sábado, 15 de novembro de 2014

Empreiteiras da Lava-Jato atuaram no cartel do Metrô em São Paulo, mas isto não será divulgado na Veja e será devidamente maquiado na Globo

Extraído do Blog da Cidadania:

Empreiteiras da Lava-Jato atuaram no cartel do Metrô de SP



Texto de Eduardo Guimarães


  O delegado Igor Romário de Paula, da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado,  estreou na tevê na edição do Jornal Nacional de sexta-feira 14, falando sobre as prisões de executivos de empreiteiras denunciadas pelo doleiro Alberto Yousseff no âmbito do acordo de delação premiada da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.


Diz a locução de Willian Bonner:

“O delegado que conduz as investigações na Polícia Federal diz que há indícios consistentes de vários crimes, como formação de quadrilha, cartel, corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro”

De Paula, um dia antes, tornara-se conhecido nacionalmente. Matéria do Jornal O Estado De São Paulo arrolou esse delegado como membro de um grupo de delegados que insulta Dilma Rousseff e Lula no Facebook e faz proselitismo político-partidário em favor do ex-candidato a presidente Aécio Neves.

Abaixo, trecho da matéria do Estadão sobre delegados anti-Dilma da PF



A matéria do Jornal Nacional, além de dar voz aos autoproclamados inimigos políticos de Dilma, Lula e do PT, trata de acusar o partido de estar institucionalmente envolvido nos crimes.


A matéria, porém, poderia ter lembrado que essas empreiteiras que tiveram seus executivos presos também estão envolvidas em outros escândalos envolvendo outros partidos, com destaque para o PSDB.

Empresas citadas na operação Lava Jato são conhecidas como “As quatro irmãs”.  São elas Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez e prestam serviços também para governos do PSDB.

A Odebrecht, entre outras, foi alvo de denúncia do Ministério Público por suspeita de formação de cartel em São Paulo para a construção da Linha 5 do Metrô.

Em 2012, o Ministério Público do Estado de São Paulo ofereceu denúncia formal à Justiça contra 14 representantes  de empresas que compõem o consórcio vencedor da licitação para a construção da Linha 5 – Lilás, do Metrô.

A denúncia foi formulada pelo promotor de Justiça Marcelo  Batlouni Mendroni, do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (GEDEC).

Foram denunciados, entre outros, executivos da Construtora Norberto Odebrecht Brasil S/A, da Construtora OAS Ltda e da Construtora Queiroz Galvão S/A.

De acordo com a denúncia, os 14 envolvidos dividiram entre as empresas que representavam os contratos dos trechos de 3 a 8 da linha 5 do Metrô, direcionando a licitação da obra. Para o Ministério Público, eles sabiam previamente qual empresa seria a vencedora de cada um dos trechos em licitação porque combinaram o preço que seria apresentado por cada concorrente do grupo.

O jornal Folha de S. Paulo, naquele ano, publicou reportagem demonstrando que já se sabia, quatro meses antes do edital, quais os consórcios e empresas seriam vencedoras da licitação, registrando em cartório os nomes dos vencedores muito antes de proclamado o resultado da licitação.

Apesar de a mídia estar tentando vender ao país que a atuação criminosa dessas empresas teve início “em 2003” exclusivamente com o governo Lula, todos sabem que esse tipo de atuação corruptora de empreiteiras sempre existiu.

A diferença, hoje, após a chegada do PT ao poder, é que a corrupção praticada desde sempre por empreiteiras está sendo investigada sem tréguas.

Aliás, surpreendeu-se quem quis com as prisões de corruptores na última sexta-feira. Logo após o segundo turno das eleições deste ano, este Blog já vinha avisando que os corruptores entrariam na roda.

Dois dias após o segundo turno (28/10), esta página já explicava O que Dilma quis dizer com “Não vai ficar pedra sobre pedra”  durante entrevista que tinha acabado de conceder ao Jornal Nacional.

Apesar da tentativa de exploração política por parte da mídia e do PSDB, é mais do que positivo que a Operação Lava Jato esteja expondo à luz do dia os métodos de empresas que cresceram e se tornaram as maiores do mundo corrompendo políticos e agentes públicos vinculados a TODOS os partidos.

Por conta disso, apesar de a mídia estar tentando vender a ideia de que essas empresas só começaram a fazer negociatas com empresas públicas ligadas ao governo do PT, o fato é que será muito difícil impedir que venham à luz negócios nebulosos dessas empreiteiras com governos de partidos de oposição como os de São Paulo e de Minas Gerais.

Vários colunistas da grande mídia estão achando que Dilma, Lula e o PT serão prejudicados por um nível de combate à corrupção que jamais existiu no país, mas estão redondamente enganados.

Este Blog afiança aos seus leitores que, nos próximos meses, sobretudo após as festas de fim de ano, a presidente da República e seu antecessor começarão a entrar para a história como os únicos governantes que abriram a caixa-preta da corrupção institucionalizada que vige neste país desde sempre. Quem viver, verá.

O que a mídia comprometida não divulga: Das 9 empreiteiras alvo da Operação Lava Jato, seis financiaram Aécio Neves com 20 Milhões de reais

Na sétima fase da operação, deflagrada nesta sexta-feira (14). Presidentes de grandes empreiteiras são alvos de mandados de prisão

Do Jornal i9:



Enquanto o alto clero tucano em evento realizado pelo partido em São Paulo nesta sexta-feira (14) comemorava as prisões de executivos de empreiteiras, e o possível desgaste do governo Dilma; "Tem muita gente sem dormir em Brasília", afirmou senador Aécio Neves; colega Aloysio Nunes, que foi vice dele na campanha presidencial, usou o mesmo tom: "A casa caiu"; PSDB se vê imune neste escândalo; "Petrobras incorporou à sua história a marca perversa da corrupção", prosseguiu Aécio, em tom sério.

