quarta-feira, 18 de setembro de 2019

TV GGN, com Luis Nassif, sobre a parceria conspiratória dos procuradores da Lava Jato contra a Petrobras


TV GGN: A parceria entre procuradores e advogados contra a Petrobras, por Luis Nassif

Procuradores preparam minuta para advogado privado de acionistas minoritários - que pretendiam extorquir milhões da Petrobras - visando pedir o impeachment de Gilmar Mendes, uma relação bem pouco lícita.


Jornal GGN A última leva de diálogos indevidos feitos pelos procuradores da Lava Jato evidencia uma relação bem pouco lícita com o advogado Modesto Carvalhosa. Thaméa Danelon e Deltan Dallagnol dão asas ao ilícito da primeira minutar um pedido de impeachment do ministro do STF Gilmar Mendes, para que Carvalhosa apresentasse. E Carvalhosa não é só o cavaleiro do ‘impeachment perdido’, mas também advogado dos acionistas da Petrobras, que muito ganha com a relação estreita com a força-tarefa.
Veja o vídeo a seguir.

O GGN prepara uma série de vídeos que explica a influência dos EUA na Lava Jato. Quer apoiar o projeto? Clique aqui.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Henry Bugalho discute as táticas de doutrinação/lavagem cerebral, por meio de técnicas próprias de líder de seita, do astrólogo Olavo de Carvalho



Do Canal de Henry Bugalho:



Cuidado Bolsonaro, o verdadeiro Führer, também conhecido como astrólogo e mentor da extrema direita no Brasil, está na Virgínia! Artigo de Rogério Maestri




  "A lógica da ascensão dos governos fascistas de raiz, o italiano e o alemão, sempre foi de montar milícias paramilitares. E quando os governos democráticos da época estavam fracos, mesmo com minoria parlamentar e com menos de 1/3 do apoio da população, assumiam o poder através de um estratagema parlamentar (legal): tomavam o poder para rapidamente colocar na ilegalidade todos os movimentos políticos que não fossem os vinculados ao poder dos partidos fascista e nazista."


Cuidado Bolsonaro, o verdadeiro Führer está na Virgínia!

por Rogério Maestri

A lógica da ascensão dos governos fascistas de raiz, o italiano e o alemão, sempre foi de montar milícias paramilitares. E quando os governos democráticos da época estavam fracos, mesmo com minoria parlamentar e com menos de 1/3 do apoio da população, assumiam o poder através de um estratagema parlamentar (legal): tomavam o poder para rapidamente colocar na ilegalidade todos os movimentos políticos que não fossem os vinculados ao poder dos partidos fascista e nazista.

Em todas as análises políticas da situação nos últimos quatro anos, sempre ressaltei que este tipo de tomada do poder passaria obrigatoriamente pela constituição de milícias e para que essas permitissem a chegada do poder de um regime de dominação integral, como o fascismo italiano e o nazismo alemão.

No caso brasileiro fica claro que o que chamamos de milícias são grupos criminosos que podem ter importância local, mas devido à origem dos mesmos, não há um comando central e disciplinado. Logo, é impróprio para dar golpes, pois não contam com o apoio da elite do poder que tem seus próprios esquemas de jagunços ou mesmo apoio de tropas militares ou de polícias militares.

Esta atipicidade da situação brasileira impede não só a formação progressiva de um estado classicamente totalitário de partido único, como falha em outros pontos quanto ao líder escolhido.

Muitos intelectuais de várias famílias, desde a esquerda até mesmo a direita, passam a vida a repetir que os governos fascistas são absurdos democráticos que contrariam o liberalismo econômico pregado pelos partidos que abertamente professam esta fé. Tanto Mussolini e, principalmente, Hitler, são tratados como monstros que simplesmente não são enquadrados como humanos e muito menos as capacidades intelectuais dos mesmos foi e ainda é subestimada. Porém, numa análise clara e não com viés moral da história, se verifica que Mussolini foi um forte ideólogo do movimento fascista internacional que sabia escrever, discursar para as massas e inebria-las com seus discursos, obtendo, durante um período da história do fascismo italiano, apoio de amplos setores da população. Da mesma forma, Hitler. com sua obra única, Mein Kampf, conseguiu atrair para o nazismo boa parte da população alemã, manejando habilmente conceitos como o anticomunismo, a supremacia da “raça ariana”, o ódio às minorias como judeus, ciganos e outras, que muitos estavam presentes no pensamento alemão da época. Ou seja, não dar os créditos de uma habilidade intelectual e retórica totalmente falaciosa aos escritos e discursos destes dois líderes é simplesmente tapar o sol com a peneira. Se compararmos Bolsonaro tanto com Hitler como, principalmente, Mussolini, ele é um verdadeiro anão intelectual, ou seja, uma figura caricatural tanto do Führer como do Duce.

