós vieram dos porões da escravidão; a reforma agrária, ainda que muito aquém de tudo o que seria necessário; a demarcação e homologação em área contínua da terra Yanomami contra meia dúzia de arrozeiros apoiados pelo coro unânime dos latifundiários e do agronegócio, assim como todos os programas sociais do Bolsa Família, ao Luz para Todos, ao Minha Casa, minha Vida, ao Mais Médicos e daí para frente.

Nunca incomodou a estes críticos que o Estado pagasse o estudo de jovens estudantes de  famílias ricas que deram a seus filhos boa educação em escolas particulares, o que lhes franqueou o acesso ao ensino gratuito nas universidades públicas aprofundando a desigualdade de oportunidades. Esse estudo custa mensalmente ao Estado nos cursos de Medicina de seis a sete mil reais. Nunca protestaram essas famílias contra essa “bolsa-esmola” dada aos ricos, e que é vista como “direito” devido a seus méritos e não como puro e escandaloso privilégio. São os mesmos  que se recusam a ser médicos nos interiores e nas periferias que não dispõem de um médico sequer.

Os que sobem o tom dizendo que tudo no país está errado, em que pese a melhoria do salário mínimo, a criação de milhões de empregos, a ampliação das políticas sociais em direção aos mais pobres, a criação do Mais-Médicos, posicionam-se contra as políticas do PT que visam a assegurar direitos cidadãos, ampliar a democratização da sociedade, combater privilégios e sobretudo colocar um pouco de freio (insuficiente a meu ver) à ganância e à ditadura do capital financeiro e do “mercado”.

É esta a razão do meu voto para outro projeto de país, que atende às demandas sempre negadas às grandes maiorias. É por isso, que votei Dilma no primeiro turno e o farei no segundo, respeitando outras escolhas. Associo-me a esta interpretação, também no voto à Dilma Rousseff.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Reelegem Tiririca e Alckimin, reconduzem Bolsonaro e Romário, escolhem Aécio e Álvaro Dias e depois o nordeste é que vota errado



Texto de 

Carlos Antonio Fragoso Guimarães

  Cientificamente somos muito vaidosos e arrogantes, ao ponto da espécie humana ser chamada oficialmente de Homo Sapiens - a palavra Homo aqui, é sempre bom esclarecer diante da mediocridade intelectual galopante na net, não deve ser entendida pelos fundamentalistas malafáicos com qualquer conotação sexual, mas entendida no sentido latino, ou seja, Homem. Contudo,diante do que vemos nos últimos anos, fica claro que existe, no conjunto hominal, muito mais demência do que sapiência.

  Afinal, como explicar que pessoas escolham como representantes e legisladores para a administração "do bem comum" (teoricamente, o objetivo da democracia) gente controversa por vários poscionamentos retrótgrados ou de expressão de elitismo, ódio ou preconceito, como o fóssil troglodita da ditadura Jair Bolsonaro, o fundamentalista de extrema direita Marco Feliciano, o reacionário raivoso Álvaro Dias, ou representantes do coronelismo ruralista "sofisticado", tipo Kátia Abreu? Ou, por outra, como pensar em pessoas que se ufanam de serem "esclarecidas", "bem informadas" e mais "avançadas" que o resto do Brasil e elegem, com a maioria dos votos, pessoas como Celso Russomano ou Tirica?  Como não deixar de perceber o ódio racista e de grande parte das pessoas que reelegeram Alckimin e escolhem Aécio e, como certas socialites, expressam seu anseio de retomar o poder com medo dos "pobres" e total desprezo ao povo e irmãos do mesmo país, de outras regiões, especialmente nordestinos? São mesmo eles, a elite, superiores?

