quarta-feira, 28 de julho de 2021

Da Alemã Deutsche Welle: Abraçando a neta ultradireitista de um nazista, Bolsonaro fez o Brasil bater no fundo do poço

 

    "No momento, praticamente não existe um chefe de governo democrático que queira se encontrar com Jair Bolsonaro. Na União Europeia, evita-se prudentemente o presidente brasileiro, pois isso não pegaria bem junto ao eleitorado. Nem mesmo os fãs do britânico Boris Johnson devem ter uma opinião muito boa de Bolsonaro, conhecido no exterior sobretudo por duas coisas: a devastação da Floresta Amazônica e sua catastrófica gestão da pandemia, com mais de 550 mil brasileiros mortos."

 Da Deutsche Welle:

COLUNA CARTAS DO RIO

Brasil bate no fundo do poço do isolamento internacional

Na falta total de interlocutores de primeiro escalão, Bolsonaro se encontrou com uma obscura deputada ultradireitista alemã. O encontro sublinha o desastre que o bolsonarismo perpetrou na política externa do país.

    
Vice-porta-voz da Alternativa para a Alemanha Beatrix von Storch sobe uma escada

Vice-porta-voz da Alternativa para a Alemanha Beatrix von Storch se dignou a encontrar o presidente brasileiro

No momento, praticamente não existe um chefe de governo democrático que queira se encontrar com Jair Bolsonaro. Na União Europeia, evita-se prudentemente o presidente brasileiro, pois isso não pegaria bem junto ao eleitorado. Nem mesmo os fãs do britânico Boris Johnson devem ter uma opinião muito boa de Bolsonaro, conhecido no exterior sobretudo por duas coisas: a devastação da Floresta Amazônica e sua catastrófica gestão da pandemia, com mais de 550 mil brasileiros mortos.

Como ninguém quer se encontrar com Bolsonaro, ele aceita o que vem. Nesse caso foi, justamente, Beatrix von Storch, deputada federal e vice-porta-voz da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD). Não se trata de um partido normal: o Departamento Federal de Proteção da Constituição – uma espécie de Abin alemã – levantou suspeitas de que a sigla abrigaria extremistas e impunha ameaças à ordem democrática, chegando a colocá-la sob observação do serviço secreto.

Além disso, o presidente do Brasil se encontrou com uma mulher que tachou a chefe de governo alemã, Angela Merkel, de "a maior criminosa da história da Alemanha do pós-guerra". O fato de ele se deixar ser visto ao lado dessa pária sublinha mais uma vez o desastre que o bolsonarismo perpetrou na política externa brasileira.

A perda de importância do país é dramática: Bolsonaro reduziu o Brasil de peso-pesado internacional a mero peso-mosca. É mais ou menos como se Merkel marcasse uma reunião com o deputado (e palhaço) brasileiro Tiririca, para discutir com ele o futuro da Europa e da América Latina.

O problema não são os avós

Como mostram as fotos do encontro, Bolsonaro e Von Storch se divertiram à beça. Poucas vezes se viu o presidente com um sorriso tão largo, e a ultradireitista alemã tão relaxada. O problema do encontro não é a ascendência de Beatrix von Storch – como enfatizaram diversos veículos de imprensa brasileiros. De fato, ambos seus avôs estiveram profundamente envolvidos nos crimes nazistas: um como ministro de Adolf Hitler (e criminoso de guerra condenado), e o outro como membro convicto do Partido Nacional-Socialista (NSDAP) e oficial da milícia SA.

Só que milhões de alemães têm antepassados que veneravam Hitler, injuriavam os judeus e se apoderaram de suas fortunas quando foram deportados e assassinados. Os avôs e bisavôs da maior parte dos alemães eram soldados da Wehrmacht, as Forças Armadas nazistas, ou até membros do NSDAP ou da força paramilitar SS.

Um de meus avôs viveu por um breve período num apartamento em Gleiwitz (hoje Gliwice, na Polônia) que pertencia a judeus deportados. A cidade fica próximo ao campo de extermínio de Auschwitz, e minha mãe se lembra até hoje que em certos dias "chovia cinza". Ninguém lhe explicava por quê.