O que Aécio Neves e seus Correligionários (PSDB), não sabiam, por falta de assessoria de comunicação, ou por "cara de pau" mesmo, é que das 9 empreiteiras alvo da Operação Lava Jato, seis financiaram sua campanha para presidente, o valor gira em torno de 20 Milhões de reais.

São elas: Odebrecht, OAS, UTC, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa.




PSDB e Aécio Neves, o Brasil precisa de explicação, e agora?

O Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, discute, em artigo, que as medidas que os conservadores e neoliberais querem impor ao Brasil falharam na Europa

"A austeridade falhou. Mas seus defensores estão prontos a declarar vitória com base na evidência mais fraca de todas. A economia não está mais em colapso; logo, as medidas de austeridade só podem estar funcionando! Mas se essa for a referência, poderíamos dizer que pular de um penhasco é a melhor forma de descer uma montanha."

Joseph Stiglitz


O artigo a seguir foi extraído do site Outras Palavras:




Desemprego, recessão, crise profunda da democracia. Um Nobel de Economia desmascara o falso êxito das políticas de “austeridade” – as mesmas que conservadores querem no governo Dilma

Por Joseph Stiglitz | Tradução: Mariana Bercht Ruy

Um mito, acompanhado por uma fieira de jargões, espalha-se com rapidez no Brasil pós-eleições: o de que precisamos de um “ajuste fiscal”, de um “aperto de cintos”, para “recolocar ordem na economia”. Após um período de “descontrole” das contas públicas e “gastança”, os “agentes econômicos” (leia-se grandes bancos e empresas) teriam “perdido a confiança” no Estado e deixado de investir. Para seduzi-los novamente, seria preciso voltar às políticas mais ortodoxas. Elevação das taxas de juros. Corte de investimentos públicos. Contenção do salário-mínimo, da bolsa-família e de direitos previdenciários como o seguro-desemprego.

Repetido como mantra, esse discurso tem encontrado pouca resistência. Aécio Neves, que o sustentou durante a campanha eleitoral, foi derrotado pelos eleitores — num segundo turno em que Dilma investiu, para vencer, no tema de “Mais” mudanças e direitos. Porém, fechadas as urnas, foi como se elas nada tivessem dito. A mídia apresenta o “ajuste fiscal” como se não fosse uma opção política — mas uma necessidade objetiva e inescapável. A própria presidente reeleita pareceu abandonar, logo depois da vitória, seu discurso. Ainda em outubro, o Banco Central elevou as taxas de juros. Em 6 de novembro, ao conceder entrevista a oito veículos da velha mídia, Dilma anunciou corte de gastos. Um dia depois, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, revelou que o governo já  os prepara.

Mas o “ajuste fiscal” é uma escolha tão óbvia, para os governantes, como mobilizar as equipes de Defesa Civil, em caso de tragédia? No texto a seguir, Joseph Stiglitz, Nobel de Economia, demonstra que não. Ele examina o caso da Europa. Lá, com nome de “austeridade”, politicas de corte de direitos sociais e desmonte de serviços públicos estão sendo adotadas desde 2009. Cinco anos depois, os economistas conservadores veem sinais de “sucesso”. Stiglitz zomba. Todas as crises terminam um dia, ele lembra. Ao fazer o balanço, o que importa é aferir que sacrifícios foram exigidos, das sociedades, para enfrentá-las. Na Europa, o panorama é trágico. Além da corrosão dos direitos sociais, houve desgaste grave da democracia — desmoralizada quando os governos prometem “Mais” e entregam “mais do mesmo”. E não é só: voltam a surgir no horizonte sinais de que todo o sacrifício foi inútil. Mesmo países como a Alemanha parecem enfrentar, agora, estagnação — e contribuem para jogar lenha na fogueira de uma possível tempestade econômica mundial.

A redefinição da política econômica tornou-se um tema central. Árido aparentemente — porque interessa ao pensamento conservador reduzi-lo a algo para especialistas — ele pode ser compreendido por todos que se disponham a algum esforço. Vale a pena. Das escolhas que o Brasil fizer, neste terreno, dependerá, também, nosso futuro político, social e cultural. “Outras Palavras” insistirá no assunto. Vale, por enquanto, escutar Stiglitz. (A.M.)

“Se os fatos não se encaixam na teoria, mude a teoria”, diz o velho ditado. Mas muito comumente é mais fácil manter a teoria e mudar os fatos. É o que a chanceler alemã Angela Merkel e outros líderes europeus pró-austeridade parecem pensar. Mesmo com os fatos a um palmo do nariz, eles continuam negando a realidade.

A austeridade falhou. Mas seus defensores estão prontos a declarar vitória com base na evidência mais fraca de todas. A economia não está mais em colapso; logo, as medidas de austeridade só podem estar funcionando! Mas se essa for a referência, poderíamos dizer que pular de um penhasco é a melhor forma de descer uma montanha.

Toda crise chega a um fim. O sucesso não deve ser medido pelo fato de a recuperação em algum momento acontecer — mas pelo tempo que se demora para chegar a ela e por quão extensos são os danos causados pelo tombo. Vista nesses termos, a austeridade tem sido um desastre completo e absoluto. Isso está se tornando cada vez mais visível à medida em que as economias da União Europeia voltam a encarar estagnação — ou, talvez, um triplo mergulho em recessão, com o desemprego mantendo-se em altos patamares e o PIB real per capita ainda abaixo dos níveis pré-crise, em muitos países. Mesmo nas economias de melhor desempenho, como a Alemanha, o crescimento desde 2008 tem sido tão lento que, em qualquer outra circunstância, seria considerado desanimador.

