segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Em nova sandice do teórico da conspiração e mentor da imbecilidade nacional, o astrólogo Olavo de Carvalho agora diz que os Beatles fizeram mal à humanidade tocando as composições que não eram deles, mas de Theodor Adorno



Assista os dois vídeos a seguir sobre mais asneiras do - incrivelmente popular entre os neofascistas brasileiros - terraplanista e ex-astrólogo mentor dos Bolsonaros Olavo de Carvalho:


1 - Do Canal Meteoro:



2 - Do Canal do Filósofo e Escritor Henry Bugalho:




Do Justificando: Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la, por Cassiano Martines Bovo



     “A vida começa verdadeiramente com a memória”. (Milton Hatoum)

  "Pensemos na memória em relação às violações cometidas no período da ditadura militar (principalmente execuções, desaparecimentos e torturas); belo exemplo de força memorialista, talvez o mais vigoroso em nossa sociedade no que tange às violações de direitos humanos (creio que também na Argentina, Chile, Uruguai, Espanha, ao menos), e seu amplo leque de recursos, desde os relatos, passando por filmes e os tantos eventos, repetindo-se ano a ano, ressaltando-se as Comissões, sobretudo da Verdade, e comitês. Lembra-se funestamente que a memória tem sempre o outro lado, ela alimenta também os que defendem as violações, como “memórias rivais”, no dizer de Elizabeth Jelin. "


Do Justificando:

Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la

Quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la

Arte: Gabriel Pedroza / Justificando

Por Cassiano Ricardo Martines Bovo, Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP e Ativista de Direitos Humanos na Anistia Internacional Brasil

“A vida começa verdadeiramente com a memória”. (Milton Hatoum)

 Há dias em que nos deparamos com “comemorações” (não deixa de ser, embora, de luto) de casos emblemáticos de violações de direitos humanos, às vezes ocorridas há muito tempo (será que tão distante?), como a Chacina da Candelária (1993), ou recentemente, como a Chacina de Pau D’Arco (2017), sobressaindo-se, ou “recortando-se”, as mais contundentes como representações das tantas outras; afinal, sabemos que lembranças do tipo poderiam estar estampadas todos os dias neste país das execuções, desaparecimentos e torturas. Da mesma forma, a comemoração de datas, por ex., Dia Internacional do Combate à Tortura, da Consciência Negra, da Visibilidade Trans, dentre outras. 
 A lembrança se faz de várias formas: matérias jornalísticas, fotos, filmes, documentários, espetáculos, depoimentos, relatos, monumentos, dentre outros, além dos eventos (atos, marchas, encontros, seminários, palestras); uma dessas formas pode ser a narrativa memorialista; no meu caso, busco um repertório na forma de reconstruções de casos, descrevendo detalhada e cruamente as ações e atentando para discursos significativos, afinal, o como se conta deve ter sua importância. Qual o sentido de se contar o que passou? Por que relembrar?   
Narrativas como estas, resgates que incomodam, nos reporta ao papel da memória na sociedade, sobretudo na luta contra as violações de direitos humanos. Memória entendida aqui não no seu sentido médico-fisiológico, neurolinguístico etc., mas noutra inscrição: a histórica, e sem a pretensão do debate teórico.   
 Pensemos na memória em relação às violações cometidas no período da ditadura militar (principalmente execuções, desaparecimentos e torturas); belo exemplo de força memorialista, talvez o mais vigoroso em nossa sociedade no que tange às violações de direitos humanos (creio que também na Argentina, Chile, Uruguai, Espanha, ao menos), e seu amplo leque de recursos, desde os relatos, passando por filmes e os tantos eventos, repetindo-se ano a ano, ressaltando-se as Comissões, sobretudo da Verdade, e comitês. Lembra-se funestamente que a memória tem sempre o outro lado, ela alimenta também os que defendem as violações, como “memórias rivais”, no dizer de Elizabeth Jelin. 