Meu outro avô voltou para casa de um campo de prisioneiros soviético cinco anos após o fim da Segunda Guerra, mudo e sem reconhecer os filhos. Ele jamais falou sobre a guerra. Nós supomos que ele vivenciou coisas terríveis e talvez também tenha participado de atrocidades.

"Pérolas" da ultradireita alemã

Não se pode condenar os alemães de hoje à punição coletiva. E tampouco se pode acusar Beatrix von Storch de ter a família que tem. O que pode lhe ser imputado é ela dar continuidade à ideologia criminosa de seu avô. Ela disse que é lícito atirar em refugiadas e seus filhos que tentem atravessar a fronteira para a Alemanha, e pertence a uma sigla, a AfD, cujos deputados e funcionários disseram coisas como estas:

  • "Afinal, agora nós temos tantos estrangeiros no país que valeria a pena mais um Holocausto."
  • "Eu desejo tanto uma guerra civil e milhões de mortos, mulheres, crianças. Para mim, tanto faz. Seria tão bonito. Quero mijar nos cadáveres e dançar em cima dos túmulos. Sieg Heil!"
  • "Esse tipo de gente [estrangeiros e esquerdistas], é claro que temos que eliminar."
  • "Quando a gente chegar, vai ter arrumação, vai ter purgação!"
  • "Homossexuais na prisão? A gente também devia fazer isso na Alemanha!"
  • "Precisamos atacar e acabar com os meios de comunicação impressos."
  • "Lares para refugiados em chamas não são um ato de agressão."
  • "Fuzilar a corja ou mandar de volta para a África abaixo de pancadas."

Solidão patética

É possível que tais declarações nem soem tão estranhas para os leitores brasileiros. Seu presidente já soltou coisas do gênero, por exemplo: "Fazendo o trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil, começando com o FHC. Não deixar pra fora, não, matando. Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente."

Portanto, é inegável o parentesco de espírito entre Bolsonaro e Von Storch. Ambos são representantes da nova ultradireita global, que prega racismo, homofobia e autoritarismo, e para tal se serve de táticas, formulações e teorias de conspiração análogas. O mais absurdo que compartilham é a afirmação de que defenderiam "valores conservadores e cristãos". Eles não defendem valor nenhum!

Jair Bolsonaro e Beatrix von Storch são irmão e irmã no espírito. O fato de o presidente brasileiro – assim como seu filho Eduardo, ou o ministro da Ciência Marcos Pontes – se encontrar com essa pária da política alemã mostra, acima de tudo, quão solitário e absolutamente incompetente esse governo se tornou. Está isolado por ser incapaz de travar um diálogo com quem pense diferente. Diplomacia lhe é uma palavra desconhecida. Para o Brasil, que há poucos anos ainda tinha um peso no mundo como país de referência, é uma tragédia.

--

Philipp Lichterbeck queria abrir um novo capítulo em sua vida quando se mudou de Berlim para o Rio, em 2012. Desde então, colabora com reportagens sobre o Brasil e demais países da América Latina para jornais da Alemanha,Suíça e Áustria. Ele viaja frequentemente entre Alemanha, Brasil e outros países do continente americano. Siga-o no Twitter em @Lichterbeck_Rio.

Extrema-direita: religião fundamentalista, militarismo, autoritarismo e neoliberalismo

 

"Na ausência momentânea de Trump, Bolsonaro é um dos candidatos à liderança da extrema-direita global conforme ficou claro na visita de uma liderança neonazista alemã ao presidente brasileiro nesta semana", escreve o professor Robson Sávio

Apoiadores fazem gesto em direção a Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvorada

Apoiadores fazem gesto em direção a Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvorada (Foto: Reprodução)

Por Robson Sávio,  Doutor em Ciências Sociais e pós-doutor em Direitos Humanos

A extrema-direita global desfruta de símbolos do cristianismo para formar uma "milícia religiosa", a reeditar a guerra do bem contra o mal. 

O bem seria tudo aquilo associado ao pensamento conservador (religião, família tradicional, propriedade privada, meritocracia, precedência do individual sobre o público). O mal, por sua vez, está associado à modernidade, ciência, feminismo, esquerdismo, luta de classe,  estado social, etc...).