Agora voltando ao caso brasileiro, a atual conclamação do Guru da família Bolsonaro à criação de um organização miliciana para apoiar incondicionalmente o atual ocupante da cadeira da presidência, após que este está já no poder, pode parecer completamente anacrônica, pois como se viu nos casos tradicionais Italiano e Alemão, depois do Duce e do Führer assumirem o poder, estas milícias tiveram que ser controladas (a italiana, menos organizada) ou simplesmente executadas a sua cúpula e controlada a base (a alemã, que tinha uma organização militar perfeita, por isto exigiu a execução física de seus líderes) para garantir o apoio necessário das forças armadas e das elites econômicas italianas e alemãs.
Então a formação fora de tempo de milícias bolsonarianas parece um verdadeiro contrassenso, pois criarão problemas com a base de apoio tradicional da direita, inclusive do exército. Porém se fizermos um pequeno giro lógico na história e compreendermos que o Führer verdadeiro não é aquele que ocupa a cadeira de presidente, mas sim outro, por exemplo o astrólogo da Virgínia, é possível criar um cenário imaginário de uma utilidade destas atuais milícias bolsonarianas para o verdadeiro golpe daquele que mais pensa no poder.

Vamos imaginar o seguinte cenário: através de uma operação de falsa bandeira faz-se um atentado exitoso contra o ocupante da cadeira da presidência. Quem irá aparecer num traumático funeral de um presidente? Provavelmente os filhos do presidente e, acompanhando o seu féretro, aquele que monta todo o esquema ideológico do atual presidente, ou seja, o astrólogo da Virgínia.

Com o impacto mediático deste atentado, que seria atribuído à esquerda, se abriria condições para que as milícias bolsonarianas, agora sob o comando direto do guru do grupo, começassem a sua função de desordem e de massacre direto da esquerda. Seriam fechados os partidos de esquerda e qualquer coisa que estivesse em oposição ao governo e numa situação de comoção pública exigir-se-ia novas eleições sem nenhuma oposição.
Feito isto, um dos filhos do falecido presidente, aquele que fosse mais fiel ao Guru, poderia ser eleito, colocando este último como uma espécie de primeiro ministro. Neste momento as milícias bolsonarianas teriam o mesmo destino dos camisas negras ou pardas, a eliminação, e se fecharia o ciclo na direção de um estado totalitário de partido único, e eliminando-se o que mais impede a radicalização à extrema direita do atual governo, a própria presença de um falso líder inábil como o próprio Jair Bolsonaro.

Com as revelações da Vaza Jato, está clara e comprovada a parceria entre a Lava Jato de Moro, Thaméa e Dallagnol com os muito bem pagos advogados das grandes ações vampirescas e bilionárias CONTRA a Petrobrás. Leia o artigo de Luis Nassif



"A revelação não apenas liquida com as pretensões de Thamea, de participar da equipe do próximo PGR Augusto Aras, como a expõe definitivamente, assim como a Dallagnol, a punições severas do CNMP."

Do Jornal GGN:



A parceria entre a Lava Jato e os advogados das grandes ações contra a Petrobras, por Luis Nassif


A revelação não apenas liquida com as pretensões de Thamea, de participar da equipe do próximo PGR Augusto Aras, como a expõe definitivamente, assim como a Dallagnol, a punições severas do CNMP.