Os países mais atingidos estão em depressão. Não existe outra palavra para descrever economias como a da Espanha ou da Grécia, onde quase uma em cada quatro pessoas – e mais de uma em cada duas, entre os jovens – não consegue encontrar trabalho. Dizer que o remédio está funcionando porque o índice de desemprego decresceu em alguns pontos percentuais, ou porque se pode ter um vislumbre de crescimento magro, é semelhante a um barbeiro medieval que diz que a sangria está funcionando, já que o paciente ainda não morreu.

Extrapolando o crescimento europeu modesto a partir dos anos 80, meus cálculos demonstram que a produção na zona do euro hoje está mais de 15% abaixo do ponto em que estaria, se a crise financeira de 2008 não tivesse acontecido. Isso implica uma perda de 1,6 trilhão de dólares apenas esse ano, e uma perda acumulada de mais de US$ 6,5 trilhões. Ainda mais perturbador é que essa diferença está aumentando e não diminuindo (como se esperaria depois de uma crise, quando o crescimento é tipicamente mais rápido do que normalmente conforme a economia retoma terreno perdido).

Em outras palavras, o longo período de recessão está diminuindo o crescimento potencial da Europa. Jovens que deveriam estar desenvolvendo habilidades não estão. Há evidências contundentes de seus rendimentos, ao longo da vidas, serão muito menores do que se vivessem num período de pleno emprego.

Enquanto isso, a Alemanha força outros países a seguir políticas que enfraquecem suas economias – e suas democracias. Quando os cidadãos votam repetidamente por uma mudança política (e poucas políticas importam mais aos cidadãos que aquelas que afetam seus padrões de vida), mas ficam sabendo que estes temas são decididos em outro lugar, e que, portanto, sua escolha é inútil, tanto a democracia quanto a fé no projeto europeu são corroídas.

A França votou para mudar de rumo três anos atrás. Em vez disso, os eleitores receberam outra dose de austeridade pró-corporações. Uma das propostas mais antigas na economia é o multiplicador do orçamento equilibrado. Significa que aumentar conjuntamente os impostos e as despesas estimula a economia. E se os impostos incidem sobre os ricos e as despesas beneficiam as maiorias, o multiplicador pode ser particularmente alto. Mas o dito governo socialista francês está reduzindo a tributação das empresas e cortando gastos – uma receita quase garantida para enfraquecer a economia, mas também para ganhar elogios da Alemanha…

A esperança, afirma-se, é que impostos mais baixos para pessoas jurídicas estimulem o investimento. Isso é pura bobagem. O que está reduzindo o investimento (tanto nos Estados Unidos como na Europa) é a ausência de demanda, não os impostos elevados. Na verdade, como a maior parte dos investimentos é financiada por dívidas, e como o pagamentos de juros é dedutível dos impostos, o nível de tributação das empresas tem pouco efeito na decisão de investir.

Da mesma forma, a Itália está sendo encorajada a acelerar a privatização. Mas o primeiro ministro Matteo Renzi tem o bom senso de reconhecer que vender empresas a preço de banana faz pouco sentido. Também as decisões do setor privado deveriam ser influenciadas por donsiderações de longo prazo, não por exigências financeiras de curto prazo. A decisão deveria ser baseada em onde essas atividades são realizadas de forma mais eficiente, servindo aos interesses da maioria dos cidadãos da melhor forma possível.

A privatização dos sistemas de Previdência, por exemplo, já provou ser dispendiosa naqueles países que a experimentaram. O sistema de saúde quase inteiramente privado norte-americano é o menos eficiente do mundo. Existem questões difíceis, mas é fácil demonstrar que vender empresas estatais por preços baixos não é uma boa forma de aumentar a força financeira a longo prazo.

Todo o sofrimento na Europa – infligido a serviço do euro – é ainda mais trágico por ser desnecessário. Apesar das evidências de que as medidas de austeridade não funcionam continuarem se acumulando, a Alemanha e outros falcões dobraram a aposta, apostando o futuro da Europa em uma teoria há muito desacreditada. Por que fornecer aos economistas mais fatos para provar isso?

A Guerra Fria da PF, em especial a paranaense, contra o PT e o porque de os delegados também devem ser investigados

Os três textos à seguir foram extraídos do Diário do Centro do Mundo:


I - A guerra fria da PF contra o PT





Texto de Paulo Nogueira, publicado em 14/112014


Coincidências acontecem, mas …

Mas a superoperação da Polícia Federal no caso Petrobras nesta manhã de sexta feira parece feita sob medida.

O estardalhaço tende a desviar as atenções das denúncias – frescas  e de alta relevância — sobre o comportamento brutalmente partidário dos delegados encarregados das investigações.

As informações sobre o antipetismo estrondoso dos delegados da PF colocaram uma sombra copiosa de dúvida sobre a qualidade das apurações da PF.

Ódio partidário influencia qualquer investigação. Inimigos são tratados com extremo rigor e amigos podem ser convenientemente engavetados caso alguma coisa comprometedora apareça.

O caso do Helicoca é exemplar: como a PF conseguiu não apurar nada, com tantas evidências? Como a ligação com os Perrellas, os donos do helicóptero, foi tão rapidamente descartada?

Aparentemente, a nova fase da operação Lava Jato assinala uma guerra fria entre a PF e o PT.