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Como contraponto poderíamos pensar: por que algo vigoroso desse tipo não acontece em relação às pessoas que são executadas, desaparecidas e torturadas diariamente, e sinistramente contabilizadas (números aterrorizantes), apesar das já importantes iniciativas que existem e mesmo diante da continuidade da filosofia utilizada pelas instituições policiais no pós-ditadura? E em relação àqueles casos que ganham ritos memorialistas, por que são apenas alguns e não tantos outros? Por que esses casos não ganham a mesma atenção, vigor e um movimento unificado que consiga aglutinar todas as vítimas, parentes e outros atores relevantes? Geralmente se trata de pessoas pobres, marginalizadas e moradoras em regiões periféricas. Será que não é por isso mesmo que não ganham atenção? 
 Isso nos leva a pensar no caminho da memória em cada caso. A eficácia memorialista, se assim pudermos dizer, se dá pelo impacto do caso? Por que determinados casos e não outros operam a representação? Em função do impressionamento (a violência e covardia empregadas, as injustiças que em geral ocorrem em todo o processo)? Ou das semelhanças? Ou pela singularidade? Será que não é pela forma como atuam os atores relevantes (a ideia da construção da memória via organização, estratégias etc., como os “empreendedores da memória”, de Elizabeth Jelin)? Ou por quem são as vítimas e os seus algozes? 
Muitos dos que se debruçam sobre a memória nesse sentido que falamos (e, como desdobramento, das narrativas) apontam a sua relação com o esquecimento (aliás, inerente ao ser humano), como Paul Ricouer, sobre o dever de memória: 
 “(…) este pode ser igualmente expresso como um dever de não esquecer”.[2]
 Nada mais verdadeiro, porém, podemos indagar: como neste país das chacinas e massacres vamos nos esquecer, se elas acontecem o tempo todo? 
O que me faz pensar na luta via memória noutra perspectiva. A repetição de chacinas, massacres, tortura, a permanência do racismo, homotransfobia e discriminações outras, imaginamos que deveriam incomodar (e levar à mudança) muito mais. Mas não. Ao que parece a repetição, num tênue limiar entre passado e presente, aqui, lembra, mas o faz naturalizando, anestesiando, numa sociedade com os seus já tantos apelos alienantes. Assim, contraditoriamente, denunciando algo que permanece ao longo do tempo, cada caso cotidiano se torna uma engrenagem repetitiva a tal ponto que faz esquecer; porém, por outro lado, veja que os recursos memorialistas (dentre eles, as narrativas) têm a função de fazer lembrar sempre. Desse modo, justifica-se, sim, a repetição memorialista compensatória: a “comemoração” de casos e mais casos, o quanto for possível, pois, como já se disse, a memória é luta contra o esquecimento e, neste caso, contra a naturalização anestesiante. 

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Memória, memória, memória, com todos os seus recursos, sensibilização que possa ser o antídoto contra uma morte coletiva, porque a cada caso todos estamos morrendo. Repetição como luta contra a sucessão avassaladora de casos (como a “Marcha da Chacina da Baixada Fluminense”, que todo ano se repete). E para que não nos esqueçamos nunca o quão violenta e injusta é nossa sociedade, e como se violam direitos impunemente. Assim, memória como lembrança de algo do presente.  
 “O presente do passado é a memória; o presente do presente é a intuição direta; o presente do futuro é a esperança”.[3]
 E essas pessoas que sobreviveram ou assistiram às cenas? Testemunhas construtoras da memória, cruciais para a reconstrução do passado através de suas lembranças. E os parentes? 
 “Os historiadores não devem esquecer que são os cidadãos que fazem realmente a história – os historiadores apenas a dizem; mas eles são também cidadãos responsáveis pelo que dizem, sobretudo quando o seu trabalho toca nas memórias feridas”.[4]
 Pensemos também na rica contribuição da História Oral, seguindo os rastros de Paul Thompson.
 As lembranças pessoais não são importantes apenas na literatura, como naIlídada de Homero ou Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust. As lembranças das memórias individuais, incrustradas nas mentes, entrelaçadas, são o ponto de partida para reconstruirmos a memória coletiva e isso, por si só, já deveria levar a dar mais atenção a essas pessoas pelos seus desdobramentos subjetivos, o apoio psíquico, afetivo, para além do legal. E elas constroem uma memória local, a da comunidade. Um exemplo: atualmente jovens de Vigário Geral que, obviamente, não vivenciaram a famosa chacina de 1993, a conhecem e guardam sentimentos, pois passa de pai para filho em cada lar, como “atos de transferência”, no dizer de Paul Connerton.
 Como um feixe de memórias autobiográficas, atreladas aos locais em que se sucederam os fatos, temos uma memória coletiva: 
 “(…) cada memória individual é um ponto de vista sobre a memória coletiva”.[5]
 E a memória coletiva pode ter potência:
 “Para os navegantes com desejo de vento, a memória é um porto de partida”.[6] 
Maior exemplo de sucesso na luta do tipo de violações em pauta, via memória, nos pós-ditadura, a meu ver, e com status de movimento (com o grau de unificação necessário, sem competição de casos), vem de atores muito especiais: as mães. O papel das organizações de mães contra a violência policial sofrida pelos seus filhos e a devida Justiça em relação aos responsáveis, espalhadas pelo país e articuladas em redes, é potência de luta, seguindo o DNA da luta das mães contra as ditaduras. Elas fazem valer a ideia de que “(…) a última palavra deve ser do conceito moral de dever de memória, que se dirige, como se disse, à noção de justiça devida às vítimas”.[7] Mais que isso: atuam para o fundamental reconhecimento, como discutiu Henri Bergson. 