As últimas revelações do dossiê Vaza Jato confirmam a parceria da Lava Jato com advogados, nas grandes ações que custaram mais à Petrobras do que todos os cálculos, ainda que superestimados, de corrupção.
As ações contra a Petrobras, que correram nos Estados Unidos, foram alimentadas por informações da Lava Jato. Custaram à Petrobras mais de US$ 3 bilhões, e a tiraram da condição de vítima, para a de ré. A contrapartida da Lava Jato foram os R$ 2,5 bilhões que receberiam para serem administrados pelos próprios procuradores da Lava Jato.
O escândalo maior é que, desses R$ 2,5 bilhões, reservou-se R$ 1,25 bilhão para ressarcimento de acionistas brasileiros, nas ações propostas por aqui, seguindo o modelo das ações americanas. E o grande advogado desses acionistas é Modesto Carvalhosa.
Os diálogos divulgados mostram os procuradores Thamea Danelon e Deltan Dallagnol preparando a minuta com a qual Carvalhosa arguiu o impeachment de Gilmar Mendes, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A revelação não apenas liquida com as pretensões de Thamea, de participar da equipe do próximo Procurador Geral da República Augusto Aras, como a expõe definitivamente, assim como a Dallagnol, a punições severas do Conselho Nacional do Ministério Público.
O que causa mais espanto não é nem a falta de escrúpulos da procuradora, mas o fato de ter chegado onde chegou, sendo uma procuradora sem maiores destaques em sua atuação profissional. Tornou-se uma das pontas de lança das manipulações da Lava Jato porque a chefia falhou, a corregedoria falhou, a Procuradoria Geral da República não orientou e a Associação Nacional dos Procuradores da República apoiou.
Esses deslumbrados cairão um a um. Mas a culpa pela próxima perda de prerrogativas do MPF será exclusivamente das chefias, que fecharam os olhos para todos os abusos.

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Henry Bugalho: Carluxo chama os eleitores do pai de GADO e o GADO gosta, além de exaltar Olavo de Carvalho....



Do Canal de Henry Bugalho:



   "Carlos Bolsonaro chamou os eleitores do pai de gado no Twitter. E vocês não vão acreditar: o gado foi ao delírio! Enquanto isto, Nando Moura era domesticado por Olavo de Carvalho. Entenda!"

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Em nova sandice do teórico da conspiração e mentor da imbecilidade nacional, o astrólogo Olavo de Carvalho agora diz que os Beatles fizeram mal à humanidade tocando as composições que não eram deles, mas de Theodor Adorno



Assista os dois vídeos a seguir sobre mais asneiras do - incrivelmente popular entre os neofascistas brasileiros - terraplanista e ex-astrólogo mentor dos Bolsonaros Olavo de Carvalho:


1 - Do Canal Meteoro:



2 - Do Canal do Filósofo e Escritor Henry Bugalho:




Do Justificando: Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la, por Cassiano Martines Bovo



     “A vida começa verdadeiramente com a memória”. (Milton Hatoum)

  "Pensemos na memória em relação às violações cometidas no período da ditadura militar (principalmente execuções, desaparecimentos e torturas); belo exemplo de força memorialista, talvez o mais vigoroso em nossa sociedade no que tange às violações de direitos humanos (creio que também na Argentina, Chile, Uruguai, Espanha, ao menos), e seu amplo leque de recursos, desde os relatos, passando por filmes e os tantos eventos, repetindo-se ano a ano, ressaltando-se as Comissões, sobretudo da Verdade, e comitês. Lembra-se funestamente que a memória tem sempre o outro lado, ela alimenta também os que defendem as violações, como “memórias rivais”, no dizer de Elizabeth Jelin. "


Do Justificando:

Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la

Quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la

Arte: Gabriel Pedroza / Justificando

Por Cassiano Ricardo Martines Bovo, Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP e Ativista de Direitos Humanos na Anistia Internacional Brasil

“A vida começa verdadeiramente com a memória”. (Milton Hatoum)