 Mesmo as manifestações de junho de 2014 (iniciadas, diga-se, pela esquerda à esquerda do PT), agora, com certa distância, claramente demonstram sua apropriação e uso pelo conservadorismo mais patético, a se expressar, por exemplo, nos resultados das urnas no sudeste-maravilha, com a honrosa e exemplar exceção de Minas Gerais, reduto politico do construtor de aeroportos familiares, Aécio Neves, mas que disse de forma bastante clara que não o quer nem como presidente, nem como ingerente governamental no próprio Estado...


Mas a aura elitista e preconceitusa e bastante reacionária das "elites" foi expressa com especial relevo pelo "Príncipe da Privataria" tucana, FHC, que saiu com esta pérolA: "O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados" (confira aqui)e isso porque, reiteremos, fala a partir do mesmo Estado que o alavancou (São Paulo) também reconduziu Alckimin das "Vidas Secas" (e o PSDB que ficará com 24 anos no poder sem ter se preocupado com os recursos hidricos) mas também elegeu Russomano, reconduziu Feliciano e fez o Tiririca rir à toa com uma enxurrada de votos e que, surrealisticamente, formou o vacuo que vai levar alguém tão inexpressivo, mas potencialmente bastante retrógrado, como o Capitão Augusto, fundador do Partido Militar, ao Congresso (confira aqui).

 É uma imensa pena perceber que uma parte considerável (mas ainda bem que não todos) representa, por suas ações e atos, uma triste caricatura da espécie, ao ponto de parecer contradizer a Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin....



sábado, 4 de outubro de 2014

Fernando Britto: "Agora não é mais só uma eleição. Agora é a História"


  Segue excelente texto de Fernando Britto sobre as Eleições 2014 e o embate entre a esquerda progressista e a reacionária direita e sua mídia manipuladora ante a vontade popular, cada vez mais consciente:


Agora não é mais só uma eleição. Agora é a História.

