sexta-feira, 24 de maio de 2019

Pseudos pós=graduados e bacharéis, autoridades do desgoverno Bolsonaro cometem estelionatos


  "Para a maior parte dos eleitores de Bozo, o conceito de alta escolaridade está ligado à fantasia pequeno burguesa de meritocracia, daí a profusão de currículos cheios de mestrados, doutorados e MBAs que não suportam um avaliação minimamente profissional, quando não uma simples checagem jornalística."


Do Contexto Livre:


A fixação da extrema direita brasileira pelos Estados Unidos e pelo american way of life criou uma onda de estelionatos acadêmicos desnudados, agora, pelo bolsonarismo.

A Universidade de Harvard, que habita o inconsciente coletivo dessa tigrada semi analfabeta, transformou-se em um delírio acadêmico orientador dos currículos de autoridades públicas ávidas por se autoafirmar como gente letrada.

Esse estelionato, além de, obviamente, criminoso, é também simbólico sobre a mentalidade colonizada dessa turba - ministros, procuradores, gestores públicos - em relação ao conhecimento.

Para a maior parte dos eleitores de Bozo, o conceito de alta escolaridade está ligado à fantasia pequeno burguesa de meritocracia, daí a profusão de currículos cheios de mestrados, doutorados e MBAs que não suportam um avaliação minimamente profissional, quando não uma simples checagem jornalística.

O caso mais recente é de um aliado de primeira hora do Reich, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, outro que formou-se na Harvard Fantasy da Bozolândia.

O fato é que o governo Bozo apenas deu visibilidade a um fenômeno que sempre esteve presente no submundo da tecnocracia brasileira, mas que, antes, não chamava a atenção, por desprezível, academicamente falando.

Assim, quatro ministros já foram pegos na mentira: Abraham Weintraub, da Educação; o antecessor dele, Ricardo Vélez Rodriguez; Ricardo Salles, do Meio Ambiente; e Damares Alves, dos Direitos Humanos.

Esta última, como sempre, inovou. Damares colocou no currículo ser mestra em educação, direito constitucional e direito da família. Flagrada no estelionato, argumentou ter sido formada pela Bíblia.

Agora, descobriram que Deltan Dallagnol, o beato Salu do Ministério Público, apagou do currículo um alegado mestrado, claro, em Harvard.

É esse, o nível.

Leandro Fortes, jornalista

Psiquiatra afirma que Bolsonaro, o falso mito da extrema-direita, não é caso clínico, mas criminal