Ainda: fazem pairar na sociedade uma ética – outro papel da memória -, que espraia a empatia a tantas e tantas vítimas de outras violações também, apontando para a Justiça, numa sociedade terrivelmente injusta.  

E temos outros exemplos de luta memorialista em outras pautas (embora entrelaçadas de forma interseccional). Por ex. o movimento LGBT+ em torno do caso Laura Vermont, Luana Barbosa etc., o movimento feminista no caso Maria da Penha; o racismo no de Rafael Braga, dentre outros. 
 Continuemos então na luta que, dentre todos os instrumentos necessários, tem na memória um deles, e aqui a memória como luta nos reporta a Edmund Burke: 
 “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la” 
 Cassiano Ricardo Martines Bovo é Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP e Ativista de Direitos Humanos na Anistia Internacional Brasil.
Notas:
[1] Em alusão ao documentário “Vigário Geral: lembrar para não esquecer”(https://pmrj.wordpress.com/tag/chacina-de-vigario-geral-documentario-completo/).
[2] Conferência “Memória, história, esquecimento”, p. 6, proferida por Paul Ricoeur em Budapeste, 8 de março de 2003, no âmbito de uma conferência internacional intitulada “Haunting Memories? History in Europe after Authoritarianism”.
[3] Santo Agostinho. Confissões. São Paulo: Canção Nova, 2007, digitação de Lucia Maria Csernik, p. 123.
[4] Paul Ricoeur, op. cit., p. 6
[5] Halbwachs, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, p. 51.
[6] https://listadelivros-doney.blogspot.com/2009/05/as-palavras-andantes-eduardo-galeano.html
[7] Paul Ricoeur, op. cit, p. 6.
Quarta-feira, 11 de setembro de 2019

"Não há contexto em que as mensagens divulgadas sobre os bastidores do golpe de 2014-2016 permitam leituras benevolentes", por Armando Coelho Neto, ex-delegado da PF e representante da Interpol em São Paulo



  "Tantã Dinheirol. Não sei quem cunhou o apelido, mas gostei muito, pois resume bem a estranha personalidade de um certo procurador de dinheiro, digo, procurador da República, que, além de trapaças processuais fazia política, vendia palestra enquanto militante do entreguismo nacional. Leia-se, tentava tirar proveito pessoal do seu trabalho com práticas nada republicanas."


