sexta-feira, 4 de novembro de 2016
A inglória perseguição da Globo ao Dr Cuca Beludo (e à Internet) — assista
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Globo versus Dr. Cuca |
A luta épica e inglória da Globo contra o Dr. Cuca Beludo simboliza a luta igualmente épica e inglória da Globo contra a internet.
Acostumada a ganhar todas, desde que os militares deram a Roberto Marinho uma rede para promover a ditadura, a Globo ainda não conseguiu entender que desta vez ela perdeu.
A Globo é enorme, mas não é nada perto da internet. Não aceitar esta verdade inquestionável apenas piora as coisas para ela.
A internet vai matar a Globo tal como a conhecemos porque afeta diretamente seu grande negócio: a tevê. Nada vai fazer os telespectadores fazerem de volta o percurso que os levou da novela das oito, ou nove, para a Netflix.
Ponto.
A falta de noção da Globo sobre o mundo digital se revelou espetacularmente no episódio do Dr. Cuca Beludo.
A tentativa de tirar do ar o vídeo em que a apresentadora Maria Beltrão citava ao vivo o já célebre doutor já entrou na antologia das maiores imbecilidades da Era Digital.
A Globo vai tirando do ar o vídeo e os internautas vão recolocando. O que a Globo não entendeu é que o tempo na internet pertence aos internautas, e não a ela.
O Dr. Cuca vai desaparecer quando os internautas quiserem — por cansaço da piada, por uma ideia melhor que surgiu e pegou, ou por qualquer outro motivo.
Não é a Globo que haverá de eliminá-lo.
Provavelmente a empresa contratou um grupo para monitorar o doutor. Todo mundo está trabalhando por dinheiro. Mas os jovens que insistem em devolver Cuca ao ar são movidos por amor à arte e à causa.
Como conglomerado provinciano que é, a Globo parece não haver observado o mundo para ver o que ocorre no universo das pegadinhas das redes sociais. Por ignorância paroquiana, ela faz o contrário das boas práticas que já existem neste campo.
Nos Estados Unidos, a CNN montou, nas celebrações de seu 35º aniversário, uma compilação com os maiores foras — bloopers — que deu. (Você pode ver aqui.)
Isso é inteligência na adversidade. Humor no embaraço.
A CNN não luta contra a internet. Aproveita o que ela tem de bom, e isso vai prolongar sua sobrevivência e sua influência.
A Globo luta contra a internet. Mas, como nos faroestes clássicos, você sabe logo quem vai terminar vivo e quem vai terminar morto no duelo ao entardecer.
Paulo Nogueira
No DCM
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Excelente análise do Prof. Osvaldo Bertolino sobre a manipulação ideológica golpista midiática dos "grandes" meios de comunicação e suas famílias reconhecidamente comprometidas com a Casa Grande
A chamada "Grande Mídia", para variar, em seu discurso único (que já foi reconhecido e criticado internacionalmente, por exemplo, pelo El País, pelo The New York Times e pelo The Intercept) estampa manchetes contra o PT que expressam mais desejo da direita do que a realidade. Na verdade o "petismo" é uma corrente política e ideológica num determinado campo social. O "anti-petismo" é o velho anticomunismo reciclado. Ou seja: o ataque é a toda esquerda. A nova fase de luta política inaugurada com o golpe exige avaliações profundas, levando em conta fatores como luta de classes e histórico de violência e autoritarismo da direita. Do canal do Prof. Osvaldo Bertolino.
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GOLPISTA! No vídeo, Pretenso "Ministro" da saúde do Silveiro dos Reis Michel Temer é vaiado INTERNACIONALMENTE no Congresso Mundial de Medicina, em 02/11/2016
Mauro Santayana: E segue a manipulação midiática
Parte da imprensa festeja, como se fosse grande coisa, a tal arrecadação, via repatriação, pelo governo federal, de 50 bilhões de reais.
Vamos por os pingos nos is.
Para um PIB de 5.9 trilhões de reais, em 2015, trata-se de um número irrisório, que não chega a 0,01% do Produto Interno Bruto.

No mesmo link, outros dados, como a queda no número de pobres e o crescimento da renda per capita e da expectativa de vida nos últimos 13 anos.
Altamiro Borges: O golpista Skaf do Pato se perpetua na Fiesp
Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), é um oportunista de marca registrada. Já tentou duas vezes se eleger governador do Estado, mas foi escorraçado pelas urnas - apesar dos milhões investidos nas campanhas eleitorais. Nas marchas pelo impeachment de Dilma, no ano passado, ele pegou carona na cavalgada golpista e distribuiu os seus patos amarelos na Avenida Paulista. Ele também deu guarita - e até filé mignon - aos fascistas mirins que acamparam diante do prédio da entidade patronal. Mais sujo do que pau de galinheiro, denunciado por várias falcatruas, ele ambiciona o poder. Como não consegue dar novos voos, Paulo Skaf transformou a Fiesp no seu feudo - com a cumplicidade dos industriais omissos e acovardados, seus verdadeiros patos!