Foto Brasil de Fato

da Fundação Perseu Abramo

Psiquiatra afirma que Bolsonaro não é caso clínico, mas criminal

Assim como outras políticas públicas aperfeiçoadas entre 2003 e 2014, a atenção em saúde mental também está sob ataque desde o golpe de 2016. Um dos mais fortes marcos nesta série de recuos ocorreu em abril de 2018, quando o então ministro da Saúde Osmar Terra (hoje na Cidadania e Ação Social) reorientou recursos do segmento, ampliando em 87 milhões de reais a fatia para as chamadas comunidades terapêuticas – nome idílico que esconde, na maioria das vezes, ambientes manicomiais.
Começava aí uma forte guinada na política de atendimento aos doentes mentais e aos dependentes químicos, pessoas cujos destinos, no período anterior à chamada luta antimanicomial e à reforma psiquiátrica, eram quase sempre a internação compulsória, o degredo, o esquecimento.
Essa cultura do encarceramento dos considerados loucos havia cedido espaço ao longo de árdua luta pela reforma psiquiátrica, movimento dos coletivos de saúde iniciado ainda durante a ditadura e que desembocou, somado a outros coletivos pela reforma sanitária, no processo de elaboração constituinte e que continuou, décadas depois, a tentar mudar essa realidade. A partir de 2003, como demonstram dados apresentados ao longo desta reportagem, essa mudança conheceu sua fase mais favorável, com prioridade ao atendimento humanizado, sem internação, com equipes multidisciplinares e participação das famílias.
O governo Bolsonaro, então, aprofunda o retrocesso. O mais recente, a nova legislação nacional antidrogas, aprovada semana passada, que privilegia a internação e promove a ampliação de rentável mercado, o dos hospitais psiquiátricos – rentável para seus donos, obviamente. Some-se a isso o congelamento dos gastos em saúde e a suspensão dos repasses para a rede de atenção psicossocial, o desemprego crescente que amplia a população de rua e o culto às armas para os “cidadãos de bem” e pode-se imaginar aberta a temporada de encarceramento ou até mesmo de caça aos “diferentes”, entre os quais, os loucos – lembrem o episódio recente em Santo André, quando dois endinheirados mataram um catador por pura farra.
Nesta entrevista, o psiquiatra Roberto Tykanori, um dos mais reconhecidos especialistas brasileiros e ex-coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde do governo Dilma, compara a concepção do atual governo sobre o tema com a política inspirada na luta antimanicomial. E, sobre o governo, diagnostica: “Olha, eu não acho que eles sejam doentes mentais. O que ele está fazendo são crimes. Crimes contra a Constituição, crimes contra os direitos, são crimes contra a humanidade. A meu ver deveriam ser tratados como criminosos. Não como doentes”.
Acompanhe:
Professor, há o que se comemorar no tema da luta antimanicomial?
Tykanori: O Dia 18 de Maio, desde que foi concebido, em 1987, não é um dia de comemoração. É um dia de luta. Dia da Luta Antimanicomial. Lá, o que se visava era divulgar, debater, tornar pública a crítica aos manicômios. E ganhar adeptos na sociedade civil. Óbvio que hoje, depois de 31 anos, tem um gosto de comemoração, de conquista, mas continua sendo um dia de luta. Mas, nacionalmente, ainda há a consciência de que há muito o que ser conquistado, ainda há muito a ser consolidado em termos de conceito, em termos de consenso social. Agora, acho que essa sua pergunta se refere ao contexto atual.
Sim.
Hoje, acho que a principal questão, que pode confundir um pouco, é que as lutas setoriais precisam ser vistas dentro de um contexto de lutas mais geral.
Como que as pessoas que se envolvem na luta antimanicomial voluntariamente, ou por necessidade pessoal ou familiar, podem convencer outras, que acreditam não ter nada a ver com isso? Como conquistar mais fatias da população a se envolver nesse debate?
O processo de construção da ideia de uma sociedade sem manicômios corre ao lado da ideia de construção de uma sociedade civilizada, uma sociedade fundada no Estado de Direito. Que possa ser inclusiva ao extremo. Numa sociedade assim não há espaço para os manicômios. Aí, não teríamos nenhum tipo de manicômio, nenhum tipo de segregação, nada que justifique o uso da força. Isso está no cerne da luta antimanicomial. Hoje a situação é grave porque, em 1987, nós estávamos saindo, no meio do processo da constituinte, logo depois vem a promulgação da Constituição, então todo o período de construção da luta antimanicomial acompanha a construção dessa República que se funda naquele momento. Há uma ruptura do consenso social histórico, essa é a questão. Em 88 construiu-se, aos trancos e barrancos em frente à história da ditadura, um pacto social em torno da Constituição. Não há como a gente, que é de um setor específico, não ficar preocupado, não sentir-se profundamente agredido, com o desmonte do Estado de Direito. Se você ataca as bases do Estado de Direito, não há nada, não há luta setorial que se sustente, muito menos a luta antimanicomial, que é muito vulnerável.
Houve uma disposição para o consenso, esse é um ponto. Neste momento, nós não vivemos uma disposição para o consenso, ao contrário. Nós temos uma situação em que uma fração da sociedade que não quer consenso, que acha que tem uma verdade pura que deve ser imposta ao restante das pessoas. É uma situação mais complexa, porque não tem uma porta para o consenso. Apesar das leis, o governo age, faz um decreto, e depois discute se é legal ou se não é. Há um abandono da relação política.
Créditos: Flickr/Ministério da Saúde
Tykanori: o sistema humanizado atende mais pessoas, com menor custo
A reforma da Previdência, tal como proposta pelo governo, segundo muitos analistas, vai danificar, ou mesmo destruir, os pilares da Seguridade Social, no qual se insere o SUS também, e consequentemente a saúde mental, não é?
Na reforma da Previdência, vivemos uma situação confusa. Existe uma questão técnica, que o mundo do trabalho não absorve mais tanta gente. Com a automação, perderam-se muitas vagas. As pessoas vão se deslocando para o setor terciário. Então esse setor também incha, porque também vem sendo automatizado. Por isso, poucos conseguem contribuir para a Previdência geral. Então, existe um problema de cálculo atuarial ao longo das décadas, com certeza. Agora, disso para dizer que o problema é imediato, que nos próximos três anos tem de economizar 1 trilhão de reais, etc e tal, parece uma piada. Ao mesmo tempo em que dizem isso, retiraram 600 bilhões da Previdência para passar para o Executivo, para a Economia (decreto da Presidência assinado em fevereiro redirecionou 606 bilhões de reais do chamado orçamento fiscal e da Seguridade Social para encargos financeiros da União).  É muita manipulação de ideias. Acho que a toada atual, com muito fundamentalismo, quer fazer crer que tudo será resolvido pelo mercado. Existe um outro lado, que não é econômico, mas sim um fundamentalismo político e religioso, que prega que tudo será organizado se houver uma moral, e essa moral é aquela que “o que é bom pra mim é ruim pros outros”. E a ideia de que essa moral quer ser imposta a todo custo, talvez seja o pior problema. É o abandono da política, o abandono da conciliação, é o abandono da composição. É necessária, na minha visão, a capacidade de a sociedade se compor e dizer: “Olha, isso não vai dar certo”. Quando você me diz se existe um ícone (na busca pelo consenso social), eu digo que existe, mas ele está inabilitado, porque ele está preso. Mas ele solto, ele falando, certamente é um motor de consensualização. Isso ele mostrou ao longo dos anos, não só como presidente mas por toda sua vida política.