Montada, como numa CRUZADA RELIGIOSA, em tradições da "família/moral conservadora", a extrema-direita une líderes como Bolsonaro; extremistas norte-americanos, incluindo grupos supremacistas (e lideranças religiosas evangélicas e católicas, até mesmo junto ao episcopado); Viktor Orban (Hungria); Vladimir Putin (que se aliou à Igreja Católica Ortodoxa Russa); Le Pen (França); extremistas da Espanha, Inglaterra e até neonazistas alemães. 

No Brasil, além de lideranças evangélicas neopentecostais (principalmente das grandes igrejas midiáticas - muitas delas verdadeiras empresas religiosas), a extrema-direita goza de prestígio junto a  membros do clero e do  episcopado católicos, vários padres midiáticos, instituições religiosas (algumas midiáticas), youtubers famosos e uma bancada de ultraconservadores no Parlamento (de câmaras de vereadores ao Congresso Nacional.

Essa aliança une o conservadorismo RELIGIOSO, o poder político ancorado no MILITARISMO (no caso esse governo militarizado -- que se vangloria na defesa de moralismos à la Olavo de Carvalho) e  no poder econômico alicerçado no ULTRALIBERALISMO, essa nova versão do neoliberalismo (à la Paulo Guedes e figuras esdrúxulas, do tipo o Véio das megalojas de produtos variados, Wizzard e outros negociantes que, segundo dizem, para alcançarem o sucesso INDIVIDUAL E PRIVADO vendem até a mãe).

Portanto, a base social que agrega essa massa difusa precisa de um discurso MORALISTA, CRISTÃO,  CONSERVADOR para manter mobilizada uma legião religiosa que tem em líderes carismáticos radicais, como Bolsonaro, Putin e outros, e para defender radicalmente uma visão salvacionista e redentora do mundo. Uma recristianização global, que é  a base da Teologia do Domínio presente nos discursos desses grupos religiosos (a crença segundo o qual a religião deve dominar o poder político, a cultura, a educação, as artes,  os comportamentos...).

A RELIGIÃO é o principal elemento de constituição dessa base social da extrema-direita global. Mas, são o MILITARISMO e o ULTRALIBERISMO que caracterizam o domínio do poder estatal (da extrema-direita) em níveis nacionais, com intentos globais. Não por coincidência, governos teocráticos, militares e ultraliberais são formas distintas de autoritarismos.

Por isso, na ausência momentânea de Trump, Bolsonaro é um dos candidatos à liderança da extrema-direita global conforme ficou claro na visita de uma liderança neonazista alemã ao presidente brasileiro nesta semana.

Uma observação final: o Papa Francisco é a principal liderança global no enfrentamento à extrema-direita. Por isso, é tão perseguido, inclusive dentro da Igreja Católica.  Estima-se,  por exemplo, que dos 240 bispos norte-americanos, somente uns 40 apoiam explicitamente Francisco. Não ouso afirmar sobre a situação no Brasil. Mas, certamente o apoio do episcopado brasileiro ao papa Francisco é bem maior e mais explícito. Vide manifestações da CNBB nos últimos tempos.

Michel Gherman, diretor do instituto Brasil-Israel: quando Bolsonaro fala, as referências nazistas são claras

 


Do Canal Cortes 247:

Michel Gherman é professor da UFRJ e diretor do Instituto Brasil-Israel Vídeo completo em https://youtu.be/TzRQE_9rjPU


Lava Jato tentou comprar programa de espionagem israelense Pegasus para uso ilegal próprio

 


"Pessoal, a FT-RJ se reuniu hj com uma outra empresa de Israel, com solução tecnológica super avançada para investigações. A solução 'invade' celulares em tempo real"

Foto: Divulgação

Jornal GGN – A força-tarefa da Operação Lava Jato tentou adquirir um sofisticado programa de espionagem clandestina de Israel, o Pegasus, que foi usado em países para espionar jornalistas, ativistas e inimigos políticos de governos autoritários. Procuradores da Lava Jato negociaram diretamente com representantes da empresa.

A informação consta em petição protocolada hoje (26) pela defesa do ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal (STF), que descobriu, por meio de uma perícia feita nas mensagens de membros da Lava Jato, apreendidas na Operação Spoofing.