Nesta terça-feira (1), o site da revista Época postou uma notinha que confirma a postura carreirista e autoritária do ricaço. "A inclusão de um dispositivo no estatuto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo permitirá que seu atual presidente, Paulo Skaf, permaneça por quase 14 anos à frente da entidade, caso participe e vença a eleição marcada para 2017. No capítulo 'Disposições transitórias' do estatuto aprovado em agosto há um parágrafo que diz que não se aplicará ao próximo mandato (terá início em 2018 e com duração de quatro anos) a regra que impossibilitava a recondução de um dirigente por mais de um período. Skaf está no comando da Fiesp desde o fim de 2007".
Será que os industriais paulistas, que vivem se jactando, vão permitir mais este golpe sujo do ditador da Fiesp - que nem é mais dono de indústrias? Será que a entidade continuará servindo aos propósitos eleitoreiros e oportunistas de Paulo Skaf? Pelo andar da carruagem, a federação patronal - que apoiou o golpe militar de 1964 e o golpe midiático-judicial-parlamentar de 2006 - não tem mais salvação! Nem para defender os interesses da indústria ela serve. Comandada pelo coronel Paulo Skaf, ela vai para o lixo da história!
Por Altamiro Borges
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quarta-feira, 2 de novembro de 2016
O historiador, sociólogo e professor Leandro Karnal, com clareza e objetividade, detona as sandícies e besteiras de Silas Malafia e Jair Bolsonaro e seus seguidores em um vídeo excelente
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As golpistas familias e conglomerados reacionários midiáticos da Globo, Folha, Estadão, Band e outros temem o equilíbrio e clareza informacional do The Interccept, BBC e El País e, agora, querem impedi-los de divulgar informação verdadeira no Brasil dos golpistas
Crise e concorrência. Pavor dos jornalões!
Por Altamiro Borges
A mídia privada adora bravatear sobre as maravilhas da livre iniciativa, mas morre de medo da concorrência. Na semana passada, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) para que o Supremo Tribunal Federal (STF) confirme que sites e portais noticiosos estão sujeitos à lei que limita a participação de capital estrangeiro no setor jornalístico. Na era da internet, o temor dos barões da mídia é com o crescimento do acesso aos veículos internacionais – talvez em função de perda de credibilidade e de qualidade dos jornalões nativos. Na ação, a ANJ deixa explícito que deseja impor alguma forma de censura aos sites estrangeiros:
"Admitir que as empresas jornalísticas que atuem na internet não precisem respeitar as regras constitucionalmente aplicáveis exclusivamente em razão do meio usado frustraria, de maneira cabal, a finalidade da norma constitucional". A entidade patronal, que sempre atacou a Constituição, agora contraditoriamente prega rigor na sua aplicação. Ela lembra que o seu artigo 222 proíbe a presença de empresas estrangeiras no setor e conclui que a norma “não abrange apenas pessoas jurídicas que produzam publicações impressas e periódicas, mas toda e qualquer organização econômica que produza, veicule ou divulgue notícias voltadas ao público brasileiro, por qualquer meio de comunicação, impresso ou digital”.
Ainda segundo a ADIN, a norma tentou “garantir que a informação produzida para brasileiros passasse por seleção e filtro de brasileiros... [Foi] uma opção constitucional por estabelecer uma espécie de alinhamento societário e editorial com vista à formação da opinião pública nacional”. O diretor-executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, não esconde que o objetivo da ação no STF é coibir o que ele chama de “concorrência desleal” dos sites “que atuam no mercado, como empresas jornalísticas, em desrespeito ao limite de 30% de participação societária de capital estrangeiro... O que buscamos é que, para atuar no Brasil como empresa jornalística, eles se enquadrem na Constituição", afirma o adorador do livre mercado!
2016: “Um ano difícil para os jornais”
A ação restritiva da ANJ confirma o desespero dos jornalões brasileiros diante da crescente queda de tiragens e da fuga de anunciantes privados. Daí o pavor com a “concorrência desleal” de veículos estrangeiros. Na semana passada, a própria ombudsman da Folha, a afável Paula Cesarino Costa, publicou um artigo que revela a gravidade da crise. Após citar alguns exemplos mundiais, ela lamentou a decadência dos jornais nativos:
*****
No Brasil, a crise no setor de comunicação começou há alguns anos, com o declínio da publicidade... A Folha encerrou 2015 com receita líquida de R$ 526 milhões e lucro líquido de R$ 2,6 milhões. Em 2016, apesar do aperto maior da crise, espera fechar o ano no azul. Reduziu pessoal, cortou papel, remodelou editorias, na premente corrida contra o encolhimento do orçamento. O cenário não foi róseo para a Folha, mas se desenhou ainda pior para os concorrentes diretos. ‘O Estado de S. Paulo’ fechou 2015 com receita líquida de R$ 440 milhões e prejuízo de R$ 3 milhões. A empresa que edita ‘O Globo’ obteve receita de R$ 667 milhões, com prejuízo de R$ 51,5 milhões. Nada indica que 2016 será melhor.