Há similitudes no comportamento da PF e da mídia. Grandes organizações jornalísticas, quando alguém as aborrece, costumam promover uma retaliação imediata na qual não são poupados os feridos.

A Globo é mestra nisso, mas está longe de ser um caso único.

Num mundo menos imperfeito, as coisas não seriam assim. Mas, no Brasil 2014, são.

A PF tem que ser reinventada. Tanto a PF como as polícias militares são, para usar a grande expressão de Brizola, filhotes da ditadura.

A mentalidade dominante ali é aquela segundo a qual a esquerda come criancinhas.

É o tipo de pensamento com o qual a imprensa, a Globo de Roberto Marinho à frente, intoxicou mentalmente os brasileiros na época dos militares.

As polícias brasileiras são dominadas por uma cultura, ou falta de cultura, de extrema direita.

É esta cultura que tem que ser enfrentada com disciplina, método – e rapidez.

Ou teremos sempre, na PF, investigações partidarizadas – e por isso suspeitas — quando, como no caso da Lava Jato, políticos estiverem de alguma forma envolvidos.

Leia mais: Os delegados da Lava Jato agem como políticos e não como policiais

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

II - Por que os delegados da Lava Jato devem sim ser investigados


Texto de Paulo Nogueira, publicado hoje, dia 15/11/2014

Dilma usou várias vezes – mais do que deveria, é certo – o adjetivo “estarrecedor” nos debates com Aécio no segundo turno.

Imagino que seja por isso que uma nota do PSDB sobre os delegados da PF na operação Lava Jato tenha, logo no começo, exatamente essa expressão: “É estarrecedor”.

Mas o que é “estarrecedor” para o PSDB?

Bem, ficamos sabendo que o que supostamente causa horror ao PSDB é a decisão do ministro de Justiça de investigar os delegados da PF da Lava Jato que no Facebook, em grupo fechado, trocaram durante a campanha mensagens torrencialmente insultuosas contra Dilma, Lula e o PT.

O caso se limitaria simplesmente à questão de atentado à honra se não se tratasse dos delegados que estão investigando o episódio Petrobras.

Bastaria talvez aos agredidos processá-los na Justiça por calúnia e difamação.

Lula foi chamado de “anta”, e uma caricatura de Dilma com os dentes incisivos de fora ilustra um grupo do qual um delegado da PF faz parte.

Mas o assunto é muito mais complicado e muito mais grave.

Como policiais apaixonadamente antipetistas podem cuidar de um caso que exige completa isenção partidária para não se transformar num panfleto político?

Quem acredita que o antipetismo fulgurante dos policiais não vai interferir nas investigações – e nos vazamentos para a mídia – acredita em tudo, para usar a grande frase de Wellington.

Transporte os trabalhos, para que você tenha uma ideia da dimensão do problema, da polícia para a imprensa.

Como a Veja, por exemplo, se comportaria numa reportagem investigativa sobre o mesmo tema?

Com isenção? Levando ao leitor tudo que descobriu?

Ou, pelo furor antipetista, seria tentada a jogar luzes sobre o que lhe interessa e engavetar o que entende que possa prejudicar seus amigos e aliados?

Nem a velhinha de Taubaté, o personagem de Veríssimo que acreditava em tudo, confiaria nos resultados do trabalho de um grupo da PF tão tomado de ódio partidário.

Pelas postagens absurdas, ainda que fechadas, os delegados da PF na Lava Jato estão, sim, desacreditados.

O Brasil já viveu mais de uma vez – com Getúlio e Jango – situações em que, em nome do combate à corrupção, se tramou na verdade um golpe contra a democracia.

O combate à corrupção – o real, o genuíno, o vital para o desenvolvimento social do país – é importante demais para ser deixado nas mãos de delegados da PF que parecem muito mais empenhados numa cruzada política do que numa operação policial.

Deve haver na PF delegados com a isenção indispensável para averiguar os fatos, ao contrário dos que faziam campanha anti-Dilma.

Se não houver, teremos um problema infinitamente maior do que o escândalo da Petrobras.

III - Um ano depois, o papel cada vez mais estranho da Polícia Federal no caso Helicoca



O flagrante no helicóptero dos Perrellas no Espírito Santo

 Texto de Kiko Nogueira

Na esteira da denúncia de que delegados da Polícia Federal envolvidos na operação Lava Jato fizeram campanha para Aécio Neves, vale a pena relembrar um episódio recente e rumoroso em que a PF teve um papel, no mínimo, estranho. Falo do Helicoca.

O helicóptero da família Perrella foi apreendido com 445 quilos de cocaína numa fazenda no interior do Espírito Santo em 24 de novembro de 2013. Vai fazer um ano.

Apenas quatro míseros dias depois, a ligação dos Perrellas com o crime foi descartada. Segundo o delegado responsável, Leonardo Damasceno, não existiam indícios de participação dos parlamentares.

“Pará nós, essa questão está encerrada”, disse ele. “O deputado [Gustavo, filho de Zezé] não estava no local e a contratação do frete foi feita pelo copiloto, que subcontratou o piloto”.

No inquérito, o proprietário do local onde ocorreu o pouso foi inocentado também, sem uma explicação convincente. A Superintendência da PF em Minas ouviu Gustavo, mas apenas como testemunha. “Hoje não há nada que indique que ele tivesse conhecimento sobre a droga”, afirmou Damasceno.