O senhor fala em aprisionamento, isso me remete a essa ideia, defendida por muitos, de que pessoas que sofrem de algum tipo de sofrimento mental ou de algum tipo de dependência precisam ser internadas, voluntariamente ou não, o que me parece uma espécie de prisão. Por que os conservadores em geral, e este governo em especial, têm tanto apreço pela ideia de que as pessoas precisam ficar trancafiadas?
Em cru: a história da sociedade brasileira demonstrou que quando o Estado compra esse tipo de ideia, quem a vendeu, os seus defensores, sabem que uma pessoa presa dá muito dinheiro. Por quê? Porque a pessoa vista como pária, como sem valor, ou perigosa, o resto da sociedade agradece que essa pessoa seja encarcerada, certo?
Tirem da minha vista, não é?
Tirem da minha vista. Ninguém vai reclamar e ainda te dá dinheiro. Se você ajuda uma pessoa dessa que é julgada sem valor, melhora a vida de toda a sociedade. Por outro lado, se você aprisiona essa pessoa, não melhora em nada a vida da sociedade.
Se o conceito de encarceramento, de internação compulsória, se tornar dominante, existe a possibilidade de menores carentes serem internados sob o pretexto de usarem drogas, moradores de rua serem retirados à força?
Isso acontecia regularmente, antes, tanto a população de rua quanto crianças de rua serem levados para manicômios à força, serem raptados. Porque na rua elas não valem nada, nos manicômios elas valem muito para os donos do hospital. Existe um risco de que esse tipo de situação retorne. Mas entendo, não sei se sou otimista, que hoje temos um acùmulo de 30 anos de luta que não se limita apenas a quem trabalha ou milita nessa área, mas se estende às pessoas, aos jornalistas, igrejas e na sociedade como um todo, que entende que esse tipo de solução não é uma boa alternativa. Até porque a reforma psiquiátrica e as mudanças que propôs vêm mostrando respostas positivas e concretas no cuidado com essas pessoas. Há déficits ainda por aí, mas ela mostra que atende mais gente, mais eficazmente, prolonga mais a vida das pessoas, do que o sistema anterior. As comunidades que têm pessoas com transtornos sabem disso. Antes a internação era a única solução. Hoje há mais gente que não crê mais nisso.
Uma mãe, um pai, uma esposa, um marido, enfim, que tenha alguém na família que dê problemas recorrentes por causa do uso de substâncias químicas, pode achar melhor, mais conveniente, num primeiro momento, que esse ente seja retirado do convívio e passe um tempo isolado. Isso é verdade ou isso é enganoso?
Para se isolar das relações aviltadas, para a pessoa não ficar só brigando o tempo todo, isso sim. Mas isso não significa que a pessoa tem de ficar isolada. Uma coisa é o atrito que se dá entre duas pessoas, três, quatro. É aquela relação que está aviltada. Isso não significa que essa pessoa não possa estabelecer outras relações úteis, alimentadoras, em outros ambientes. A ideia de que uma relação aviltada deva levar ao isolamento é equivocada. Isolamento, ao contrário, não traz benefício pra ninguém. Isolamento leva literalmente à desumanização. A pessoa perde as referências humanas. Essa ideia de que o isolamento faz parte do tratamento não faz sentido. Sair do caos, sim, faz sentido. Por isso é que a reforma psiquiátrica preconiza que sim, se necessário, a pessoa possa ser encaminhada para o afastamento do ambiente de maior atrito, isso sim.
Existem estatísticas que demonstrem as taxas de reabilitação de um modelo comparado a outro?
Vamos usar um termo mais geral: indicador de sucesso. A primeira questão, se formos comparar, é literalmente quantitativa. Qual a demonstração da experiência brasileira de reforma psiquiátrica brasileira de 2002 para cá? Basicamente, com o mesmo percentual do orçamento federal, na média 2% do orçamento do Ministério da Saúde – que se manteve mais ou menos estável nesses anos todos – você atende 50 vezes mais pessoas do que antes. Porque se gastava muito dinheiro com poucos hospitais. E esse dinheiro não se revertia em benefícios para o conjunto da população. Proporcionalmente, poucas pessoas eram atendidas com muito dinheiro. O que aconteceu ao longo do tempo? Os recursos do governo federal passaram a ser destinados aos CAPS. Foi havendo cada vez mais recursos para a rede CAPS e cada vez menos para os hospitais. E acompanha essa curva descendente de recursos para os hospitais o aumento do número de pessoas da população atendidas. Essa é a primeira questão. Hoje, muito mais pessoas são atendidas e custa o mesmo X.
Isso não tem a ver com o sucesso do ponto de vista clínico, mas tem a ver com o sucesso do ponto de vista de administração. Do ponto de vista clínico, existe uma geração inteira que nunca passou por um manicômio. Nunca passou por internações prolongadas em hospitais psiquiátricos. O quadro clínico desses pacientes hoje é muito diferente do quadro clínico, digamos caricato, de quem passou por manicômios. Não é que nós encontramos a cura dos doentes mentais, é que eles se encaixam hoje em outro contexto. Tende a haver mais pessoas que mantêm minimamente suas capacidades, muita gente trabalhando, alguma atividade produtiva, mantêm suas articulações e suas relações. Então, qualitativamente, é bem claro: as pessoas têm uma vida melhor. Elas adquirem algum grau de respeito e conseguem respeitar.
Eu quero levar para uma outra abordagem: esse governo, assim como seus apoiadores, tem entre seus quadros pessoas que questionam a validade da vacinação, colocam em dúvida se a Terra é redonda ou não, há quem negue as mudanças climáticas. Nesse quadro de negação das descobertas científicas, das evidências históricas, onde se encaixa, na cabeça desses caras, a questão da saúde mental?
Bem, eu não sei. O que eu sei é que existe a intenção de criar um mercado lucrativo. O resto é discurso. Agora, é verdade: como lidar com um governo que diz que a Terra é plana, que nega o Holocausto, daqui a pouco vai negar a Segunda Guerra, a escravidão? Esses discursos radicais, tolos, são feitos deliberadamente. Parece que quanto mais chocantes, mais os outros ficam paralisados. Mas me parece que não conseguem nem criar unidade no campo do governo. O governo está se esfacelando.
Por fim, o que o senhor receitaria para Bolsonaro e seus ministros? Internação, hospital-dia ou CAPS?
Olha, eu não acho que eles sejam doentes mentais. Existe no campo da psicologia e da psiquiatria um conceito que se chama perversão. A ideia de perverso é aquele que distorce a situação. É um desvio de personalidade, é uma personalidade antissocial. A gente tem de entender isso pelo que existe de Estado de Direito. O que ele está fazendo são crimes. Crimes contra a Constituição, crimes contra os direitos, são crimes contra a humanidade. A meu ver deveriam ser tratados como criminosos. Não como doentes.