Cresceu a pressão por aumento mais rápido da receita digital, dominada por poderosas organizações como Google e Facebook. Por que a ombudsman da Folha se dedica ao tema? Porque diz respeito a você, leitor, e à sociedade em que vive. Que não se entenda como tentativa de justificar falhas ou piora de qualidade. O leitor continua pagando, tem direitos e deve exigir que o jornal seja cada vez melhor. Desde que assumi a função de ombudsman, há seis meses, não houve semana em que não recebesse mensagem de leitor lamentando o corte de um caderno ou protestando contra a diminuição de espaço.
"Venho observando a Folha despencar, seja em número de cadernos, de páginas, na qualidade das tirinhas e horóscopos, mas, principalmente, com devidas e respeitáveis exceções, nos teores jornalísticos, analíticos e opinativos", criticou um dos mais severos leitores. Mais que futuro, a realidade da imprensa já é ser consumida por meio de multiplataformas, com a versão impressa cada vez mais tendo seu espaço reduzido. Segue essencial saber hierarquizar e priorizar – notícias, recursos, equipes, espaço editorial. É preciso remoldar e refundar os jornais, tornando o impresso sustentável.
A questão central é encontrar o modelo de negócio capaz de dar vida a uma publicação independente, crítica e com capacidade investigativa, resumiu Caio Túlio Costa, especialista em investigação do futuro dos meios de comunicação e primeiro ombudsman do jornal. A saída não é fácil. Em todo o mundo procura-se uma fórmula de sucesso. Minha impressão é que os jornais brasileiros estão a reboque dos acontecimentos. Os cortes de pessoal e de espaço editorial parecem responder a questões momentâneas de fluxo de caixa. Não bastaram, não bastam e não bastarão.
*****
Diante deste diagnóstico tenebroso, a ombudsman conclui que “2016 confirma-se como um ano difícil para os jornais em todo o mundo”. Pelo andar da carruagem, com o agravamento da crise econômica, o aumento da migração para a internet e a recorrente perda de credibilidade e de qualidade dos diários, o próximo deverá ser ainda pior. Crescem os boatos sobre demissões de jornalistas, extinção de cadernos e até de falência de alguns veículos impressos. O Estadão, por exemplo, é um dos diários que se encontra às portas do inferno!
Este cenário ajuda a explicar porque os donos dos jornalões foram tão afoitos na militância favorável ao “golpe dos corruptos”. Eles contam com o covil golpista de Michel Temer para socorrê-los neste momento de desespero. A Folha mesmo já foi contemplada com o aumento das verbas da publicidade oficial, segundo comprovou o blogueiro Miguel do Rosário, do Cafezinho. Na prática, deixando de lado a retórica liberal, os barões da mídia nativa detestam a concorrência e adoram mamar nas tetas do Estado.
A mídia privada adora bravatear sobre as maravilhas da livre iniciativa, mas morre de medo da concorrência. Na semana passada, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) para que o Supremo Tribunal Federal (STF) confirme que sites e portais noticiosos estão sujeitos à lei que limita a participação de capital estrangeiro no setor jornalístico. Na era da internet, o temor dos barões da mídia é com o crescimento do acesso aos veículos internacionais – talvez em função de perda de credibilidade e de qualidade dos jornalões nativos. Na ação, a ANJ deixa explícito que deseja impor alguma forma de censura aos sites estrangeiros:
"Admitir que as empresas jornalísticas que atuem na internet não precisem respeitar as regras constitucionalmente aplicáveis exclusivamente em razão do meio usado frustraria, de maneira cabal, a finalidade da norma constitucional". A entidade patronal, que sempre atacou a Constituição, agora contraditoriamente prega rigor na sua aplicação. Ela lembra que o seu artigo 222 proíbe a presença de empresas estrangeiras no setor e conclui que a norma “não abrange apenas pessoas jurídicas que produzam publicações impressas e periódicas, mas toda e qualquer organização econômica que produza, veicule ou divulgue notícias voltadas ao público brasileiro, por qualquer meio de comunicação, impresso ou digital”.
Ainda segundo a ADIN, a norma tentou “garantir que a informação produzida para brasileiros passasse por seleção e filtro de brasileiros... [Foi] uma opção constitucional por estabelecer uma espécie de alinhamento societário e editorial com vista à formação da opinião pública nacional”. O diretor-executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, não esconde que o objetivo da ação no STF é coibir o que ele chama de “concorrência desleal” dos sites “que atuam no mercado, como empresas jornalísticas, em desrespeito ao limite de 30% de participação societária de capital estrangeiro... O que buscamos é que, para atuar no Brasil como empresa jornalística, eles se enquadrem na Constituição", afirma o adorador do livre mercado!