2 de outubro de 2014 | 10:18 
Autor: Fernando Brito

Não é difícil perceber que se formou, nestes dias finais da campanha eleitoral do primeiro turno (e talvez da própria campanha eleitoral), uma imensa e tresloucada aliança do conservadorismo brasileiro.
Um clima histérico que capturou, admita-se, parte da classe média e da mediocridade fútil que foi entronizada pela mídia como sendo a “inteligência” brasileira.
Chegamos aos píncaros de uma onda de pessimismo que não encontra base nos fatos profundos da economia – não há desemprego, não há queda violenta do poder de compra da população, não há uma crise social como tantas que vimos em nossa história – e muito menos nos da política, porque jamais vivemos numa democracia formal tão completa como hoje, embora os imbecis chamem a tudo de “perigo vermelho”, 50 anos atrasados em sua guerra-fria neurótica.
Mas os jornais publicam um país que arde: as bolsas despencam,  o “mercado” incorpóreo  prevê o desastre e embolsa lucros milionários.
Mas o outro mercado, o da esquina, faz tempo que não tira a plaquinha do “estamos contratando”.
O debate nacional se reduz à pobreza  mental do aparelho excretor de Levy Fidélix, como se Levy Fidélix e e a polivalência de aparelhos excretores fossem as causas nacionais e este não fosse um país que tenta se livrar de sua condição histórica de colônia.
Um Brasil que pode e vai assumir seu papel de um dos gigantes do mundo, já não só pela sua “própria natureza”, e não mais ser, me perdoem, o cu da Terra.
Mas é assim a alienação de nossas classes médias transformadas em diletantes do voto: o ator americano que faz o papel de Hulk ou a neurose  fanática do pecuniário pastor Malafaia  contam mais que o aumento do salário mínimo que alimenta melhor 40% dos 200 milhões de brasileiros.
Ou que os espelhinhos energéticos da Siemens (caríssimos, aliás) fossem nos prover da gigantesca energia de que precisamos e nos fizessem guardar para os espertos o petróleo do pré-sal. Ou se um país pudesse se desenvolver sem portos, ferrovias, gasodutos, estradas, transportes.
Assim é, em tudo, a manipulação que nos impõe, como se fôssemos,  um bando de tolos e superficiais.
O que teria ou não teria dito um safardana que foi demitido da Petrobras e ao qual se promete o perdão de anos de cadeia por todos os roubos se envolver neles  os que o demitiram de lá ( perdão que faria um desqualificado moral que, a esta altura, acusaria a própria mãe) flui, anonima e criminosamente, de meia dúzia de meganhas e promotores que podem dizer o que quiserem, na sombra do que seria, no mínimo, a violação dos seus deveres funcionais, mas os confessados e comprovados aeroportos privados e jatinhos de caixa-2, ah, estes repousam no silencioso limbo da conveniência.
Em tudo se tenta distrair o povo brasileiro do que está por trás da eleição.
É preciso que se deixe de olhar para a história deste país infelicitado por quase ininterruptos 512  anos de governos de elites coloniais, daqui e de fora, para que se atribua a quem nos tenta  tirar daí a culpa pelas carências e roubalheiras que nos marcaram por séculos.
É preciso transformar em tolos ou corruptos quem tem trajetória de luta, de honradez, de amor ao povo brasileiro e que não se serviu dele para exibir-se como um exotismo manso e servil aos senhores de nossa escravidão histórica.
O povo brasileiro a tudo vem resistindo, na sua sabedoria inconsciente, aquela que se forma apenas pela força irresistível da realidade, que é  o único componente da verdade que não se forma com fumaça e que, por isso, não se esfumaça com os dias.
Hoje não é dia mais de dados, de números, de “denúncias”.
Nada disso importa mais, porque nossa imprensa e nossas classes dominantes transformaram dados, números e “denúncias” em  panfletos imundos que se penduram nas bancas de jornal ou se exibem na tela das televisões. O nosso povão, na sabedoria que lhe vem da vida e da pele, na sua maioria, já o entendeu e o repele.
Hoje e os próximos três dias são de honradez, de altivez, de dignidade e, por isso, de absoluta tranquilidade.
Sabemos contra o que lutamos e pelo que lutamos.
A nossa causa é digna, é bonita, é humana, é generosa.
A deles, é feia, sombria, perversa e, por isso, precisa revestir-se de mil mentiras e das falsas juras de quem há muito entregou  sua fé, como Judas, pelos trinta dinheiros com que os novos (e eternos) romanos compram alguns de nossos filhos.
Os que representam a causa do povo brasileiro, nestes dias finais, devem se sublimar.
Banharem-se na  serenidade dos  que sabem que sentem a razão e o destino a seu lado.
Distantes do ódio, do nervosismo e dos medos, inseguranças próprias de cada um e de todos nós, seres humanos.
Há momentos em que as circunstâncias são o  senhor supremo nossos atos e decisões.
Porque  é a hora que faz os grandes e os que e aqueles que apenas planejam sê-lo declinam quando chega o momento da verdade.
Este é o instante em que já não somos apenas nós mesmos, mas somos o o passado mesclado ao futuro,  somos nossos pais e nossos filhos,  somos negros, pardos, brancos, índios, somos esta massa diversa, fervilhante e teimosa que é o povo brasileiro .
A História, esta  força imensa que habita em cada um de nós, nos absorve quanto mais a amamos.
E, quando  amamos agudamente, temos a confiança dos amantes e  deixamos que ela nos possua e fale por nossa boca.
E as palavras, então, tornam-se invencíveis.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O mecanicismo e o hedonismo: o egoísmo humano e a expressão de sua sapiência demente




 Nós somos, essencialmente, uma mistura de sábios e dementes. Sábios o suficiente para brincar com a ciência, e dementes o suficiente para fazermos dela uma arma (muitissimos frequentemente). Houvesse ainda uma valorização da filosofia, do humanismo, da solidariedade contrabalançando o mecanicismo produtivista-consumista e haveria ainda esperança de fazermos da nossa tecnologia instrumento à favor da vida e do bem-estar. Como a humanidade, após a Segunda Guerra, preferiu seguir o caminho da atomização individualista, calcada nos valores do mecanicismo-materialismo e do capitalismo, que o incentiva, o que vemos é o oposto, o resultado da razão usado de modo irracional, exatamente por não haver mais o contrapeso do qualitativo, dos valores, da partilha, da fraternidade, da espiritualidade e da utopia.