 Há dias em que nos deparamos com “comemorações” (não deixa de ser, embora, de luto) de casos emblemáticos de violações de direitos humanos, às vezes ocorridas há muito tempo (será que tão distante?), como a Chacina da Candelária (1993), ou recentemente, como a Chacina de Pau D’Arco (2017), sobressaindo-se, ou “recortando-se”, as mais contundentes como representações das tantas outras; afinal, sabemos que lembranças do tipo poderiam estar estampadas todos os dias neste país das execuções, desaparecimentos e torturas. Da mesma forma, a comemoração de datas, por ex., Dia Internacional do Combate à Tortura, da Consciência Negra, da Visibilidade Trans, dentre outras. 
 A lembrança se faz de várias formas: matérias jornalísticas, fotos, filmes, documentários, espetáculos, depoimentos, relatos, monumentos, dentre outros, além dos eventos (atos, marchas, encontros, seminários, palestras); uma dessas formas pode ser a narrativa memorialista; no meu caso, busco um repertório na forma de reconstruções de casos, descrevendo detalhada e cruamente as ações e atentando para discursos significativos, afinal, o como se conta deve ter sua importância. Qual o sentido de se contar o que passou? Por que relembrar?   
Narrativas como estas, resgates que incomodam, nos reporta ao papel da memória na sociedade, sobretudo na luta contra as violações de direitos humanos. Memória entendida aqui não no seu sentido médico-fisiológico, neurolinguístico etc., mas noutra inscrição: a histórica, e sem a pretensão do debate teórico.   
 Pensemos na memória em relação às violações cometidas no período da ditadura militar (principalmente execuções, desaparecimentos e torturas); belo exemplo de força memorialista, talvez o mais vigoroso em nossa sociedade no que tange às violações de direitos humanos (creio que também na Argentina, Chile, Uruguai, Espanha, ao menos), e seu amplo leque de recursos, desde os relatos, passando por filmes e os tantos eventos, repetindo-se ano a ano, ressaltando-se as Comissões, sobretudo da Verdade, e comitês. Lembra-se funestamente que a memória tem sempre o outro lado, ela alimenta também os que defendem as violações, como “memórias rivais”, no dizer de Elizabeth Jelin. 

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A ditadura existiu – e não há o que celebrarA ditadura existiu – e não há o que celebrar

Como contraponto poderíamos pensar: por que algo vigoroso desse tipo não acontece em relação às pessoas que são executadas, desaparecidas e torturadas diariamente, e sinistramente contabilizadas (números aterrorizantes), apesar das já importantes iniciativas que existem e mesmo diante da continuidade da filosofia utilizada pelas instituições policiais no pós-ditadura? E em relação àqueles casos que ganham ritos memorialistas, por que são apenas alguns e não tantos outros? Por que esses casos não ganham a mesma atenção, vigor e um movimento unificado que consiga aglutinar todas as vítimas, parentes e outros atores relevantes? Geralmente se trata de pessoas pobres, marginalizadas e moradoras em regiões periféricas. Será que não é por isso mesmo que não ganham atenção? 
 Isso nos leva a pensar no caminho da memória em cada caso. A eficácia memorialista, se assim pudermos dizer, se dá pelo impacto do caso? Por que determinados casos e não outros operam a representação? Em função do impressionamento (a violência e covardia empregadas, as injustiças que em geral ocorrem em todo o processo)? Ou das semelhanças? Ou pela singularidade? Será que não é pela forma como atuam os atores relevantes (a ideia da construção da memória via organização, estratégias etc., como os “empreendedores da memória”, de Elizabeth Jelin)? Ou por quem são as vítimas e os seus algozes? 
Muitos dos que se debruçam sobre a memória nesse sentido que falamos (e, como desdobramento, das narrativas) apontam a sua relação com o esquecimento (aliás, inerente ao ser humano), como Paul Ricouer, sobre o dever de memória: 
 “(…) este pode ser igualmente expresso como um dever de não esquecer”.[2]
 Nada mais verdadeiro, porém, podemos indagar: como neste país das chacinas e massacres vamos nos esquecer, se elas acontecem o tempo todo? 
O que me faz pensar na luta via memória noutra perspectiva. A repetição de chacinas, massacres, tortura, a permanência do racismo, homotransfobia e discriminações outras, imaginamos que deveriam incomodar (e levar à mudança) muito mais. Mas não. Ao que parece a repetição, num tênue limiar entre passado e presente, aqui, lembra, mas o faz naturalizando, anestesiando, numa sociedade com os seus já tantos apelos alienantes. Assim, contraditoriamente, denunciando algo que permanece ao longo do tempo, cada caso cotidiano se torna uma engrenagem repetitiva a tal ponto que faz esquecer; porém, por outro lado, veja que os recursos memorialistas (dentre eles, as narrativas) têm a função de fazer lembrar sempre. Desse modo, justifica-se, sim, a repetição memorialista compensatória: a “comemoração” de casos e mais casos, o quanto for possível, pois, como já se disse, a memória é luta contra o esquecimento e, neste caso, contra a naturalização anestesiante. 