2016: “Um ano difícil para os jornais”
A ação restritiva da ANJ confirma o desespero dos jornalões brasileiros diante da crescente queda de tiragens e da fuga de anunciantes privados. Daí o pavor com a “concorrência desleal” de veículos estrangeiros. Na semana passada, a própria ombudsman da Folha, a afável Paula Cesarino Costa, publicou um artigo que revela a gravidade da crise. Após citar alguns exemplos mundiais, ela lamentou a decadência dos jornais nativos:
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No Brasil, a crise no setor de comunicação começou há alguns anos, com o declínio da publicidade... A Folha encerrou 2015 com receita líquida de R$ 526 milhões e lucro líquido de R$ 2,6 milhões. Em 2016, apesar do aperto maior da crise, espera fechar o ano no azul. Reduziu pessoal, cortou papel, remodelou editorias, na premente corrida contra o encolhimento do orçamento. O cenário não foi róseo para a Folha, mas se desenhou ainda pior para os concorrentes diretos. ‘O Estado de S. Paulo’ fechou 2015 com receita líquida de R$ 440 milhões e prejuízo de R$ 3 milhões. A empresa que edita ‘O Globo’ obteve receita de R$ 667 milhões, com prejuízo de R$ 51,5 milhões. Nada indica que 2016 será melhor.
Cresceu a pressão por aumento mais rápido da receita digital, dominada por poderosas organizações como Google e Facebook. Por que a ombudsman da Folha se dedica ao tema? Porque diz respeito a você, leitor, e à sociedade em que vive. Que não se entenda como tentativa de justificar falhas ou piora de qualidade. O leitor continua pagando, tem direitos e deve exigir que o jornal seja cada vez melhor. Desde que assumi a função de ombudsman, há seis meses, não houve semana em que não recebesse mensagem de leitor lamentando o corte de um caderno ou protestando contra a diminuição de espaço.
"Venho observando a Folha despencar, seja em número de cadernos, de páginas, na qualidade das tirinhas e horóscopos, mas, principalmente, com devidas e respeitáveis exceções, nos teores jornalísticos, analíticos e opinativos", criticou um dos mais severos leitores. Mais que futuro, a realidade da imprensa já é ser consumida por meio de multiplataformas, com a versão impressa cada vez mais tendo seu espaço reduzido. Segue essencial saber hierarquizar e priorizar – notícias, recursos, equipes, espaço editorial. É preciso remoldar e refundar os jornais, tornando o impresso sustentável.
A questão central é encontrar o modelo de negócio capaz de dar vida a uma publicação independente, crítica e com capacidade investigativa, resumiu Caio Túlio Costa, especialista em investigação do futuro dos meios de comunicação e primeiro ombudsman do jornal. A saída não é fácil. Em todo o mundo procura-se uma fórmula de sucesso. Minha impressão é que os jornais brasileiros estão a reboque dos acontecimentos. Os cortes de pessoal e de espaço editorial parecem responder a questões momentâneas de fluxo de caixa. Não bastaram, não bastam e não bastarão.
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Diante deste diagnóstico tenebroso, a ombudsman conclui que “2016 confirma-se como um ano difícil para os jornais em todo o mundo”. Pelo andar da carruagem, com o agravamento da crise econômica, o aumento da migração para a internet e a recorrente perda de credibilidade e de qualidade dos diários, o próximo deverá ser ainda pior. Crescem os boatos sobre demissões de jornalistas, extinção de cadernos e até de falência de alguns veículos impressos. O Estadão, por exemplo, é um dos diários que se encontra às portas do inferno!
Este cenário ajuda a explicar porque os donos dos jornalões foram tão afoitos na militância favorável ao “golpe dos corruptos”. Eles contam com o covil golpista de Michel Temer para socorrê-los neste momento de desespero. A Folha mesmo já foi contemplada com o aumento das verbas da publicidade oficial, segundo comprovou o blogueiro Miguel do Rosário, do Cafezinho. Na prática, deixando de lado a retórica liberal, os barões da mídia nativa detestam a concorrência e adoram mamar nas tetas do Estado.
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terça-feira, 1 de novembro de 2016
Calabar Temer e mais um Jantalão em prol da PEC da Morte e da Globo-Fiesp
Temer gastou (de novo) mais de R$108 mil em jantar com senadores
Segundo fonte direta do Planalto, o presidente Michel Temer (PMDB) gastou mais de R$108 mil reais com o jantar de gala com senadores nesta quarta-feira (26) para debater sobre a PEC 241. Valor ainda não inclui as bebidas que foram consumidas no evento. É a segunda vez que Temer realiza um banquete com verba pública para convencer políticos sobre a “necessidade de corte de gastos”.