“A Operação Lava Jato teve contato com diversas armas de espionagem cibernética, incluindo o aludido dispositivo Pegasus”, revelaram os advogados de Lula, na petição.

O programa Pegasus foi usado em, pelo menos, 10 países para espionar jornalistas e pessoas apontadas como inimigas políticas de tais governos. O filho do presidente Jair Bolsonaro, vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), chegou a fazer um lobby na negociação da empresa com o Ministério da Justiça do mandatário, o que fez a empresa abandonar a licitação.

Entre as mensagens que comprovam a tentativa, uma delas, divulgada por reportagem do Uol, foi enviada pelo procurador Júlio Carlos Motta Noronha, no dia 31 de janeiro de 2018:

“Pessoal, a FT-RJ [força-tarefa do Rio] se reuniu hj com uma outra empresa de Israel, com solução tecnológica super avançada para investigações.

A solução ‘invade’ celulares em tempo real (permite ver a localização,etc.). Eles disseram q ficaram impressionados com a solução, coisa de outro mundo.

Há problemas, como o custo, e óbices jurídicos a todas as funcionalidades (ex.: abrir o microfone para ouvir em tempo real).

De toda forma, o representante da empresa estará aqui em CWB [Curitiba], e marcamos 17h para vir aqui. Quem puder participar da reunião, será ótimo! (Inclusive serve para ver o q podem/devem estar fazendo com os nossos celulares).”

Depois, um dos procuradores, chamado de Paulo, chega a apontar a ilegalidade da medida: Confesso que tenho dificuldades filosóficas com essa funcionalidade (abrir microfone em tempo real, filmar o cara na intimidade de sua casa fazendo sei lá o quê, em nome da investigação). Resquícios de meus estudos de direitos humanos v. combate ao terrorismo em Londres.”

No documento enviado ao STF, a defesa de Lula expõe como os membros da Lava Jato ainda tentaram criar um “bunker” com informações dos investigados, obtidas de forma irregular, com valores obtidos por meio dos acordos das delações premiadas.

Ainda, os advogados identificaram que os procuradores mantiveram contatos com representantes da empresa NSO Group, criadora do Pegasus, no Brasil, para comprar a plataforma de espionagem. O procurador Júlio Noronha foi quem fez as negociações. Em março de 2018, Noronha recebe um email da empresa, detalhando as “funcionalidades” do sistema de espionagem. Em abril, ele responde à empresa que tentará marcar uma reunião, para fechar o programa com alguns critérios que os procuradores haviam definido.

Desde que assumiu a PGR, contudo, Augusto Aras suspendeu as tentativas da força-tarefa. Segundo reportagem de Jamil Chade, do Uol, o PGR determinou que o software fosse “auditável e que funcionasse apenas com base em autorizações judiciais, permitindo assim um maior controle sobre possíveis abusos”, trouxe o jornalista.

Reinaldo Azevedo: Delírio de poder do Partido Militar sofre golpe. Ou: Fala, Augusto Aras!

 

Do Canal BandNews FM:

Reinaldo Azevedo comenta a descoberta dos militares de que seu candidato tinha ideias próprias. O âncora da BandNews FM ainda fala sobre uma “regressão” na ideologia dos militares desde a missão da Organização das Nações Unidas (ONU), liderada pelo Brasil, no Haiti, a Minustah.



Não existe prescrição de crimes (como a tortura) de ex-agente da ditadura militar, decide TRF3

 

    O MPF afirmou, ainda, que o crime de ‘desaparecimento forçado’ é reconhecido pelo Direito Internacional e tal crime envolve a prática de diversos outros delitos, inclusive o de falsidade ideológica.


Jornal GGN O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) acolheu recurso do Ministério Público Federal (MPF) e reconheceu que não há prescrição em pretensão do Estado em crime cometido por ex-agente da ditadura militar. O Estado pode prosseguir com a denúncia contra o médico legista Harry Shibata, em crime de falsidade ideológica, por elaborar laudos necroscópicos falsos para encobrir sinais de tortura de dois militantes políticos assassinados por órgãos de repressão.