O projeto econômico Paulo Guedes vai resultar em demissões em massa, é da lógica mundial de privatizações, CORTAR CUSTOS, como a VALE fez com as barragens




Os mercados não vão criar empregos

por André Motta Araújo

A vergonhosa submissão da grande mídia aos mercados participa do engodo que diz que “após a reforma da previdência virão investimentos que criarão empregos” bla, bla, bla. Total mistificação que qualquer mídia minimamente inteligente deveria contestar. Sabem mas são coniventes na mistificação.
O investimento dos “mercados” para o Brasil, quando e se virão, será de fundos não conservadores que só se interessam por taxas de retornos altíssimas, tipo 15 a 18% ao ano. São fundos especulativos, um pouco acima de fundos abutres. Essas taxas de retornos só são possíveis em operações altamente alavancadas, por exemplo uma usina de energia onde o equity (capital de risco) é 30% e o financiamento em reais é de 70%. Eles se interessam por galinhas mortas de privatizações na bacia das almas, compram para revender depois, não tem nenhum interesse em investimentos a longo prazo, só querem negócios onde entram com 100 e saem com 300 dois anos depois.
Esse tipo de negócio pirata não gera NENHUM emprego, ao contrário, desemprega. Típico negócio de bancos de investimento cariocas, lembrando que empresas como LIGHT RIO, OI, BRASIL TELECOM, VALE, CSB, ELETROPAULO, CESP 3 (Duke), CPFL, AES SUL, foram compradas e REVENDIDAS nesse jogo especulativo. Quem arrematou na privatização depois revendeu, NENHUMA GEROU EMPREGOS, os negócios que o “plano Paulo Guedes de privatizações” está montando e disso para pior, jogadas especulativas, empregos ZERO.
Fundos conservadores americanos, fundos de pensão, consideram o Brasil muito arriscado, o BRASIL NÃO TEM GRAU DE INVESTIMENTO, está três níveis abaixo desse grau, só fundos piratas, um pouquinho melhores que abutres, podem arriscar alguma coisa no Brasil, o resto é lenda para trouxas.
A ideia que depois da “reforma da Previdência” virão grandes investimentos no Brasil´ é uma MIRAGEM, é mistificação, só virão fundos especulativos.
INVESTIMENTOS REAIS NA INFRAESTRUTURA
Tradicionalmente rendem taxas de retorno modestas, 5 a 8%, SÓ CHINESES SE INTERESSAM, mas eles estão ariscos com a atitude anti-chinesa já declarada pelo governo Bolsonaro. Os chineses são altamente sensíveis ao ambiente político em países onde investem, estão receosos de investir no Brasil.
As estatais chinesas já tem US$ 63 bilhões de dólares investidos no Brasil, especialmente STATE GRID em linhas de transmissão,  na compra da CPFL, segunda maior distribuidora  do País, pela qual pagaram ao grupo Camargo Correa R$1 2 bilhões e na antiga CESP Paranapanema, recompra do que era a americana DUKE ENERGY, dos americanos da primeira leva dos anos 90, só sobrou um pedaço da poderosa AES na antiga CESP Tietê.
OS ESPECULADORES DE OLHO NAS PRIVATIZAÇÕES
A fina flor dos especuladores de Nova York e Greenwich, Conn., que tem metas alucinadas de retorno de 18% ao ano tem interesse em comprar estatais que valem US$ 20 bilhões por US$ 3 bilhões e ainda financiando, no BNDES, 70% do preço de compra em Reais. O time Guedes sabe disso e está preparado para essas transações, eles são ideologicamente favoráveis às privatizações, acham bom negócio para o País, mesmo que deem as empresas de graça.
A QUESTÃO DOS EMPREGOS
Alguém em sã consciência acha que quando o pernóstico presidente da PETROBRAS Paulo Roberto Castello Branco, com sua pose de Rei Luis XV, vender as OITO refinarias, quem comprar não vai cortar 70% dos empregos? A ELETROPAULO estatal, que sempre foi lucrativa, foi privatizada com 27.000 empregados, nível adequado a uma empresa com 8 milhões de clientes, em dois anos tinha 3.600, o resto foi demitido. Nas refinarias o corte vai ser por aí.
O projeto econômico Paulo Guedes vai resultar em demissões em massa, é da lógica mundial de privatizações, CORTAR CUSTOS, como a VALE fez com as barragens, é a forma clássica de elevar as taxas de retorno e garantir os bônus dos executivos, a VALE é a síntese da lógica das privatizações.
Quem achar que estou exagerando, fui consultor dos principais compradores de privatizações na Era FHC, depois diretor de empresas privatizadas representando o comprador estrangeiro, depois consultor de fundos americanos e canadenses interessados em privatizações no Brasil.
Meu conhecimento é POR DENTRO do processo e não de acadêmico, o novo ciclo de privatizações será muito pior do que o ciclo da Era FHC.
AMA

Slavoj Žižek escreve sobre o desfecho da série "Game of Thrones"


  "A figura Daenerys como rainha tresloucada é rigorosamente uma fantasia masculina. A cena em que ela, tomada por um olhar de fúria e loucura, sobrevoa a cidade em seu dragão e incendiando casas e pessoas é simplesmente a expressão da ideologia patriarcal e seu medo de uma mulher politicamente forte."

do Blog da Boitempo (também reproduzada no GGN)

Feminilidade tóxica em “Game of Thrones” | Žižek escreve sobre o desfecho da série

Por Slavoj Žižek.