Artigo de Francisco Toledo no Democratize
Em apenas um mês, foram mais de R$208 mil totais gastos com eventos promovidos pelo presidente Michel Temer (PMDB) para falar com a classe política sobre a “necessidade de conter os gastos públicos”. Ambos os banquetes foram pagos com verba da União.
No dia 9 de outubro, foram os deputados que haviam sido convidados para o jantar de gala. Neste, mais de R$100 mil foram gastos – segundo fonte exclusiva da Agência Democratize no Planalto. Naquele dia, pelo menos 200 parlamentares compareceram ao jantar no Palácio da Alvorada. Durante o evento, Temer deixou claro que não será admitido qualquer oposição ao projeto, que visa congelar por 20 anos qualquer investimento nas áreas da Educação e Saúde.
Agora, foi a vez dos senadores.
Isso porque a Câmara dos Deputados já aprovou em duas votações a PEC 241 – da última vez nesta semana. A matéria foi votada com facilidade para o governo, mesmo com o projeto sendo o motivo de protestos ao redor do país. Mais de mil escolas e centenas de universidades públicas estão ocupadas contra o corte de gastos da PEC, além da MP do Ensino Médio.
Mas a opinião dos estudantes não tem sido considerada pelo governo até o momento.
Com os senadores, o jantar teve menos convidados – mas foi tão caro quanto o primeiro. Segundo a mesma fonte na assessoria de imprensa do Planalto, desta vez foram R$108 mil gastos para a realização do jantar. Isso sem mencionar o valor das bebidas – que não foi incluso.
O motivo do jantar de gala, realizado com dinheiro público, foi o mesmo: debater sobre a necessidade de conter os gastos da União e, consequentemente, a necessidade de aprovação da PEC 241.
Em resposta, ativistas se organizaram para “atrapalhar” o jantar entre Temer e os senadores, enviando mensagens de SMS e WhatsApp criticando a PEC. O senador Álvaro Dias (PV) chegou a responder um dos ativistas com a mensagem: “Vai Trabalhar!”.
O projeto de congelamento de gastos da União será votado mais duas vezes, desta vez pelo Senado Federal. O governo tem a expectativa de repetir o mesmo que ocorreu na Câmara. Caso o projeto seja aprovado, será um passo importante para Michel Temer encaminhar outros temas ainda mais delicados para o Congresso, como a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista.
Do El País: Ana Júlia e a palavra encarnada, por Eliane Brum
O movimento de ocupação da escola pública tornou-se a principal resistência ao projeto não eleito e pode ser a pedra no caminho do PSDB em 2018
Artigo de Eliane Brum, publicado no El País (que a Globo e a Folha querem banir do Brasil, junto com o The Intercept de Glenn Greenwald e a BBC por trazem notícias reais sobre a manipulação da mídia golpista no país)
A estudante Ana Julia, 16 anos, ao discursar na Assembleia Legislativa do Paraná. REPRODUÇÃO
Ana Júlia Ribeiro resgatou a palavra num país em que as palavras deixaram de dizer. E que força tem a palavra quando é palavra. O vídeo que viralizou levando o discurso de Ana Júlia para o mundo mostra que a palavra dela circula pelo corpo. É difícil estar ali, é penoso arriscar a voz. Ela treme, ela quase chora, Ana Júlia se parte para manter a palavra inteira. A câmera às vezes sai dela e mostra a reação dos deputados do Paraná. Alguns deles visivelmente não sabem que face botar na cara. Tentam algumas opções, como numa roleta de máscaras, mas parece que as feições giram em falso. Deparam-se aflitos com a súbita dificuldade de encontrar um rosto. A palavra de Ana Júlia arruinou, por pelo menos um momento, a narrativa que começava a se impor: a da criminalização dos estudantes e de seu movimento de ocupação da escola pública. Mas a disputa ainda é esta. E tudo indica que se tornará cada vez mais pesada: são os estudantes que estão no caminho do projeto de poder do governo de Michel Temer e das forças que o apoiam. E são também eles que podem atrapalhar o tráfego de quem corre para 2018, em especial o PSDB de Geraldo Alckmin.
MAIS INFORMAÇÕES
A maior parte da imprensa ignorou o movimento de estudantes que, no final da semana passada, ocupavam cerca de 800 escolas públicas do Paraná e outras centenas pelo país, incluindo universidades, em protesto contra o projeto de reforma do ensino médio do governo Michel Temer (PMDB). Projeto apresentado como Medida Provisória, o que é só mais um sinal do DNA autoritário dos atuais ocupantes do poder. Os estudantes também ocuparam as escolas em protesto contra a PEC- 241, que congela gastos públicos por 20 anos e pode reduzir o investimento em educação e saúde, áreas estratégicas para o país, com impacto direto sobre os mais pobres.