Tantã Dinheirol e o contexto. Gilmar Mendes e o descontexto

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Quem usa, cuida! Sempre disse e repito: acusaram o ex-Presidente Lula daquilo que fariam se estivessem no lugar dele. Até por que, operadores da Farsa Jato são culturalmente alinhados a tudo o quanto fingem combater. Uma cultura, entre outras, fundamentada na acumulação de capital, busca de prestígio e estrelato – de pai pra filho. Do nome da família no banquinho da praça no interior ao culto de títulos e medalhas de “ordens” disso e daquilo, da ostentação material à identificação com uma cultura superior além-mar, eis referenciais mínimos de um modo de vida permeado pela ganância. Coisas muito ao gosto das ironias de Ariano Suassuna, de um mundo dividido entre quem foi ou não à Disney.
Tantã Dinheirol. Não sei quem cunhou o apelido, mas gostei muito, pois resume bem a estranha personalidade de um certo procurador de dinheiro, digo, procurador da República, que, além de trapaças processuais fazia política, vendia palestra enquanto militante do entreguismo nacional. Leia-se, tentava tirar proveito pessoal do seu trabalho com práticas nada republicanas.
As denúncias feitas pelo The Intercept e colaboradores vêm mostrando a verdadeira personalidade pequeno burguês daquele barnabé falso moralista, cristão de meia tigela (Ops! Cuidados com os adjetivos!). Tantã cometeu crime sob a desculpa de combater crime e não se arrepende de nada. Li a entrevista dele no jornal Correio Brasiliense e, como observou um amigo – “Nenhuma contrição, arrependimento zero, cinismo infinito. Realmente, confiança absoluta na impunidade e na ignorância. Ultraje à inteligência alheia”. 
Tantã insiste na balela da descontextualização de mensagens. Ele próprio poderia contextualizar, mas não o faz nem fez. Como disse um conhecido e controvertido jornalista, em que contexto as falas divulgadas ficariam melhor? Alguém poderia dizer em que situação as baixarias da Farsa Jato cairiam bem, sobretudo se vêm a calhar com tudo o quanto já se sabia antes? A trama para impedir entrevista de Lula antes das eleições, por medo de que pudesse ajudar a “eleger o Haddad” cairia bem em que contexto? Da política ou da filigrana jurídica?
Tantã… Que tanto facilitou vazamentos e quebra de sigilo, sob o argumento de não violar sigilo, perdeu a oportunidade de revelar-desvelar ao Correio Brasiliense coisas importantíssimas. Por exemplo: fingir investigar FHC para passar impressão de imparcialidade, soaria bem em que contexto? Quando o marreco de Maringá discorda desse fingimento, dizendo que “Melindra alguém cujo apoio é importante”, em que contexto perderia o sentido de farsa judicial?
Difícil imaginar em que situação, coagir testemunhas e parentes de investigados ficaria bem. Não se vislumbra contexto no qual ganharia bom sentido os insultos à Marisa Letícia. Chamar Lula de “9”, numa alusão a um dedo a menos, afastaria  a ideia de que policiais, procuradores e juízes ressentidos nutririam desprezo pessoal contra o réu Lula?  Esse desprezo infectou – tal qual influenciou – as leituras distorcidas que fizeram contra o réu, restritivas ou extensivas, conforme suas maldades, convicções religiosas, ufanismo, falso moralistas, nacionalismo zumbaia (Alô, Forças Armadas!)?
Não! Não é plausível um contexto no qual possa ficar, bem transformar, a “conge” em laranjas de palestras; usar deputado-limão para impedir um ministro do supremo de julgar. Proceder 22 gravações e divulgar apenas aquela que poderia prejudicar Lula é que soa como contextualização estranha, dirigida e seletiva. Como dito lá em cima: “Quem usa, cuida”. Não?
Conforme o The Intercept, a Farsa Jato usava chats para pedir dados fiscais sigilosos sem autorização judicial ao chefe do Coaf (Quebra ilegal de sigilo).
Não há contexto em que as mensagens divulgadas sobre os bastidores do golpe de 2014 permitam leituras benevolentes. Mas, Tantã Dinheirol nega, desqualifica, e para rebater a existência de conluio, afirma que os atos da força tarefa foram legitimados “por todas as instâncias do Judiciário, inclusive pelo STF”.
Justamente é aqui que entra o ministro Gilmar Mendes, um dos “legitimantes” da Farsa Jato, inclusive impedindo a nomeação de Lula como ministro. Mendes, hoje, trata a turma do Tantã Dinheirol Como quadrilha, e, numa entrevista para a TV Folha, critica o poder soberano criado na “longinqua província de Curitiba”. Segundo ele: gente deslumbrada que cometia ilegalidades com a cumplicidade das corregedorias.
Nada novo, claro! Mas é um membro do STF quem está dizendo, e não mais um “esquerdalha” qualquer.
Segundo Mendes, a santificação da Farsa Jato transformou o Superior Tribunal de Justiça num tribunal acuado, “medrado”. Um juiz contrariar Curitiba correria o risco de responder um inquérito.
Mesmo fazendo mea-culpa, Mendes diz que a mídia teve papel fundamental e cita que só Rodrigo Janot tinha no gabinete dele onze repórteres para vazar sistematicamente informações, e era santificado pela imprensa. Notícias chegavam ao STF depois de vazadas para o Jornal Nacional, afirma.  Aproveita para criticar o conluio entre juiz, procuradores, delegados da PF e fiscais da Receita Federal. Sem meias palavras, diz ele, “a Receita estava roubando galinha com eles”, se referindo ao conchavo. No mais, declara que as prisões eram usadas como tortura para delatar “pessoas que queremos que eles delatem”, leia-se, pessoas que Tantã e o marreco queriam que fossem delatadas.
Num contexto em que cita o marreco de Maringá, Tantã Dinheirol e outros, Mendes diz que no Brasil deveriam reconhecer publicamente seus crimes e saírem de cena, dizendo: “nós somos crápulas”.
A boa notícia para a Democracia e o Estado de Direito é que Mendes diz que seus colegas juízes estão abrindo o olho. No mais, golpista ou não, não tem como discordar de suas assertivas. São falas que realinham o contexto de tudo o quanto Tantã Dinheirol tenta descontextualizar.
Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista e advogado, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

A Nova e Desumana Ordem: Brasil sequestrado por militares. Entrevista da TVT com o escritor Bernardo Kucinsky






"A Nova Ordem" é o recém lançado livro do escritor Bernardo Kucinsky que traz vislumbre de realidade distópica com algumas semelhanças aos dias de hoje. No estúdio, Kucinsky e Joana Monteleone, editora do livro, conversam sobre a publicação.