* TEXTO ENVIADO DIRETAMENTE PELO AUTOR PARA SUA COLUNA NO BLOG DA BOITEMPO. 
A TRADUÇÃO É DE ARTUR RENZO.
A última temporada de Game of Thrones ensejou um grande alarde público, que culminou em uma petição (assinada por quase um milhão de espectadores indignados) exigindo que se desqualificasse a temporada inteira e regravasse uma nova. A fúria que marcou debate é, por si só, indício de que há bastante em jogo, em termos de ideologia.
A insatisfação girou em torno de dois pontos principais: enredo ruim (sob pressão de encerrar rapidamente a série, a complexidade da narrativa ficou prejudicada) e psicologia ruim (a transformação de Daenerys em Rainha Louca não se justifica em termos da trajetória da personagem). Uma das poucas vozes inteligentes no debate foi a do escritor Stephen King, que assinalou que a insatisfação não teria sido provocada pelo final ruim, mas pela própria existência de um final – em nossa era de séries, que a princípio continuam indefinidamente, a própria ideia de um fechamento narrativo torna-se intolerável. É verdade que, no célere desfecho da série, impera uma estranha lógica – mas trata-se de uma lógica que viola não tanto a verossimilhança da psicologia, mas as próprias pressuposições narrativas de uma série televisiva. Afinal, a última temporada resume-se aos preparativos para uma batalha, o pesar e destruição que se seguem à batalha, e o próprio combatente diante de toda essa falta de sentido – algo muito mais realístico para mim do que os habituais enredos melodramáticos góticos.
O universo de Game of Thrones (assim como o de O senhor dos anéis) é espiritualizado mas desprovido de Deus: há forças sobrenaturais, mas elas fazem parte da natureza, e não há deuses mais elevados tampouco sacerdotes as servindo. No interior desse quadro, o desenho da oitava temporada é profundamente consistente: ela encena três lutas consecutivas. A primeira é travada entre a humanidade e seus Outros inumanos (representados pelo Exército da Noite do Norte, liderado pelo Rei da Noite). Em seguida, a disputa se dá entre os dois principais grupos de humanos (os malvados Lannister e a coalizão contra eles liderada por Daenerys e pelos Stark). Por fim, tem-se o conflito interno entre Daenerys e os Stark. É por isso que as batalhas da oitava temporada seguem um caminho lógico que parte de uma oposição externa para chegar à cisão interna: a derrota do inumano Exército da Noite, a derrota dos Lannister e a destruição de King’s Landing, até chegar no último embate entre os Stark e Daenerys – em última instância entre a “boa” e tradicional nobreza (representada pelos Stark), que protege lealmente seus sujeitos das garras de tiranos maus, e a figura de Daenerys, como uma líder forte de novo tipo, uma espécie de bonapartista progressista atuando em prol dos menos privilegiados. O que está em jogo no conflito final é, para resumir de maneira simples, o seguinte: a revolta contra a tirania deveria se dar no marco de uma mera luta pelo retorno à versão antiga, mais bondosa, da mesma ordem hierárquica, ou deveria evoluir no sentido de uma busca por uma nova ordem necessária?