Uma escala num hotel fazenda em Jarinú (SP), onde, de acordo com documentos, ficaram 50 quilos do entorpecente, foi ignorada. O juiz federal Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa relacionou algumas questões sem resposta: “Há realmente diversos aspectos que dependem de investigação, como a origem da droga apreendida, a dúvida sobre a internacionalidade, o papel dos envolvidos e a possível participação de terceiros”.

Quem é Leonardo Damasceno? Ele formou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais e é pós-graduado em Direito Público e Processual pela Consultime-Unives, de Vitória. Em 1996, foi nomeado para o cargo de agente fazendário em Belo Horizonte.

Fez carreira em terras capixabas. Em janeiro, assumiu a secretaria de Defesa Social do município de Serra, o mais populoso do ES e um dos mais violentos do Brasil. O prefeito é Audifax Barcelos (PSB), que trabalhou pela reeleição de Renato Casagrande (derrotado). Ambos apoiaram Aécio.

Damasceno ficou cerca de três meses na função e teria saído por causa de conflito de interesses. Ele esteve à frente de operações como “Duty Free”, que desbaratou um bando especializado em crimes ligados à área do comércio exterior, e “Calouro”, que apanhou fraudadores de mais de 50 vestibulares em 30 instituições de ensino superior privadas.

O jornalista Joaquim de Carvalho falou com o policial na série de reportagens sobre o Helicoca publicada no DCM. Escreve Joaquim: “Leonardo Damasceno é de uma família de funcionários públicos. Seu irmão, auditor fiscal em Minas Gerais, ocuparia um cargo de confiança no governo mineiro. Sobre a hipótese de conflito de interesses, já que Zezé Perrella, dono do helicóptero, é aliado político de Aécio Neves, Leonardo diz:

– Não tenho ideia do que fazem meus irmãos. Ilações todo mundo faz. Dizem, por exemplo, que por eu ser Galo (torcedor do Atlético Mineiro) não poderia defender alguém que é do Cruzeiro (Zezé Perrella era presidente do clube).

Parecia empenhado na investigação, mas o fato é que, depois da entrevista em que isentava Perrella, entrou de férias e quem assina o relatório final do inquérito é a delegada Aline Pedrini Cuzzuol.”

Sobre o Autor

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Noam Chomsky e os termos e significados da Democracia na e para a Mídia, Política e o Governo Americanos junto com o Consenso Fabricado


  O linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky discute os significados dos termos ligados à Democracia e como estes são usados com representações contraditórias pela grande mídia, o governo e mega-empresas norte americanas, no primeiro video. Logo a seguir um documentário sobre Chomsky e sua análise do poder modelador e deformador da Mídia no video intitulado Consenso Fabricado:





segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O filósofo esloveno Slavoj Zizek, em documentário, ajuda a lançar luz sobre o ódio político-eleitoral, fomentado em grande parte pela mídia parcial, no Brasil

Extraído do site Pragmatismo Político:

  O ódio político-eleitoral no Brasil, pela ótica de Slavoj Zizek



 O Documentário O Guia Pervertido da Ideologia, de Sophie Finnes e que tem o filósofo Slavoj Zizek como personagem central, ajuda a discutir os episódios de ódio e de intolerância ocorridos durante as eleições presidenciais no Brasil em 2014.



 O filósofo e cientista político esloveno Slavoj Žižek, considerado um dos mais importantes pensadores da atualidade, pode ajudar a analisar e compreender o que ocorreu durante o período eleitoral recém-finalizado no Brasil.

 Trechos do documentário “O Guia Pervertido da Ideologia", de Sophie Fiennes e que pode ser visto abaixo, em que Žižek explica sua teoria da ideologia, foram utilizados para se discutir/ilustrar os episódios de ódio observados sobretudo no segundo turno, em que a disputa entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) ficou mais polarizada.



Política e Diálogo no contexto da reeleição de Dilma Rousseff




Leonardo Boff

 08/11/2014

 Extraído do Blog do Leonardo Boff

 A reeleição de Dilma Rousseff propicia reflexões sobre as várias formas de se fazer política partidiária. Fazer política é buscar ou exercer concretamente o poder. Que fique claro o que Max Weber escreveu em seu famoso texto A Política como Vocação: “Quem faz política busca o poder. Poder, ou como meio a serviço de outros fins ou poder por causa dele mesmo, para desfrutar do prestígio que ele confere”.

  Esse último modo de poder político foi exercido, por quase todo o tempo de nossa história, pelas classes dominantes a fim de se beneficiarem dele, esquecendo que o sujeito de todo o poder é o povo. Trata-se do famoso patrimonialismo tão bem denunciado por Raimundo Faoro em seu clássico Os donos do poder.

  Vejo cinco formas de exercício de poder.

 Primeiro, a política do punho fechado.Trata-se do poder exercido de cima para baixo e de forma autoritária. Há um só projeto político, aquele do detentor do poder que pode ser um ditador ou uma classe dominante. Eles simplesmente impõem o projeto e esmagam os alternativos. Foi o que mais vigorou na história brasileira, especialmente sob a ditadura militar.

 Segundo, a política do tapinha nas costas. É uma forma disfarçada de poder autoritário. Mas diferencia-se do anterior porque este se abre aos que estão fora do poder mas para atrelá-los ao projeto dominante. Recebem algumas vantagens, desde que não constituam outro projeto alternativo. É a conhecida política paternalista e assistencialista que desfibrou a resistência da classe operária e corrompeu tantos artistas e intelectuais. Funcionou entre nós especialmente a partir de Vargas em diante.