A potência da voz de Ana Júlia é a da palavra que tem corpo
A ocupação das escolas públicas era – e é – o movimento mais importante deste momento no país – e o espaço na imprensa, quando havia, era mínimo. Até o dia em que um estudante matou outro a facadas, dentro de uma das escolas. Aí as matérias apareceram. Havia então o que dizer. Transformar um fato isolado, com suas circunstâncias particulares, em estigma de todo um movimento levado adiante por milhares de jovens é uma especialidade conhecida do não jornalismo e da política sem ética. E então veio o discurso de Ana Júlia. Não pós-verdade, mas verdade. A verdade dela, do coletivo de estudantes que ela ali representava. A potência da voz de Ana Júlia é a da palavra que tem corpo.
As reações ao discurso de Ana Júlia expressam a época histórica que encontra sua melhor crítica numa série de ficção: Black Mirror (Netflix), com suas distopias sobre a vida atravessada pelas novas tecnologias. Há pelo menos duas maneiras de esvaziar a palavra de Ana Júlia esvaziando Ana Júlia. Uma delas é ridicularizá-la. O tremor da voz, do corpo, as lágrimas viram “argumentos” para fragilizar seu discurso. É o velho truque usado contra as mulheres, usualmente reduzidas a “histéricas” ou “loucas” ou “mimimi”. O todo que constrói a voz é atacado para deixar sua palavra, o verdadeiro alvo, sem lastro. Sem corpo. Desde que seu discurso viralizou, seus 16 anos de vida estão sendo vasculhados na tentativa de encontrar qualquer episódio que possa ser torcido, para destruir sua palavra destruindo-a. Se não existir, pouco importa, fabrica-se – como se viu em vídeos e sites pela internet.
Mas há também uma outra forma de esvaziar a palavra de Ana Júlia, e esta parece inofensiva, “do bem”. É transformar Ana Júlia em “heroína” ou na “esperança de um país”. Nessa narrativa, Ana Júlia é isolada do grupo que sustenta seu discurso, seu corpo. Ela, que representava muitos, que era multidão, passa a ser conjugada no singular. Sozinha, Ana Júlia pode muito pouco.
O outro efeito dessa “celebrização” é a exigência do que Ana Júlia não pode ser – e não pode ser nem quando pode muito. Num país mastigado por uma crise que também é de palavra, não há como transferir para uma jovem de 16 anos a responsabilidade por “salvar” o Brasil, transformando-a em encarnação da “esperança”, esta que também é tão superestimada. Neste lugar simbólico, qualquer um, mesmo que tivesse 80 anos de idade, estaria condenado ao fracasso. Inflar sua palavra é também uma forma de despontencializá-la.
A única proteção contra esquartejamentos na arena pública é o coletivo
Ao esclarecer que seu discurso foi preparado em conjunto com o grupo de estudantes, pedir para não tirar fotos sozinha e evitar falar de sua vida pessoal, Ana Júlia parece conhecer os riscos de ser convertida em celebridade instantânea. Se esta conversão fosse completada, sua palavra viraria produto. E Ana Julia seria consumida e cuspida, como já aconteceu com tantos. Nos dias que se seguiram ao discurso na Assembleia Legislativa do Paraná, em Curitiba, foi possível testemunhar muitas mãos, vindas de várias direções, tentando arrancar lascas da palavra-corpo de Ana Júlia. A única proteção contra esquartejamentos na arena pública é o coletivo, o grupo, o juntos – o movimento.
Em um momento do seu discurso de 10 minutos e 40 segundos, Ana Júlia menciona a morte do estudante Lucas Eduardo de Araújo Mota e afirma: “Vocês estão aqui representando o Estado, e eu convido vocês a olhar a mão de vocês. A mão de vocês está suja com o sangue de Lucas. Não só do Lucas como de todos os adolescentes que são vítimas disso. O sangue do Lucas está na mão de vocês, vocês representam o Estado”.
O presidente da Assembleia, Ademar Traiano (PSDB), como um daqueles tubarões rápidos em detectar um flanco de oportunidade, acreditou que havia ali uma chance de atacar a menina e devolver o plenário ao seu ambiente natural, aquele em que peixinhos dourados não confrontam velhos carnívoros. “Aqui você não pode agredir o parlamentar.... Eu vou encerrar a sessão, eu vou cortar a palavra... (...) Não afronte deputado, aqui ninguém está com a mão manchada de sangue, não”, inflamou-se. Encerrar a sessão, “cortar a palavra”, seria mesmo uma bênção para uma parcela dos parlamentares.
Ana Júlia seguiu defendendo as palavras: “Eu peço desculpa, mas o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) nos diz que a responsabilidade pelos nossos adolescentes, pelos nossos estudantes é da sociedade, da família e do Estado”. Nem precisaria pedir desculpas. Ela estava falando em português para pessoas que deveriam ter capacidade de interpretação de discursos em língua portuguesa. O deputado entendeu muito bem que ela não se referia a mãos literalmente “sujas de sangue” ou apontava uma relação direta com a morte do estudante, mas estava, sim, chamando atenção sobre a responsabilidade constitucional dos parlamentares em sua função pública. O deputado apenas preferiu apostar na burrice – e parece que ninguém perde no Brasil atual ao apostar na burrice.