Bolsonarista, olavista e portanto pouco dado a leituras sérias, Ernesto Araújo mistura Gramsci com “alarmismo climático” e é ridicularizado por colunista do Washington Post



"Não sabemos se ele alguma vez leu sobre teorias críticas neomarxistas além do que está escrito na Wikipedia", disse colunista norte-americano


Foto: AFP
Jornal GGN O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, participou de um dos principais “think tanks” conservadores dos Estados Unidos, a Heritage, nesta quarta-feira (11), carregando no discurso ideológico e criticando a imprensa brasileira por “alarmismo climático” contra o governo de Jair Bolsonaro. Em resposta, o colunista do The Washington Post, Ishaan Tharoor, disse que falas de Araújo era uma “lengalenga sem fim de vitimização de alguém que está no poder”.
Em seu discurso ideológico, Araújo chegou a dizer que o boicote a produtos brasileiros como forma de protesto pelas queimadas na Amazônia do governo Bolsonaro era um tipo de “justiça social” que já foi usada “como pretexto para ditadura” e que estão hoje fazendo o mesmo “com o clima”, ao se referir ao meio ambiente.
“Parece a justiça stalinista para mim: acusar, executar. Aí você diz: onde está a justiça? Onde está o Estado democrático? As pessoas respondem ‘crise climática, cale-se'”, falou o representante do Itamaraty. A fala ocorre, ainda, menos de duas semanas antes da participação do mandatário brasileiro na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde deve ser questionado sobre a situação da Amazônia.
Em outros momentos, Araújo usou narrativas de Olavo de Carvalho para criticar a “esquerda”, o “marxismo cultural” e para falar de “globalismo”. Disse que tanto Bolsonaro quanto o polêmico presidente dos EUA, Donald Trump, são a “insurgência universal contra a besteira”, assim como os defensores do Brexit, na Inglaterra, juntos, segundo ele, em uma “revolta contra a ideologia” da esquerda.
Isso ocorre, segundo Ernesto Araújo, diante da “percepção” destes presidentes de “que estávamos sendo desprezados por uma elite que tenta nos governar em nome da justiça social, ou da integração europeia, ou de um mundo sem fronteiras ou do progresso”, afirma, reunindo em uma mesma frase críticas às políticas sociais e imigração.
Ainda misturou em uma mesma fala o que chamou de “alarmismo climático” sobre o que está ocorrendo com o desmatamento da Amazônia com falta de “debate democrático” e que “nem comer carne é permitido mais”. Fez críticas a Antonio Gramsci, Bertolt Brecht e Rosa Luxemburgo. E afirmou que o “clima” e a defesa ambiental “se tornou o silenciador do debate”.
Diante de todas estas falas, o colunista do jornal The Washington Post dirigiu duras críticas ao representante brasileiro e mostrou-se perplexo: “Isso é incrivelmente ideológico para um chanceler no exterior”. Em suas redes sociais, Ishaan Tharoor, afirmou que estava impressionado com a incoerência das falas de Araújo.
“Agora ele está falando algo sobre o socialismo do século 21 ser (Antonio) Gramsci conhecer os cartéis de drogas. E agora está citando (Herbert) Marcuse e todos os membros da Escola de Frankfurt”, disse o jornalista. “Isso é incrível. Não sabemos se ele alguma vez leu sobre teorias críticas neomarxistas além do que está escrito na Wikipedia”, completou.
Para Tharoor, a própria direita norte-americana “jamais se importaria com essas pessoas ou envolveria suas ideias, ainda que absurdamente, em um discurso de política externa” e que ninguém na Heritage, o think tank conservador, se importava com isso.
A íntegra do discurso do ministro de Relações Exteriores de Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo, pode ser acompanhado aqui:


Leia abaixo as publicações do jornalista:

O GGN prepara uma série de vídeos que explica a influência dos EUA na Lava Jato. Quer apoiar o projeto? Clique aqui.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Relator da ONU manda recado a Bolsonaro e critica 'insulto' a vítimas da ditadura



"É um insulto dizer que vitimas estão em busca de dinheiro", criticou Fabian Salvioli, relator da ONU para o Direito à Verdade, acrescentando que a reparação pelos abusos "é um direito". Nesta quarta-feira 11, ao ser denunciado pela OAB nas Nações Unidas, o governo voltou a se recusar a responder sobre os comentários elogiosos de Bolsonaro a ditadores na América do Sul e se referiu à ditadura militar brasileiro a "eventos de 1964"



247O governo de Jair Bolsonaro voltou a se referir à ditadura militar no País a "eventos de 1964" durante audiência nesta quarta-feira 11 no Conselho de Direitos Humanos da ONU, onde a OAB (Organização dos Advogados do Brasil) e o IVH (Instituto Vladimir Herzog) cobra que se faça um monitoramento do comportamento do governo federal de realizar um desmonte dos instrumentos de Justiça, Verdade e Memória no país.
De acordo com reportagem do correspondente Jamil Chade, de Genebra, ao responder a questionamentos sobre o incentivo do governo em março deste ano para realizar desfiles para celebrar o golpe, o Itamaraty voltou a dizer que não houve uma instrução para comemorar a data de 31 de março de 1964. Mas para relembrar. "Liberdade de pensamento é fundamental de qualquer democracia", defendeu ainda o governo.
Em seu discurso, o relator da ONU para o Direito à Verdade, Fabian Salvioli, não citou diretamente Bolsonaro, mas lhe passou um claro recado. "É um insulto dizer que vitimas estão em busca de dinheiro", criticou, acrescentando que a reparação pelos abusos "é um direito". 
"As políticas de justiça de transição estão sendo desmanteladas, seja por subfinanciamento ou pela substituição de funcionários por membros que não têm experiência ou afinidade com o tema e que, às vezes, minam o sofrimento dos sobreviventes e as atrocidades cometidas durante a ditadura", discursou o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Hélio Leitão.
Em março deste ano, IVH e OAB já haviam atuado em conjunto contra Bolsonaro, quando enviaram uma petição denunciando o presidente brasileiro após sua determinação para que militares celebrassem o aniversário do golpe de 1964.