 Terceiro, a política das mãos estendidas. O poder é distribuido entre vários portadores que fazem alianças entre si sob a hegemonia do mais forte. Há alianças entre o partido vencedor com os demais partidos aliados para garantir a governabilidade. É o presidencialismo de coalizão parlamentar. Esse tipo pode criar favorecimentos, disputas de postos importantes no Estado e mesmo a corrupção. Foi o que ocorreu nos últimos anos.

 Quarto, a política das mãos entrelaçadas. Parte-se do fato básico de que o poder está difuso nos movimentos e instituições da sociedade civil e não apenas na sociedade política, nos partidos e no Estado. Esse poder social e político pode convergir para algo benéfico para todos.   Trata-se da grande discussão atual que prevê a participação dos movimentos sociais e dos conselhos para junto com o Parlamento e o Executivo definirem políticas públicas. Busca-se uma democracia participativa que enriquece a representativa. Negar esta forma é não querer democratizar a democracia e permanecer na atual que é de baixa intensidade.

 Especificando: a política das mãos entrelaçadas acontece quando o chefe de Estado se propõe a uma ampla dialogação com todos os segmentos afim de repactuar os atores sociais ao redor de um projeto comum mínimo. O pressuposto é: aquém e além das diferenciações e dos interesses conflitantes, existe na sociedade, a idéia de que país queremos, a solidariedade mínima, a busca do bem comum, a observância de regras consentidas e o respeito a valores de sociabilidade sem os quais viraríamos uma matilha de lobos. As mãos estendidas podem se entrelaçar coletivamente. Mas para isso, precisa-se do exercício do diálogo que implica ouvir a todos e buscar convergências na linha do ganha-ganha e não do ganha-perde. É a ética na política e da boa política verdadeiramente democrática.

 Por fim temos a ver com política enquanto sedução no melhor sentido da palavra, subjacente à proposta da Presidenta Dima. Ela propõe um diálogo aberto com todos os atores políticos, também da área popular. Urge seduzir aqueles 48% que voltaram no candidato da oposição em vista de um projeto de Brasil que beneficie a todos a partir da inclusão dos mais penalizados, da criação de desenvolvimento ecologica e socialmente sustentado que gere empregos, melhores salários, redistribuição de renda, crie um transporte decente e mais segurança para os cidadãos, além do cuidado para com a natureza e a potenciação de um horizonte de esperança para o povo poder se reencantar com a política.

 Alguém precisa ser inimigo de si mesmo para estar contra tais propósitos. A arte dessa dialogação é reencantar a política das coisas e seduzir as pessoas para esse sonho de grandeza ética.

 Para isso é obrigatório olhar para frente. Quem ganhou a eleição deve mostrar magnimidade e quem a perdeu, humildade e disposição de colaborar visando ao bem comum.

 É idealismo? Sim, mas no seu sentido profundo. Uma sociedade não pode viver só de estruturas, burocracia e disputas ideológicas em torno do poder. Tem que alimentar sonhos de melhoria permanente que inclua e beneficie, o mais poossível, a todos para superar a nossa espantosa desigualdade social.

 Razão têm as comunidades eclesiais de base quando cantam: “Sonho que se sonha só, é pura ilusão. Sonha que se sonha juntos é sinal de solução. Então, vamos sonhar juntos, sonhar em mutirão”.

 Esta é a convocação supra-partidária que a Presidenta Dilma está fazendo ao Parlamento, aos movimentos populares e a toda a nação. Só assim se esvazia o discurso das divisões, dos preconceitos contra certas regiões e se sanam as chagas produzidas no ardor da campanha eleitoral com todos os seus excessos de parte a parte.

 Leonardo Boff é autor de Que Brasil queremos, Vozes, Petrópolis 2000.

domingo, 2 de novembro de 2014

Pablo Vilaça sobre a hipocrisia irônica da Direita Golpista e sua Mídia

  

"E a mídia incentiva e dissemina o clima de ódio, pois isto serve ao seu propósito. Não é à toa que os jornais celebraram o golpe em 64. O que a mídia NÃO celebra é aumento de salários. Aumento dos direitos trabalhistas. Sua incapacidade crescente de determinar eleições. Pra isso, conta com os idiotas úteis que vão gritar palavras de ordem fascistas na rua. Que vão protestar contra a democracia. Que vão berrar na rua que vivem numa ditadura - sem perceberem a contradição entre o que gritam e a liberdade que têm de gritar."

Segue texto de Pablo Vilaça, extraído do Facebook:

São sempre os mesmos argumentos: "estamos numa ditadura", "você ganha quanto pra defender o PT?", "este é governo mais corrupto da História da Corrupção", blablabla. Mas isto não é um acaso. Olhemos a História: TODAS as vezes em que as forças da direita prepararam tomada de poder, rotularam os opositores de "corruptos".

Fizeram isso com Getúlio.
Fizeram isso com Allende.
Fizeram isso com Bhutto.

A mídia desestabiliza o país e os militares põem "ordem".

A ironia é que o PSDB, um dos partidos mais corruptos do país, é defendido pelos coxinhas como salvador da pátria. Não se iludam. Esses caras não acham que o PSDB seja santo. Mas eles não se importam que haja corrupção; não pode haver é política social. O que não admitem em voz alta é que, pra eles, o grande crime do PT foi diminuir a desigualdade. Foi fazer pobre viajar de avião. Mensalão tucano, privataria, compra de votos da reeleição, aecioporto, desvio de dinheiro da saúde, cartel dos metrôs... Nada disso importa.

O que eles não verbalizam é sua verdadeira frustração: "essa porra de governo pensa mais nos pobres do que em mim!".