 O vídeo abaixo reflete, em imagens, esta encruzilhada perigosa construída pelo próprio homem. Chama-se  "A Humanidade e a Tecnologia".

Carlos Antonio Fragoso Guimarães



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A farsa do sequestro-bomba, o desespero dos coxinhas e mais um golpismo espetaculoso midiático

Seguem texto de Cíntia Alves, extraído do JornalGGN e Luis Nassif Online, e de Luiz Müller do blog Luiz Müller:

Globo noticia ação "terrorista" em Brasília associando hotel a José Dirceu


 Jornal GGN - Os produtos jornalísticos da Rede Globo parecem reciclar o expediente adotado no sequestro de Abílio Diniz, que mudou os rumos da eleição de 1989, para noticiar uma "ação terrorista" que acontece nesta segunda (29), em Brasília.

 O portal G1 e a Globo News pulicaram que um sequestro ocorre por motivação política no mesmo hotel que pretendia contratar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT), condenado na Ação Penal 470.

 De acordo com a polícia, por volta das 8h da manhã um homem com cerca de 30 anos deu entrada no hotel Saint Peter. Ele foi de quarto em quarto apenas no 13º andar e pediu que os hóspedes esvaziassem o edifício. Segundo fontes ouvidas no local, não se trata de roubo ou sequestro com a finalidade de pedir algo em troca, mas sim de "terrorismo".

 No início desta tarde, cerca de 300 hóspedes já haviam deixado o local. O sequestrador faz de vítima um dos mensageiros do hotel, que aparece frequentemente na sacada de um quarto, portando um cinto que supostamente contém explosivos. A polícia ainda não confirmou essa informação, mas estima que se de fato a carga for real, ela tem potencial para danificar a estrutura do prédio.

 A polícia identificou que o sequestrador tentou uma vaga de vereador no Tocantins pela coligação PP, PTB e PSDB, mas não foi eleito. Segundo informações da Globo News, a corporação avalia que o infrator apresenta desequilíbrio emocional e diz que sua motivação é de ordem política. Em frases desconexas, ele pede a extradição de Cesare Battisti e ampliação da Lei da Ficha Limpa.

 A emissora também associou o episódio ao hotel que contrataria Dirceu - algo equivalente a associar um acidente na linha do Metrô paulista ao caso Alstom.


  Caso Diniz

 Faltando cinco dias para o primeiro turno das eleições, a grande mídia parece insistir em uma bala de prata contra a vantagem da candidata Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas de opinião. A lembrança de Dirceu no sequestro de hoje lembra a cobertura de grandes jornais sobre o sequestro do empresário Abílio Diniz, executivo do grupo Pão de Açúcar, em 1989.

 Naquele ano, o caso foi revelado às vésperas do segundo turno das eleições. Fernando Collor de Mello (PRN) e Luís Inácio Lula da Silva (PT) disputavam a Presidência. À época, a grande mídia levantou suspeitas sobre o envolvimento do PT no sequestro de Diniz. Após a vitória de Collor, as acusações foram desmentidas. A investigação apontou que os envolvidos na ação foram obrigados a vestir uma camisa da campanha de Lula.

Sequestro em Brasília:A grande mídia brasileira, mentirosa e parcial, é a culpada pela loucura

Luis Müller

  Ligar TV, ouvir rádio ou ler jornais no Brasil é um exercício de psiquiatria. O mundo inteiro elogia o Brasil pelas conquistas sociais do últimos anos, os avanços na saúde, o menor índice de desemprego da história, os salários sobem acima da inflação, a educação avançou, e muito. Nunca se construíram tantas casa populares, o Pré Sal colocou o Brasil entre os maiores donos de reservas de petróleo e o país saltou da 13ª posição entre as maiores economias do mundo para a 7ª economia do mundo. Desenvolvimento Econômico com desenvolvimento Social. 