Os militantes são Manoel Lisboa de Moura e Emmanuel Bezerra dos Santos, presos ilegalmente e barbaramente torturados entre agosto e setembro de 1973. Segundo a acusação, o episódio teve supostamente a participação de figuras destacadas entre os oficiais responsáveis pelo assassinato de opositores do regime militar, como o delegado Sérgio Paranhos Fleury, o agente policial Luiz Martins de Miranda Filho e o coronel Antônio Cúrcio Neto, entre outros.

Apesar das mortes terem sido causadas por sessões de tortura, Harry Shibata omitiu marcas evidentes nos corpos das vítimas e endossou a versão oficial criada na época, de que os militantes haviam sido mortos após troca de tiros com agentes das forças de segurança.

A primeira instância da Justiça Federal extinguiu o processo alegando que o crime havia prescrito, já que crime de falsidade ideológica não se classificaria como crime contra a humanidade. O MPF rebateu, afirmando que não é preciso que o crime esteja tipificado no Direito Internacional, expressamente, mas que nuances devem ser consideradas.

O MPF afirmou, ainda, que o crime de ‘desaparecimento forçado’ é reconhecido pelo Direito Internacional e tal crime envolve a prática de diversos outros delitos, inclusive o de falsidade ideológica. Apontou ainda que em contexto histórico específico, o da ditadura vigente no Brasil, os direitos, liberdades e garantias individuais foram suprimidos e a havia violação massiva dos direitos humanos, inclusive com assassinatos, sequestros, desaparecimentos, torturas, estupros e outras práticas contra os opositores políticos. E tais crimes são considerados de lesa-humanidade pela comunidade internacional.

Por maioria, o TRF3 acolheu os argumentos do MPF e afastou a prescrição dos crimes cometidos por Harry Shibata, determinando o retorno do processo à primeira instância da Justiça Federal, para que a tramitação do processo tenha continuidade.

Abaixo, o MPF faz um descritivo das mortes dos militantes.

Sobre as mortes – Manoel Lisboa de Moura foi preso em 16 de agosto de 1973 no Recife (PE) no âmbito da Operação Guararapes, que tinha como alvo os integrantes do Partido Comunista Revolucionário (PCR) e contava com a atuação do delegado Fleury. As torturas começaram ainda a caminho da unidade do Exército na cidade, com a aplicação de choques dentro da viatura. Nos dias seguintes, o militante foi submetido a contínuos interrogatórios, durante os quais sofria agressões, queimaduras e empalamento. Os agentes chegaram a colocá-lo em um pau-de-arara (barra na qual a vítima fica com os pés e as mãos amarrados, de cabeça para baixo), a usar a chamada “cadeira do dragão” (assento para a descarga de corrente elétrica por fios amarrados nas orelhas, na língua ou inseridos na uretra) e a disparar tiros, tudo na busca de informações que Manoel pudesse revelar sobre a organização política.

Por motivos desconhecidos, Manoel foi transferido para o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) em São Paulo, onde não se sabe se já chegou morto entre o fim de agosto e o início de setembro. Naquele mesmo período, o destacamento na capital paulista recebeu seu correligionário Emmanuel Bezerra dos Santos, capturado por agentes da Operação Condor, uma ação articulada entre as ditaduras sul-americanas para o extermínio de militantes de esquerda. O tratamento dispensado a ele na unidade foi igualmente brutal e o levou à morte. Durante as sessões de tortura, Emmanuel teve o pênis, os testículos, o umbigo e dedos arrancados, além de sofrer intensos sangramentos pelo uso do “colar da morte”, um sabre escaldante que os torturadores passavam em volta de seu pescoço, causando profundas queimaduras.

Manoel e Emmanuel foram alvejados com tiros para que as perfurações tornassem verossímil a versão forjada para as mortes. Os relatos oficiais, porém, contêm divergências que revelam sua falsidade. Segundo o Exército, Manoel já estava sob custódia e seria usado como isca para a detenção de Emmanuel, que teria reagido e dado início ao tiroteio no momento da abordagem no Largo de Moema, zona sul de São Paulo. Já o inquérito policial concluiu que ambos reagiram juntos a uma ordem de prisão no local, disparando contra os policiais. Recentemente, uma tenente que trabalhava no DOI-Codi confidenciou, em entrevista ao jornalista Marcelo Godoy, que tudo não havia passado de uma encenação: agentes do próprio órgão haviam simulado o episódio, com uso de balas de festim e sem a presença das vítimas.

Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) com pedidos de necrópsia marcados com a letra “T”. O símbolo era um código usual entre os agentes da ditadura para identificar os considerados “terroristas”, opositores cujos restos mortais deveriam passar por uma análise diferenciada que corroborasse as versões dadas pelas autoridades para os óbitos. No caso de Manoel e Emmanuel, Harry Shibata foi um dos responsáveis pelos relatórios que indicaram como causas das mortes apenas choque hemorrágico e hemorragia interna em virtude de ferimento por arma de fogo. Nada foi dito nos documentos sobre os hematomas, as amputações e as queimaduras. Apesar de os pedidos de necrópsia conterem todos os dados pessoais das vítimas, Manoel e Emmanuel foram enterrados como indigentes no cemitério Campo Grande, na capital paulista, em caixões lacrados. Os corpos foram encontrados e identificados somente em 1992.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Diogo: O militar “Ustra me torturou 90 dias, morava num Sobrado na OBAN e a mulher dele visitava torturadas”

 

Do Canal de Bob Fernandes:



CRÉDITOS Direção Geral: Bob Fernandes Direção Executiva: Antonio Prada Produção: Miguel Breyton e Daniel Yazbek Edição: Yuri Rosat Câmeras: dudu, Yuri Rosat e Miguel Breyton Som: Miguel Breyton Luz: Robinson Silva Arte e Vinhetas: Lorota Música de abertura e encerramento: Gabriel Edé Este é um vídeo do canal de Bob Fernandes. Vídeos novos todas terças e quintas, sempre, e demais postagens a qualquer momento necessário.

Reinaldo Azevedo: Queimar a democracia é mais grave do queimar Borba Gato. Mas...

 

Do Canal BandNews FM:




Reinaldo Azevedo: O programa de espionagem israelense Pégasus, a evidência do estado policial ilegal arquitetado pela Lava Jato de Curitiba

 

Do Canal BandNews FM:

A defesa do ex-presidente Lula revela que procuradores da operação Lava Jato tentaram adquirir o programa de espionagem israelense Pegasus. Reinaldo Azevedo comenta a tentativa de compra e a intenção dos procuradores de construir um bunker de investigação no gabinete de Deltan Dallagnol.





segunda-feira, 26 de julho de 2021

Judeus condenam encontro entre Bolsonaro e neta extremista de ministro de Hitler

 

Confederação Israelita do Brasil (Conib) repudiou a reunião realizada por Jair Bolsonaro com a deputada alemã Beatrix von Storch, do Alternativa para a Alemanha (AfD). "Trata-se de partido extremista, xenófobo, cujos líderes minimizam as atrocidades nazistas e o Holocausto", disse a Conib

(Foto: Beatrix von Storch/Instagram)

247A Confederação Israelita do Brasil (Conib) repudiou, em nota divulgada nesta segunda-feira (26), a reunião realizada por Jair Bolsonaro com a deputada alemã Beatrix von Storch, vice-líder do partido neonazista “Alternative für Deutschland” (AfD - Alternativa para a Alemanha, na sigla em português).

"A Conib lamenta a recepção dada a representante do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) em Brasília. Trata-se de partido extremista, xenófobo, cujos líderes minimizam as atrocidades nazistas e o Holocausto. O Brasil é um país diverso, pluralista, que tem tradição de acolhimento a imigrantes. A Conib defende e busca representar a tolerância, a diversidade e a pluralidade que definem a nossa comunidade, valores estranhos a esse partido xenófobo e extremista”, diz um trecho da nota segundo o blog do jornalista Chico Alves, no UOL.

Beatrix von Storch é neta do ex-ministro das Finanças de Adolf Hitler, Schwerin von Krosigk. Ele foi responsável pelo confisco de propriedades de judeus durante o regime nzeista na Alemanha. A parlamentar também manteve encontros com os deputados Bia Kicis (PSL-DF) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).