E a mídia incentiva e dissemina o clima de ódio, pois isto serve ao seu propósito. Não é à toa que os jornais celebraram o golpe em 64. O que a mídia NÃO celebra é aumento de salários. Aumento dos direitos trabalhistas. Sua incapacidade crescente de determinar eleições. Pra isso, conta com os idiotas úteis que vão gritar palavras de ordem fascistas na rua. Que vão protestar contra a democracia. Que vão berrar na rua que vivem numa ditadura - sem perceberem a contradição entre o que gritam e a liberdade que têm de gritar.

Pra eles, a democracia só vale quando a direita vence. A esquerda só presta pra ser derrotada a fim de legitimar a vitória da direita. Mas quando o processo se inverte, as forças conservadoras enlouquecem e incentivam o golpismo. De novo: gritam "corrupção" como arma. Assistam à A Batalha do Chile. Verão ali, há mais de 40 anos, reacionarios dizendo AS MESMAS COISAS que os coxinhas dizem hoje. As mesmas. "Saiam do país, marxistas!" "A corrupção tomou conta do país!" "Esse governo só pensa nos pobres!"

A História se repete se não aprendemos com ela. E numa sociedade despolitizada pelo ódio espalhado pela mídia, a ignorância domina.

Tenho sido constantemente ofendido e mesmo AMEAÇADO. Acusado de ser "corrupto" e de "mamar nas tetas do governo". Não interessa que nunca tenha exercido um cargo público e que jamais tenha recebido um centavo pra defender o governo. Querem, com insultos e ameaças, inibir minha expressão, sufocar meu direito de defender minhas posições políticas e ideológicas.

Enquanto isso, o governador de SP deixa o estado mais rico do país secar e é reeleito pelos mesmos que protestam contra o PT. E são tão ignorantes (como a mídia quer e incentiva que sejam) que acham que a falta d'água em SP é só questão de estiagem. Não conhecem o Nordeste?

Enfim.Temos que fazer nossa parte. Esses golpistas são mais barulhentos, mas não são mais numerosos. Têm voz na mídia, mas não têm legitimidade. Precisamos perseverar. Não podemos nos calar.

Aliás, não temos escolha. Ou isso ou entregamos o país a estes seres que negam a realidade e agem apenas com ódio, ignorância e preconceito.

Uma tática criminosa: A Veja e o PSDB atacam a Democracia para encobrir a perfídia golpista da suja revista dos Civitas

Texto de Sérgio Medeiros, extraido do Luis Nassif Online/Jornal GGN:






No inicio houve o reconhecimento da derrota, e foram dados parabéns a legitimamente eleita Dilma Roussef.

Bastou, entretanto, não ter havido trégua na investigação e na procura de responsabilidades, em razão do verdadeiro crime eleitoral perpetrado pela Veja, cristalizado no malogrado golpe que esta protagonizou nos três dias anteriores e no dia da eleição, para que o referido partido, prestes a ser desmascarado em seu conluio com a malfadada revista, passasse a incidir em novo golpe eleitoral – na realidade, mero desdobramento daquele.

Neste momento, colocam em prática manobras destinadas a criar um contrassenso para barrar ou, ao menos tirar o foco, das apurações destes crimes eleitorais que envolvem a Veja e o PSDB.

Assim, o PSDB passou a fazer acusações de que teria havido fraude na apuração dos votos e, subliminarmente, tenta apontar que tal crime teria sido praticado pelo PT e por Dilma, isso  em total descompasso com os fatos narrados à exaustão sobre quem efetivamente (com base em fatos concretos) tentou fraudar a eleição.

Ressalto, todos ficaram sabendo (pelas redes sociais ou até mesmo, de forma despudorada pela grande mídia) a forma como se deram as manobras do PSDB nesta eleição – a farsa da Veja, a manipulação das pesquisas Sensus e Veritá, as fotos de seus militantes com cópias da capa da Veja, fotos estas que correram o país através da grande mídia (efetivamente golpista).

Na verdade, esta nova tentativa de distorcer a realidade, trata-se de uma tática espúria e destinada a proteger os culpados por tais atos, e que somente viceja porque tem o apoio de seus cúmplices na grande mídia.

Tanto é verdade, que o fato, crime eleitoral da Veja, foi imediatamente substituído na mídia pelas acusações sem qualquer nexo ou suporte na realidade, da existência de fraude na apuração- aliás, como expressamente mencionado pelo Ministro João Otávio de Noronha do TSE.

Da mesma forma, a malfadada revista, em sua nova edição, adota a mesma tática, de acusações e de ofensiva contra o governo, numa clara tentativa de tentar encobrir suas mentiras e fraudes.

E, novamente, grande parte do PT e da mídia independente esta caindo no conto do vigário, e ai estão a contrapor os argumentos falaciosos e mentirosos do PSDB, que busca apenas encobrir a perfídia com que se comportou nesta eleição, manipulando pesquisas, apoiando o golpe da Veja, e tentando se colocar como vitima, enquanto, na verdade, pode-se considerar como sendo coautor e beneficiário de todos estes desmandos e arranjos escusos, usados para tentar fraudar a eleição em seu favor.

Observem a manobra em seu alcance nacional, em sua estruturação na grande mídia -  a retirada do ar da investigação ou mesmo da análise do crime praticado pela Veja e, em certa medida, também pelo PSDB – crime este, de tal dimensão – que atenta contra a Constituição Federal, pois atinge seu pilar fundamental, a liberdade de manifestação,  pois, tenta viciar e macular sordidamente o livre ato de votar.  

Isso, a Veja e o PSDB atentaram contra a liberdade de todos nós, cidadãos brasileiros, até mesmo contra a liberdade de quem votou em Aécio, pois votou de forma viciosa e enganado por sua propaganda falsa.