Os espectadores insatisfeitos têm um problema com esse último embate – não é de se espantar, visto que ela combina a rejeição de uma transformação radical com um velho tema antifeminista verificado nas obras de Hegel, Schelling e Wagner. Em sua Fenomenologia do Espírito, Hegel introduz sua famosa noção da feminilidade como “a eterna ironia da comunidade”: a mulher “transforma por suas intrigas o fim universal do Governo em um fim-privado, converte sua atividade universal no produto de algum indivíduo particular, e perverte a propriedade universal do Estado em patrimônio e adorno da família”1 Essas linhas se encaixam perfeitamente com a figura de Ortrud, da ópera Lohengrin, de Richard Wagner: para ele, não há nada mais horrível e repugnante do que uma mulher que intervém na vida política, motivada por um desejo de poder. Diferentemente do que ocorreria com a ambição masculina, a mulher, incapaz que é de apreender a dimensão universal da política estatal, almejaria o poder a fim de promover seus próprios interesses familiares estreitos – ou pior, seus caprichos pessoais. Como não lembrar da passagem de F. W. J. Schelling segundo a qual “o princípio que funciona e nos sustenta com sua ineficácia é o mesmo que nos consumiria e destruiria com sua eficácia”?2 – o poder que, quando mantido em seu lugar adequado, pode ser benigno e pacificador converte-se no seu oposto radical, na fúria mais destrutiva, tão logo incide num patamar mais alto, patamar que não é o dele. A mesma feminilidade que, dentro do círculo fechado da vida familiar, configura o próprio poder do amor protetor transforma-se em frenesi obsceno quando se manifesta no patamar dos assuntos públicos e do Estado. O ponto mais baixo do diálogo é o momento em que Daenerys diz a Jon Snow que se ele não consegue amá-la enquanto rainha, que reinaria o medo – o arquétipo embaraçosamente vulgar da mulher sexualmente insatisfeita que explode em fúria destrutiva.
Mas mordamos agora nossa maça azeda: o que dizer das explosões assassinas de Daenerys? A chacina impiedosa de milhares de pessoas comuns em King’s Landing poderia realmente ser justificada como um passo necessário para a liberdade universal? Trata-se de algo de fato imperdoável – mas nesse ponto, é preciso lembrarmos de que o enredo foi escrito por dois homens. A figura Daenerys como rainha tresloucada é rigorosamente uma fantasia masculina (os críticos acertaram ao apontar que sua descida à loucura não se justificava psicologicamente). A cena em que ela, tomada por um olhar de fúria e loucura, sobrevoa a cidade em seu dragão incendiando casas e pessoas é simplesmente a expressão da ideologia patriarcal e seu medo de uma mulher politicamente forte.
O destino final das protagonistas mulheres em Game of Thrones se encaixa nessas coordenadas. É central a oposição entre Cersei e Daenerys, as duas mulheres ligadas ao poder, e a mensagem do conflito delas é claro: ainda que a boa vença, o poder corrompe a mulher. Arya (que salvou todos eles quando matou, sozinha, o Rei da Noite) também desaparece, embarcando em uma viagem a oeste do Oeste (como se para colonizar a América). A que permanece (como rainha do reino autônomo do Norte) é Sansa, um tipo de mulher amada pelo capitalismo contemporâneo: ela reúne delicadeza e compreensão femininas com uma boa dose de intriga, e assim se encaixa plenamente nas novas relações de poder. Essa marginalização das mulheres é um momento chave da lição liberal-conservadora geral do último episódio: as revoluções precisam dar errado, elas ensejam novas tiranias.
Os espectadores insatisfeitos têm um problema com esse último embate – não é de se espantar, visto que ela combina a rejeição de uma transformação radical com um velho tema antifeminista verificado nas obras de Hegel, Schelling e Wagner. Em sua Fenomenologia do Espírito, Hegel introduz sua famosa noção da feminilidade como “a eterna ironia da comunidade”: a mulher “transforma por suas intrigas o fim universal do Governo em um fim-privado, converte sua atividade universal no produto de algum indivíduo particular, e perverte a propriedade universal do Estado em patrimônio e adorno da família”1 Essas linhas se encaixam perfeitamente com a figura de Ortrud, da ópera Lohengrin, de Richard Wagner: para ele, não há nada mais horrível e repugnante do que uma mulher que intervém na vida política, motivada por um desejo de poder. Diferentemente do que ocorreria com a ambição masculina, a mulher, incapaz que é de apreender a dimensão universal da política estatal, almejaria o poder a fim de promover seus próprios interesses familiares estreitos – ou pior, seus caprichos pessoais. Como não lembrar da passagem de F. W. J. Schelling segundo a qual “o princípio que funciona e nos sustenta com sua ineficácia é o mesmo que nos consumiria e destruiria com sua eficácia”?2 – o poder que, quando mantido em seu lugar adequado, pode ser benigno e pacificador converte-se no seu oposto radical, na fúria mais destrutiva, tão logo incide num patamar mais alto, patamar que não é o dele. A mesma feminilidade que, dentro do círculo fechado da vida familiar, configura o próprio poder do amor protetor transforma-se em frenesi obsceno quando se manifesta no patamar dos assuntos públicos e do Estado. O ponto mais baixo do diálogo é o momento em que Daenerys diz a Jon Snow que se ele não consegue amá-la enquanto rainha, que reinaria o medo – o arquétipo embaraçosamente vulgar da mulher sexualmente insatisfeita que explode em fúria destrutiva.
Mas mordamos agora nossa maça azeda: o que dizer das explosões assassinas de Daenerys? A chacina impiedosa de milhares de pessoas comuns em King’s Landing poderia realmente ser justificada como um passo necessário para a liberdade universal? Trata-se de algo de fato imperdoável – mas nesse ponto, é preciso lembrarmos de que o enredo foi escrito por dois homens. A figura Daenerys como rainha tresloucada é rigorosamente uma fantasia masculina (os críticos acertaram ao apontar que sua descida à loucura não se justificava psicologicamente). A cena em que ela, tomada por um olhar de fúria e loucura, sobrevoa a cidade em seu dragão incendiando casas e pessoas é simplesmente a expressão da ideologia patriarcal e seu medo de uma mulher politicamente forte.
O destino final das protagonistas mulheres em Game of Thrones se encaixa nessas coordenadas. É central a oposição entre Cersei e Daenerys, as duas mulheres ligadas ao poder, e a mensagem do conflito delas é claro: ainda que a boa vença, o poder corrompe a mulher. Arya (que salvou todos eles quando matou, sozinha, o Rei da Noite) também desaparece, embarcando em uma viagem a oeste do Oeste (como se para colonizar a América). A que permanece (como rainha do reino autônomo do Norte) é Sansa, um tipo de mulher amada pelo capitalismo contemporâneo: ela reúne delicadeza e compreensão femininas com uma boa dose de intriga, e assim se encaixa plenamente nas novas relações de poder. Essa marginalização das mulheres é um momento chave da lição liberal-conservadora geral do último episódio: as revoluções precisam dar errado, elas ensejam novas tiranias.
mesmo não poderia ser dito de Batman: o cavaleiro das trevas ressurge, o último filme da trilogia do Batman dirigida por Christopher Nolan? Embora Bane seja o vilão oficial, há indícios de que ele, muito mais do que o próprio Batman, configura o autêntico herói do filme, distorcido como seu vilão: ele está disposto a sacrificar sua vida pelo seu amor, pronto para colocar tudo em risco por aquilo que ele entende por injustiça, e esse fato básico é ofuscado por sinais superficiais e francamente ridículos de maldade destrutiva.3 Também no filme Pantera Negranão seria o personagem de Killmonger o verdadeiro herói? Ele prefere morrer livre do que ser curado e sobreviver na falsa abundância de Wakanda – o forte impacto ético das palavras finais de Killmonger imediatamente estragam a ideia de que ele seria um vilão simples…4 Mas, voltemos ao final de Game of thrones. A lição liberal-conservadora transparece mais claramente nas seguintes palavras ditas por Jon Snow a Daenerys:
“Eu nunca imaginei que os dragões existiriam de novo; ninguém imaginava. As pessoas que te seguem sabem que você fez algo impossível acontecer. Talvez isso as ajude a acreditar que você pode fazer com que outras coisas impossíveis ocorram: construir um mundo diferente da merda que eles sempre conheceram. Mas se você os usa [os dragões] para derreter castelos e queimar cidades, você não é nada diferente. É só mais do mesmo.”
Assim, Jon mata por amor (salvando de si mesma a mulher amaldiçoada, conforme a velha fórmula chauvinista) o único agente social da série que realmente lutou por algo novo, por um mundo novo que daria um fim às velhas injustiças. Então não é de se espantar que o último episódio da temporada foi bem-recebido: a justiça prevaleceu – mas que tipo de justiça? Cada pessoa é alocada a seu devido lugar: Daenerys, que perturbou a ordem estabelecida, é morta e levada para longe por seu último dragão. O novo rei é Bran: aleijado, onisciente, que não quer nada – com a evocação da sabedoria insípida segundo a qual os melhores governantes seriam aqueles que não querem o poder. Em um desfecho supremamente politicamente correto, um aleijado governa, agora auxiliado por um anão, e eleito pela nova elite sábia. (Um belo detalhe: o riso que se segue quando um deles propõe uma seleção mais democrática do rei). E é impossível não notar que aqueles que se mostram fieis a Daenerys até o final têm a pele mais escura – o grande comandante militar dela é negro – e são mais do Oriente, ao passo que os novos governantes são claramente todos nórdicos brancos. A rainha radical que queria mais liberdade para todos independentemente de posição social e raça é eliminada, as coisas voltam ao normal, e tempera-se a miséria deles por sabedorias.
Notas
1 “Essa feminilidade – a eterna ironia da comunidade – muda por suas intrigas o fim universal do Governo em um fim-privado, transforma sua atividade universal em uma obra deste indivíduo determinado, e perverte a propriedade universal do Estado em patrimônio e adorno da família.” G. W. F. Hegel, Fenomenologia do Espírito, trad. Paulo Meneses, com a colaboração de Karl-Heinz Efken e José Nogueira Machado (Petrópolis, Vozes, 2003), p. 329.
2 F. W. J. Schelling, Die Weltalter. Fragmente. In den Urfassungen von 1811 und 1813, ed. Manfred Schroeter, Munich: Biederstein 1946 (reprint 1979), p. 13.
3 Para uma análise mais detida dessa questão no filme Batman: o cavaleiro das trevas ressurge, ver Slavoj Žižek, “Ditadura do proletariado em Gotham City:”, trad. Rogério Bettoni, Blog da Boitempo, 8 ago. 2012. (N. E.)
4 Para uma análise mais detida, ver Slavoj Žižek, “Dois Panteras Negras“, trad. Artur Renzo, Blog da Boitempo, 27 fev. 2018. (N. E.)
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Slavoj Žižek nasceu na cidade de Liubliana, Eslovênia, em 1949. É filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência principalmente de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós-modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Žižek preside a Society for Theoretical Psychoanalysis, de Liubliana, e é um dos diretores do centro de humanidades da University of London. Dele, a Boitempo publicou Bem-vindo ao deserto do Real! (2003), Às portas da revolução (escritos de Lenin de 1917) (2005), A visão em paralaxe (2008), Lacrimae rerum (2009), Em defesa das causas perdidasPrimeiro como tragédia, depois como farsa (ambos de 2011), Vivendo no fim dos tempos (2012), O ano em que sonhamos perigosamente (2012), Menos que nada (2013), Violência (2014),  O absoluto frágil (2015) e O sujeito incômodo: o centro ausente da ontologia política (2016). Colabora com o Blog da Boitempo esporadicamente.
Artur Renzo é editor do Blog da Boitempo, da TV Boitempo e da revista Margem Esquerda. Formado em Filosofia e em Comunicação Social com habilitação em Cinema, traduziu, entre outros, A loucura da razão econômica: Marx e o capital no século XXI (Boitempo, 2018), de David Harvey.