Chegou a hora da autocrítica da Globo, por Leonardo Attuch


Do Brasil 247:



A Globo demorou 49 anos para se desculpar pelo apoio ao golpe de 1964 e o fez quando já preparava o terreno para o golpe de 2016. O resultado, no entanto, foi inesperado e Jair Bolsonaro representa a maior ameaça à emissora, em toda a sua história, diz o jornalista Leonardo Attuch. Embora os colunistas da Globo estejam certos em denunciar o viés autoritário do bolsonarismo, a crítica fica incompleta sem a autocrítica de um grupo de comunicação que tem sido sinônimo de golpe no Brasil.

No dia 31 de agosto de 2013, com 49 anos de atraso, o jornal O Globo publicou um de seus mais surpreendenteseditoriais, em que reconhecia o erro por ter apoiado o golpe militar de 1964, que derrubou o presidente João Goulart e lançou o Brasil numa ditadura que durou 21 anos. Começava assim a confissão da Globo: 
Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura. Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.
O que pouca gente imaginava é que, naquele momento, a Globo já tentava se apropriar das chamadas "jornadas de junho" para desferir um novo golpe contra a democracia brasielira – desta vez contra a presidente Dilma Rousseff, acusada – ora, vejam só – de "pedaladas fiscais". Com a campanha negativa liderada pela Globo, a primeira mulher presidente na história do Brasil, que dignificava o cargo, foi definitivamente afastada da presidência no dia 31 de agosto de 2016 – três anos após o editorial sobre 1964.
A Globo, no entanto, não se satisfez em derrubar Dilma. Era também preciso evitar a volta do PT ao poder, nas eleições de 2018. Por isso mesmo, a emissora colocou a faca no pescoço do Poder Judiciário para garantir a prisão ilegal do ex-presidente Lula a tempo de inabilitá-lo na Justiça Eleitoral. E quando ficou claro que mesmo assim o moderado professor universitário Fernando Haddad poderia vencer as eleições, a Globo tratou de embalar a narrativa de que ele e Jair Bolsonaro, miliciano cujas atividades o maior jornal do Rio de Janeiro jamais poderia desconhecer, representavam os dois extremos do espectro político.
Deu no que deu. Numa eleição fraudada, posto que sem Lula e sem debates em razão da ausência conveniente de Boslonaro, o neofascismo chegou ao poder. Não exatamente como a Globo queria. No 7 de setembro, Bolsonaro convocou para seu palanque os presidentes das três emissoras periféricas: Edir Macedo, da Record, Silvio Santos, do SBT, e Marcelo de Carvalho, da RedeTV. Além disso, o filho 03, que pode vir a ser embaixador em Washington, já faz lobby para que a empresa americana AT&T facilite a vida da CNN, potencial concorrente da Globo, no Brasil.
A Globo sabe que Jair Bolsonaro, resultado de seu discurso de ódio contra Dilma, Lula e o PT, representa a maior ameaça de toda a sua história. Talvez por isso, três dos principais colunistas da Globo – Miriam Leitão, Merval Pereira e Bernardo Mello Franco – estejam hoje alertando contra o viés autoritário de Bolsonaro – o que é um fato, diga-se de passagem. Miriam afirma que o golpismo do clã Bolsonaro não pode ser ignorado, Bernardo Mello Franco diz que Carluxo Bolsonaro diz o que o pai pensa quando ataca a democracia, e Merval Pereira chega a propor até a cassação do vereador. Tudo isso sem falar no recente "desabafo" do jornalista Guga Chacra, na Globonews, sobre os aspectos mais grotescos do bolsonarismo.
O Brasil, no entanto, não estaria vivendo este filme de terror se a Globo não tivesse dado sua contribuição decisiva para a destruição da democracia no país. É chegada a hora da autocrítica. E ela não pode esperar 49 anos.