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A negação histórica como política e a luta pela preservação da memóriaA negação histórica como política e a luta pela preservação da memória

Memória, memória, memória, com todos os seus recursos, sensibilização que possa ser o antídoto contra uma morte coletiva, porque a cada caso todos estamos morrendo. Repetição como luta contra a sucessão avassaladora de casos (como a “Marcha da Chacina da Baixada Fluminense”, que todo ano se repete). E para que não nos esqueçamos nunca o quão violenta e injusta é nossa sociedade, e como se violam direitos impunemente. Assim, memória como lembrança de algo do presente.  
 “O presente do passado é a memória; o presente do presente é a intuição direta; o presente do futuro é a esperança”.[3]
 E essas pessoas que sobreviveram ou assistiram às cenas? Testemunhas construtoras da memória, cruciais para a reconstrução do passado através de suas lembranças. E os parentes? 
 “Os historiadores não devem esquecer que são os cidadãos que fazem realmente a história – os historiadores apenas a dizem; mas eles são também cidadãos responsáveis pelo que dizem, sobretudo quando o seu trabalho toca nas memórias feridas”.[4]
 Pensemos também na rica contribuição da História Oral, seguindo os rastros de Paul Thompson.
 As lembranças pessoais não são importantes apenas na literatura, como naIlídada de Homero ou Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust. As lembranças das memórias individuais, incrustradas nas mentes, entrelaçadas, são o ponto de partida para reconstruirmos a memória coletiva e isso, por si só, já deveria levar a dar mais atenção a essas pessoas pelos seus desdobramentos subjetivos, o apoio psíquico, afetivo, para além do legal. E elas constroem uma memória local, a da comunidade. Um exemplo: atualmente jovens de Vigário Geral que, obviamente, não vivenciaram a famosa chacina de 1993, a conhecem e guardam sentimentos, pois passa de pai para filho em cada lar, como “atos de transferência”, no dizer de Paul Connerton.
 Como um feixe de memórias autobiográficas, atreladas aos locais em que se sucederam os fatos, temos uma memória coletiva: 
 “(…) cada memória individual é um ponto de vista sobre a memória coletiva”.[5]
 E a memória coletiva pode ter potência:
 “Para os navegantes com desejo de vento, a memória é um porto de partida”.[6] 
Maior exemplo de sucesso na luta do tipo de violações em pauta, via memória, nos pós-ditadura, a meu ver, e com status de movimento (com o grau de unificação necessário, sem competição de casos), vem de atores muito especiais: as mães. O papel das organizações de mães contra a violência policial sofrida pelos seus filhos e a devida Justiça em relação aos responsáveis, espalhadas pelo país e articuladas em redes, é potência de luta, seguindo o DNA da luta das mães contra as ditaduras. Elas fazem valer a ideia de que “(…) a última palavra deve ser do conceito moral de dever de memória, que se dirige, como se disse, à noção de justiça devida às vítimas”.[7] Mais que isso: atuam para o fundamental reconhecimento, como discutiu Henri Bergson. 

Ainda: fazem pairar na sociedade uma ética – outro papel da memória -, que espraia a empatia a tantas e tantas vítimas de outras violações também, apontando para a Justiça, numa sociedade terrivelmente injusta.  