Corrupção do clã do cada vez mais explícito Falso Mito deve realmente ser “muito grave” para Bolsonaro promover autogolpe visando intimidar ou fechar o Congresso e o STF, diz Eliane Brum



Para escritora e colunista do El País, Bolsonaro não governa para a Nação, mas para o próprio clã, formado por família e seguidores. E é para defender o clã que quer aumentar o próprio poder





Jornal GGN Deve ser “muito fundo e muito grave o que os investigadores poderão encontrar, caso não forem impedidos”, no inquérito contra Flávio Bolsonaro. É possível que a suposta corrupção do zeroum não tenha ficado restrita ao gabinete, estendendo-se a outros membros do clã Bolsonaro. É o que explica o “antipresidente” Jair querer colocar as tropas de “bolsocrentes” nas ruas. A avaliação é da jornalista e escritora Eliane Brum, em artigo no El País.
“Bolsonaro não é um presidente, mas sim um chefe de clã na presidência”, afirma a jornalista. “O que o domingo mostrará é quantos crentes o clã Bolsonaro conseguirá mover na tentativa de barrar as investigações do filho zeroum.”
Na visão da escritora, Bolsonaro pode até tentar argumentar que não consegue governar com instabilidades causadas pelas instituições, incluindo Congresso e Judiciário. Mas a verdade é que apenas Bolsonaro impede Bolsonaro de governar para a Nação. Em cinco meses no poder, fez gestos apenas em favor de seu clã, que envolve familiares e seguidores.
“O autogolpe está em andamento não porque o projeto de Bolsonaro para o país está ameaçado. E sim porque o projeto de Bolsonaro para o seu próprio clã está ameaçado. Primeiro pelas investigações que, se não forem barradas, possivelmente alcançarão outros membros do clã. Como impedir então que as investigações continuem? Pelo golpe. Botando os crentes na rua para, como eles próprios gritam nas redes sociais, fechar o Congresso e fechar o STF, a instância máxima do judiciário.”
“Não há ninguém impedindo Bolsonaro de governar para o país, além dele mesmo e de seu clã. A questão é que eles nunca quiseram governar para o país, porque a nação não lhes interessa. O que eles sempre quiseram foi governar para o clã e, assim, transformar o território da nação no território do clã. Agora o clã está ameaçado porque as instituições democráticas funcionam mal, mas ainda funcionam. Funcionam o suficiente para investigar se o filho zeroum cometeu os crimes dos quais é suspeito e apurar quem mais está envolvido”, complementou.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Do El País: Dia 26 - A Marcha da Loucura fascista, por Juan Arias