Enquanto Chile segue punindo militares, Brasil de Bolsonaro se recusa a falar em ditadura, chocando a ONU e o Mundo




Durante evento na ONU, Itamaraty se negou a usar o termo “ditadura militar” e não reconheceu existência de golpe em 64


OAB e Instituto Vladimir Herzog denunciaram Bolsonaro na ONU por apologia à tortura e à ditadura / Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

do Brasil de Fato (republicado no GGN)

Enquanto Chile segue punindo militares, Brasil se recusa a falar em ditadura

Tiago Angelo
Brasil de Fato | São Paulo (SP)
O Itamaraty se calou nesta quarta-feira (11) ao ser questionado sobre o apoio do presidente Jair Bolsonaro às ditaduras da América-Latina durante uma sabatina que ocorreu na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra. A informação é do jornalista Jamil Chade, do portal UOL.
O gesto é simbólico, uma vez que este 11 de setembro é a data em que os chilenos relembram o 46º aniversário do golpe de Estado que derrubou o presidente Salvador Allende, instituindo, sob a liderança de Augusto Pinochet, uma das ditaduras mais sangrentas da região.
O país vizinho nos dá uma lição: enquanto o governo brasileiro optou pelo silêncio, a justiça de transição do Chile avançou nos últimos anos, julgando, condenando e punindo militares responsáveis por prisões, torturas e assassinatos durante o regime de exceção que ocorreu no país entre 1973 e 1990.
O Estado brasileiro, por outro lado, segue preso pela prescrição dos crimes cometidos durante a ditadura, e pela Lei de Anistia (Lei nº 6.683), que perdoa as violações cometidas por agentes do Estado.
O país teve a oportunidade de rever a norma quando o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 153), movida pela OAB. A entidade pedia que o Supremo anulasse o perdão concedido aos militares.
O STF decidiu, por 7 votos a 2, pela constitucionalidade da lei. Um novo pedido de revisão, por meio da ADPF 320, dessa vez de autoria do Psol, foi enviado ao STF em 2014.
Na contramão do Brasil, a Suprema Corte chilena estabeleceu, em 1998, que a Lei de Anistia não poderia ser aplicada aos casos de violações de direitos humanos. A medida permitiu que uma série de investigações anteriormente barradas pudessem ter prosseguimento. De lá para cá, centenas de militares foram condenados.
ONU
Nesta terça-feira (10), o Brasil já havia protagonizado uma cena inédita na ONU. Durante um evento organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Instituto Vladimir Herzog (IVH) com o objetivo de denunciar Bolsonaro por apologia à tortura e à ditadura, o Itamaraty se recusou a usar o termo “ditadura militar” e não reconheceu a existência de um golpe em 1964.
Considerada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Hélio Leitão, como o “último prego” nas políticas de Memória, Verdade e Justiça, a postura brasileira também é carregada de simbolismo: foi a primeira vez que um gesto como este ocorreu em um fórum internacional desde a redemocratização.
Segundo o diretor-executivo do IVH, Rogerio Sottili, “a organização, em parceria com a OAB e outros grupos, preparou um documento denunciando o desmonte com relação aos direitos humanos e da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, sobretudo após a demissão da presidenta, Eugênia Gonzaga”. A procuradora foi exonerada por Bolsonaro no início de agosto.
De acordo com Sottili, o diplomata que representou o Brasil no ato de terça-feira “estava tão constrangido em falar, que deve ter pedido para que nem mencionassem seu nome”. O diretor do IVH também explica que o fato do Brasil ter se calado é significativo. “O silêncio do Estado sobre essa questão é a resposta, de fato, de que não há nada para falar quando você tem um presidente que faz apologia à ditadura e à tortura”, afirma.
Edição: Rodrigo Chagas

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Glenn Greenwald, editor do The Intercept, responde o vazamento ilegal sobre David Miranda em mais um conluio entre Lava Jato e Rede Globo. Após, vídeop de Luis nassif sobre a tática da Lava jato, Globo e Bolsonaro para acabar com reputações e, mais abaixo, texto do GGN sobre o Caso



Assista, reflita, se preciso faça a pesquisa sobre o próprio Greenwald e o quanto ele ganha (que é de acesso público, ao contrário do que faz Dallagnol em esconder quanto ganha apesar de ser funcionário público) e, após, veja o vídeo de Luis Nassif sobre as táticas da Lava Jato e de Bolsonaro e tire suas próprias conclusões:

Vídeo 1:


Vídeo 2



O GGN foi atrás dos rendimentos de Miranda: automaticamente seu salário duplicou entre o que recebia quando vereador e hoje como deputado federal, além de deter 18,75% e 1% de participação em empresas