  Mas nada disto é destacado na mídia. As vezes um único caso negativo ganha repercussão nacional e vira discurso contra o governo, alimentando uma oposição sem programas claros. Só notícias negativas são publicizadas e repetidas diuturnamente. Goebels invejaria a capacidade da mídia tupiniquim em transformar mentiras repetidas em verdades no senso comum. O que Goebels conseguiu com sua máquina de propaganda, nós sabemos. Deixou um povo inteiro refém do medo e enlouquecido, capaz de destruir a humanidade inteira numa guerra insana e assassina. Pois a mídia brasileira faz exatamente a mesma coisa. E orientados pelo ódio disseminado pelos meios de comunicação, era de se esperar que começassem a aparecer loucos do tipo suicida e homem bomba, dispostos a salvar o mundo do demônio, e a resgatar a pátria do “comunismo”.

  Na mídia não faltarão menções ao Hotel que “iria contratar Zé Dirceu”, a falsa informação de que Dilma teria proposto negociar com o tal “estado islâmico”, que Césare Battisti não foi extraditado e outras mentiras e negatividades escondidas nas largas mangas da mídia tupiniquim.

  Está na Hora da Lei dos Meios pra acabar com o monopólio das (des)informações. E com os golpistas oligopólios máfio midiáticos que continuam a se arvorar como detentores da verdade única, tal qual Hitler e Goebels. A continuar assim, teremos como resultado o mesmo que aquela nefasta semeadura de 1933.

 Reeleger Dilma, eleger uma Constituinte Exclusiva e efetivar a Lei dos Meios ajudará a salvar o Brasil dos golpistas…e dos loucos terroristas como este de Brasília.

  Em tempo: A loucura pode ser do sujeito ou pode ser da própria mídia e da oposição brasileira. Em 1989 Abílio Diniz, milionário dono do Grupo Pão de Açúcar, foi sequestrado. Não havia nenhuma conotação política no sequestro. Mas “arranjaram” uma camiseta do PT para um dos sequestradores. E lá foi a Globo, capitaneando os oligopólios midiáticos, a distribuir a versão de que o sequestro teria sido feito para arrecadar recursos para o PT. 

  O ódio da mídia e da Classe dominante ao PT não é de agora. Vem desde a sua criação. O PT veio pra mudar a história do Brasil, colocando pobres, trabalhadores e o todos os “diferentes” na história. E é por isto que eles tem ódio ao PT e o semeiam diuturnamente. Se não dermos um basta nisto, geraremos cada vez mais loucos defensores de posturas nazistas e fascistas. Eles detestam a democracia que o PT tanto defende e busca sempre ampliar mais.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Boaventura de Sousa Santos fala sobre o perigo Marina Silva






  Boaventura de Sousa Santos é um dos mais reconhecidos e importantes cientistas sociais da atualidade. Titular de Sociologia, Economia e Ciências Políticas nas universidades de Coimbra e da Yale University, aqui ele fala do perigo e da representação reacionária de um governo Marina Silva

 O artigo a seguir foi extraído do site da revista Carta Maior:


 O que está em jogo no Brasil

O que há de verdadeiramente "novo" na candidatura de Marina Silva significa um retrocesso não só político como civilizacional.


 Escrevo esta crônica de Cuiabá, capital do Estado do Mato Grosso e que é também a capital do que no Brasil se designa por agronegócio (agricultura industrial de monocultura: soja, algodão, milho cana do açúcar), a capital do consumo de agrotóxicos que envenenam a cadeia alimentar e da violência contra líderes camponeses e indígenas que defendem as suas terras da invasão e do desmatamento ilegais. Reúno-me com líderes de movimentos sociais, um deles (indígena Xavante) chegado à reunião clandestinamente por estar sob ameaça de morte. Deste lugar e desta reunião torna-se particularmente claro o que está em jogo nas próximas eleições no Brasil.