Com o projeto conservador avançando, os partidos progressistas derrotados nas urnas, as esquerdas brigando entre si, sobrou para os estudantes uma responsabilidade grande demais
Há um ponto, neste episódio, que é justamente a responsabilidade dos adultos. Com a escola pública, com o Brasil. A ação dos estudantes tornou-se o principal movimento de resistência ao projeto não eleito do governo Michel Temer e das forças que o apoiam. Com a oposição fragilizada, o PT quebrado, capitais importantes como São Paulo e Rio nas mãos de conservadores e as esquerdas sem projeto e brigando entre si, sobrou para os estudantes secundaristas um peso grande demais. Neste sentido, foi um pouco assustador testemunhar adultos infantilizados tratando Ana Júlia como um oráculo de 16 anos. É preciso fazer melhor do que isso tanto para apoiar os estudantes, respeitando sua autonomia, quanto para construir um projeto capaz de ecoar no país.
A escola pública foi destruída e abandonada por décadas. Também o PT fez menos do que poderia, em especial nos ensinos fundamental e médio, durante os 13 anos que permaneceu no poder. Enquanto a classe média pôde matricular seus filhos nos colégios privados, ninguém se preocupou com os filhos dos mais pobres, que não tinham educação e viviam um cotidiano de violações. A violência começa pelo salário humilhante dos professores, o abandono dos prédios e uma escola que não educa, incapaz de qualificar o desejo e ampliar os mundos de crianças e adolescentes. Tudo indica que aqueles que ali estão não têm valor para o país, relegados ao lugar simbólico de restos.
Enquanto foi este o estado das coisas, bem poucos parecem ter se preocupado para além do discurso vazio, das palavras sem corpo sobre a importância da educação, que ressurgiam a cada eleição e que culminaram com “Brasil, Pátria Educadora”, o slogan do governo deposto de Dilma Rousseff. Dizer que “educação é prioridade” se tornou um falso consenso que, em vez de palavra, virou flatulência.
As escolas públicas só se tornaram um problema para as forças conservadoras quando os estudantes as ocuparam para exigir educação de qualidade
Ter escolas que não educam para os mais pobres nunca foi de fato um problema para as elites do país. Estava tudo bem assim. O problema surgiu quando os estudantes das escolas públicas de São Paulo entenderam que a “reorganização escolar” imposta pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que fecharia mais de 90 colégios e remanejaria mais de 300.000 alunos, era um abuso. Ocuparam então as escolas no final de 2015. E, mais do que ocuparam, cuidaram do que ninguém cuidava – limpando, pintando e consertando – e disseram que queriam, sim, ser educados. Cuidar das escolas e reivindicar ensino de qualidade virou uma transgressão a ser punida. E a ser criminalizada.
A ideia de que as escolas podem ser ocupadas, num sentido profundo, por aqueles que dela dependem para ter oportunidades na vida, se alastrou pelo país. “De quem é a escola? A quem a escola pertence?” foi uma das primeiras perguntas de Ana Júlia aos deputados do Paraná. É uma grande pergunta, e os estudantes têm uma resposta a propor.
Movimentos de “Ocupa Escola” começam, acabam e recomeçam em diversos estados do Brasil desde o ano passado. A ocupação das escolas do Paraná coincidiu, porém, com um momento ainda mais delicado do país: um projeto não eleito no governo federal, apoiado por um Congresso corrompido, tocando com grande rapidez reformas cruciais, como a PEC-241, sem debate com a sociedade.
Quem está, de fato, no caminho deste projeto de poder, tanto quanto das ambições de algumas figuras nacionais, neste momento de oposição fragilizada ou mesmo atarantada? Os estudantes secundaristas com seu “Ocupa Escola”, uma luta que ganhou uma dimensão muito maior do que eles poderiam prever. Assim, há várias forças tentando destruir o movimento, seguindo a cartilha de sempre: criminalizando-o.
É importante perceber que, de repente, a escola, com a qual bem poucos se importavam para além do discurso vazio, virou o alvo de ataques conservadores bem organizados. “Escola Sem Partido”, o projeto-aberração que busca criminalizar o pensamento crítico dentro das escolas e, portanto, acabar com a possibilidade de qualquer processo educativo, é uma das ofensivas em curso. “Escola Sem Partido é falar pros jovens, pra sociedade, que querem formar um exército de não pensantes, um exército que ouve e baixa a cabeça”, disse Ana Júlia aos deputados do Paraná.