E temos outros exemplos de luta memorialista em outras pautas (embora entrelaçadas de forma interseccional). Por ex. o movimento LGBT+ em torno do caso Laura Vermont, Luana Barbosa etc., o movimento feminista no caso Maria da Penha; o racismo no de Rafael Braga, dentre outros. 
 Continuemos então na luta que, dentre todos os instrumentos necessários, tem na memória um deles, e aqui a memória como luta nos reporta a Edmund Burke: 
 “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la” 
 Cassiano Ricardo Martines Bovo é Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP e Ativista de Direitos Humanos na Anistia Internacional Brasil.
Notas:
[1] Em alusão ao documentário “Vigário Geral: lembrar para não esquecer”(https://pmrj.wordpress.com/tag/chacina-de-vigario-geral-documentario-completo/).
[2] Conferência “Memória, história, esquecimento”, p. 6, proferida por Paul Ricoeur em Budapeste, 8 de março de 2003, no âmbito de uma conferência internacional intitulada “Haunting Memories? History in Europe after Authoritarianism”.
[3] Santo Agostinho. Confissões. São Paulo: Canção Nova, 2007, digitação de Lucia Maria Csernik, p. 123.
[4] Paul Ricoeur, op. cit., p. 6
[5] Halbwachs, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, p. 51.
[6] https://listadelivros-doney.blogspot.com/2009/05/as-palavras-andantes-eduardo-galeano.html
[7] Paul Ricoeur, op. cit, p. 6.
Quarta-feira, 11 de setembro de 2019

"Não há contexto em que as mensagens divulgadas sobre os bastidores do golpe de 2014-2016 permitam leituras benevolentes", por Armando Coelho Neto, ex-delegado da PF e representante da Interpol em São Paulo



  "Tantã Dinheirol. Não sei quem cunhou o apelido, mas gostei muito, pois resume bem a estranha personalidade de um certo procurador de dinheiro, digo, procurador da República, que, além de trapaças processuais fazia política, vendia palestra enquanto militante do entreguismo nacional. Leia-se, tentava tirar proveito pessoal do seu trabalho com práticas nada republicanas."