  As classes populares – o vasto grupo social de pobres, excluídos e discriminados que viu o seu nível de vida melhorado nos últimos doze anos com as políticas de redistribuição social iniciadas pelo Presidente Lula e continuadas pela Presidente Dilma – estão perplexas mas têm os pés bem assentes no chão e não me parece que sejam facilmente iludidas. Sabem que as forças conservadoras que se opõem à Presidente Dilma estão apostadas em recuperar o poder político que perderam há doze anos. Conscientes de que a época Lula transformou ideologicamente o país, não o poderão fazer pelos meios e com os protagonistas habituais. Para pôr fim a essa época é necessário recorrer a alguém que a evoque, Marina Silva, o desvio contra-natura para chegar ao poder. A pouco e pouco as classes populares vão conhecendo o programa de Marina Silva e identificando, tanto o que nele é transparente, quanto o que nele é mistificatório.


 É transparente o regresso ao neoliberalismo que permita os lucros extraordinários decorrentes das grandes privatizações (da Petrobras ao pré-sal) e da eliminação da regulação macroeconómica e social do Estado. Para isso se propõe a total independência do Banco Central e a eliminação das diplomacias paralelas (leia-se, total alinhamento com as políticas neoliberais dos EUA e da UE). É mistificatório o recurso a conceitos como o de “democracia de alta intensidade” e de “democratizar a democracia” – conceitos muito identificados com o meu trabalho mas de que é feito um uso totalmente oportunístico – como se fosse uma novidade política quando, de fato, do que se trata é, no seu melhor, a continuação do que tem vindo a ser feito em alguns estados de que é exemplo mais notável o do Rio Grande do Sul.


  Acresce a tudo isto que o que há de verdadeiramente novo na candidatura de Marina Silva significa um retrocesso não só político como civilizacional. Trata-se da certificação da maioridade política do evangelismo conservador. O grupo parlamentar evangélico é já hoje poderoso no Congresso e o seu poder está totalmente alinhado, não só com o poder econômico mais predador (a bancada ruralista), a que a teologia da prosperidade confere desígnio divino, como com as ideologias mais reacionárias do criacionismo e da homofobia. Marina, se eleita, levará tais espantalhos ideológicos para o Palácio do Planalto para que de lá façam a pregação do fim da política, da ilusão da diferença entre esquerda e direita, da união entre ricos e pobres. Tirando o verniz religioso, trata-se do regresso democrático à ideologia da ditadura, no ano em que o Brasil celebra o mais longo e mais brilhante período de normalidade democrática da sua história (1985-2015).

  Em face disto, por que estão perplexas as classes populares? Porque a Presidente Dilma nada faz ou diz para lhes mostrar que está menos refém do agronegócio que Marina Silva. Nada faz ou diz para mostrar que é urgente iniciar a transição para um modelo de desenvolvimento menos centrado na exploração voraz dos recursos naturais que destrói o meio ambiente, expulsa camponeses e indígenas das suas terras e assassina os que lhe oferecem resistência. Bastaria um pequeno-grande gesto para que, por exemplo, os povos indígenas e afrodescendentes se sentissem protegidos pela sua Presidente: mandar publicar as portarias de identificação, de declaração e de homologação de terras ancestrais, portarias que estão prontas, livres de qualquer impedimento jurídico e apenas engavetadas por decisão política.