Reportagem de Patrícia Faermann


Jornal GGN Uma empresa da qual David Miranda é sócio de Glenn Greenwald, fundador do The Intercept e The Intercept Brasil, além dos negócios dos quais o casal mantêm juntos entraram para a mira de procuradores do Ministério Público do Rio pelo aumento do patrimônio do hoje deputado federal pelo PSOL, dois dias após o site publicar as mensagens de autoridades da Lava Jato.
Isso porque o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) enviou um relatório aos procuradores do Rio de Janeiro na mesma semana que o The Intercept Brasil começou a publicar as reportagens com base nas mensagens obtidas pelo jornal, envolvendo os membros da Lava Jato.
Hoje deputado federal, David Miranda é jornalista de carreira, atividade na qual exerceu ao lado de seu marido, na edição brasileira do jornal, cuja sede originalmente fundada nos Estados Unidos foi criada quando Greenwald obteve do ex-agente Edward Snowden os vazamentos dos dados da agência de segurança dos EUA, NSA, um dos maiores furos de reportagem dos últimos anos e que gerou ao jornalista investigativo diversos prêmios de sua carreira.
Miranda, por sua vez, trabalhou ativamente junto a Greenwald no caso de Snowden, chegando a ser detido pelo governo britânico justamente pelo trabalho que realizou, em 2013. É casado com o jornalista norte-americano há 14 anos, com o qual além das atividades de jornalista e como deputado federal, têm empresas e negócios em comum. Hoje, em meio ao ápice dos vazamentos que atingem a Lava Jato, o Coaf e o MP do Rio decidiram colocar o deputado na mira das investigações.
Trata-se de um documento enviado pelo Coaf ao Ministério Público do Rio que caracteriza como “movimentações atípicas” cerca de R$ 2,5 milhões em sua conta bancária, entre os dias 2 de abril de 2018 e 28 de março de 2019. O caso que tramitava sob sigilo de Justiça e veio hoje à tona avançou na suposta ilegalidade das movimentações de Miranda.
Isso porque o próprio juiz da 16ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro, juiz Marcelo da Silva, considerou que o deputado, assim como outras quatro pessoas nos pedidos de investigação dos procuradores, tinha o direito “do contraditório” e impediu que os procuradores quebrassem o sigilo fiscal e bancário do parlamentar antes que ele fornecesse explicações.
Em nota, David Miranda afirmou que o caso está tramitando nesta etapa e sua defesa separando os documentos para comprovar a legalidade de todas as movimentações financeiras em sua conta e que se trata de “uma quantia totalmente compatível com a renda de nossa família”. Ainda, informou que qualquer pessoa pode verificar as remunerações de seu marido, Glenn, nas empresas uma vez que são ONGs.
“Para além da renda de parlamentar, possuo sociedade com meu marido em uma empresa com projetos importantes. O salário anual do Glenn — como co-fundador e jornalista investigativo do portal The Intercept e da Intercept Brasil — é informação pública, porque essas empresas são ONGs. Qualquer jornalista pode compará-lo com os valores reportados pelo COAF para constatar a compatibilidade óbvia. Além disso, seus projetos — dos quais participei como parceiro — incluem livros que figuram nas listas dos mais vendidos do mundo, filmes e palestras”, notificou.
Miranda recebe R$ 33,7 mil de salário como deputado federal [detalhes aqui], cargo que assumiu este ano. Entre 2017 e 2019, Miranda era vereador, recebendo um salário bruto de aproximadamente R$ 18,8 mil, correspondendo a aproximadamente R$ 15 mil líquidos. De forma direta, contando apenas seu salário pelas funções públicas da qual exerce e excerceu, sua remuneração duplicou no período analisado pelo Coaf.
Além disso, em 2016, David declarou deter 18,75% de participação na empresa Ensuli Management LLC, em Nova York, de sociedade de seu esposo, que naquele ano equivalia a R$ 73,125 mil, além de mais 1% na empresa Enzuli Viagens e Turismo Ltda, do qual Greenwald é sócio.
Na nota, o deputado informa também que a movimentação considerada “atípica” pelo Coaf é, na verdade, o dobro do que efetivamente se manteve em sua conta bancária, uma vez que soma entrada e saída de recursos. Dessa forma, ele mesmo publicou que a movimentação financeira é de R$ 1,3 mi, e não R$ 2,5 milhões.
Para o parlamentar, as medidas do Ministério Público do Rio são estratégias de “retaliação e desinformação deliberada”, uma vez que ocorre dois dias depois que seu marido deu início às publicações do The Intercept Brasil envolvendo a Lava Jato. Miranda disse, ainda, que os seus rendimentos serão explicitados “detalhadamente” à Justiça.
“Na semana passada, o juiz negou o pedido do MP-RJ para quebrar meu sigilo bancário, para que eu pudesse enviar os documentos que demonstram a origem dessa renda. Nossos advogados estão fazendo exatamente isso para cumprir a ordem do juiz. A única ilegalidade existente é a praticada por aqueles que vazam essas informações para prejudicar minha reputação como retaliação pelas reportagens do Intercept”, afirmou.
O GGN prepara uma série de vídeos explicando a interferência dos EUA na Lava Jato. Quer apoiar esse projeto? Acesse www.catarse.me/LavaJatoLadoB e saiba mais.