 Se alguém se proclama livre e a favor da democracia, por honestidade e decência, tem que apoiar a investigação plena, do episódio protagonizado pela Veja, pela Globo e pelo PSDB.

Se são inocentes, se são honestos, que a investigação corrobore tal afirmação, mas que não se tente fazer como agora, impedir de forma espúria que se procure esclarecer e definir os culpados por este atentado contra a democracia brasileira.

Uma bizarra simbiose entre uma mídia golpista e trogloditas fascistas nas redes sociais

"Quanto aos observadores da mídia, desponta aqui um tema interessante para ser considerado: carece de fundamento a suposição, bastante difundida a partir da distribuição dos votos na última eleição, de que os mais educados entre os eleitores tendem a votar com mais racionalidade. A se julgar pelas manifestações de energúmenos que pregam medidas antidemocráticas como reação à decisão soberana das urnas, pode-se afirmar que é nos estratos com mais anos de escolaridade que se expressam a insensatez, o desatino e a irresponsabilidade."

Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa





O texto a seguir, de Luciano Martins Costa, foi extraído do Observatório da Imprensa:



Uma bizarra simbiose



Por Luciano Martins Costa em 31/10/2014 na edição 822


  O pedido de auditoria na eleição presidencial, de iniciativa do PSDB, divide o alto da primeira página da edição de sexta-feira (31/10) do jornal O Estado de S.Paulo com a principal notícia de economia. O Globo registra o assunto também na primeira página, mas em uma nota sem grande destaque, e a Folha de S.Paulo deixa o tema sem menção na primeira página e o coloca em posição secundária na editoria Poder.

  O fato, incomum na rotina de manchetes compartilhadas pelos jornais que dominam a cena da mídia nacional, chama a atenção. A razão é explicada por um vazamento da redação do Estado: um dirigente do PSDB teria sondado editores sobre qual seria a receptividade do jornal àquela notícia. Com a garantia de que a iniciativa poderia sair em manchete, os autores da medida resolveram se arriscar à aventura de questionar o resultado das urnas, sem o risco de serem execrados pela imprensa por sua atitude vexaminosa.

  Agora, imagine-se o contrário: se, derrotado na disputa presidencial, o Partido dos Trabalhadores resolvesse pedir uma investigação sobre a lisura do processo eleitoral. Evidentemente, não apenas as manchetes, mas os editoriais, os colunistas, os analistas econômicos, os filósofos, os psicólogos e outros “especialistas” hospedados na mídia tradicional, e até os astrólogos, estariam mobilizados para condenar a insinuação de que o partido governista colocava em dúvida a justeza da decisão popular. No mínimo, os descontentes seriam considerados maus perdedores, mas o tom geral seria de condenação a uma suposta tentativa de golpe de Estado.

 
E tudo motivado por análises técnicas? Não. O que move os reclamantes é uma série de manifestações de correligionários nas redes sociais.

  O episódio coloca a sexta-feira, 31 de outubro, no calendário de horrores criado pela simbiose bizarra entre a imprensa hegemônica e a oposição ao Executivo federal. Numa escala imaginária de despautérios, fica apenas alguns graus abaixo da manobra consumada no último fim de semana, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, por um panfleto de campanha distribuído sob o logotipo da revista Veja. Não por acaso, o assunto é explorado pelo carro-chefe da Editora Abril (leia aqui) e justificado por um de seus mais dedicados pitbulls.

  A nau dos insensatos

   A iniciativa do PSDB poderia ser considerada uma tolice, não fosse a revelação de que se trata de operação combinada com pelo menos um dos principais jornais do país.

   Qual seria o efeito de tal notícia no ambiente das redes sociais digitais? Evidentemente, essa manobra tende a acirrar o radicalismo na parcela mais aloprada do eleitorado, aquela que prega diariamente o golpe militar e até o assassinato de adversários como ação política legítima. Sua escalada pode gerar uma crise de governabilidade.


   O fato de um dos principais partidos do país buscar apoio nesse substrato da cidadania, onde se aglomeram os mais insensatos entre os analfabetos políticos, demonstra a falta de espírito democrático de seus dirigentes, entre os quais já se alinharam alguns intelectuais respeitados. O fato de um jornal de influência nacional embarcar na aventura golpista revela o baixio a que se dispõe a mídia tradicional. Mas a adesão de Veja não surpreende: a revista simboliza há muito tempo a destruição do legado de Victor Civita, processo que pode ser mais bem analisado à luz da psicologia freudiana do que sob as muitas teorias da comunicação.

  Quanto aos observadores da mídia, desponta aqui um tema interessante para ser considerado: carece de fundamento a suposição, bastante difundida a partir da distribuição dos votos na última eleição, de que os mais educados entre os eleitores tendem a votar com mais racionalidade. A se julgar pelas manifestações de energúmenos que pregam medidas antidemocráticas como reação à decisão soberana das urnas, pode-se afirmar que é nos estratos com mais anos de escolaridade que se expressam a insensatez, o desatino e a irresponsabilidade.

  Estudo do instituto americano Pew Research Center sobre a polarização política nos Estados Unidos (ver aqui, em inglês) mostra que conservadores se informam por fontes menos diversificadas – por exemplo, 88% deles confiam na reacionária Fox News – enquanto os cidadãos mais liberais usam uma variedade maior de fontes de informação e opinião.

  Aplicada ao Brasil, a pesquisa provavelmente mostraria como a mídia partidarizada contribui para acirrar os ânimos e coloca em risco a própria democracia.