O “sem partido”, vale prestar muita atenção, é a malandragem do momento. Ela busca encobrir todos os partidos que estes projetos tomam – e vender uma suposta neutralidade ideológica que não têm. Sem contar a crescente criminalização dos partidos políticos, tanto como conceito quanto como atores do processo democrático, algo que merece uma atenção exclusiva em outro artigo.
Entre as tentativas de deslegitimar o movimento dos estudantes, a mais corriqueira é anunciar que os alunos são “manipulados” e “aparelhados” justamente por partidos de esquerda. Fizeram o mesmo com Ana Júlia tão logo seu discurso viralizou na internet. É triste assistir a ela e a outros estudantes terem de explicar de novo e de novo para jornalistas e mesmo para parlamentares que o movimento é “apartidário” – o que é diferente de “sem partido”.
É impressionante que ainda funcione essa nova versão dos comunistas comendo criancinhas enquanto o Brasil se torna o país do mais um direito a menos por dia
Não fosse parte da população tão estúpida, perceberia que os partidos identificados com a esquerda foram derrotadas nas urnas nestas últimas eleições e que o projeto conservador vem atropelando o país de forma acelerada, transformando o cotidiano em mais um direito a menos por dia. Lula teria ligado para Ana Júlia para dizer que estava “emocionado” com o movimento? Era Lula que precisava disso, não Ana Júlia e o movimento que representa. Se tivesse preocupado com a causa dos secundaristas mais do que com a sua sobrevivência política, Lula teria inclusive se abstido deste telefonema.
Assim, é impressionante que ainda funcione essa nova versão dos comunistas que comem criancinhas enquanto os direitos da população estão sendo engolidos, digeridos e defecados em Brasília pelas forças que, mais uma fez, refazem o pacto conservador para manter os privilégios intactos. A tática de inventar um inimigo e alimentar com ele o medo da população é tão antiga quanto a humanidade. Que ainda funcione pode ser explicado por aqui pela péssima educação pública, que pode piorar ainda mais, como alertam os estudantes.
O MBL parece bem mais interessado em criminalizar os estudantes que ocupam as escolas do que em denunciar os corruptos que seguem dando as cartas em Brasília
O Movimento Brasil Livre (MBL), um dos protagonistas das manifestações pró-impeachment de Dilma Rousseff, tem atuado pela desocupação das escolas no Paraná e se esforçado para criminalizar o movimento dos estudantes. Aqueles que levantaram a bandeira da “corrupção” nas ruas do país, enquanto tiravam fotos junto com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), depois da deposição de Dilma parecem bem pouco interessados nos corruptos que seguem em Brasília dando as cartas. Mas, em contrapartida, estão muito empenhados em tirar os estudantes do caminho. Vale a pena observar com toda atenção que partidos o MBL apoia. Neste domingo, por exemplo, ajudou a eleger o novo prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), numa eleição que teve vidros estilhaçados e até uma morte, ambos os episódios ainda mal explicados. É a primeira vez que o PSDB comandará a capital gaúcha.
Com a Lava Jato rondando José Serra e Aécio Neves, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, vai chegando cada vez mais perto de ser o candidato do partido à presidência em 2018. Saiu das eleições de 2016, onde arriscou-se e ganhou, muito mais fortalecido. Se o PSDB foi o vencedor do pleito municipal, Alckmin – ao eleger João Doria prefeito de São Paulo ainda no primeiro turno, contrariando outros setores e caciques do partido, e ampliar a presença de sua base aliada nas prefeituras de outras cidades e regiões do estado – foi o campeão. Impressionante que ainda chamem de “picolé de chuchu” um dos políticos mais complexos – e assustadores – do Brasil atual.
Alckmin, o vencedor das eleições de 2016 que quer vencer em 2018, só perdeu batalhas significativas para os estudantes
Alckmin se reelegeu governador no primeiro turno, em 2014, em plena crise hídrica, negando a crise hídrica. Antes, em 2013, os protestos nas ruas aumentaram depois que a polícia de Alckmin arrebentou manifestantes e também jornalistas. Mas, em pouco tempo, com a ajuda de parte da imprensa, os manifestantes foram convertidos em “vândalos”. E, mais uma vez, Alckmin se safou.
Nos últimos anos, a única tentativa de Alckmin que não colou foi a criminalização dos estudantes que ocuparam as escolas públicas de São Paulo no final de 2015. Sua polícia começou a arrebentar crianças e adolescentes nas ruas e as imagens eram chocantes demais mesmo para os mais crédulos. Alckmin, o assustador, viu sua popularidade cair. O governador perdeu aquela batalha, e perdeu para adolescentes.
Os estudantes da escola pública estão no meio do caminho do projeto de poder de muita gente inescrupulosa. Com seus corpos franzinos. Com sua voz trêmula. Tão sós num momento em que os adultos que poderiam estar ao seu lado têm dificuldade para compreender a gravidade do momento e assumir responsabilidades.
Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes - o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum
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