  O que as classes populares e os seus aliados parecem não saber é que não basta querer que a Presidente Dilma ganhe as eleições. É necessário vir para a rua lutar por isso. Ao contrário, os adversários dela sabem isso muito bem.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A ação dos reacionários e o chumbo grosso que virá faltandos poucos dias para as eleições em artigo de Ricardo Melo para a Folha de São Paulo




Extraído da Folha Uol:

Chumbo Grosso



Ricardo Melo



Se alguma coisa a campanha eleitoral propiciou, foi clarificar os verdadeiros interesses em conflito no país. A ficção de uma terceira via voltou para o ralo. Tanto nas declarações como nas proposições e na base social que as apoiam, as candidaturas de Marina Silva e Aécio Neves têm se aproximado de maneira indiscutível.

O confronto em jogo está evidente. Os dois candidatos oposicionistas afirmam em alto e bom som que o objetivo é tirar o PT do poder. As articulações de bastidores com vistas a um eventual segundo turno acontecem a céu aberto. O ex-presidente FHC resumiu o sentimento num jantar com milionários pró-Aécio: "Apelo mesmo". Um bordão de amplo espectro.

A esta altura, Aécio Neves, de candidato competitivo, viu-se reduzido a moeda de troca. Cardeais tucanos negociam sem constrangimento o voto em Marina para "impedir o mal maior". A ironia é que isso acontece justo no momento em que algumas pesquisas injetaram sobrevida ao ex-governador de Minas.

Já a "entourage" de Marina escancara as opções da ex-ambientalista. Quer porque quer credenciar-se como candidata do grande capital. Corre atrás da alta sociedade seja onde for, como um trator à procura de uma árvore para derrubar. Fala em "atualizar" as leis do trabalho. Para bom entendedor, tais palavras bastam. Seus comícios populares se esvaziam na mesma proporção em que proliferam encontros com madames, empresários graúdos e financistas internacionais.

Claro, faz parte manter uma embalagem social. Para tentar preservar alguma popularidade entre os pobres, Marina recorre à sua origem humilde e sofrida -algo inquestionável. Problema: do outro lado estão um ex-metalúrgico que também passou fome e chegou à Presidência e uma militante torturada por defender a liberdade nos anos da ditadura. Ou seja, na comparação, até aí morreu Neves, com o perdão da coincidência.

O maior risco para o PT é calçar o salto alto e passar a viver de louros passados. Verdade seja dita: com ou sem barbeiragens do IBGE, os indicadores sociais, inclusive os anunciados pela ONU, mostram que o país mudou para melhor. Isto é fato. Mas o modelo de agradar gregos e troianos exibe sinais de esgotamento.

A campanha pela Constituinte exclusiva para uma reforma política até agora foi relegada a nota de rodapé em alguns discursos petistas. Medidas como a taxação das grandes fortunas dormitam nos escaninhos da legenda. A submissão às tergiversações do comandante do Exército em relação às torturas é indigna da tradição de um partido que se pretende popular.

Nestas duas semanas que precedem o primeiro turno, é possível prever chumbo grosso pela frente. Dossiês anônimos, vazamentos seletivos, fotos de maços de dinheiro, notas de agências de risco, especulação financeira, ataques pessoais -tudo será amplificado numa eleição tão disputada. Para separar o joio do trigo, não há outro caminho: mostrar o que se fez mas também dizer o que se fará.

URNA E TAPETÃO

As investidas do comitê de Marina Silva contra sites na internet, bem como a tentativa de Cid Gomes de tirar de circulação a revista "IstoÉ", pegam muito mal. O Brasil tem uma montanha de leis para reparar eventuais danos por acusações inverídicas. Tentar impedir por antecipação que reportagens e o debate político venham a público só serve para desqualificar os autores dessas ações. 


Ricardo Melo, 58, é jornalista. Na Folha, foi editor de 'Opinião', editor da 'Primeira Página', editor-adjunto de 'Mundo', secretário-assistente de Redação e produtor-executivo do 'TV Folha', entre outras funções. Também foi chefe de Redação do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), editor-chefe do 'Diário de S. Paulo', do 'Jornal da Band' e do 'Jornal da Globo'.