Tantã Dinheirol e o contexto. Gilmar Mendes e o descontexto

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Quem usa, cuida! Sempre disse e repito: acusaram o ex-Presidente Lula daquilo que fariam se estivessem no lugar dele. Até por que, operadores da Farsa Jato são culturalmente alinhados a tudo o quanto fingem combater. Uma cultura, entre outras, fundamentada na acumulação de capital, busca de prestígio e estrelato – de pai pra filho. Do nome da família no banquinho da praça no interior ao culto de títulos e medalhas de “ordens” disso e daquilo, da ostentação material à identificação com uma cultura superior além-mar, eis referenciais mínimos de um modo de vida permeado pela ganância. Coisas muito ao gosto das ironias de Ariano Suassuna, de um mundo dividido entre quem foi ou não à Disney.
Tantã Dinheirol. Não sei quem cunhou o apelido, mas gostei muito, pois resume bem a estranha personalidade de um certo procurador de dinheiro, digo, procurador da República, que, além de trapaças processuais fazia política, vendia palestra enquanto militante do entreguismo nacional. Leia-se, tentava tirar proveito pessoal do seu trabalho com práticas nada republicanas.
As denúncias feitas pelo The Intercept e colaboradores vêm mostrando a verdadeira personalidade pequeno burguês daquele barnabé falso moralista, cristão de meia tigela (Ops! Cuidados com os adjetivos!). Tantã cometeu crime sob a desculpa de combater crime e não se arrepende de nada. Li a entrevista dele no jornal Correio Brasiliense e, como observou um amigo – “Nenhuma contrição, arrependimento zero, cinismo infinito. Realmente, confiança absoluta na impunidade e na ignorância. Ultraje à inteligência alheia”. 
Tantã insiste na balela da descontextualização de mensagens. Ele próprio poderia contextualizar, mas não o faz nem fez. Como disse um conhecido e controvertido jornalista, em que contexto as falas divulgadas ficariam melhor? Alguém poderia dizer em que situação as baixarias da Farsa Jato cairiam bem, sobretudo se vêm a calhar com tudo o quanto já se sabia antes? A trama para impedir entrevista de Lula antes das eleições, por medo de que pudesse ajudar a “eleger o Haddad” cairia bem em que contexto? Da política ou da filigrana jurídica?
Tantã… Que tanto facilitou vazamentos e quebra de sigilo, sob o argumento de não violar sigilo, perdeu a oportunidade de revelar-desvelar ao Correio Brasiliense coisas importantíssimas. Por exemplo: fingir investigar FHC para passar impressão de imparcialidade, soaria bem em que contexto? Quando o marreco de Maringá discorda desse fingimento, dizendo que “Melindra alguém cujo apoio é importante”, em que contexto perderia o sentido de farsa judicial?
Difícil imaginar em que situação, coagir testemunhas e parentes de investigados ficaria bem. Não se vislumbra contexto no qual ganharia bom sentido os insultos à Marisa Letícia. Chamar Lula de “9”, numa alusão a um dedo a menos, afastaria  a ideia de que policiais, procuradores e juízes ressentidos nutririam desprezo pessoal contra o réu Lula?  Esse desprezo infectou – tal qual influenciou – as leituras distorcidas que fizeram contra o réu, restritivas ou extensivas, conforme suas maldades, convicções religiosas, ufanismo, falso moralistas, nacionalismo zumbaia (Alô, Forças Armadas!)?
Não! Não é plausível um contexto no qual possa ficar, bem transformar, a “conge” em laranjas de palestras; usar deputado-limão para impedir um ministro do supremo de julgar. Proceder 22 gravações e divulgar apenas aquela que poderia prejudicar Lula é que soa como contextualização estranha, dirigida e seletiva. Como dito lá em cima: “Quem usa, cuida”. Não?
Conforme o The Intercept, a Farsa Jato usava chats para pedir dados fiscais sigilosos sem autorização judicial ao chefe do Coaf (Quebra ilegal de sigilo).
Não há contexto em que as mensagens divulgadas sobre os bastidores do golpe de 2014 permitam leituras benevolentes. Mas, Tantã Dinheirol nega, desqualifica, e para rebater a existência de conluio, afirma que os atos da força tarefa foram legitimados “por todas as instâncias do Judiciário, inclusive pelo STF”.
Justamente é aqui que entra o ministro Gilmar Mendes, um dos “legitimantes” da Farsa Jato, inclusive impedindo a nomeação de Lula como ministro. Mendes, hoje, trata a turma do Tantã Dinheirol Como quadrilha, e, numa entrevista para a TV Folha, critica o poder soberano criado na “longinqua província de Curitiba”. Segundo ele: gente deslumbrada que cometia ilegalidades com a cumplicidade das corregedorias.
Nada novo, claro! Mas é um membro do STF quem está dizendo, e não mais um “esquerdalha” qualquer.
Segundo Mendes, a santificação da Farsa Jato transformou o Superior Tribunal de Justiça num tribunal acuado, “medrado”. Um juiz contrariar Curitiba correria o risco de responder um inquérito.
Mesmo fazendo mea-culpa, Mendes diz que a mídia teve papel fundamental e cita que só Rodrigo Janot tinha no gabinete dele onze repórteres para vazar sistematicamente informações, e era santificado pela imprensa. Notícias chegavam ao STF depois de vazadas para o Jornal Nacional, afirma.  Aproveita para criticar o conluio entre juiz, procuradores, delegados da PF e fiscais da Receita Federal. Sem meias palavras, diz ele, “a Receita estava roubando galinha com eles”, se referindo ao conchavo. No mais, declara que as prisões eram usadas como tortura para delatar “pessoas que queremos que eles delatem”, leia-se, pessoas que Tantã e o marreco queriam que fossem delatadas.
Num contexto em que cita o marreco de Maringá, Tantã Dinheirol e outros, Mendes diz que no Brasil deveriam reconhecer publicamente seus crimes e saírem de cena, dizendo: “nós somos crápulas”.
A boa notícia para a Democracia e o Estado de Direito é que Mendes diz que seus colegas juízes estão abrindo o olho. No mais, golpista ou não, não tem como discordar de suas assertivas. São falas que realinham o contexto de tudo o quanto Tantã Dinheirol tenta descontextualizar.
Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista e advogado, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

A Nova e Desumana Ordem: Brasil sequestrado por militares. Entrevista da TVT com o escritor Bernardo Kucinsky






"A Nova Ordem" é o recém lançado livro do escritor Bernardo Kucinsky que traz vislumbre de realidade distópica com algumas semelhanças aos dias de hoje. No estúdio, Kucinsky e Joana Monteleone, editora do livro, conversam sobre a publicação.