A manifestação pró Bolsonaro prevista para domingo 26 não será mais uma. Deixará marcas profundas, triunfando ou fracassando. O Brasil ficará perigosamente dividido





Bolsonaro durante sua campanha eleitoral, em 7 de outubro de 2018, no Rio de Janeiro MAURO PIMENTELAFP


do El Pais

A marcha da loucura

por Juan Arias

A anunciada manifestação para o domingo 26 dos seguidores do presidente Jair Bolsonaro contra os que teriam transformado esse país em “ingovernável” poderá ter consequências difíceis de se calcular.
Cresce o medo sobre os resultados dessa marcha sobre Brasília para defender o “mito” que se sente encurralado pelos que pretendem impedi-lo de realizar a missão que Deus lhe encomendou de devolver ao país corrompido sua pureza perdida. Medo que começou a preocupar até políticos de seu partido e muitos que votaram nele e hoje se sentem assustados e tentam dissuadi-lo dessa manifestação chamada de “marcha da loucura”.
E eu acredito que não existem precedentes na história das democracias mundiais de um Governo que cinco meses após sua eleição e que deveria viver sua lua de mel decide mobilizar o país em sua defesa ao se sentir sitiado pelos que, segundo ele, tentam impedi-lo de governar.
As manifestações, normalmente, são organizadas pelas oposições para exigir que as promessas de suas campanhas eleitorais sejam cumpridas. Curiosamente, no Brasil, até agora, a oposição parece na verdade muda e desunida contra um Governo que se apresenta incapaz de entender o que a sociedade pede dele.
Não é de se estranhar que a manifestação que está sendo organizada nas redes sociais pelas hostes mais aguerridas e violentas de Bolsonaro seja batizada também como “a marcha do medo”. Parece que de repente os demônios foram liberados e se fala sem pudor de “incendiar Brasília”, de “fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal”, que seriam a grande meretriz da política. Há até um general da reserva, Luiz Eduardo Rocha Paiva, que acha natural que se não deixarem Bolsonaro governar “estaríamos dispostos a pegar em armas para defender a liberdade e a justiça”, incitando a uma guerra civil. Curiosamente o general destoa da atitude de moderação que até agora demonstrou o restante de seus colegas militares.
Essa ideia de incendiar os outros poderes que dividem com o presidente a liderança e governabilidade do país nos faz lembrar como, já entre os romanos, imperadores como Nero usaram da artimanha de provocar incêndios de verdade, como o que destruiu meia Roma, para jogar sua responsabilidade sobre seus supostos inimigos.
No caso de Nero, o imperador aproveitou o incêndio de Roma para acusar os cristãos de sua autoria, considerados como inimigos do Império. Conhecemos os resultados: aqueles cristãos, dentre os quais estavam os apóstolos, Pedro e Paulo, foram martirizados, queimados na fogueira, crucificados e jogados aos cachorros para que fossem devorados vivos.
É difícil encontrar no Brasil precedentes de uma alucinação semelhante à que esse Governo vive, que vê por todos os lados inimigos e intrigas para derrubá-lo antes ainda de ter iniciado seu caminho. É difícil encontrar no passado um clima de política baseado na negatividade, na raiva e no ódio, como se de repente o Brasil e os brasileiros tivessem se transformado em monstros irreconhecíveis e inimigos de seu próprio país.
É difícil encontrar um grupo político tão apaixonado pela força das armas em guerra contra inimigos imaginários. Sua bandeira é a da desconfiança e da caça aos que não se ajoelharem diante de seus novos preceitos mortificadores de liberdades, que pretendem calar os que tentam ver o mundo e a vida com olhos que não sejam os seus.
A manifestação prevista para domingo não será mais uma. Deixará marcas profundas, triunfando ou fracassando. O Brasil ficará perigosamente dividido. No caso de o Governo conseguir encher as ruas do país gritando contra os pilares que hoje sustentam a democracia, não é difícil prever que os conflitos se agravarão. Seria um passaporte para que um Governo autoritário imponha suas leis com mão de ferro.
E se fracassar? Se não forem capazes de mobilizar mais gente do que o fizeram os jovens estudantes, e se não conseguir ser pacífica? Nesse caso, o mito Bolsonaro deveria ter a grandeza de admitir seu fracasso, de renunciar e passar o comando a alguém que seja capaz de reunificar um país cada dia mais perigosamente cético da política e da democracia.
Existe o perigo real de que essa guerra ideológica e essa desconfiança nas regras democráticas também acabem arrastando o país a uma crise econômica que quebraria a já martirizada caravana de milhões de pobres e desempregados que acabam sendo sempre o alvo das loucuras dos que deveriam protegê-los.