Bolsonarista, olavista e, portanto, pouco dado a leituras sérias, Ernesto Araújo mistura Gramsci com “alarmismo climático” e é ridicularizado por colunista do Washington Post



"Não sabemos se ele alguma vez leu sobre teorias críticas neomarxistas além do que está escrito na Wikipedia", disse colunista norte-americano


Foto: AFP
Jornal GGN O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, participou de um dos principais “think tanks” conservadores dos Estados Unidos, a Heritage, nesta quarta-feira (11), carregando no discurso ideológico e criticando a imprensa brasileira por “alarmismo climático” contra o governo de Jair Bolsonaro. Em resposta, o colunista do The Washington Post, Ishaan Tharoor, disse que falas de Araújo era uma “lengalenga sem fim de vitimização de alguém que está no poder”.
Em seu discurso ideológico, Araújo chegou a dizer que o boicote a produtos brasileiros como forma de protesto pelas queimadas na Amazônia do governo Bolsonaro era um tipo de “justiça social” que já foi usada “como pretexto para ditadura” e que estão hoje fazendo o mesmo “com o clima”, ao se referir ao meio ambiente.
“Parece a justiça stalinista para mim: acusar, executar. Aí você diz: onde está a justiça? Onde está o Estado democrático? As pessoas respondem ‘crise climática, cale-se'”, falou o representante do Itamaraty. A fala ocorre, ainda, menos de duas semanas antes da participação do mandatário brasileiro na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde deve ser questionado sobre a situação da Amazônia.
Em outros momentos, Araújo usou narrativas de Olavo de Carvalho para criticar a “esquerda”, o “marxismo cultural” e para falar de “globalismo”. Disse que tanto Bolsonaro quanto o polêmico presidente dos EUA, Donald Trump, são a “insurgência universal contra a besteira”, assim como os defensores do Brexit, na Inglaterra, juntos, segundo ele, em uma “revolta contra a ideologia” da esquerda.
Isso ocorre, segundo Ernesto Araújo, diante da “percepção” destes presidentes de “que estávamos sendo desprezados por uma elite que tenta nos governar em nome da justiça social, ou da integração europeia, ou de um mundo sem fronteiras ou do progresso”, afirma, reunindo em uma mesma frase críticas às políticas sociais e imigração.
Ainda misturou em uma mesma fala o que chamou de “alarmismo climático” sobre o que está ocorrendo com o desmatamento da Amazônia com falta de “debate democrático” e que “nem comer carne é permitido mais”. Fez críticas a Antonio Gramsci, Bertolt Brecht e Rosa Luxemburgo. E afirmou que o “clima” e a defesa ambiental “se tornou o silenciador do debate”.
Diante de todas estas falas, o colunista do jornal The Washington Post dirigiu duras críticas ao representante brasileiro e mostrou-se perplexo: “Isso é incrivelmente ideológico para um chanceler no exterior”. Em suas redes sociais, Ishaan Tharoor, afirmou que estava impressionado com a incoerência das falas de Araújo.
“Agora ele está falando algo sobre o socialismo do século 21 ser (Antonio) Gramsci conhecer os cartéis de drogas. E agora está citando (Herbert) Marcuse e todos os membros da Escola de Frankfurt”, disse o jornalista. “Isso é incrível. Não sabemos se ele alguma vez leu sobre teorias críticas neomarxistas além do que está escrito na Wikipedia”, completou.
Para Tharoor, a própria direita norte-americana “jamais se importaria com essas pessoas ou envolveria suas ideias, ainda que absurdamente, em um discurso de política externa” e que ninguém na Heritage, o think tank conservador, se importava com isso.
A íntegra do discurso do ministro de Relações Exteriores de Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo, pode ser acompanhado aqui:


Leia abaixo as publicações do jornalista:

O GGN prepara uma série de vídeos que explica a influência dos EUA na Lava Jato. Quer apoiar o projeto? Clique aqui.